quinta-feira, 23 de maio de 2013

Carta na Mesa - Ed. 185 - 23/05/2013

Já está disponível para download a edição desta quinta-feira do Carta na Mesa. Em debate, o empate entre Fluminense e Olímpia, a vitória do Santa Fé sobre o Real Garcilaso e as perspectivas da Dupla Gre-Nal para a primeira rodada do Campeonato Brasileiro, que começa neste sábado.

Lembramos sempre que o Carta na Mesa, que para nossa felicidade vem batendo seus recordes de audiência semana após semana, é transmitido sempre às segundas e quintas-feiras, das 13h às 14h, pela Rádio Estação Web, e chega a diversos rincões do Rio Grande do Sul (e do planeta) pelas emissoras parceiras - Rádio Melodia FM (Pelotas), Rádio Tertúlia Web (Três Passos), Rádio Itapuã FM (Viamão) e Rádio Encosta da Serra FM (Dois Irmãos).

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Ficha técnica
Gravação: Rádio Estação Web, 23/05/2013
Duração: 63'25"
Mesa: Vicente Fonseca, Igor Natusch e Felipe Prestes
Técnica: Rogério Barbosa
Principais tópicos abordados: Fluminense 0 x 0 Olímpia; Real Garcilaso 1 x 3 Santa Fé; perspectivas da Dupla Gre-Nal para a estreia no Brasileirão 2013.

Adversário surpreendido

A ideia de que o Vitória viria embalado para pegar o Internacional caiu em desuso ontem à noite. O empate em 1 a 1 com o Salgueiro eliminou o Rubro-Negro de forma absolutamente prematura na Copa do Brasil, pelo saldo qualificado. O resultado breca um princípio de euforia em Salvador, mas ao mesmo tempo vacina a equipe de Caio Júnior, pois ressalta que muito ainda precisa ser melhorado para que o time baiano seja confiável.

A eliminação do Vitória é mais uma zebra de uma Copa do Brasil onde equipes médias vêm estranhamente caindo cedo. Portuguesa, Náutico e Sport, talvez de olho numa vaga na Copa Sul-Americana, foram eliminados por Naviraiense, CRAC e ABC. O Coritiba está prestes a cair para o Nacional-AM. O estúpido regulamento favorece quem vai mal. Impossível dizer se há uma segunda intenção nestes casos todos (no do Náutico era algo quase aberto que sim), mas força uma reflexão por parte da CBF. Era óbvio que não daria certo esta forma de indicar quem jogará a Sul-Americana.

De todo modo, no caso do Vitória, não se trata disso. Afinal, o time é recém egresso da Série B. Talvez tenha sobrado confiança e faltado cuidado. Caio Júnior promete um time ofensivo no sábado, mesmo talvez sem Renato Cajá. Em casa, é mesmo o melhor a se fazer. E aí o Inter viverá, sob o comando de Dunga, seu primeiro teste onde é ele, Inter, o atacado, e não o contrário.

Serviu aos paraguaios

Desacostumado a tomar a iniciativa do jogo desde que foi campeão brasileiro basicamente nos contra-ataques, o Fluminense ainda não conseguiu superar este problema em 2013, mesmo que já estejamos no fim de maio. A falta de criatividade, a dependência de Fred, a esperança de que uma jogada individual resolva a parada, tudo isso se verificou durante a Libertadores inteira. Não foi diferente diante do Olímpia, um adversário que veio num 3-5-2 consistente o suficiente para se aproveitar disso, não perder em São Januário e levar ao Defensores del Chaco um interessante empate em 0 a 0.


Abel Braga, que tantas vezes pecou pelo excesso de vontade de agredir o adversário, desta vez errou pela falta de coragem. Em uma partida contra um rival forte defensivamente, que viria ao Rio sabidamente buscar o empate, e tendo em mãos um time que tem exibido problemas para marcar gols, iniciar o jogo com Rafael Sobis em vez de Rhayner era a melhor alternativa. Não apenas porque Sobis seja mais jogador, mas porque é mais agressivo, vertical. Pode não marcar tanto, mas faz mais gols, e dá ao time a alternativa do chute longo.

Sobis entrou apenas aos 28 minutos da etapa final, uma demora injustificável. Antes de sua entrada, o Flu via Rhayner com a vontade e falta de qualidade de sempre e dependia do insosso Wagner para criar, o que mais uma vez piorou a partida de Wellington Nem. Carlinhos, pela esquerda, era a única boa notícia que o ataque de vez em quando trazia. Fred passou o jogo todo esperando uma bola que nunca chegou. Aliás, chegou uma vez, mas Candía impediu seu arremate na hora certa. A equipe paraguaia foi muito atenciosa em todos os detalhes, e marcar o artilheiro do Flu era o principal deles.

