terça-feira, 30 de agosto de 2016

Segunda-feira boa para Inter e Brasil

Atlético-PR venceu o Botafogo em casa e ajudou o Internacional
Internacional e Brasil de Pelotas foram brindados com resultados positivos na noite de ontem.

No caso colorado, a derrota do Botafogo (13º, 26) evita que os cariocas abram cinco pontos, com um jogo a menos, na encruada luta contra o rebaixamento. O Fogão enfrentará o Grêmio no domingo ainda podendo disparar em relação ao Inter. Com 24, o Colorado tem ao alcance Sport (27), Botafogo (26), Cruzeiro (26), Vitória (26) e Coritiba (26), sem falar no Figueirense, que está atrás pelos critérios, mas ainda enfrentará o Fluminense no sábado. Mas estar ao alcance só vale se vierem vitórias, o que desde junho não acontece.

O 1 a 0 na Arena da Baixada interrompe uma série negativa de quatro jogos do Atlético-PR (8º, 33), que ultrapassa o Fluminense (9º, 31) e volta a se colocar como pleiteante ao G-4. A má fase da equipe se refletiu no baixo público de apenas 12 mil pessoas em Curitiba.

Para o Xavante, o bom resultado foi o empate em 2 a 2 entre Atlético-GO (2º, 38) e Ceará (3º, 37), jogo que abriu a 22ª rodada da Série B. Com 33 e na 5ª colocação, o Brasil vê dois concorrentes diretos marcarem passo com este empate. A equipe de Rogério Zimmermann pode entrar no G-4 hoje: terá de vencer o Bragantino ameaçado (17º, 21) fora de casa e torcer por um tropeço do CRB (4º, 34), em Maceió, diante do Oeste (10º, 29).

Em tempo:
- Inter de olho em Emerson Sheik. Enquanto isso, o empresário de Nico López reclama da reserva do uruguaio. Cartilha de rebaixamento.

- Geromel chega à seleção para substituir um companheiro cortado, mas já entra como titular de Tite. Mantendo o desempenho do Grêmio, não sairá mais do time.

Foto: Marco Oliveira/Atlético-PR.

domingo, 28 de agosto de 2016

Os 11 dias mais longos do ano vermelho

Ariel perdeu gol feito: lance fez falta para o Inter em Recife
O Inter chegou a Recife falando que o empate era para ser comemorado, mas o 1 a 1 com o Sport (12º, 27) foi altamente frustrante pelas circunstâncias. Como diante do São Paulo, o time gaúcho foi brindado com um pênalti duvidoso a seu favor. Desta vez o aproveitou com Seijas, e ficou com o jogo à feição. Defendeu-se com competência na maior parte do tempo, fez de tudo para segurar o resultado, mas cedeu o gol de empate aos 44 do segundo tempo. O gol da Chapecoense e o erro de Valdívia no pênalti da rodada passada também ocorreram na fase terminal do jogo.

Resultado muito frustrante pelas circunstâncias, mas é bom lembrar que o Internacional (17º, 24) não tem jogado o suficiente para não ser um dos quatro piores times do campeonato. Ao contrário: rodada após rodada o Colorado tem caído na tabela, a ponto de hoje, finalmente, ter entrado na zona de rebaixamento - algo que até surpreende pela demora, para quem não vence há tanto tempo. Ainda assim, a má fase tem se revelado tão devastadora quanto o mau futebol: nos últimos três jogos, a equipe gaúcha deixou escapar nada menos que cinco pontos nos minutos finais. Isso faz uma enorme diferença: tivesse 29 pontos e o time de Celso Roth seria o 11º colocado. Com 24, está em 17º.

O Colorado já chega a mais de 70% de um turno sem vencer. São 14 jogos, igualando um recorde negativo do Grêmio em 1997. A última vitória ocorreu a nada menos que 73 dias. Ou seja, quando entrar em campo diante do Santos, daqui a 11 dias, o Inter estará a 84 dias sem vencer pelo Brasileirão. Serão quase três meses sem ganhar três pontos.

A situação já é dramática, apesar do equilíbrio na ponta de baixo: caso empate o seu jogo atrasado diante do Fluminense, o Figueirense colocará o time gaúcho em 18º lugar, à frente apenas de Santa Cruz e América-MG. Após o Santos, o Colorado terá pela frente o Atlético-PR, na pedreira da Arena da Baixada, e o Vitória, em casa, confronto direto entre dois ameaçados. Antes do Peixe, há o Fortaleza pela Copa do Brasil na quarta-feira, jogo que vale menos pela Copa do Brasil e mais pelo motivacional: encerrar a interminável série sem vitórias é obrigação. É ganhando este jogo que o Inter começará a superar o time da Vila Belmiro.

Brasília: grande vitória do líder Palmeiras (1º, 43), brecando a reação do Fluminense (8º, 31). O 2 a 0, gols de Dudu e Jean, deixa a equipe com um pouco mais de folga na ponta. Foram 12 mil torcedores apenas no Mané Garrincha, o que sugere um erro dos cariocas: em Mesquita, o Tricolor teria fator local e apenas 3 ou 4 mil torcedores a menos.

Chapecó: ótima vitória do Flamengo (2º, 40), que de fato ganha corpo com a entrada de Diego. Ele fez o primeiro, e Damião e Mancuello completaram os 3 a 1 sobre a Chapecoense, que descontou com Kempes. 12 mil na Arena Condá.

Santos: despedida amarga para Gabriel. Jogando na Vila (11 mil), o Santos (5º, 36) perdeu pontos preciosos, levando 1 a 0 do Figueirense (18º, 24), gol de Rafael Moura, de pênalti. O resultado tira o Peixe da briga pela liderança, ao menos por algumas rodadas, e dá um respiro aos catarinenses, que, é bom lembrar, têm um jogo a menos.

