terça-feira, 27 de setembro de 2016

Final única e participantes convidados: o pacotaço da Conmebol para piorar a Libertadores

Confesso que fiquei muito feliz ao abrir os sites esportivos hoje à tarde e ver que a Conmebol havia chegado à conclusão de que a Libertadores precisava de mudanças, e já a partir de 2017. Principalmente porque a alteração mais comentada era a de esticá-la: em vez de acavalar o torneio entre fevereiro e julho, como ocorre há muitos anos, aumentar sua duração até novembro e fazer com que alguns dos eliminados na fase de grupos disputem a Copa Sul-Americana - que começará em junho e terminará também no fim do ano. Modelo semelhante ao que ocorre na Europa, com suas duas principais competições continentais.

O principal motivo de minha satisfação é que a mudança tende a forçar a CBF a mexer no calendário brasileiro. Como Libertadores e Sul-Americana correrão juntas de junho a novembro, há duas opções: a Copa do Brasil será disputada só até metade do ano e com todos os seus potenciais participantes, como nos anos 90, ou será igualmente alongada - o que é possível, já que a própria Libertadores ocupará datas mais espaçadas entre suas fases.

Ambas opções são melhores que as adotadas anteriormente (clubes da Libertadores não jogam a Copa do Brasil) ou atualmente (eliminados da Copa do Brasil precocemente jogam a Sul-Americana). E, para funcionarem, talvez obriguem a entidade a repensar o modelo dos campeonatos estaduais, reduzindo seu número de datas de forma que seja possível aos clubes conciliarem três competições fortes ao mesmo tempo no fim do ano. Até mesmo a preparação física tenderia a mudar, neste caso: há clubes que trabalham com dois picos físicos (um para julho, outro para dezembro) para os meses de decisões. Agora, todas ocorrerão no fim do ano, como ocorre no Velho Continente.

Só que nem tudo que vem da Europa serve para a nossa realidade. E uma medida terrível, que há tempos é ventilada de forma quase que ameaçadora, parece prestes a ser posta prática: a final em jogo único e campo neutro. Argumenta a Conmebol uma suposta maior justiça, pois, das últimas dez finais de Libertadores, sete tiveram o mandante do segundo jogo como campeão. O argumento em si já é bem questionável - afinal, quem disputa o segundo jogo é porque teve melhor campanha e, em tese, é um pouco mais forte, mas a questão vai muito além disso: a festa das torcidas na decisão da Libertadores é talvez o maior charme do futebol sul-americano, o auge do ano no nosso continente. E isso não ocorrerá mais.

Esse caráter tão peculiar do nosso torneio principal será subtraído em prol de um estrangeirismo mal importado, trazido a fórceps de uma realidade que conta com malha ferroviária superior, capacidade de deslocamento das pessoas bem melhor e poder aquisitivo médio da população maior. São realidades distintas, modos de encarar o futebol quase que opostos, e isso precisa ser considerado. Ver o que dá certo na Europa é bom para uma série de situações, como combater o nosso atraso em questões como estádios precários e punição a dirigentes corruptos, mas péssimo em outras tantas, como neste monstrengo que está se criando - imaginem quantos torcedores teríamos, digamos, no Allianz Parque, para Atlético Nacional x Independiente del Valle na decisão deste ano?

Aliás, além de alongar a Libertadores, uma outra boa medida para copiarmos dos europeus e que não será realizada seria a de impedir que clubes convidados a disputassem. Pois ao aumentar de 38 para 42 os participantes da Libertadores, a Conmebol cogita convidar quatro equipes para disputá-la a cada edição, segundo critérios pouco elucidados até agora. Isso seria o fim da seriedade de uma competição que sempre foi tão valorizada por sua dificuldade, tanto de participação como no seu próprio ingresso, ao exigir que dela participem somente os melhores times de cada país.

E assim essa tarde cheia de esperança que comecei a viver hoje se transformou em mais uma das tantas de enorme preocupação com o cenário do nosso futebol continental. Pensando bem, a Libertadores acavalada, a Sul-Americana cheia de clubes brasileiros ruins e os estaduais de 19 datas não pareciam tão ruins assim...