O Olímpia não chegou quase nunca, mas não se enganem: Ever Hugo Almeyda sabe da força de seu time no Defensores de Chaco, e pensou o jogo no Rio para obter um empate. Os paraguaios suportaram bem o Flu, raramente sofreram pressão e tentaram armar um ou outro contragolpe, com Bareiro e Salgueiro, mas faltou acabamento. No segundo, abriram mão de tentar o golzinho e basicamente se defenderam, especialmente quando ficaram com um a menos. A entrada de Castorino, notável segurador de bola, foi importantíssima. Na prática, o Olímpia não fez muito diferente do que o Grêmio em Bogotá na semana passada, mas com uma diferença básica: foi o jogo de ida, onde uma derrota mínima até não seria tão ruim assim, ao contrário do Tricolor Gaúcho, que esperou a noite inteira pelo apito final sem chance de jogar uma volta em casa.

O confronto segue bem indefinido, pois qualquer empate no Paraguai dá a vaga ao Fluminense. O time de Abel não empolga, mas também tem perdido pouco. No entanto, por mais que as possibilidades sigam muito parelhas, é inegável que o 0 a 0 de São Januário foi melhor para o Olímpia, que em casa será um time completamente diferente do que foi hoje à noite.

terça-feira, 21 de maio de 2013

A mais sábia e impopular decisão

Já disse na madrugada de quinta para sexta, ainda no calor triste da eliminação, e repito agora, passados quatro dias: a melhor alternativa para o Grêmio era mesmo a manutenção de Vanderlei Luxemburgo no comando do time. O trabalho de Luxa em 2013 é fraquíssimo, boa parte da culpa da eliminação em Bogotá é dele, e seu time, desde o bom ano passado, vem apresentado problemas nos mata-matas. Tudo isso é fato. Mas nada que deva ser forte o suficiente para jogar tudo o que foi construído para o alto e reiniciar o trabalho do zero, mais uma vez.

O Grêmio não precisa fazer terra-arrasada, e demitir Luxemburgo seria um duplo erro de planejamento. Seria a admissão de que o ano do Grêmio se resume à Libertadores, um erro que o clube vem repetindo desde que retornou da Série B, em 2006. É possível formar time para ganhar a Libertadores, mas é preciso considerar que trata-se de algo arriscado, difícil de planejar, pois é um torneio de mata-mata, onde um erro de arbitragem, por exemplo, pode fazer o projeto todo ir pelos ares. O Corinthians, eliminado assim pelo Boca, certamente não porá em xeque todo o seu trabalho de dois anos. Não dá para planejar o futebol de forma profissional apostando tudo numa só competição.

Mantendo Luxa, o Grêmio reafirma que sua temporada vai além do título continental, e traz seriedade ao trabalho: se há um plano bem traçado, não é qualquer comandante que ficará à frente do time, mas o comandante que participa deste processo desde o início. O Brasileiro, competição longa, onde o planejamento é ainda mais essencial, vale muito também. Sem falar na Copa do Brasil, um atalho para a volta das grandes conquistas tricolores.

Os exemplos de Tite no Corinthians (eliminação para o Tolima) e Cuca no Atlético Mineiro (levou 6 a 1 do Cruzeiro no Brasileiro) já se tornaram repetitivos. Se é para buscar um exemplo, busquemos no próprio Grêmio. Lá atrás, mas com o mesmo Fábio Koff: em 1983, foi ele quem bateu o pé e manteve Valdir Espinosa após uma vexatória eliminação em casa para a Ferroviária de Araraquara no Brasileirão. Dez anos depois, enfrentou a ira dos torcedores, que nunca digeriram a demissão de Cassiá, e manteve o "retranqueiro" (segundo os próprios gremistas da época) Luiz Felipe Scolari após ser eliminado do Brasileirão com três rodadas de antecedência após uma atuação (coincidência?) "covarde" na Vila Belmiro, contra o Santos. Nos dois casos, a continuidade deu no que deu. Se fosse guiado pelo clamor da torcida, talvez o Grêmio não tivesse tantos títulos grandes como tem.

Jogador joga, dirigente dirige, treinador treina e torcedor torce. Esta máxima do futebol até hoje é verdadeira, mas nem sempre aplicada. Dirigente não pode agir como torcedor, torcedor não pode dirigir nem treinar. Mas todos podem cobrar, e no caso é Luxemburgo que precisa ser cobrado, mostrar serviço, treinar e corrigir os defeitos do time, que é o que ele sabe fazer melhor, sem se meter em questões que competem à direção, como o contrato com a OAS. Ele precisa passar pelos momentos difíceis, até por ter pedido dois anos de contrato a Koff e Rui Costa, e não ser mandado embora e ir descansar no Rio de Janeiro com alguns milhões na conta, aguardando o próximo convite para um novo trabalho. Quanto aos jogadores, têm de mostrar serviço, jogar, dizerem igualmente a que vieram. Em relação à direção, que se prepare para dirigir o Grêmio segurando a pressão que recairá sobre a comissão técnica, pois ela será forte. O clube vencedor é aquele em que normalmente esse velho chavão do começo do parágrafo é cumprido. O Grêmio começa bem, pelo "dirigente dirige", que é muitas vezes o mais difícil deles. Agora faltam os três elos da cadeia.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sem ataque

A cirurgia de Caio é uma terrível notícia para o Internacional no início da semana que antecede sua estreia no Campeonato Brasileiro. Não é exagero: embora reserva, trata-se de um jogador de grande importância não só para o elenco, mas para o próprio time de Dunga. Não exatamente para o jogo contra o Vitória, mas para as quatro rodadas seguintes até a parada para a Copa das Confederações.

