terça-feira, 21 de março de 2017

Carta na Mesa - 20/03/2017

O programa desta segunda-feira já está disponível para download.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Uma tarde de muito chuveirinho e pouco futebol

Grêmio ainda busca melhor forma de encaixar Barrios no time
Nem as vaias, nem o resultado: o que mais preocupa no empate do Grêmio com o Veranópolis é o modo como o time de Renato Portaluppi se portou com Lucas Barrios em campo. A figura do tal "fazedor de gols" é importante, mas, mesmo sendo ele um atacante de seleção nacional, não deveria moldar o modo de a equipe jogar. Não neste caso: o Grêmio é um time montado, com estilo de jogo competente e definido há dois anos. É Barrios quem deve se encaixar nesta engrenagem, e não o contrário.

Talvez seja só uma primeira amostragem, mas o que se viu na Arena foi, em grande parte da tarde, um modo de jogar completamente distinto do que o Tricolor sabe - e empobrecido, sobretudo: em vez de buscar a criação através de toques rápidos e envolventes, o Grêmio buscou durante quase todo o jogo a linha de fundo. Foram mais de 30 cruzamentos, um número acima do que se deve e muito superior ao que esta equipe está acostumada. Como se Barrios se resumisse a um trombador cabeceador, e como se ele não soubesse ser parceria qualificada para tabelamentos. O paraguaio sabe, e bem, jogar por baixo também.

É claro que pesou para o cenário a ausência dos dois criadores mais importantes da equipe: Miller Bolaños e Maicon. Luan, recuado, não rendeu o que sabe. Desta vez, curiosamente, foi pela ponta direita que ele jogou melhor, no segundo tempo - embora o golaço que tenha marcado tenha sido como centroavante, que é onde ele melhor se sai. Mesmo assim, foi mais uma tarde onde a equipe fez força para jogar. Em vários jogos do Gauchão já foi assim.

O Veranópolis, é verdade, não teve um volume que tornasse o empate o resultado mais adequado para a partida, mas mostrou ser um time organizado e muito bem treinado. No primeiro tempo, ocupou o campo gremista e não se furtou de jogar mesmo após sair à frente, no frango do goleiro Léo. Nomes como Eduardinho, Jadson e Gustavo fizeram ótima partida na Arena. Em nenhum momento o time da serra apelou para chutões: procurou sempre sair jogando, trocando passes, fazendo a bola fluir. A boa campanha no Gauchão não é à toa.

Na etapa final o cenário mudou com o gol logo cedo. O empate gremista assustou o time visitante, que se postou recuado demais e não teve grandes chances de contra-atacar. A entrada de Lincoln melhorou bastante o Grêmio, e a troca de Barrios por Everton caiu como uma luva, sinal de que a entrada do paraguaio na equipe ainda carece de ajustes importantes para funcionar bem. A virada parecia na fôrma, até que a saída de Michel para a entrada de Gastón Fernández matou a reação. Se as duas primeiras mexidas de Renato foram cirúrgicas, a terceira foi um exagero: muita gente empilhada na frente, o que obrigou o argentino a ser segundo volante. Não podia dar certo.

Nada disso significa que Barrios e La Gata não devem jogar, pelo contrário: é entrando no time que estas peças tão qualificadas vão se entrosar e achar seu espaço. Por sinal, é preciso levar em conta que o paraguaio atuou boa parte da tarde com dores musculares, o que ajudou a comprometer a qualidade de sua atuação. O que não dá é para Renato cometer o erro (muito comum) que vários treinadores cometem: tentar escalar os melhores, sacrificar o conjunto em função disso e transformar o luxo de ter vários ótimos jogadores em problema. O Grêmio é um time com identidade definida desde 2015, e não pode prescindir dela para buscar grandes títulos - até porque, além de ser o caminho mais curto, foi este estilo de jogo que lhe deu a Copa do Brasil no ano passado.