São Paulo: mantendo sua fase horrorosa, o São Paulo (11º, 28) jogou um futebol fraco e não saiu do 0 a 0 com o Coritiba (16º, 26). Apenas 8 mil viram o jogo no Morumbi.

Belo Horizonte: diante de 49 mil torcedores na manhã do Mineirão, o Cruzeiro (14º, 26) fez 2 a 0 no Santa Cruz (19º, 19), gols de Robinho e Ábila, e deixou o Z-4 para trás de vez.

Salvador: o Vitória (15º, 26) sofreu, mas bateu o lanterna América-MG (20º, 13) por 2 a 1 e saiu da zona de rebaixamento, abrindo dois pontos do Inter. 8 mil foram ao Barradão ver os gols de Marcelo e David, com Danilo descontando.

Foto: Internacional/Divulgação.

Tarde de frustração

Grêmio de Jaílson deixou escapar vitória no fim do jogo: 1 a 1
Dos três tropeços do Grêmio dentro de casa neste Campeonato Brasileiro, nenhum foi mais frustrante que o de hoje à tarde. Contra Vitória e Santa Cruz, naqueles irrecuperáveis cinco pontos perdidos, a palavra mais correta é decepção. Hoje, não: o time de Roger Machado fez uma boa partida, dominou o Atlético-MG em quase toda a tarde, tinha a vitória nas mãos e cedeu o empate num lance isolado, no fim da partida. Um exemplo do que costumamos chamar de "água no chope".

Marcelo Oliveira escalou mal o Galo. Se a ideia era preservar Robinho fisicamente, muito melhor seria tentar preencher a função de criação com Hyuri, ou então trazer Maicosuel da ponta esquerda, onde produziu pouco, para o meio. Com três volantes e três atacantes, o time mineiro jogou descompactado a tarde toda, sendo dividido praticamente em dois. Não sofreu mais gols porque ao menos defensivamente esteve bem, fechando espaços com competência.

Já Roger tinha o chamado problema bom: como acomodar Jaílson, Maicon e Walace no mesmo time? Se o capitão gremista não faz o corredor que Ramiro fez na vitória de quarta-feira em Curitiba, a saída foi voltar para o esquema antigo. Porém, fazendo as vezes de Giuliano, Jaílson rendeu bem menos que em partidas anteriores. Outro problema foi que Luan esteve mais longe do gol do que deveria. Voltou demais para armar jogo e deixou de entrar na área, com tão bem sabe.

Ainda assim, o domínio gremista foi amplo. Com trocas de passes envolventes e de extrema paciência, o time gaúcho raramente rifou a bola e trabalhou as jogadas de forma insistente. Assim, foi criando chances. No primeiro tempo, o Atlético-MG, sem qualquer articulação, tinha nos lançamentos longos para Pratto e Fred a única jogada aguda. Porém, Wallace Reis e Kannemann foram soberanos no controle à dupla de centroavantes.

No intervalo, o treinador do Galo acrescentou qualidade colocando Douglas Santos em campo, para a saída de Lucas Cândido. A proposta, porém, seguiu a mesma. E o Grêmio prosseguia melhor, mais perto do gol, até que fez, com Luan, em chute que desviou na zaga. Só então é que Marcelo Oliveira lançou mão de Robinho, no lugar óbvio de Fred, uma nulidade em cancha. O camisa 7 deixou o time mineiro mais movediço, o que ajudou a criar uma mecânica ofensiva mínima. Ainda assim, o jogo era bem mais do Tricolor, que novamente perdeu um caminhão de gols, ótimas chances de ampliar a vantagem. Acabou castigado no fim, de forma cruel. Foram 24 chutes do Grêmio contra apenas 3 do Atlético-MG, um número definitivo sobre o que foi a partida.

O empate, claro, é péssimo. Com 36 pontos, o Grêmio está a sete do líder Palmeiras. O jogo atrasado atrapalha a análise, mas fica nítido que a distância começa a ficar grande: vencendo o Botafogo na semana que vem, ainda assim o time de Roger ficará a quatro pontos da liderança, e atrás do Flamengo, que venceu a Chapecoense e foi a 40. A favor está o fato de que três dos cinco rivais na luta pelo título já não enfrentam mais a equipe gaúcha, o que sugere uma tabela um pouco mais amena.

Ainda assim, é sabido que o Grêmio não é líder justamente por conta dos jogos contra os pequenos. Contra os cinco primeiros, os gaúchos têm um aproveitamento de 58,3%; contra os cinco últimos, de 53,3%. Mas mais do que isso, o problema está na campanha fora de casa. Fazer quatro pontos contra Corinthians e Atlético-MG e três contra o Flamengo está na cartilha. Em casa, o aproveitamento é de 78,8%. Fora, porém, é de 33,3%. Bater Botafogo e Coritiba em sequência longe de Porto Alegre é essencial para que o time volte à disputa da ponta. Palmeiras e Flamengo, os dois primeiros, ganharam (e bem) hoje, ambos como visitantes.