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Para escapar da segunda divisão, Inter terá de render quatro vezes mais que no último turno

Pratto vence Danilo Fernandes e define a vitória do Atlético
Um fato foi muito lembrado ontem à noite, após a derrota do Internacional para o Atlético Mineiro: quando venceu o Galo por 2 a 0, há exatamente um turno, o Colorado era o líder, e o Galo o 18º colocado do Brasileirão. Passadas 19 rodadas daquele 16 de junho, o time mineiro subiu para a 3ª posição, somando 42 pontos neste turno inteiro que se passou. Os gaúchos caíram para o mesmo 18º lugar ocupado naquela época pelo time de Belo Horizonte. E fez só oito pontinhos de 57 disputados.

De lá para cá, em 103 dias, o Inter ganhou só uma vez - do Santos, favorecido por uma expulsão bem questionável de Lucas Lima. O aproveitamento, de 14,0%, é inferior ao do América de Natal de 2007, pior time da história do Brasileiro por pontos corridos. Aquele América, aliás, é o único time da história que fez um turno inferior a este período das últimas 19 rodadas do Internacional, ganhando só 7 pontinhos na segunda metade do certame de nove anos atrás.

Dos 11 jogos que ainda tem pela frente, o Inter jogará seis no Beira-Rio. Numa conta simples, ganhando todas em casa a equipe de Celso Roth chegará a 45 pontos e terá pontuação virtualmente suficiente para escapar. Mas o que leva a crer que um time que acumula 14,0% de aproveitamento e só uma vitória em 19 rodadas subirá este rendimento para 54,5% na reta final?

Se as coisas seguirem como estão, nada. Em 2003, em situação até pior, o Grêmio penava com nomes como Jorge Mutt, Eduardo Marques e Flávio Dias, enquanto nomes como Christian, Gilberto e Tinga jogavam pouco ou nem entravam em campo. Bastaram estes jogadores começarem a jogar que o time reagiu: de 26,3% nas 33 primeiras rodadas, subiu para 61,5% na reta final e escapou da queda. Mas, vale lembrar, eram apenas dois clubes rebaixados naquela temporada. Agora, são quatro. 

O Inter atual tem essas peças arquivadas (Vitinho é o caso mais emblemático) ou no banco (Nico López e Seijas). Não há motivo suficiente para que Roth se dê ao luxo de deixá-las de fora num momento como esse, onde o pouco que há de qualidade pode ajudar a resolver - algo que Anselmo, Fernando Bob ou Aylon não serão capazes, uns pela juventude, outros pela fragilidade técnica. Insistir em jogo feio resolvido por um chutaço de Vitinho foi um erro crasso de Argel Fucks, que está cobrando seu preço agora. Mas não ter essa alternativa num momento de desespero como o atual é prescindir talvez de uma das únicas chances de reação. Se jogar bem será impossível até dezembro, os resultados precisarão vir de alguma forma. Com a mediocridade que se tem visto (cinco derrotas seguidas, incluindo Vitória em casa, Fortaleza e América mineiro na sequência), não há como.

O discurso após a derrota de ontem já se repetiu várias vezes: "o time melhorou". E melhorou mesmo, o que é bom, mas também preocupante. Afinal, dando o sangue como deu, o Inter ainda assim foi derrotado por 3 a 1 por um Atlético que claramente só administrou as forças durante quase todo o segundo tempo. Esboçou uma reação, até controlou parte da etapa final, mas ainda foi insuficiente tecnicamente. Claramente, o que se viu foi um time de ânimo renovado após o gol de Gustavo Ferrareis (este sim, talvez a única boa notícia dos últimos tempos), mas nada além disso. Melhorar de nota 2 para nota 4 é pouco, insuficiente. Roth mudou de novo a formação do time, como já havia feito antes de ganhar de Santos e Fortaleza e após perder para o Vitória. Muda tanto de formação quanto Paulo Roberto Falcão. Ninguém consegue acertar o Inter.