FICHA TÉCNICA
Campeonato Gaúcho 2017 - 1ª fase - 8ª rodada
Resultado de imagem para gremioGRÊMIO (1): Léo (4); Léo Moura (7), Rafael Thyere (6), Kannemann (7) e Marcelo Oliveira (5); Michel (6) (Gastón Fernández - 5), Jaílson (4) (Lincoln - 6), Ramiro (6) e Luan (7); Pedro Rocha (4) e Barrios (4) (Everton - 6). Técnico: Renato Portaluppi
Resultado de imagem para veranopolisVERANÓPOLIS (1): Reynaldo (6); Vinícius Bovi (6), Zé Roberto (7), Léo Dagostini (6) e Jadson (7); Mateus Santana (7), Jonatan Lima (6), Eduardinho (7) e Athos (6) (Willian Favoni); Gustavo (7) (Jean Carlos - 5) e Kayron (5) (Gil Mineiro - 5). Técnico: Tiago Nunes
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS); Data: domingo, 19/03/2017, 16h; Clima: parcialmente nublado, 25ºC; Árbitro: Roger Goulart; Público: 13.239; Renda: R$ 412.362,00; Gols: Gustavo 26 do 1º; Luan 4 do 2º; Cartão amarelo: Léo Moura, Kannemann, Gastón Fernández, Barrios, Zé Roberto, Jadson, Mateus Santana, Jonatan Lima, Athos e Gil Mineiro; Melhor em campo: Léo Moura; Nota do jogo: 5

ESTATÍSTICAS
Chances de gol: Grêmio 9 x 4 Veranópolis
Finalizações: Grêmio 8 x 7 Veranópolis
Escanteios: Grêmio 6 x 1 Veranópolis
Faltas cometidas: Grêmio 8 x 20 Veranópolis
Passes errados: Grêmio 46 x 54 Veranópolis
Desarmes: Grêmio 12 x 27 Veranópolis
Posse de bola: Grêmio 57% x 43% Veranópolis
Análise: os números refletem bem o que foi o jogo. Pelo número de desarmes e faltas, fica claro que o Veranópolis marcou muito o Grêmio. Pelo equilíbrio nas finalizações e até razoavelmente na posse de bola, vê-se que o time da serra também não abdicou de tentar o jogo. O Tricolor foi mais presente no ataque, mas criou menos do que deveria para vencer a partida. Ficou devendo de novo.

FUTEBOL DE BOTÃO

Foto: Lucas Uebel/Grêmio.

domingo, 19 de março de 2017

Num jogo aberto, falhas de Hart foram decisivas

36 arremates: Torino e Inter fizeram jogo aberto neste sábado
Preterido por Pep Guardiola em prol de Claudio Bravo no Manchester City, o ótimo goleiro Joe Hart acabou sendo o personagem do jogo entre Torino e Internazionale. O motivo, porém, não foi dos mais nobres: com duas falhas que não costuma cometer, o titular da meta da seleção inglesa acabou falhando nos dois gols do time de Milão, sendo agente direto no empate de 2 a 2 ocorrido em Turim.

A Inter chegou ao Estádio Olímpico com moral: em ótima fase, vinha de duas goleadas chamativas - 5 a 1 fora de casa no Cagliari e 7 a 1 na Atalanta, sensação da temporada italiana. O cartel do técnico Stefano Pioli indicava uma equipe que ainda não havia perdido para nenhum dos clubes que estavam atrás - embora acumulasse derrotas para Juventus, Roma e Lazio, três dos líderes do torneio. O favoritismo era do time visitante, mas a boa linha de frente do Torino prometia dificuldades.

A partida foi bastante aberta. Mais confiante, a Inter saiu na frente com um chute defensável do volante Kondogbia que Hart aceitou, mas Baselli demorou apenas seis minutos para empatar, após desvio de Moretti e uma desatenção da defesa adversária. O empate trouxe o Torino para cima: com Belotti se movimentando bem como sempre, Iturbe, Molinaro e Acquah transitavam bem no campo de frente. A etapa inicial terminou com os donos da casa levemente superiores.

No segundo tempo, sentindo que era possível vencer, a equipe de Turim veio de vez para cima e conseguiu a virada num golaço de Acquah. Antes do gol, três outras chances já haviam sido criadas, e Handanovic salvara duas delas. O 2 a 1 indicava uma tendência de difícil reversão, até Hart falhou novamente e Candreva empatou. A igualdade foi um banho de água fria nos donos da casa. O jogo ficou aberto daí até o fim, com a Inter mais perto de uma nova virada que de sofrer a derrota.

O empate é ruim especialmente para o time visitante, que briga por vaga na Liga dos Campeões, mas acaba a 29ª rodada oito pontos atrás da zona de classificação. O Torino, por sua vez, cumpre tabela, mas mantém-se como protagonista de vários dos melhores jogos do campeonato: seu ótimo ataque (o quinto melhor do torneio) e sua má defesa (a quinta pior) garantem as emoções.