Para o Galo, ponto a ser comemorado. A equipe perde contato com o líder Palmeiras, mas consegue um resultado que quase ninguém tem obtido na competição. Pela atuação fraca que teve, o resultado caiu do céu.
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Campeonato Brasileiro 2016 - 22ª rodada
28/agosto/2016
GRÊMIO 1 x ATLÉTICO-MG 1
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Cláudio Lima e Silva (SE)
Público: 32.963
Renda: R$ 1.111.535,00
Gols: Luan 7 e Robinho 41 do 2º
Cartão amarelo: Wallace Reis, Walace, Miller Bolaños, Kannemann, Lucas Cândido, Leonardo Silva, Fred e Rafael Carioca
GRÊMIO: Marcelo Grohe (5,5), Edílson (5,5), Wallace Reis (6,5), Kannemann (6,5) e Marcelo Oliveira (5,5); Walace (6,5), Maicon (6,5), Jaílson (5,5) (Guilherme, 42 do 2º - sem nota) e Douglas (6) (Ramiro, 36 do 2º - sem nota); Luan (6,5) e Miller Bolaños (5,5) (Henrique Almeida, 32 do 2º - 5). Técnico: Roger Machado
ATLÉTICO-MG: Uilson (6), Carlos César (5), Leonardo Silva (6), Ronaldo Conceição (5,5) e Fábio Santos (5,5) (Otero, 29 do 2º - 5,5); Rafael Carioca (6), Leandro Donizete (5,5) e Lucas Cândido (4,5) (Douglas Santos, intervalo - 6); Pratto (5,5), Fred (4) (Robinho, 15 do 2º - 6,5) e Maicosuel (5,5). Técnico: Marcelo Oliveira

Foto: Lucas Uebel/Grêmio.

Um grande teste para a nova defesa

Convocado para a seleção brasileira, Geromel desfalcará o Grêmio diante do Botafogo. Esta será, possivelmente, uma constante a partir de agora. Assim, é preciso que o Tricolor mostre consistência na substituição ao seu principal homem de defesa. Bem mais reforçado que no primeiro semestre, o Tricolor tem em Wallace Reis e Kannemann dois nomes cuja missão é manter o bom nível defensivo da equipe sem contar com a presença de sua principal referência lá atrás.

O primeiro teste da nova dupla é complicadíssimo: o Atlético-MG, de Robinho, Pratto e Fred, todos juntos. Um jogo importantíssimo, por ser confronto direto, e que deve contar com mais uma tarde de grande público na Arena. O Galo é vice-líder, com 38 pontos; o Grêmio é 6º, com 35, mas com potencial de vice-líder, por ter um jogo a menos.

Geromel vale por alguns desfalques, mas o time mineiro chega pior a Porto Alegre neste sentido: Victor, Marcos Rocha, Erazo, Luan, Cazares, para citar apenas os titulares, não atuarão. Marcelo Oliveira não terá como opções nomes importantes do elenco, como Dátolo, Júnior Urso e Patric. Ainda assim, a escalação impõe respeito, especialmente pelo setor ofensivo. Jogo para ver Kannemann ao lado de Wallace Reis, para ver se o esquema utilizado em Curitiba realmente funcionará com o retorno de Maicon, para ver dois dos melhores setores ofensivos do futebol nacional.

Jogaço, como tem sido Grêmio x Atlético-MG há pelo menos quatro temporadas. E para lamentar a perda de Alcindo, maior artilheiro da história tricolor. Todas as homenagens serão justas, mas nem isso talvez seja o suficiente diante de sua grandeza.

Fluminense (8º, 31) x Palmeiras (1º, 40): a volta de Gabriel Jesus é a grande cartada palmeirense para tentar abrir vantagem na liderança. A partida no Mané Garrincha não será nada fácil: o Fluminense vem reagindo e pode muito bem, com mais um triunfo, se aproximar na briga na parte alta da tabela.

Santos (3º, 37) x Figueirense (18º, 22): o Peixe é mais um time que contará com voltas importantes após os Jogos Olímpicos. Enfrentar o Figueirense na Vila é uma ótima chance de se aproximar ou até mesmo terminar a rodada na liderança. Aos catarinenses, resta torcer para que a ótima vitória sobre o mistão do Flamengo pela Sul-Americana não tenha sido obra do acaso.

Chapecoense (10º, 30) x Flamengo (5º, 37): parada dura para o time carioca em Chapecó, onde a equipe da casa costuma ser muito forte. Mais uma tarde para ver Diego na armação.

São Paulo (11º, 27) x Coritiba (14º, 25): incrivelmente, o São Paulo não entra como favorito. Vem em crise pesadíssima e jogará em casa, onde o clima tem sido terrível, especialmente após a derrota para o Juventude, pela Copa do Brasil. Organizado, o Coritiba vem em fase mais consistente, e não será surpresa se deixar o Morumbi com pelo menos um ponto.

Sport (12º, 26) x Internacional (15º, 23): mais uma vez cheio de mudanças, o Inter sairá da Arena de Pernambuco comemorando caso conquiste ao menos um pontinho. O Sport vem em melhor fase e entra como favorito. O detalhe é que mesmo que não perca o Colorado poderá acabar a rodada na zona de rebaixamento.

Vitória (17º, 23) x América-MG (20º, 13): favorito, o Vitória precisa aproveitar o fator local para sair do Z-4 e afundar o pobre América na lanterna.

sábado, 27 de agosto de 2016

A ótima fase da Ponte

A Ponte Preta fechou hoje à tarde uma semana difícil, com três confrontos diretos contra alguns dos melhores times do país. E saiu-se bem em todos eles: depois de buscar um 2 a 2 com o Palmeiras em São Paulo e trazer um empate por 1 a 1 na Copa do Brasil direto de Belo Horizonte contra o Atlético-MG, a Macaca passou com louvor pelo Corinthians hoje à tarde. A vitória por 2 a 0 aproxima o time de Campinas do G-4. É a melhor campanha da equipe desde 2001.

Com 34 pontos, a Ponte está apenas um atrás do Grêmio e três do próprio Corinthians, que delimita o G-4 ao lado do Flamengo. Claro, os gaúchos têm dois jogos a menos, e os demais rivais (com exceção do Timão) ainda jogarão nesta rodada. Mas a fase é boa, e o desempenho tem sido constante ao longo deste Brasileirão. Em 13 das 21 rodadas a equipe campineira fechou no G-10. Desde a 13ª, está entre os oito melhores times da competição.