Em Salvador, Forlán está confirmado. Talvez Leandro Damião tenha condições - quinta-feira se saberá ao certo. Se ele não atuar, joga Rafael Moura. O problema é depois disso: contra Criciúma, Bahia, Portuguesa e Cruzeiro, a dupla de ataque será formada por Moura e o fraco Gilberto, já que Forlán e Damião jogarão o torneio por Uruguai e Brasil no mês de junho. Pior: se algum deles se lesionar, será necessário apelar para os juniores, provavelmente.

É bom Dunga ir se acostumando. Antes mesmo do Campeonato Brasileiro começar, o Internacional já mostra problemas de elenco. É claro que perder três atacantes de uma vez só é raridade, mas pode acontecer - como de fato acontecerá. E não será por pouco tempo, mas quatro rodadas, ou mais de 10% das partidas da equipe no Brasileirão. Hoje foi com o ataque, amanhã poderá ser no meio, na defesa ou nas laterais. Grupo sabemos que o Inter não tem tanto como em anos anteriores. E o Brasileiro, vale lembrar, é bem mais complicado que o Gauchão.

Carta na Mesa - Ed. 184 - 20/05/2013

Já está disponível para download a edição desta quinta-feira do Carta na Mesa. Em debate, a eliminação do Grêmio na Libertadores, a possibilidade de queda de Vanderlei Luxemburgo e as finais dos principais estaduais pelo Brasil.

Lembramos sempre que o Carta na Mesa é transmitido sempre às segundas e quintas, das 13h às 14h, pela Rádio Estação Web, e chega a diversos rincões do Rio Grande do Sul pelas emissoras parceiras - Rádio Melodia FM(Pelotas), Rádio Tertúlia Web (Três Passos), Rádio Itapuã FM (Viamão) eRádio Encosta da Serra FM (Dois Irmãos).

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Ficha técnica
Gravação: Rádio Estação Web, 20/05/2013
Duração: 64'55"
Mesa: Vicente Fonseca, Igor Natusch, Lourenço Fonseca e Felipe Prestes
Técnica: Rogério Barbosa
Principais tópicos abordados: Santa Fé 1 x 0 Grêmio; possibilidade de queda de Luxemburgo; finais dos principais estaduais pelo Brasil.

sábado, 18 de maio de 2013

Hora de tomar novos ares



Antes mesmo da eliminação na Liga dos Campeões para o Borussia Dortmund, José Mourinho já anunciava que não ficaria no Real Madrid para a temporada 2013/14. As especulações de que ele deve ir para o Chelsea até hoje persistem, e a Inglaterra deve ser realmente o seu destino para a próxima temporada. Certo, mesmo, é que ele não fica.

A passagem de Mourinho pelo Santiago Bernabéu não foi ruim: foi frustrante. Antes de sua chegada, o Real Madrid não chegava às semifinais da Liga dos Campeões há oito temporadas seguidas. Entre os quatro melhores ele sempre pôs o time madrilenho. Porém, não passou disso. Caiu para o Barcelona, em 2011, para o Bayern, em 2012, e para o Borussia Dortmund, agora. Com ele, a defesa madrilenha foi sólida como há anos não era, algo tão criticado pelo mundo todo na última década. Ele deu padrão de jogo, fez as estrelas jogarem muito, mas não chegou lá. Por isso não foi ruim, mas frustrante.

Pode-se dizer que ele deu o azar de enfrentar um rival que formou um dos melhores times da história do futebol justamente neste período, e que isso diminuiu demais as possibilidades de supremacia absoluta que este caríssimo e estrelado Real Madrid deveria exercer. Mas, pensando bem: não foi exatamente por isso, enfrentar de igual para igual este Barcelona, que ele e tantos craques foram contratados?

Ao todo, Mourinho ganhou em Madrid um Campeonato Espanhol e uma Supercopa Espanhola em 2012, e uma Copa do Rei em 2011. Fechará 2013 sem taças. Não fez cócegas ao Barça "decadente" e que quase não contou com seu técnico no torneio nacional, caiu de novo na Liga dos Campeões e, ontem, encerrou seu ciclo perdendo a chance de se despedir com título, como fizera seu desafeto Pep Guardiola no ano passado, quando conquistou a Copa do Rei. Levou 2 a 1 de virada do Atlético Madrid e mais uma vez viu um rival dar a volta olímpica. Pior: com a torcida adversária pedindo ironicamente que ele permaneça.