A situação dramática obriga o Colorado a vencer tanto o Figueirense quanto o Coritiba, em casa, na sequência. Porque a tabela fora de casa é difícil (todos os cinco rivais estão no G-10), e pontuar longe do Beira-Rio será raridade (o Inter tem 3 pontos de 33 fora nesta série maldita). E, mesmo vencendo ambas, talvez não consiga deixar o Z-4. Ganhando a próxima, ainda assim estará entre os quatro últimos, já que está quatro pontos atrás do 16º colocado - o próprio Figueira. Para piorar, a rodada foi péssima - só Coritiba e Cruzeiro se deram mal. Mesmo faltando 30% de campeonato pela frente, a situação é mais complicada que em 1990, 1999 e 2002, anos em que o clube quase viveu o inferno de cair para a segunda divisão.

sábado, 24 de setembro de 2016

Com Dudu inspirado, o Palmeiras precisou só de 11 minutos para superar o Coritiba

Dudu foi o grande nome da vitória do Palmeiras sobre o Coxa
O primeiro tempo decepcionante não foi problema para que o Palmeiras vencesse mais uma no Campeonato Brasileiro. Depois de 45 minutos sonolentos, onde criou apenas duas oportunidades nos minutos finais que antecederam o intervalo, a equipe de Cuca voltou diferente do vestiário. Com Leandro Pereira no lugar de Érik no comando do ataque e a sempre eficiente bola aérea como arma, precisou só dos 11 minutos iniciais da etapa complementar para sacramentar sua 16ª vitória na competição e se manter por mais uma semana na liderança.

As dificuldades eram previsíveis. Mesmo tendo uma semana apenas para treinar (o time reserva é que foi a João Pessoa encarar o Botafogo paraibano pela Copa do Brasil), o Palmeiras encontrou um Coritiba fechado e muito organizado, que ganhara 15 dos últimos 24 pontos disputados, tendo perdido só uma vez nas últimas oito rodadas. A primeira chance de gol do time paulista só ocorreu aos 42 minutos - ainda assim, um chute de longe de Egídio. Gabriel Jesus, cara a cara com Wilson, aos 46, perdeu a primeira e única real oportunidade da etapa inicial.

A entrada de Leandro Pereira coincidiu com o crescimento do time, mas Dudu foi o grande destaque do jogo. Autor da assistência para o primeiro gol, o ponta iniciou centralizado na criação, mas fez um primeiro tempo discreto. No segundo, comandou a vitória com movimentação intensa, jogadas insinuantes e a habilidade e velocidade costumeiras, seja pelo centro como pelos flancos, como o gráfico abaixo mostra. Das dez chances criadas pelo Palmeiras no segundo tempo, oito tiveram sua participação, incluindo os dois gols, de Leandro e Mina.

O Coritiba chegou a descontar, num bonito gol de Iago, mas foi um lance isolado. Mesmo tendo diminuído o ritmo após o 2 a 0, o Palmeiras seguiu dono de todo o segundo tempo. Jogou pouco na maior parte da tarde, mas quando precisou amassou o Coxa com autoridade. Agora é secar o Flamengo amanhã, diante do Cruzeiro, para chegar a Porto Alegre com alguma folga na ponta antes de encarar o Grêmio, quarta, pela Copa do Brasil.
A grande atuação de Dudu se deveu também a seu posicionamento: mesmo com a função de meia, teve liberdade para cair pelos lados, que é o seu forte. A movimentação intensa ajudou na grande atuação
Foto: César Greco/Palmeiras.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Mais da metade dos títulos da Copa do Brasil estarão de um mesmo lado da chave

Palmeiras x Grêmio já duelaram em 1993, 1995, 1996 e 2012
As quartas de final da Copa do Brasil de 2016 chegaram ao sorteio desta sexta-feira com a marca de serem as primeiras da história a reunir oito campeões do torneio. Pois a definição dos confrontos, ocorrida agora há pouco, na sede da CBF, trouxe outra peculiaridade: quatro dos cinco clubes que conquistaram a competição três vezes ou mais estarão de um mesmo lado da chave. História pouca é bobagem.