Campeonato Italiano 2016/17 - 29ª rodada
Resultado de imagem para torinoTORINO (2): Hart (3); Zappacosta (6), Rossettini (7), Moretti (7) e Molinaro (7); Lukic (6), Baselli (8) (Maxi López) e Acquah (8); Iturbe (7) (Falqué - 5), Belotti (7) e Ljajic (6) (Boyé - 5). Técnico: Sinisa Mihajlovic
Resultado de imagem para internazionaleINTERNAZIONALE (2): Handanovic (6); D'Ambrosio (6), Medel (5), Miranda (7) e Ansaldi (7); Gagliardini (6), Kondogbia (8) e Banega (5); Candreva (7), Icardi (6) e Perisic (5). Técnico: Stefano Pioli
Local: Estádio Olímpico, Turim (ITA); Data: sábado, 18/03/2017, 17h (local); Clima: aberto, 14ºC; Árbitro: Luca Banti; Público: 26.000; Gols: Kondogbia 26 e Baselli 32 do 1º; Acquah 13 e Candreva 16 do 2º; Cartão amarelo: Maxi López; Melhor em campo: Kondogbia; Nota do jogo: 7

quinta-feira, 16 de março de 2017

O fim da invencibilidade acende o alerta em Santiago

Derrota no Chile joga Flamengo para o 3º lugar do grupo
O Flamengo mostrou mais futebol que a Universidad Católica, mesmo em Santiago. Isso pode ser bom em longo prazo, mas não funcionou ontem à noite: a eficiência demonstrada na hora de finalizar contra o San Lorenzo não foi vista no Chile, e custou caro. A derrota de 1 a 0 não representa com perfeição o que foi o jogo, mas tira do time de Zé Ricardo uma invencibilidade de 19 jogos e o joga para o terceiro lugar do grupo, o que momentaneamente eliminaria a equipe da Libertadores.

O maior mérito da Católica foi o respeito ao adversário. A equipe pode até ser bicampeã chilena, mas começou o ano com dificuldades, e sabe que hoje é menos time que o Flamengo. Ainda assim, não dá para dizer que uma equipe com Kalinski, Noir, Buonanotte e Santiago Silva seja exatamente fraca, pelo contrário: bem treinado por Mario Salas, o time chileno mostrou-se sempre organizado e ciente de suas potencialidades e limitações.

Era até surpreendente que a equipe da casa não partisse para cima, como costumam os bons times sul-americanos. A ideia era evitar o que passou o San Lorenzo semana passada: quando tentou se abrir, a equipe argentina foi massacrada no Maracanã. A marcação firme dava poucos espaços, mas ainda assim o Flamengo levava perigo na base da qualidade. Diego, com a boa movimentação de sempre, Guerrero, com extrema confiança nos arremates e os volantes Willian Arão e Rômulo, com boas saídas de trás, eram os nomes que melhor apareciam no ataque.

Autor do gol, Santiago Silva perdeu uma chance de ouro no começo do jogo, após recuo irresponsável e errado de Rafael Vaz que caiu em seus pés. O arremate fraco facilitou a defesa de Alex Muralha e era tudo o que a Católica não podia fazer: perder a chance de matar o jogo. O "tanque" compensaria aos 29 da etapa final, cumprimentando falta bem levantada por Fuenzalida. Um gol que não dizia o que era o segundo tempo (Berrío, que entrara pouco antes, fez um carnaval na defesa adversária aos 18, e Diego bateu falta no travessão aos 25), mas castigava a imperícia rubro-negra na hora de definir e premiava a eficiência chilena.

O resultado não chega a ser preocupante, mas a situação já inspira cuidados. O Flamengo jogará daqui a um mês no Maracanã contra o Atlético Paranaense com a mais absoluta necessidade de vitória. Um ponto atrás do Furacão, o time carioca não pode terminar o turno no qual tem dois dos três jogos em casa fora da zona de classificação. Embalada por dois bons resultados contra os brasileiros, a Católica receberá o lanterna San Lorenzo na próxima rodada, o que pode fazê-la até disparar. O grupo é complicado, e a necessidade de pontuar é imperiosa a cada jogo. Um tropeço passa; mais que um, começa a estreitar as possibilidades.