O Corinthians, enquanto isso, pode fechar a rodada seis pontos atrás do primeiro colocado, ficando em situação complicada na luta pelo título.

Pela Série B, o Vasco abriu quatro pontos na liderança, mas poderiam ser seis: ficou no 2 a 2 com o Tupi e chegou a quatro jogos sem vencer na temporada. O empate de 1 a 1 entre Ceará e CRB, ocorrido ontem, beneficiou os cariocas.

Em tempo:
- Faltando três rodadas para o fim da primeira fase, o Ypiranga cresce na Série C. Hoje, fez 2 a 0 fora de casa no Macaé e assumiu provisoriamente a vice-liderança do Grupo B, com 26 pontos, dois atrás do líder Guarani. Com dois dos três jogos restantes em Erechim, a chance de chegar ao mata-mata é real.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O quinto título de Gallardo no River

River iguala São Paulo e Boca, únicos bicampeões da Recopa
Em pouco mais de dois anos, Marcelo Gallardo coleciona títulos comandando o River Plate. Ontem, comemorou a quinta taça, a quarta em nível internacional, ou quinta, se considerarmos a pequena Copa Suruga de 2015: depois de empatar em 0 a 0 com o Santa Fe em Bogotá, o time argentino fez 2 a 1 no Monumental de Núñez e chegou ao bicampeonato da Recopa. A façanha é enorme: só São Paulo (1993/94) e Boca Juniors (2005/06) ganharam o torneio duas vezes consecutivas.

Driussi e Alario (sempre ele) marcaram os gols do sexto título de Gallardo, desde já um dos treinadores mais vitoriosos da riquíssima história millonaria. Em 2014, o clube de Buenos Aires foi campeão argentino e da Sul-Americana; no ano seguinte, Recopa e Libertadores; agora, mais uma Recopa. O momento nem é dos melhores (a equipe fez um mau Campeonato Argentino e caiu nas oitavas da última Libertadores), mas as taças seguem brindando as noites do bairro de Núñez.

O campeão argentino caiu feio
Grande vitória do Independiente na estreia da Copa Sul-Americana: 2 a 0, fora de casa, contra o Lanús, atual campeão argentino.

Além deste confronto, dois jogos entre brasileiros marcaram o fim da rodada de ida da segunda fase: o Vitória fez 2 a 1 no Coritiba e o Cuiabá bateu a Chapecoense na Arena Pantanal por 1 a 0. Placares que não definem nada.

Em tempo:
- Ceará (3º, 35) e CRB (4º, 33) fazem, no Castelão, o principal jogo da rodada da Série B. Duelo direto dentro do G-4, e que portanto interfere na vida do Brasil/Pel (5º, 33). O clássico catarinense entre Criciúma e Joinville é o outro confronto de hoje à noite.

Foto: River Plate/Divulgação.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Fase de grupos e de reencontros

Como sempre, o sorteio da Liga dos Campeões reservou uma série de confrontos interessantes na primeira fase. Se os grupos não são exatamente equilibrados - com exceção de um ou dois - alguns jogos podem funcionar como verdadeiras prévias para os mata-matas. Vários deles, inclusive, foram decisões em edições bem recentes da competição.

Grupo A: apesar da perda de Ibrahimovic, o Paris Saint-Germain é ainda o favorito desta chave, com o Arsenal correndo por fora na briga pela liderança. Basel e Ludogorets surgem como zebras, embora os suíços já tenham aprontado em anos não tão distantes.

Grupo B: eis uma das chaves equilibradas. Bicampeão português e um dos oito melhores da edição 2015/16, o Benfica larga como principal candidato à ponta. O Dinamo de Kiev, porém, também chegou aos mata-matas da última edição. O Napoli, mesmo sem Higuaín, vem com o cartaz de ser bi-vice-campeão italiano. E os turcos do Beskitas costumam fazer jogos duros sempre.

Grupo C: o confronto mais chamativo da primeira fase está aqui. Será entre o Manchester City, de Pep Guardiola, e o Barcelona. Borussia Mönchengladbach e Celtic não são galinhas mortas, mas diante de dois rivais tão poderosos ficam em segundo plano.

Grupo D: semifinal de 2015/16 reeditada por Bayern München e Atlético de Madrid, os dois principais candidatos do grupo. O campeão holandês PSV, porém, merece cuidados especiais. Os russos do Rostov correm por fora.

Grupo E: outro que é bastante parelho, sem favoritos claros. Bayer Leverkusen, Tottenham e Monaco entram em pé de igualdade na disputa, mas o CSKA Moscou costuma ser páreo complicado, especialmente jogando na Rússia.

Grupo F: o clássico de edições recentes entre Real Madrid e Borussia Dortmund é o grande chamariz desta chave. O Sporting, que voltou com força às disputas de título em Portugal, tem um bom time, mas degraus abaixo de espanhóis e alemães. O Legia, da Polônia, é a zebra.

Grupo G: campeão inglês, o Leicester deu sorte. Seu adversário mais duro é o Porto, que há anos não repete os grandes times do passado. Brugge e Kobenhavn podem atrapalhar apenas se ingleses e portugueses derem sopa para o azar.

Grupo H: reforçada, a pentacampeã italiana Juventus é a melhor equipe da chave. Sevilla e Lyon devem fazer a disputa pelo segundo lugar, com o Dinamo Zagreb à espreita caso algum deles tropece.

Foto: UEFA/Divulgação.