Mourinho é um técnico genial, mas de fato chegou a hora de encerrar este ciclo, que tinha tudo para dar certo, mas rendeu bem menos frutos do que todos esperavam. Não apenas pelos poucos títulos, mas pelo desgaste com algumas peças do elenco também. No Chelsea, onde ele já foi muito feliz, poderá ser de novo. Ou quem sabe em Manchester, substituindo Ferguson?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Equilíbrio, no fim das contas

Assim como em 2011, o Brasil encheu as oitavas de final com seus representantes. Naquele ano, só o Corinthians, que foi eliminado antes mesmo da fase de grupos, não chegou entre os 16 melhores. Agora, absolutamente todos os seis representantes chegaram. Os mais otimistas já previam quatro brasileiros na semifinal, com os países vizinhos simplesmente alijados da disputa. Aquela velha mania de grandeza de sempre, por mais que a bola várias vezes puna e diga o contrário.

Assim como em 2011, repetindo as primeiras palavras do parágrafo anterior, quatro equipes foram eliminadas nas oitavas. Restam duas para contar história: o irresistível Atlético Mineiro de Cuca e o instável Fluminense de Abel Braga. Os três paulistas e o Grêmio já sobraram. No caso gremista e no corintiano, para times tecnicamente inferiores - prova de que na Libertadores isso nem sempre entra em campo.

O número de brasileiros nas quartas é o mesmo do de argentinos, que colocaram Newell's e Boca entre os oito melhores. Há ainda o mexicano Tijuana, o paraguaio Olímpia, o colombiano Santa Fé e o peruano Real Garcilaso. O escândalo todo criado pelo novo presidente da Conmebol para diminuir o número de argentinos e brasileiros na Libertadores em nome do equilíbrio não encontra justificativa na realidade da atual Copa. Aliás, de quase nenhuma. Afinal, com o regulamento antigo, a presença de dois argentinos e dois brasileiros entre os oito era constante da mesma forma.

Atlético Mineiro x Tijuana: com a eliminação de Corinthians e Grêmio, o Galo tem no papel o melhor time da Libertadores - na prática já vem tendo desde o início da competição. É mais time que o Tijuana e favorito para o confronto. A viagem longa vale para os dois times, mas é preciso cuidado com a grama sintética. Lá, até o sólido Timão perdeu. Quem passar pega nas semifinais o vencedor de Newell's x Boca. O Atlético enfrentará o Fluminense se ambos passarem de fase, no cruzamento doméstico forçado da semifinal.

Newell's Old Boys x Boca Juniors: dos times que sobraram na Libertadores, o Boca e o Olímpia são os únicos que já foram campeões dela. A chance de um campeão inédito, portanto, é grande, mas isso favorece o time das velhas raposas Bianchi e Riquelme, que conhecem como nenhum outro rival ainda vivo os caminhos da Copa. Para este confronto caseiro, o Newell's é favorito. Tem um time melhor, mais técnico e que está disposto a fazer história. Quem passar pega Atlético Mineiro ou Tijuana nas semifinais. Em caso de cruzamento brasileiro forçado, o vencedor enfrenta quem passar entre Santa Fé e Real Garcilaso.

Olímpia x Fluminense: parada dura para o Tricolor Carioca. O Olímpia é inferior tecnicamente, mas tem o melhor time em mãos desde o título continental de 2002. Assim como o Newell's, vem extremamente motivado e conta um caldeirão a seu lado. Embora seja pior tecnicamente que o time argentino, o goleou na fase de grupos e acabou inclusive à sua frente na chave. Com todos os problemas porque passa o Flu, é quase impossível cravar sua classificação, pois as chances beiram o 50-50. Quem passar pega Santa Fé ou Garcilaso. Se o Galo eliminar o Tijuana, faz confronto brasileiro com o Tricolor na semifinal.

Santa Fé x Real Garcilaso: confronto repetido da fase de grupos, quando tivemos empate em 1 a 1 no Peru e vitória dos colombianos por 2 a 0 em Bogotá. Dois times que surpreenderam ex-campeões, e por isso vêm motivados. O Santa Fé é favorito: segunda melhor campanha geral da fase de grupos, tem um time mais experiente e encorpado. Não sentirá a altitude de Cuzco e vem pronto para fazer história. Quem passar pega Fluminense ou Olímpia nas semifinais. Em caso de cruzamento forçado entre brasileiros na semifinal, o rival sai do jogo entre Newell's x Boca.

Tanto cuidado para... isso?



Poucas vezes o Grêmio se preparou tanto para ganhar a Libertadores. Contratou reforços de peso, montou um dos melhores elencos da América do Sul, fez duas intertemporadas para jogos na altitude, abriu mão do estadual, já previa escalar juniores na estreia do Brasileirão... Nada mais poderia ser feito. Aliás, poderia: jogar o que dele se esperava.