Vitória no fim em São Paulo
Após golear o São Paulo no clássico, o Palmeiras tinha sobre si uma enorme expectativa de grande atuação. Não foi o que aconteceu: o Jorge Wilstermann, depois de massacrar o Peñarol na estreia, impôs grandes dificuldades aos paulistas no Allianz Parque. Sem imaginação, o campeão brasileiro ganhou na base da insistência, com um gol do zagueiro Mina no fim do jogo. O grupo palmeirense não é tão complicado quanto o do Flamengo, e por isso o desafio de passar de fase não deve ser tão intenso. Mas a equipe de Eduardo Baptista, bom resultado à parte, segue devendo em termos de desempenho na Libertadores.

A ótima estreia do River
Com gols de Alario, Driussi e Martínez, o River Plate deu de ombros para o fato de nenhum argentino até então ter vencido na fase de grupos. Jogando no Atanasio Girardot, passou por cima do Independiente Medellín com uma vitória por 3 a 1 cheia de autoridade. Uma estreia excelente.

Jogo duro e liderança mais longe
O Grêmio só empatou, mas fez por merecer a vitória em Pelotas. Dominou o Brasil em quase a totalidade do jogo no Bento Freitas, mas perdeu gols demais e falhou na bola parada, num escanteio cedido de graça por Marcelo Oliveira e numa falha de Jaílson (por que ele seguindo o centroavante?) na marcação a Gustavo Papa. O resultado de 1 a 1 não é bom porque deixa o time de Renato Portaluppi mais longe da liderança, mas está longe de ser inédito: autor do gol gremista hoje, Ramiro tinha apenas um ano de idade na última vez em que o Grêmio venceu o Xavante na Baixada. A vitória por 3 a 1 em 1994 (dois gols de Nildo e um de Cláudio Freitas) foi a última do Tricolor lá. Desde então, em sete jogos, foram duas vitórias do Brasil e cinco empates - quatro deles por 1 a 1.

A força do Monaco
Vice-campeão europeu em 2004, o Monaco faz agora sua melhor temporada desde então. A vitória por 3 a 1 sobre o Manchester City é simbólica por ser sobre o time de Pep Guardiola, e credencia os franceses a sonharem ir mais longe. Mesmo menos badalado que o já eliminado PSG, não deve ser desprezado: o Monaco é o atual líder do Campeonato Francês, liderou seu grupo na Champions e agora passa por um rival forte. Tem credenciais de sobra para seguir indo adiante.

Foto: Staff Images/Flamengo.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Carta na Mesa - 13/03/2017

No programa de hoje, análises da derrota do Internacional para o Juventude e a situação complicada do Colorado no Gauchão, além da vitória do Grêmio sobre o Zamora na estreia da Libertadores.

O pênalti inexistente que aumenta o drama do Inter

Juventude foi melhor que o Inter, mas gol da vitória foi irregular
O começo de ano do Internacional é intrigante. Dono da melhor campanha da Primeira Liga e de 100% de aproveitamento na Copa do Brasil, o Colorado pena no Gauchão. Já nem dá mais para dizer que é um início ruim: sete das 11 rodadas já se passaram, e a equipe de Antônio Carlos Zago só venceu uma partida. E o pior: com ridículos 33,3% de aproveitamento, tem sua pior campanha na história do Campeonato Gaúcho desde que ele passou a integrar interior e capital num certame só, em 1961. Um desempenho tão ruim que coloca a equipe fora da zona de classificação para os mata-matas, sendo que 8 dos 12 participantes garantem vaga.

É verdade que a derrota para o Juventude veio num erro de arbitragem: a cabeçada de Fahel nos acréscimos bateu no peito de Júnio, e não em seu braço. Um detalhe que fez a diferença no placar, mas também deu ao jogo um resultado que refletiu o que se viu em campo. Afinal, embora tenha vencido com um gol irregular, o Ju foi melhor que o Colorado na maior parte da tarde. Foi quem mais procurou o gol e criou chances, e era quem teria mais a lamentar o 0 a 0, caso ele tivesse mesmo acontecido.

Aliás, o empate sem gols é que seria a maior injustiça da tarde. Apesar do tempo feio após a chuvarada que devastou parte da serra gaúcha na madrugada de ontem, o jogo foi aberto e interessante do início ao fim no Alfredo Jaconi. Muito melhor no começo, o Juventude do estreante técnico Gilmar dal Pozzo fez de Danilo Fernandes o personagem do primeiro tempo. O Inter conseguiu equilibrar a partida na segunda metade da etapa inicial, mas jamais foi superior.