Um Juventude como nos velhos tempos

Vitória sobre o São Paulo deixou o Ju a um passo das quartas
Ainda não sabemos se o Juventude vai ascender para a Série B depois de sete anos, mas 2016 tem sido um bom ano para a papada. Se no Gauchão o time de Caxias do Sul conquistou o vice-campeonato eliminando o favorito Grêmio, na Copa do Brasil a chance de chegar entre os oito melhores é enorme. A vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, no Morumbi, lembrou os bons tempos do alviverde serrano na competição.

Jogando de forma organizada, mas sem retranca, o Juventude mereceu o resultado. Aproveitou a má fase técnica do time paulista para largar na frente cedo, sofreu o empate, mas não se abateu e chegou ao 2 a 1 na etapa complementar. Roberson, carrasco gremista no estadual, foi o algoz são-paulino de ontem, marcando dois gols. Vale lembrar que Coritiba e Paysandu, equipes de divisões superiores atualmente, já caíram para o Ju na Copa do Brasil 2016.

Noite dos visitantes
Não foram só Grêmio e Juventude que começaram muito bem jogando de visitantes nas oitavas de final: a Ponte Preta também obteve um resultado interessante em Belo Horizonte. O empate em 1 a 1 com o Atlético-MG deixa a Macaca a um 0 a 0 das quartas. Dos times que atuaram em casa ontem, só o Santos venceu. A vitória de 3 a 1 sobre o Vasco, porém, tem um retrogosto de frustração, pois o gol carioca saiu nos acréscimos do segundo tempo. Se antes o time cruz-maltino só passaria de fase se fizesse 4 a 0 em São Januário, agora um 2 a 0 já basta.

Sul-Americana
Na noite brasileira da Sul-Americana, destaque para a ótima vitória de 4 a 2 do Figueirense sobre o Flamengo, em Florianópolis. No clássico pernambucano, Santa Cruz e Sport ficaram no zero no Arruda. O duelo argentino da noite terminou com vitória magra do Estudiantes sobre o Belgrano, 1 a 0. O campeão da América Atlético Nacional trouxe um interessante 1 a 1 de La Paz diante do Bolívar e o Cerro Porteño aplicou a maior goleada da competição até agora: 6 a 0 no Real Potosí.

Foto: Arthur Dallegrave/Juventude.

Dez anos de Carta, dez anos de gratidão

A vontade de escrever sobre futebol era tanta, dez anos atrás, que decidi não esperar atuar profissionalmente na área para começar. Os blogs como ferramenta jornalística ainda engatinhavam: eram poucos os veículos que tinham colunistas do tipo. Mas quando a gente quer muito algo, encontramos algum meio de realizá-lo. Eu ainda não era formado em 25 de agosto de 2006, estava no final da faculdade, mas decidi, também impulsionado por colegas de faculdade que adoravam conversar comigo pelos corredores da Fabico sobre futebol, abrir um espaço online para tratar do tema. Justo eu, que tinha na época preconceito com blogs, que ainda eram por muitos tratados como diarinhos pessoais na internet, espécie de rede social pré-Orkut.

Pois, passada uma década daquela manhã de sexta-feira, posso dizer que foi uma das decisões mais acertadas que já tomei. O Carta na Manga nunca me rendeu um centavo diretamente, também porque nunca foi esta a minha pretensão. Nunca gerou milhões de cliques, porque este também nunca foi o propósito deste espaço. Começou com um local onde amigos poderiam conversar sobre futebol, e na verdade sempre continuou sendo. E, no dia em que perder esta característica, será o dia em que deverei encerrá-lo.

O nosso único propósito foi sempre o de manter um nível razoável de análises, um tratamento profissional ao jornalismo futebolístico, onde quem quisesse participar estava mais que convidado a passar por aqui. Com aprofundamento, mas acima de tudo respeito, diálogo e bom nível de discussão, que é o que sempre entendi que mais faz falta nos veículos hoje. Os números de audiência, de comentários, de acessos, nunca foram e nunca serão nossa prioridade. Pode parecer até um pouco egoísta de minha parte, mas o sucesso do Carta, para mim, sempre foi medido pela satisfação pessoal e pela minha vontade em atualizá-lo dia após dia. Claro, houve momentos em que pensei em desistir, e estes para mim eram os maiores sinônimos de fracasso. Mas posso garantir que os dias em que tive vontade de seguir em frente foram imensamente mais numerosos e intensos.

Muita coisa mudou nestes dez anos. Pessoalmente e profissionalmente, se evolui muito dos 23 para os 33 anos de idade, lógico, mas também esportivamente muita coisa aconteceu nesta década, e o Carta na Manga contou várias dessas histórias. Tivemos a felicidade de registrar aqui momentos históricos do nosso querido esporte, como um título mundial (e outros tantos) do Inter, uma troca de estádio (e uma goleada histórica em clássico) do Grêmio, uma Copa do Mundo disputada em nossa casa - a qual pude cobrir no próprio Beira-Rio pela querida Gazeta Esportiva, veículo ao qual só cheguei por ter evoluído enormemente meu texto jornalístico aqui no Carta - e, sábado passado, a tão esperada medalha de ouro olímpica do futebol brasileiro.

Fomos também um dos primeiros blogs independentes de jornalismo esportivo a criar e manter um programa de rádio semanal - o Carta na Mesa, primeiro na Fabico, depois na Rádio Estação Web, e esse pioneirismo me enche de orgulho, sentimento que até nem valorizo tanto. Não foi só cobrir a Copa, portanto: foi ser colunista, apresentador de uma mesa redonda e comentarista de jogo ao vivo em rádio. Muitos sonhos de infância se tornaram possíveis por conta deste espaço aqui. Imaginem o tamanho do carinho que tenho por ele.