O vencedor do confronto entre Palmeiras e Grêmio, uma partida com imensa história no torneio, enfrentará nas semifinais o de Corinthians e Cruzeiro, outro dos maiores clássicos nacionais. Mineiros e gaúchos ganharam a Copa do Brasil quatro vezes, enquanto ambos os paulistas a venceram em três oportunidades. É o peso de sete títulos em cada duelo. Para se ter uma noção do tamanho destes jogos, nada menos que 14 das 27 edições da competição pararam na sala de troféus destes quatro clubes. É mais da metade.

A definição destes dois jogaços compensa, em boa medida, a frustração de muitos por não termos a chance de ver clássicos regionais nas quartas de final. Dos 28 duelos possíveis, cinco previam jogos de intensa rivalidade, fora os duelos dos gigantes gaúchos contra o Juventude. Nas semifinais, sim, a possibilidade de um Corinthians x Palmeiras existe. Fora outros grandes jogos, claro.

Do lado mais pesado do diagrama em termos de história é difícil apontar favoritismo. O Palmeiras vive momento bem superior ao Grêmio, mas já avisou que dará prioridade ao Campeonato Brasileiro, enquanto os gaúchos entrarão com tudo na disputa. Já o Corinthians faz campanha superior à do Cruzeiro, mas vive fase instável - fora o fato de o peso da camisa mineira na competição poder equilibrar a disputa. Na outra chave, Santos e Atlético Mineiro chegam mais cotados que os dois gaúchos. Por mais que possam dividir atenções com o G-4 do Brasileirão, enfrentarão Inter e Juventude também com outras prioridades - evitar a queda e tentar a ascensão para a Série B, respectivamente.

Os confrontos ocorrerão nos dias 28 de setembro (também conhecido como quarta que vem) e 19 de outubro. Atlético, Corinthians, Grêmio e Santos abrem os duelos em casa, enquanto Juventude, Cruzeiro, Palmeiras e Internacional decidirão em seus domínios.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

No drama dos pênaltis, os gremistas reviveram dois episódios inusitados de 1997

Walace e Otávio foram dois dos que erraram pênaltis ontem
O torcedor gremista que acompanhou os anos 90 certamente se lembrou ontem de duas decisões por pênaltis dramáticas vividas pelo clube em 1997. Na primeira delas, pelas oitavas de final da Libertadores, o Tricolor disputou uma vaga nas quartas de final contra o Guaraní, do Paraguai. Depois de vencer nos acréscimos por 2 a 1, a equipe de Evaristo de Macedo venceu nas penalidades pelo mesmo placar. As três primeiras cobranças foram convertidas, e as outras sete foram desperdiçadas, numa sequência de erros raramente vista em um torneio de alto nível.

Outra decisão que remeteu à de ontem foi pelas semifinais do Gauchão daquele ano, quando Grêmio e Brasil de Pelotas tiveram de bater cada um 11 pênaltis para definir o vencedor. Como tiveram dois jogadores expulsos ao longo dos 90 minutos, os times tiveram de colocar não apenas os goleiros para cobrarem, mas inclusive foram forçados a repetir batedores, após chegar ao fim da lista. Ao final de 22 batidas, uma vitória por 9 a 8 e a vaga assegurada na decisão.

Ontem, Grêmio e Atlético Paranaense quase chegaram a estes dois exageros de dramaticidade. Após as três primeiras cobranças serem convertidas, os dois times erraram nada menos que seis batidas consecutivas, até Hernâni empatar e forçar as alternadas. A disputa não chegou a ir até o 11º pênalti, mas só parou no oitavo, após cinco erros paranaenses e quatro gaúchos - 9 dos 16 pênaltis não entraram na Arena, sendo seis por méritos dos goleiros Marcelo Grohe e Wéverton e três por erros de pontaria.