O cenário seguiu o mesmo no segundo tempo: sem D'Alessandro, o Internacional não tinha retenção de bola nem criatividade, o que trazia o Juventude para a pressão. As melhores chances eram criadas por Taiberson, subindo às costas do improvisado William. A expulsão de Charles aos 12 parecia o que faltava para o gol do Papo sair, mas curiosamente o Colorado melhorou com um homem a menos. Parecia confortável em poder jogar fechado e ameaçava quando o Papo dava espaços. O jogo ficou lá e cá, com oportunidades claríssimas para os dois lados. O gol, infelizmente, só foi sair em um pênalti inexistente.

A situação não é simples. Com apenas 7 pontos em 21 disputados, o Inter ocupa o vergonhoso 9º lugar entre 12 equipes que disputam o estadual. Está tão perto de cair como de se classificar, o que dá bem o tom do drama. Na próxima rodada, vencer o São Paulo de Rio Grande no Beira-Rio é obrigação, principalmente por se tratar de um confronto direto, mas também porque a equipe jogará duas vezes seguidas fora, contra Ypiranga e São José, outros dois adversários concorrentes na parte de baixo.

Tudo isso serve de alerta: D'Alessandro faz muita falta quando não joga (e ele não jogará o tempo todo, devido à idade) e o time, apesar de ir bem nas demais competições e ter tido bom resultado no Gre-Nal, ainda precisa evoluir muito para se tornar confiável. Falar de arbitragem é tentador, mas vale lembrar que o mesmo Diego Real deu impedimento inexistente que deixaria Caprini na cara de Danilo Fernandes no começo do segundo tempo. Pensar no que é preciso melhorar será bem mais frutífero ao Inter que perder tempo reclamando do juiz.

Sobis põe Cruzeiro na liderança (por enquanto)
Atlético e Cruzeiro sobram no Campeonato Mineiro. Um gol de Rafael Sobis deu à Raposa uma boa vitória de 1 a 0 sobre o América, no Independência. O time de Mano Menezes é o novo líder, com 19 pontos em sete jogos, mas só até hoje à noite. O Galo, com 18 pontos e 100% de aproveitamento, receberá o Tupi, e reassumirá a ponta mesmo em caso de empate.

Real Madrid volta a abrir vantagem
Rodada excelente para o Real Madrid na Espanha. Ao fazer 2 a 1 no Betis, o atual campeão do mundo sobe para 62 pontos, abrindo dois de vantagem para o Barcelona, que perdeu sábado para o La Coruña pelo mesmo placar. A diferença pode ser de até cinco pontos, já que o time da capital tem um jogo a menos. Outro ótimo resultado para os merengues foi o empate do Sevilla, em casa, com o Leganés: 1 a 1. Com 57, o terceiro colocado parece se distanciar de vez da briga pelo título.

Racing goleia o atual campeão
Ótima vitória do Racing no retorno do Campeonato Argentino. O 3 a 0 sobre o Lanús foi o grande destaque da rodada deste final de semana. Gustavo Bou, com um gol e duas assistências, foi o nome da tarde em Avellaneda. O líder Boca ganhou mais uma: sábado fez 2 a 0 fora de casa no Banfield e manteve três pontos de frente sobre o San Lorenzo.

Foto: Arthur Dallegrave/Juventude.

domingo, 12 de março de 2017

De fora do campo, Rogério Ceni revê o seu drama

Dudu bate de longe, encobre Dênis e faz um dos golaços do ano
Em 2015, Rogério Ceni, em seu último ano de carreira como goleiro do São Paulo, sofreu dois gols muito semelhantes do palmeirense Robinho - ambos por cobertura, após uma saída de bola errada. A situação se repetiu ontem, com outros personagens: era Dênis o goleiro tricolor, e Dudu o carrasco palmeirense. Rogério, desta vez, estava do lado de fora do gramado, comandando o São Paulo, e Robinho, hoje, nem está mais no Palmeiras atua pelo Fluminense, e já passou até pelo Cruzeiro neste momento. O lance ocorreu bem à frente de Rogério, o que só aumenta o simbolismo de tudo. Impossível saber o que se passou em sua mente ao ver a cena se repetir diante dos seus olhos - e na mesma goleira do jogo de 26 de março de 2015, por sinal.