Muito, mas muito, mas muito obrigado mesmo a todos vocês, que já acessaram, comentaram, curtiram, criticaram, colaboraram com textos, com participações radiofônicas e que de alguma forma interferiram positivamente nesta história, que é uma das mais legais da minha vida pessoal e profissional. Confesso que não imaginava chegar a 10 anos atualizando o Carta, e não tenho a mínima ideia de até quando vou seguir mantendo os trabalhos por aqui. A falta de maiores pretensões talvez seja o grande segredo para tanta vontade de seguir em frente: pensando dia após dia, sem maiores planos, me sinto feliz demais de continuar. Valeu, gente querida!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Uma estreia até acima do esperado

Miller marca após lindo toque de Douglas: Grêmio começa bem
O Atlético-PR não vive sua melhor fase na temporada, ao contrário: vinha de três derrotas seguidas. Ainda assim, é um time muito difícil de ser batido na grama sintética da Arena da Baixada. Vindo de uma má campanha fora de casa no Brasileiro, o Grêmio já se contentaria em trazer um empate para Porto Alegre - até uma derrota por diferença mínima marcando gol já seria administrável. Vencer por 1 a 0 era algo acima da expectativa, mas o time de Roger Machado conseguiu.

Mais que isso: o Grêmio mereceu o resultado. O primeiro tempo foi tão gaúcho que o Atlético-PR sequer finalizou contra o gol de Marcelo Grohe, algo raríssimo para um time que joga em casa. Aproveitando o regresso de seus dois titulares campeões olímpicos, Roger mexeu no esquema: retirou os dois ponteiros, manteve Miller Bolaños no ataque com Luan e escalou Ramiro ao lado de Jaílson e Walace. Na teoria, três volantes e retranca; na prática, um time que controlou bem o setor mais importante do campo e atuou quase sempre com dois meias, já que Jaílson e Ramiro se revezavam nas subidas ao ataque.

Ironia do destino, o gol do Grêmio surgiu de uma escorregada no gramado artificial molhado de Marcos Guilherme, homem que deveria centralizar a criação do Furacão, mas mal participou do jogo. O passe de Douglas para Bolaños foi genial, o símbolo de uma atuação superior e segura da equipe gaúcha. Com imposição física e tática, o time visitante envolveu o Atlético-PR através de uma ótima partida de Walace e de intensa movimentação de todos os seus homens de meio e frente. Atrás, Geromel ganhava todas por cima.

No segundo tempo, a história foi um pouco diferente. Com a entrada de Juninho no lugar de Galhardo, o Furacão ganhou uma jogada forte pelo lado do campo. Com João Pedro no de Marcos Guilherme, recuperou o setor criativo e passou a disputar a meia-cancha palmo a palmo com o Grêmio. Com mais cruzamentos chegando desde a linha de fundo, a zaga tricolor penou mais na bola aérea, com Luan e André Lima levando vantagem sobre Geromel e Kannemann algumas vezes.

A pressão, porém, durou pouco mais de 10 minutos. Localizadas as peças que causavam problemas, o Grêmio reencaixou a marcação e voltou a ter o jogo sob controle, ainda que o Furacão, mais bem armado com João Pedro, chegasse com perigo vez por outra no ataque. Mesmo assim, as melhores chances de marcar no segundo tempo foram na maioria gremistas - duas delas, uma com Luan, outra com Everton, foram desperdiçadas frente a frente com Wéverton. O único pecado gaúcho foi não ter definido a parada hoje mesmo, perdendo mais uma vez gols demais. A torcida paranaense reconheceu os problemas do time e vaiou fortemente a direção nos cinco minutos finais, deixando claro que não gostou da atuação e que se indigna com o mau momento atleticano.

Mesmo que a vitória de hoje pudesse ter sido mais ampla, quem reclama está de barriga cheia. O Grêmio deu azar no sorteio, pegou o adversário mais difícil do Pote 2, mas o venceu, fora de casa, e jogando em muito bom nível. A última vitória longe de Porto Alegre havia ocorrido há três meses, no fim de maio, contra o Atlético-MG, no comecinho do Brasileirão. Estrear na Copa do Brasil ganhando de uma equipe que faz um bom ano, e longe de casa, é uma ótima arrancada.

Em tempo:
- Coincidências paranaenses: em 2015, o pior jogo do Grêmio no turno do Brasileirão foi diante do Coritiba, no Couto Pereira, derrota por 2 a 0. Nas oitavas da Copa do Brasil, voltando ao estádio do Coxa, o Tricolor venceu por 1 a 0 no jogo de ida. Neste ano, a história se repetiu, mas diante do Atlético-PR, o outro time de elite da capital paranaense.

- Será este esquema uma forma de Roger acomodar Jaílson no time ao lado de Walace e Maicon? E/ou acomodar Bolaños junto de Luan e Douglas? As próximas rodadas dirão. Mas é uma possibilidade - e o principal: funcionou.
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Copa do Brasil 2016 - Oitavas de final - Jogo de ida
24/agosto/2016
ATLÉTICO-PR 0 x GRÊMIO 1
Local: Arena da Baixada, Curitiba (PR)
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG)
Público: 16.336
Renda: R$ 320.995,00
Gol: Miller Bolaños 6 do 1º
Cartão amarelo: Thiago Heleno e Marcelo Oliveira
ATLÉTICO-PR: Wéverton (6,5), Léo (4,5), Paulo André (5,5), Thiago Heleno (5,5) e Sidcley (5); Otávio (5,5), Hernâni (5), Galhardo (4,5) (Juninho, intervalo - 5,5) e Marcos Guilherme (4) (João Pedro, intervalo - 6); Luan (5,5) (Giovanny, 27 do 2º - 5) e André Lima (5). Técnico: Paulo Autuori
GRÊMIO: Marcelo Grohe (6,5), Edílson (6), Geromel (7), Kannemann (6) e Marcelo Oliveira (5,5); Walace (7), Ramiro (5,5), Jaílson (6) e Douglas (7); Luan (6) (Kaio, 45 do 2º - sem nota) e Miller Bolaños (6,5) (Everton, 37 do 2º - sem nota). Técnico: Roger Machado

Foto: Geraldo Bubniak/Agência Press Digital/Grêmio.