Em Bogotá, o Grêmio adotou a estratégia mais arriscada possível: a de não arriscar absolutamente nada. Passou o jogo inteiro cozinhando o Santa Fé, mas do modo errado: sem posse de bola, com jogadores de setor ofensivo longe um do outro, dando chutões e não pegando nenhum rebote. Contava, para a classificação, com o resultado magro do jogo de ida, com a limitação técnica do adversário e com o tempo que corria. É muito pouco. Foi muito pouco.

A partida de hoje não foi uma exceção na irregular Libertadores gremista, tampouco foi a pior atuação do time na competição. Isso é o mais grave: com todo o investimento feito e preparação dedicada, era obrigação do Grêmio render muito, muito mais. Não só hoje, mas em toda a campanha. Ficar uma semana apenas treinando em Bogotá, se adaptando à altitude, treinando jogadas ensaiadas e jogar tão pouco é algo simplesmente inaceitável. Jogar se defendendo os 90 minutos diante de um adversário tecnicamente inferior é uma estratégia equivocada, mesmo que porventura a equipe tivesse suportado o 0 a 0. Mas não suportou, como normalmente acontece nesses casos.

Quase deu certo porque o próprio Santa Fé não jogou bem. Wilson Gutiérrez errou ao escalar três atacantes desde o início. Seu time não pressionou o Grêmio no primeiro tempo e só melhorou no segundo a partir da entrada do meia Molina, formando um equilibrado 4-4-2. O time colombiano viveu seu melhor momento no jogo entre os 15 e os 25 do segundo tempo. Quando o Tricolor já equilibrava o jogo, sofreu o gol. Roger demorou a mexer (era jogo para Kleber entrar e segurar a bola no lugar do esgotado Barcos, por exemplo). Foram erros demais. E a bola do jogo caiu nos pés de Eduardo Vargas, um jogador que é contratado por empréstimo num grande esforço para decidir nos momentos fatais. Seu chute, porém, caberia nos pés de qualquer centroavante de segunda linha, caindo em alguma avenida de Bogotá. Não é privilégio dele: Cris, o zagueiro que veio para dar experiência à zaga, foi expulso de forma juvenil duas vezes. A segunda resultou no gol qualificado na Arena, o gol que realmente eliminou o Grêmio da Libertadores. Grêmio que se preparou certo, mas não deu certo.

Muitos jogadores vieram no começo do ano, sendo normal o time demorar um pouco até encaixar. O problema é que o encaixe, se vier, já será tarde demais, ao menos em termos de Libertadores - e ela não é a única competição da temporada, é sempre bom lembrar. Não é necessário, nem salutar, realizar qualquer tipo de terra-arrasada: o elenco está entre os melhores do país e pode disputar o título brasileiro sob o comando de Luxemburgo, um técnico que sabe disputar competições por pontos corridos. O signo da continuidade tem se imposto no futebol brasileiro nos últimos anos, e recomeçar tudo do zero seria diminuir demais as chances de sucesso no segundo semestre. Agora é a hora de ver se o Grêmio, que se preparou tão bem para a Libertadores (embora tenha fracassado nela), se preparou também para o resto da temporada ou cometeu os mesmos erros de 2009 e 2011, quando desabou após cair da Copa.

De qualquer forma, muita coisa no trabalho precisa ser revista, repensada, a começar pelo posicionamento de Vargas e a busca por uma zaga mais segura. O Grêmio ainda não apresentou padrão de jogo com regularidade, alterna demais. E paga isso vendo, de Porto Alegre, melancolicamente, um duelo entre os médios Santa Fé e Real Garcilaso por uma vaga numa semifinal de Libertadores, lugar que era o mínimo que se esperava que este time caro e cheio de tantas expectativas chegasse.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Carta na Mesa - Ed. 183 - 16/05/2013

Já está disponível para download a edição desta quinta-feira do Carta na Mesa. Em debate, a classificação do Inter na Copa do Brasil, a eliminação do Corinthians na Libertadores e todas as projeções do principal torneio do futebol sul-americano.

Lembramos sempre que o Carta na Mesa é transmitido sempre às segundas e quintas, das 13h às 14h, pela Rádio Estação Web, e chega a diversos rincões do Rio Grande do Sul pelas emissoras parceiras - Rádio Melodia FM (Pelotas), Rádio Tertúlia Web (Três Passos), Rádio Itapuã FM (Viamão) e Rádio Encosta da Serra FM (Dois Irmãos).

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Ficha técnica
Gravação: Rádio Estação Web, 16/05/2013
Duração: 60'00"
Mesa: Vicente Fonseca, Igor Natusch, Lourenço Fonseca e Felipe Prestes
Técnica: Rogério Barbosa
Principais tópicos abordados: Inter 2 x 0 Santa Cruz; Corinthians 1 x 1 Boca; Vélez 1 x 2 Newell's; projeções da Libertadores; convocação da seleção brasileira para a Copa das Confederações.