Bastante incisivo em todos os jogos da temporada até agora, o time de Rogério foi diferente diante do melhor rival enfrentado até agora em 2017 - algo natural, claro. Teve uma maior posse de bola nos primeiros minutos, mas totalmente insossa, sem qualquer penetração, respeitando muito o Palmeiras. Cueva fez muita falta, bem mais que Jean e Felipe Melo do outro lado. Thiago Mendes, adiantado, até teve seus momentos, mas o time não teve capacidade de surpreender e ainda errou demais na saída de bola, especialmente com os zagueiros e o volante João Schmidt. Tanto que o golaço de Dudu surgiu justamente daí.

O Palmeiras já era taticamente mais ajustado no primeiro tempo, mas não ia para cima por um visível respeito recíproco ao time de melhor ataque no país neste começo de ano. Jogava no erro, mas era igualmente pouco incisivo. O gol no fim da etapa inicial acabou com o medo de vez: vendo que o São Paulo se traumatizaria com o revival de 2015, o campeão brasileiro se adonou de vez do jogo na volta do intervalo. Colaborou para isso a mexida de Rogério que abriu de vez e demais sua equipe: saída de Jucilei e entrada de Wellington Nem, o que escancarou a meia-cancha.

Tendo mais espaço para tramar, o Palmeiras patrolou: Tchê Tchê, outro que fez golaço, teve liberdade para se movimentar por onde bem entendesse. Num 4-1-4-1 envolvente, os donos da casa impediam o São Paulo de sair pelos lados e preenchiam o meio com total autoridade. Quando Borja entrou para repetir com Guerra a dupla campeã da América pelo Atlético Nacional, o cenário só se agravou. Logo no primeiro lance dos dois, assistência do meia para chute perigosíssimo do artilheiro. No segundo, jogada de Michel Bastos para Borja, que aproveitou falha de Dênis e deixou Guerra livre para decretar a goleada.

O placar de 3 a 0 diz bem o que foi o jogo e faz um alerta claro a todos os times que começam a se empolgar com boas campanhas em seus estaduais. Porque o São Paulo chegou cheio de moral ao Allianz Parque, com credenciais no mínimo discutíveis, e o Palmeiras, ainda dosando forças no começo do ano, respeitou todo este cenário. Mas, muito mais maduro e encaixado, mostrou sua força de forma muito clara. Eduardo Baptista ganha um enorme respaldo após esta goleada, que serve inclusive para apagar a má impressão deixada na derrota para o Corinthians, semanas atrás. E ainda por cima aumentou o trauma de Rogério Ceni, que viu de camarote seu sucessor sofrendo um gol traumático como ele próprio sofrera duas vezes, dois anos atrás.

A primeira derrota do líder
O Novo Hamburgo, enfim, perdeu os 100% de aproveitamento no Gauchão: levou 1 a 0 do Cruzeiro e estacionou nos 18 pontos. Adiou sua classificação, mas manteve a ponta com tranquilidade, já que viu o Caxias, então vice-líder, tomar 1 a 0 em casa do Veranópolis e ficar nos 11. O VEC agora é o 2º, com 12, mas pode perder a posição para o Grêmio, que se ganhar quarta do Brasil, em Pelotas, irá a 14. Mesmo sem jogar, o Tricolor foi o grande beneficiado por estes dois resultados do sábado.

Velhos conhecidos para a necessária subida
Antônio Carlos, Brenner e Roberson foram personagens do Gre-Nal de sábado passado, e precisarão repetir a dose hoje. O compromisso é difícil de novo: na Série B como o Inter, o Juventude jogará em casa, e está só um pontinho à frente do Colorado - tem, portanto, necessidade enorme de vitória também. Um ponto em Caxias do Sul não seria algo ruim se o time da capital não estivesse em situação complicada: não vencer deve significar a saída do G-8 faltando apenas quatro rodadas para o final. O bom momento nas competições paralelas contrasta com o Gauchão claudicante de só uma vitória em seis jogos até agora. Neste caso, o empate fora de casa diante do Grêmio basta como consolo, apenas.