Mudanças para sair vivo do sintético

A grama sintética da Arena da Baixada já vitimou o Grêmio neste ano. Dois meses atrás, o time de Roger Machado teve talvez sua pior apresentação no Campeonato Brasileiro diante do Atlético-PR. A derrota por 2 a 0 ficou caracterizada pela enorme dificuldade que o time gaúcho teve em trocar passes ao longo dos 90 minutos. E o toque de bola envolvente e de paciência é a principal característica do Tricolor Gaúcho há bastante tempo.

Vencer o Furacão em seu estádio é para poucos, só o líder Palmeiras conseguiu no Brasileirão. Ter de atuar fora de suas características para isso só reforça a dificuldade que deve ser a partida de hoje. Dada a péssima experiência gremista por lá, o desafio da noite é voltar com um resultado administrável em Porto Alegre. O Atlético-PR não vive mais seu melhor momento no campeonato, mas é muito forte dentro de casa, ainda mais com o adendo da grama artificial. Num torneio de mata-mata, ter fator local é absolutamente decisivo.

Do time olímpico, o goleiro Wéverton é reforço para os paranaenses, enquanto Luan e Walace retornam ao time gaúcho após mais de um mês ausentes. São voltas importantes: Miller Bolaños não aproveitou sua primeira sequência como titular para se tornar insubstituível, segue pecando pela irregularidade. No meio, Maicon não jogará, lesionado. Jaílson volta, uma excelente notícia, e com Walace a seu lado resolve o setor. Mais atrás, é hora de ver Kannemann pela primeira vez, já que Wallace Reis já disputou a Copa do Brasil pelo Flamengo. O argentino começa direto na fogueira.

O jogo é complicado, mas é preciso usar a inteligência. A ordem gremista é trazer na bagagem um resultado que torne viável a classificação daqui a quatro semanas, quando o confronto ocorrerá na capital gaúcha. Historicamente, o Grêmio conhece bem este caminho. Na prática, porém, tem fracassado seguidamente em todos os mata-matas que disputa. Roger só ganhou dois (Criciúma e Coritiba em 2015) e perdeu três (Fluminense, Juventude e Rosario Central). Está na hora de empatar essa conta.

Em tempo:
- Noite para mais um gaúcho estrear nas oitavas: o Juventude, que atuará no Morumbi tentando aproveitar a péssima fase do São Paulo. Não é impossível buscar um resultado razoável. Santos x Vasco e Atlético-MG x Ponte Preta completam a noite de copa em termos nacionais.

- Pela Sul-Americana, o destaque brasileiro é o clássico Santa Cruz x Sport, no Arruda. Figueirense e Flamengo duelarão no Orlando Scarpelli.

- O Santos apresentou ontem o projeto de seu novo estádio. A arena terá capacidade para pouco mais de 27 mil torcedores e deverá ficar pronta 30 meses após a aprovação no conselho do clube - ou seja, 2019 ou 2020.

- O Brasil (5º, 33) perdeu a chance de entrar no G-4 da Série B. Jogando em Pelotas, levou 1 a 0 do Atlético-GO (2º, 37) - se vencesse, assumiria a vice-liderança. A equipe gaúcha, porém, foi beneficiada pela derrota também em casa do Londrina (6º, 31) para o Goiás (13º, 26), 1 a 0. Mesmo que outros sete jogos estejam por ocorrer nesta rodada entre sexta e sábado, o Xavante manterá a 5ª colocação na tabela.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

O San Lorenzo de Diego Aguirre já se complica

Cerutti (E) decepcionou, Sarmiento (D) fez golaço: 2 a 0 Banfield
A Copa Sul-Americana mal começou e seu primeiro campeão já está ameaçadíssimo de eliminação. Jogando em Lomas de Zamora, o San Lorenzo teve mais posse de bola, criou chances, teve um pênalti não marcado a seu favor, mas saiu com um resultado bastante negativo. A derrota de 2 a 0 para o Banfield obriga o Ciclón a golear no confronto do próximo dia 13 para chegar às oitavas de final.

Tecnicamente limitado, o Banfield aposta na força física, marcação dura e jogo aéreo para prevalecer. Diante de uma equipe com algumas modificações após ser bi-vice-campeã argentina, a estratégia acabou funcionando. Sem o melhor entrosamento, Caruzzo e Coloccini bateram cabeça em vários cruzamentos para a área. Sem a liderança de Ortigoza para comandar o sistema defensivo neste tipo de lance, a resistência dos visitantes durou apenas quatro minutos. Foi quando Erviti levantou escanteio e Jorge Rodríguez fez 1 a 0 de cabeça.

Ainda tonto pelo golpe levado, o San Lorenzo levou bons 20 minutos para entrar no jogo. Antes disso, o Banfield já havia criado mais duas chances claras e arrematado sete vezes a gol, escorado na boa atuação de Erviti na criação, nas subidas de Sarmiento pela esquerda e em Santiago Silva fazendo a parede para quem vinha de trás. O time visitante só começou a se encontrar quando os laterais Corujo e Más se juntaram a Belluschi no apoio ao ataque. Ainda assim, a atuação apática dos pontas Cerutti e Blanco atrapalhava os planos de uma reação.