O Inter de sempre

O Internacional apresentou diante do Santa Cruz as mesmas soluções e problemas que têm se repetido nesta temporada. Conseguiu a classificação sem jogar um grande futebol, mas mostrou raça diante das dificuldades (a tola expulsão de Fabrício), teve em D'Alessandro seu protagonista, em Caio seu talismã e em Dunga um técnico que, como sempre, valorizou o espírito coletivo da equipe. Mas também faltou criatividade, objetividade e ficou clara, mais uma vez, a dependência que o time sofre em relação a D'Alessandro. Até Luís César Souto de Moura admitiu este fato como uma "lei do universo" em sua coletiva pós-jogo.

O fato é que esta foi a última partida do ano na qual o Inter entrou com a estrita obrigação de vencer seu adversário. Porque até agora, em todas, o Colorado entrou como favorito - não houve Gre-Nais "de verdade" no Gauchão, e a Copa do Brasil ainda vive suas fases iniciais. O próximo confronto será justamente na estreia do Brasileirão, contra o Vitória, na Fonte Nova. Um jogo de responsabilidades divididas, como Dunga tanto quer, e ainda não viveu como técnico no Internacional.

Sempre eles

Falar na mística de Carlos Bianchi e Juan Román Riquelme, provavelmente os dois maiores carrascos brasileiros na história da Libertadores, é fácil demais para explicar a desclassificação do Corinthians hoje à noite diante do Boca Juniors. Bem melhor que isso é falar nos méritos da dupla na partida do Pacaembu. Porque sim, Bianchi e Riquelme foram novamente os protagonistas de uma eliminação brasileira na Libertadores, e novamente não foi uma qualquer: foi a queda do atual campeão do mundo e principal favorito ao título do torneio.

Bianchi mostrou, mais uma vez, porque é conhecido como Mr. Libertadores. Todo o seu planejamento do confronto foi perfeito. Para ter Riquelme no máximo de sua condição no Pacaembu, onde ele seria até mais importante que na Bombonera por saber ditar o ritmo do jogo e dar experiência ao Boca, poupou seu camisa 10 no jogo de ida. Román correspondeu jogando o fino da bola: fez tudo o que dele se esperava, não deixou que Blandi se isolasse do time sendo o 1 do 4-5-1 e ainda marcou um golaço que, quem se lembra da final de 2007, sabe que não foi sem querer.

Mas o Boca não foi só Riquelme, claro. Um jogador altamente técnico e experiente mas fisicamente decadente e sem metade da explosão dos bons tempos seria insuficiente para parar o Corinthians no Pacaembu. As duas linhas de quatro (sempre elas) armadas por Bianchi brecaram o Timão no primeiro tempo. Com Sánchez Miño resguardado por Clemente Rodríguez, o Boca criou perigo pela esquerda, e com Erbes chegava pela direita. Era tanta gente marcando firme que Paulinho não conseguia ser o elemento surpresa. A atuação apagada de Danilo e Romarinho só facilitou a tarefa argentina.

O segundo tempo foi completamente diverso porque entraram Pato e Edenílson, que deram mais vigor ofensivo aos paulistas, mas sobretudo pelo gol de Paulinho logo aos cinco minutos, que incendiou o Pacaembu. O Boca foi obrigado a recuar, perdeu Riquelme por cansaço aos 22, mas seguiu se defendendo com extrema competência e amorcegou o jogo como Bianchi tanto gosta. Saiu merecidamente com a classificação, ainda que alguns erros de arbitragem tenham lhe favorecido. A calma que o time apresentou durante todo o jogo, do 1º ao 90º minuto, foi impressionante. O dedo do técnico nisso é evidente.

A saída do Corinthians da Libertadores é um alívio para aqueles que pleiteiam seu título, incluindo aí os três brasileiros que seguem vivos na competição. No entanto, se sai um monstro, cria-se um fantasma. O Boca não é o mesmo de outros tempos, mas está longe de ser uma equipe tão ruim como a tabela do Campeonato Argentino apregoa. Provou, nestes dois jogos, que é capaz de encarar qualquer equipe da competição. Duvidar de Bianchi e Riquelme nunca é recomendável, mas o Newell's é favorito nas quartas de final.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mais técnico (e eficiente)

Mesmo tendo deixado o título do Torneo Inicial 2012 no fim do ano passado, o Newell's já era o melhor time argentino. Se não o mais sólido, ao menos o que jogava o melhor futebol - e todos na Argentina admitiam e ressaltavam isso, mesmo que o título do fim da temporada tenha parado nas mãos do Vélez. Agora, na Libertadores, chegava a hora de saber se o mais técnico time do país era também capaz de superar o mais eficiente. Porque se a equipe de Liniers não tem apresentado brilho há algum tempo, é inegável que possui um elenco encorpado, experiente, e fazia campanha sólida na Libertadores. Tanto que havia vencido o próprio Newell's, em Rosário, com uma sobriedade incontestável.