Foto: Palmeiras/Divulgação.

sábado, 11 de março de 2017

De Rosário, a peça que faltava para completar o grupo do Grêmio

Musto deve chegar em maio para ser titular do Grêmio
A provável chegada do volante Damián Musto para o mês de maio, ao final da fase de grupos da Libertadores, define o elenco do Grêmio para o restante da temporada. E ele se encorpou bastante: mesmo o título da Copa do Brasil não escondeu que havia lacunas a preencher na Arena, especialmente no que diz respeito a banco de reservas. Agora, para determinadas posições, há até sobras de peças.

Do meio para a frente, as recentes chegadas de Barrios e Gastón Fernández qualificam um setor que até 20 dias atrás, diante de lesões acumuladas, se via obrigado a colocar Everton como centroavante improvisado em jogos do Gauchão. O alto nível se evidencia no fato de que tanto o argentino como o paraguaio não chegam como titulares absolutos: Pedro Rocha foi o autor de três assistências para os últimos quatro gols da equipe, somando os confrontos com Internacional e Zamora - fora a atuação de gala no Mineirão contra o Atlético Mineiro, claro. Luan e Miller Bolaños são absolutos, Everton é sempre ótima opção e Fernandinho começou o ano em alta.

Tudo porque o banco de reservas se qualificou bastante. Os contestados Negueba e Henrique Almeida deixaram o clube, e Jael, tão criticado, só retornará no segundo semestre por conta de grave lesão - se é que retornará. Estes três jogadores eram motivo de reclamações da torcida sempre que começavam o aquecimento, um sinal claro de que antes as opções de reposição deixavam a desejar. Agora, a situação é inversa: é tanta gente boa que fica difícil dizer quem é reserva. Fora que muitos talvez nem se lembrem de Douglas, protagonista do penta, e lesionado até agosto. Quando ele voltar, haverá mais um ótimo problema para Renato Portaluppi resolver.

Atrás, a situação é parecida. Edílson tinha como reserva o fraquíssimo Wallace Oliveira; tem agora Léo Moura, que iniciou o ano tão bem que talvez seja concorrente por posição. Já Marcelo Oliveira, que reinou absoluto na esquerda muitas vezes até por falta de concorrência, tem em Cortez ao menos um reserva experiente e de nível não muito inferior. Na zaga, a lesão (não tão grave como se imaginava) de Geromel obrigou a direção a ir atrás do experimentado Bruno Rodrigo. Em 2016, era Fred o substituto imediato. Com a afirmação de Kannemann, é mais um setor que se completa bem.

O que parecia faltar, mesmo, era o substituto de Walace. Jaílson não convenceu como primeiro homem. Michel vem fazendo partidas bem razoáveis, mas ainda precisa mostrar mais serviço. Musto não: é jogador da função, com boa estatura, saída de bola confiável e ótimo desarme. Vem para suprir o setor de maneira definitiva, caso seja confirmado. Jogador de característica diferente da do campeão olímpico, mas que não baixa o nível da equipe. Era a peça que faltava para fechar um elenco forte o suficiente para brigar pelos títulos grandes que o Tricolor tanto deseja em 2017.

Clássico que promete hoje à tarde
Donos de ataques poderosos neste começo de ano, Palmeiras e São Paulo têm tudo para fazer um jogo interessantíssimo hoje, às 16h, no Allianz Parque. É um teste e tanto para a equipe de Rogério Ceni, que mostra qualidade ofensiva enorme, mas ainda peca bastante lá atrás. O Verdão é mais pronto, mas vale lembrar que Eduardo Baptista também está em início de trabalho. Vale bem menos pelo estadual, onde ambos estão tranquilos, mas muito mais pela medição de forças contra um rival forte.

O primeiro classificado pode sair hoje
Com 18 pontos e 100% de aproveitamento, o Novo Hamburgo já está virtualmente classificado em um Gauchão que passa 8 de 12 equipes para os mata-matas - com 15 pontos qualquer time deve chegar à segunda fase. Oficialmente, a vaga pode vir hoje à tarde: derrotando o Cruzeiro em Gravataí, o Noia confirma de maneira matemática a vaga entre os oito. Hoje tem também Caxias x Veranópolis, pela parte de cima, e São Paulo x Ypiranga, na ponta de baixo. Todos são jogos que interessam ao Inter, que vai muito bem nos torneios paralelos, mas sofre no estadual. Se perder amanhã no Alfredo Jaconi para o Juventude, o Colorado pode entrar a quatro rodadas do fim preocupantemente fora do G-8.

Foto: Rosario Central/Divulgação.

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