Como em 1997, seja de qual decisão estejamos falando, o Grêmio levou a melhor. Mas isso, em relação a ontem, só ocorreu por um demérito inicial. A sorte de Renato Portaluppi é que seu time trazia uma vantagem de 1 a 0 conquistada um mês atrás, quando as coisas ainda iam bem, mas o mau momento da equipe no Brasileiro tirava qualquer certeza de classificação. E o filme das últimas semanas se repetiu: um time que começou até bem, mas foi ficando ansioso com os gols perdidos e quase entrou em parafuso ao sair perdendo - como o Fluminense no domingo, o Atlético Paranaense só teve duas chances de gol, contra sete do Tricolor, e marcou logo em sua primeira investida.

Faltou ao Grêmio, mais uma vez, qualidade nas conclusões. A equipe chutou nada menos que 20 vezes a gol, e pela quinta vez seguida não saiu do zero. Mas a qualidade ofensiva tem caído não só vendo este número, mas o de oportunidades criadas, que é bem menor que nos bons tempos de Roger, quando a equipe criava geralmente de 12 a 15 ocasiões por partida. O Grêmio controlou o jogo inteiro, raramente foi acossado, teve 65% de posse de bola, imposição no campo de ataque, mas criou poucas chances claras para marcar. Ainda assim, foi sem dúvida quem mais mereceu passar de fase. Porque mesmo jogando pouco, foi melhor que o Atlético. E em Curitiba, vale lembrar, foi muito superior.

Mas também cabe lembrar outro aspecto: após a partida na Arena da Baixada, mesmo com a vitória de 1 a 0, houve quem reclamasse o fato de a equipe não ter vencido por diferença maior e matado o confronto ali mesmo. É um velho filme que o Tricolor insiste em exibir há pelo menos um ano: um time com muito volume, muitas conclusões, criação intensa, mas poucos gols marcados. Agora, que nem o número de oportunidades tem sido grande, os gols rareiam ainda mais. Pelo Atlético Paranaense foi possível passar assim, mas já nas quartas será preciso mostrar evolução. A boa notícia é que a classificação traz um pouco de tranquilidade ao ambiente. E tudo o que o Grêmio menos é hoje é um time sereno, seguro e confiante.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio.

Dentro e fora de campo, o Belgrano teve uma noite inesquecível em Curitiba

Cerca de 4 mil torcedores foram a Curitiba acompanhar o Belgrano
O Belgrano poderá até não ser o campeão da Copa Sul-Americana deste ano, mas a noite de 21 de setembro de 2016 já entrou na história do clube. Não foi o primeiro jogo internacional oficial da história da equipe de Córdoba, já que os duelos com o Estudiantes, pela primeira fase, já valeram pela competição continental. Mas foi a primeira saída do time azul e branco do território argentino para uma partida valendo pontos. E a noite foi linda para o Pirata.

A torcida do Coritiba fez sua parte. Ao todo, 19 mil torcedores alviverdes trouxeram o maior público do ano ao Couto Pereira. A equipe, portanto, valorizou a competição paralela mesmo com o drama de tentar fugir do rebaixamento no Brasileiro. Mas os 4 mil torcedores argentinos roubaram a cena: fizeram um barulho incrível no Alto da Glória, após viajarem cerca de 2 mil quilômetros, e comemoraram uma ótima vitória por 2 a 1 fora de casa.

O resultado surpreende pela má fase da equipe de Córdoba. Em 2015, o time chegou a liderar o Campeonato Argentino, mas caiu de rendimento na reta final. Perdeu a vaga na Libertadores, mas se classificou para a Sul-Americana, fato muito comemorado por seus torcedores, sedentos pela chance ímpar de disputar um torneio continental. A prova está na verdadeira invasão internacional ocorrida ontem.

Nada, porém, dava grandes esperanças: o time perdeu seu melhor jogador, Lucas Zelarrayán, caiu de nível sem nomes importantes como o volante Prediger e fez um mau primeiro semestre. Começou ainda pior no campeonato deste ano, mas eliminou o Estudiantes de forma surpreendente na semana passada e mereceu o resultado ontem. A experiência de Claudio Bieler e a boa dinâmica dos meias Suárez, Velázquez e Luján acabaram envolvendo a equipe paranaense.