Mas a técnica do time de Tata Martino superou este duríssimo obstáculo. O gol do lateral Casco, em jogada rápida, logo aos três minutos, foi um balde de água fria no Fortín. A defesa era um dos pontos fortes do Vélez (sofrera só três gols nos sete jogos anteriores), mas foi desossada pelo envolvente toque de bola de Maxi Rodríguez, Cruzado, Figueroa e Scocco. O 1 a 0 já deixava claro o que poucos alertavam: a vitória por este mesmo placar no jogo de ida era boa, mas não definitiva. Qualquer vitória do Newell's em Buenos Aires no mínimo levaria aos pênaltis. A vantagem do time de Gareca se esfarelou rapidamente.

Muito confiante com a vantagem prematura, o Newell's mandou no primeiro tempo. O Vélez não articulava quase nada. Insúa, bem marcado, não se impunha. Pratto era bem marcado. Gago, jogador de seleção argentina, parecia perdido ao lado de Cerro e Allione na tentativa de marcar os leprosos. O segundo gol veio em uma falha terrível da defesa, num passe ruim de Domínguez, um domínio ainda pior de Sabia e justo na frente de Scocco, o melhor nome do ótimo time rosarino. Gareca soltou os laterais no segundo tempo - mais Peruzzi que Papa, embora o segundo seja melhor no apoio. Isso abriu espaço para Maxi Rodríguez entrar livre e perder a bola do jogo aos 12 minutos. A equipe da casa seguia com pouca imaginação, esbarrava em um adversário mais bem postado. Chegou a descontar aos 37 e dar esperança aos torcedores, mas parou nisso.

O Newell's já deu várias demonstrações de força nesta Libertadores. Passou em um grupo difícil e agora reverteu uma desvantagem fora de casa diante do forte Vélez, esbanjando categoria e, também, o que era para ser um trunfo justamente de seu adversário: a segurança defensiva, liderada pelo selecionável Gabriel Heinze. Tudo isso levando o Campeonato Argentino a sério, ao contrário do Vélez - o Newell's é líder do Torneo Final, mesmo jogando a Libertadores em paralelo. Apesar de sempre lembramos o Vélez como um dos favoritos ao título sul-americano e muitas vezes esquecermos o Newell's, acredite: passou o time mais forte e bem preparado. E os concorrentes que se virem para pará-lo.

0 a 0 fora de casa. Vantagem?

Após a desclassificação do Palmeiras ontem à noite da Libertadores, muitos certamente encheram a boca para dizer: "viram? 0 a 0 fora de casa no jogo de ida não é bom negócio". No caso do Verdão, pode até ser. Mas não é isso o que diz o retrospecto dos mata-matas das principais competições brasileiras, sul-americanas e europeias.

Desde 2005, quando a Libertadores passou a adotar o saldo qualificado (menos na final), esta foi apenas a 3ª eliminação de um time que obteve um 0 a 0 fora de casa no jogo de ida. Em 15 confrontos que acabaram empatados sem gols na primeira partida, 12 acabaram com classificação de quem decidiu o segundo jogo em casa. Ou seja: 80% dos times que empataram a primeira partida em 0 a 0 fora de casa na Libertadores, desde 2005, saíram com a classificação na volta.

Como a amostragem é pequena, apenas 15 mata-matas, decidimos averiguar qual a porcentagem de times que se classificam após empatar a primeira em casa por 0 a 0 noutras competições. Buscamos dados na Copa do Brasil (1989 até 2012, sempre das oitavas de final em diante, que é onde há mais equilíbrio de forças), Copa Sul-Americana (2005 a 2012, oitavas em diante) e Liga dos Campeões da Europa (amostragem maior, de 1968 a 2013, também das oitavas em diante). O índice de classificados é um pouco maior que os 20% da Libertadores, mas ainda assim é baixo - e semelhante em todas elas.

Na Copa do Brasil, de 1989 a 2012, das oitavas em diante, houve 41 empates por 0 a 0 nos jogos de ida dos mata-matas. Destes, 13 (31,7%) acabaram em classificação de quem decidiu fora de casa na volta, e 28 (68,3%) terminaram com classificação do mandante - situação que o Internacional viverá hoje à noite. Na Sul-Americana, 33,3% dos times que decidem fora se classificam após empatarem em casa na ida por 0 a 0 - a amostragem é de apenas nove jogos. Porém, pela Liga dos Campeões, com amostragem bem maior (65 disputas desde 1968), o índice é quase idêntico: 33,8%.

Somando estas quatro competições, temos 130 confrontos de mata-mata onde ocorreu um 0 a 0 na ida. 41 deles acabaram com classificação de quem jogou a segunda fora de casa (31,5%), contra 89 triunfos (68,5%) de quem mandou o segundo jogo e trouxe o 0 a 0 para decidir em casa.