O segundo gol do Banfield foi um exagero, mas lindíssimo. Sarmiento cobrou falta com perfeição, como que com a mão, mas o resultado não traduzia o equilíbrio do jogo. Tanto que Diego Aguirre não mexeu no San Lorenzo na volta do intervalo, temendo perder a boa mecânica que a equipe apresentava nos minutos finais do primeiro tempo. Só foi mexer aos 13 do segundo, com o mais agudo Cauteruccio no lugar do apagado Blanco, dado também o retorno mais equilibrado do Banfield. Como a mexida não resultou em melhora, só a entrada de Costa a vaga do mais postado Mussis trouxe um pouco mais de fluidez ao meio.

Mas os setores espaçados do time cobraram seu preço. De 2014 para cá, o San Lorenzo mudou algumas peças, mas manteve uma base desde então: Torrico, Caruzzo, Más, Mussis (ou Ortigoza, hoje ausente), Mercier e Blanco estão na equipe há bastante tempo, Cerutti, Belluschi e Blandi disputaram a Libertadores deste ano, mas Aguirre é o terceiro técnico da equipe em menos de nove meses. Bauza saiu, Guede também, e o uruguaio está chegando agora. Não há base sólida que aguente tanta troca de filosofia, ainda mais após ter permanecido tanto tempo com um nome vitorioso como Bauza no comando.

Aguirre tem 20 dias para encaixar uma escalação capaz de reverter o quadro. Até a partida de volta, há mais três jogos pelo começo do Campeonato Argentino, contra San Martín, Defensa y Justicia e Vélez. Iniciar bem a briga pelo título é também a chance de dar uma mecânica a um time que precisa golear no jogo de volta. Por mais que o Banfield seja tecnicamente inferior, a tarefa é das mais complicadas.
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Copa Sul-Americana 2016 - Segunda fase - Jogo de ida
23/agosto/2016
BANFIELD 2 x SAN LORENZO 0
Local: Florencio Sola, Lomas de Zamora (ARG)
Árbitro: Luiz Flávio de Oliveira (BRA)
Público: não divulgado
Renda: não divulgada
Gols: Jorge Rodríguez 4 e Sarmiento 36 do 1º
Cartão amarelo: Soto, Navarro, Cerutti, Blanco, Mussis e Costa
BANFIELD: Navarro (6,5), Prósperi (7), Matheu (6), Jorge Rodríguez (6,5) e Soto (6,5); Sperduti (6) (Remedi, 46 do 2º - sem nota), Cobo (5,5), Erviti (6,5) e Sarmiento (7) (Sporle, 36 do 2º - sem nota); Asenjo (5,5) (Bertolo, 15 do 2º - 5,5) e Silva (6). Técnico: Julio César Falcioni
SAN LORENZO: Torrico (4,5), Corujo (5), Coloccini (5), Caruzzo (5) e Más (5); Mercier (5,5), Mussis (5) (Costa, 30 do 2º - 5,5) e Belluschi (5,5); Cerutti (4,5), Blandi (4,5) e Blanco (4) (Cauteruccio, 13 do 2º - 5). Técnico: Diego Aguirre

Foto: San Lorenzo/Divulgação.

O duro Corinthians x Vitória sinaliza o "achatamento" típico do returno

Marlone comemora o primeiro gol do Corinthians: 2 a 1 no Vitória
Com apenas 20.207 pagantes, a Arena Corinthians recebeu o menor público de sua história ontem à noite. Ainda assim, o que mais importa são as marcas positivas que o 2 a 1 sobre o Vitória (17º, 23) deixou para o Timão: o fim de uma sequência de três jogos sem vencer em casa e na competição. Com 37 pontos, os paulistas sobem para o 3º lugar, ultrapassando Flamengo, Santos e Grêmio - este com um jogo a menos, sempre é bom lembrar. Não vencer ou não jogar fazem muita diferença numa briga tão parelha.

Foi bem sofrido, de virada. O achatamento da tabela talvez já tenha começado: o Coritiba bateu o Santos domingo, e o Vitória chegou a estar batendo o Timão ontem - assim como o Santa Cruz recentemente empatou com o Grêmio, e o América bateu o Peixe e o Tricolor Gaúcho também. Os confrontos com equipes da ponta de baixo prometem se tornar cada vez mais duros daqui pra frente.

Tudo porque a briga lá atrás é feroz também. Enquanto estava vencendo ontem em Itaquera, o Vitória ocupava o 14º lugar, com 26 pontos, deixando para trás Inter, Cruzeiro e Coritiba. Com a derrota, manteve-se em 23, no 17º lugar, entre os rebaixados, portanto. A briga para evitar a queda tem nesse início de returno o São Paulo (11º, 27) puxando a fila e o Santa Cruz (19º, 19) no fim dela. São os dois clubes a quatro pontos de distância, para cima ou para baixo, da pontuação que delimita o Z-4 dos 16 que se manteriam hoje na primeira divisão.

Em tempo:
- Com a vitória por 2 a 0 sobre o Cuiabá, o Remo assumiu a liderança do Grupo A da Série C. A disputa é impressionante: antes de entrar em campo, os paraenses ocupavam o 5º lugar, fora da zona de classificação. Hoje, esta posição é do Fortaleza, que liderou o torneio inteiro. Remo (23), Botafogo-PB (23), ASA (23), ABC (22) e Fortaleza (22) estão separados por apenas um pontinho, a quatro rodadas do fim da primeira fase.

- Quatro jogos abrem hoje a segunda fase da Copa Sul-Americana. O destaque é para o confronto argentino entre Banfield e San Lorenzo, em Lomas de Zamora.

Foto: Daniel Augusto Jr./Corinthians.

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