O Coxa é quem se deu pior dentre os brasileiros ontem à noite. O Santa Cruz levou 2 a 0 do Independiente Medellín, tem chances remotas, mas ainda jogará em casa. A Chapecoense trouxe um interessante 0 a 0 de Avellaneda contra o Independiente e o Flamengo aproveitou a fragilidade do Palestino e ganhou fora de casa por 1 a 0.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Enquanto apostar na mediocridade, o Inter seguirá afundando rumo à Série B

Sasha recebeu mais uma chance e de novo fez jogo discreto
É difícil dizer com precisão o que tem sido pior: as atuações do Internacional ou as avaliações feitas por quem faz a gestão do futebol do clube a respeito de cada tropeço. Diante do Vitória, a derrota por 1 a 0 foi corretamente diagnosticada por Celso Roth como uma partida de baixíssimo nível do time, mas a solução encontrada foi trágica: colocar mais volantes e retirar Nico López e Seijas (os dois melhores jogadores do time em termos técnicos) em busca de um suposto equilíbrio defensivo. As mexidas contra o América não funcionaram, claro: mais uma derrota veio. E mais uma avaliação equivocada foi realizada após o jogo no Independência.

Roth e Fernando Carvalho viram algo que só quem não quer enxergar a realidade poderia afirmar: que o Inter controlou o jogo e só perdeu esse controle ao tentar se abrir para buscar a vitória em Belo Horizonte. Como se a saída de Anselmo para a entrada de Seijas e a retirada de Sasha para o ingresso de Nico tivessem piorado o time. Como se o time pudesse piorar.

Em nenhum momento coisa alguma disso aconteceu. Seijas entrou aos 30 minutos do segundo tempo, após o América perder três gols seguidos com bons chutes do meia Ernandes. Antes disso, o Inter criou duas oportunidades no começo do jogo e outras três entre os 17 e os 21 da etapa final, apenas por conta de cruzamentos. Em Belo Horizonte, o Internacional não criou nenhuma chance trabalhando a posse de bola, o que já era esperado, mesmo diante do pior time do campeonato, pois seu jogador mais criativo foi sacado para a entrada de um volante medíocre.

Mas e o equilíbrio defensivo? Não deu as caras, mesmo com Dourado, Fabinho e Anselmo protegendo a área. O Internacional permitiu ao América 13 oportunidades de gol e 21 finalizações. É verdade que cinco dessas 13 chances ocorreram após a troca de Seijas por Anselmo, mas ainda assim foram raros os momentos de controle sugeridos por Roth e Carvalho. Durante quase toda a noite, o América é quem tomou a iniciativa, e não apenas porque o Colorado se defendia mal, mas principalmente por que não agredia o adversário. Isso chamava o time mineiro para a pressão o tempo todo, por mais fraco que ele seja.

O Inter já insistiu demais na mediocridade em 2016. Sabemos que o grupo de jogadores é o mais fraco que há no Beira-Rio desde 2004, mas ainda assim a 18ª colocação parece um exagero. O time é pobre tecnicamente, mas foi nivelado por baixo por Argel Fucks durante sete meses neste ano, período em que muitos preferiam se enganar com resultados bons vindos de forma fortuita, sem analisar criticamente um desempenho quase sempre sofrível, de um time que se contentava em jogar pouco e criar quase nada. Pois bem: agora o Inter precisa criar oportunidades de gol para vencer, pois quando a fase é ruim e a confiança está em baixa, produzir pouco (e às vezes até produzir muito) é sinônimo de derrotas. O difícil é conseguir isso em setembro, ainda mais retirando os jogadores mais talentosos da equipe diante do lanterna do Brasileirão. Não se acha do nada uma mecânica vitoriosa depois de tantos meses se contentando com um futebol pobre.

Foto: Ricardo Duarte/Internacional.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Carta na Mesa - 17/09/2016

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