E empatar com gols a primeira em casa? É mesmo uma tragédia?
Aí é que está o dado mais curioso. Empatar com gols em casa no jogo de ida é algo visto como eliminação antecipada, mas a visão tem se mostrado extremamente equivocada na prática. Se 31,5% dos times que empatam por 0 a 0 casa na ida se classificam na volta nas competições que averiguamos, o índice de classificação é quase idêntico para quem empata com gols em casa o primeiro jogo: 30,6%. Em algumas competições, o índice é até mesmo superior. Confira no quadro abaixo. E pare de choramingar aquele golzinho sofrido em casa, que ele está longe de ser o fim dos tempos.

Índice de classificação dos visitantes dos jogos de volta com saldo qualificado
LIBERTADORES (2005 a 2013)
0 a 0 em casa no jogo de ida: 3/15 (20,0%)
Empate com gols no jogo de ida: 6/28 (28,6%)

COPA DO BRASIL (1989 a 2012, das oitavas de final em diante)
0 a 0 em casa no jogo de ida: 13/41 (31,7%)
Empate com gols no jogo de ida: 24/66 (36,4%)

COPA SUL-AMERICANA (2005 a 2012, das oitavas de final em diante)
0 a 0 em casa no jogo de ida: 3/9 (33,3%)
Empate com gols no jogo de ida: 7/25 (28,0%)

LIGA DOS CAMPEÕES DA EUROPA (1967/68 a 2012/13, das oitavas de final em diante)
0 a 0 em casa no jogo de ida: 22/65 (33,8%)
Empate com gols no jogo de ida: 20/69 (29,0%)

TOTAL
0 a 0 em casa no jogo de ida: 41/130 (31,5%)
Empate com gols no jogo de ida: 57/186 (30,6%)

Uma hora ela iria pesar



Nos minutos finais do jogo que o eliminou da Libertadores, o Palmeiras conseguiu cavar duas faltas próximas à área. Foi quando Souza, uma referência técnica e anímica do time, pegou a bola para bater. Em ambas, o volante bateu com força desproporcional, nas nuvens, muito longe do gol ou de encontrar qualquer cabeça que a pusesse para dentro. Bem diferente do que ele conseguia realizar ano passado, jogando pelo... Náutico.

Eis o retrato da eliminação palmeirense. Todos sabíamos: uma hora, a falta de qualidade do time iria limitar o caminho alviverde na Libertadores. Chega um momento onde ter apenas garra não basta. Ela fez o Palmeiras avançar em um grupo equilibrado na primeira colocação, com uma rodada de antecedência, mas já com pobres 9 pontos. O Tijuana, lembremos, fez 13. Disputou a segunda partida das oitavas fora de casa porque ficou atrás do... Corinthians! Aliás, atrás não: empatado em pontos, mas vice-líder pelos critérios. Era mesmo um time tecnicamente superior e taticamente mais consciente e maduro, bem treinado pelo "Turco" Mohammed. Foi ao Pacaembu, fez 2 a 1 e mereceu a classificação.

O Palmeiras, aliás, não fez uma má partida. O 0 a 0 obtido em uma das fronteiras mais tensas do mundo foi muito comemorado porque a equipe tinha 100% de aproveitamento no Pacaembu, sinal de que a classificação poderia estar próxima. O time começou, como sempre, motivado, na base da empolgação: Ayrton, um dos melhores cobradores de falta do Brasil na atualidade, obrigou o bom goleiro Saucedo a um milagre dois minutos antes do frangaço de Bruno. Nem dá para citar aí a falta de qualidade: Bruno não é um bom goleiro, é reserva de Fernando Prass inclusive, mas o gol sofrido foi uma fatalidade, típico de quem já pensa em repor a bola antes mesmo de defender o chute fraco.

Para um time que vive basicamente de brios e empolgação, sofrer um golpe desses é fatal. O Pacaembu, que rugiu durante toda a fase de grupos, esfriou. Gílson Kleina sabia que não bastava mais a raça: o Verdão precisaria superar o momento animicamente adverso e ainda buscar uma qualidade que não tem para virar o jogo. Sofreu o segundo gol, diminuiu, tentou pressionar, mas faltou acabamento. O que ficou evidenciado nos chutes horrorosos do voluntarioso Souza.

O balanço, porém, é positivo. É claro que o torcedor fica decepcionado, mas qualquer análise realista indicava que o Palmeiras, mais cedo ou mais tarde, seria eliminado. O foi numa hora relativamente boa: dividido entre vaias da natural decepção e aplausos que reconhecem a limitação e enaltecem o esforço, há dez dias do início da Série B. O time já provou que pode subir com relativa tranquilidade à elite para 2014. Que sempre, aliás, foi o principal objetivo palmeirense na atual temporada, acima inclusive de tentar conquistar utopicamente o título da Libertadores.

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