quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A noite mágica de Gatito Fernández

Herói do primeiro jogo, Pimpão viu Gatito decidir no segundo
Cria e ídolo do Cerro Porteño, o goleiro Gatito Fernández acabou sendo o herói de um enredo tão improvável quanto maravilhoso no Defensores del Chaco. Trazido do Vitória no começo de ano, teve um início de trajetória pouco confiável no clube, perdendo a posição para Hélton Leite. Pois quis o destino que o novo titular se machucasse em meio à partida decisiva contra o Olimpia, rival do amado Cerro de Gatito, em pleno Defensores del Chaco. E o predestinado reserva acabou sendo o personagem da noite, pegando nada menos que três das quatro cobranças do rival na decisão por pênaltis.

Cheio de lesões musculares neste começo de ano, o Botafogo fez um jogo de resistência no Paraguai. A magra vantagem de 1 a 0 aberta no Engenhão valia ouro, e enervava o Olimpia: ansioso, o time da casa fazia força para jogar. Sem confiança devido à má campanha no início do Campeonato Paraguaio, o time de Pablo Repetto tinha dificuldades de achar espaços na bem montada defesa carioca. O primeiro tempo foi truncado, pouco emocionante, mas, claro, muito tenso.

Muito seguro atrás, o Botafogo só cometia o pecado de se aventurar pouco no ataque. Um golzinho praticamente mataria o confronto, dada a enorme dificuldade do Olimpia em levar perigo. Mas faltava fome, coragem e qualidade para tentar o gol - vale lembrar que Montillo segue lesionado. Tudo isso animou o Olimpia a ir para cima. Procurando na mística artilheira o seu gol salvador, o time paraguaio colocou Roque Santa Cruz no começo do segundo tempo. Porém, foi só com a entrada do insinuante Bogado que o jogo de fato mudou. A equipe da casa passou a encontrar espaços na defesa alvinegra. Sem conseguir evoluir em um só contra-ataque que fosse, o time de Jair Ventura cedeu à pressão e tomou um gol de Montenegro, em jogada de Bogado, aos 34.

Como que prevendo o que ocorreria minutos mais tarde, Gatito, que entrara aos 16 da etapa final, fazia cera a cada intervenção, querendo a decisão por pênaltis. Sábia atitude: do modo como a partida estava se desenvolvendo, o Olimpia estava mais confiante, claramente mais próximo do segundo gol. A equipe visitante segurou a pressão e confiou no goleiro reserva, que pegara três pênaltis no treino realizado na véspera. Pois o paraguaio pegou os mesmos três - o de Mendoza, o mais impressionante deles: conhecendo o estilo do adversário, ficou parado no meio do gol e espalmou para cima o chute forte do atacante do Olimpia, emudecendo o Defensores del Chaco.

A dureza botafoguense, porém, não terminou: está apenas começando. Na fase de grupos, o Botafogo entra no grupo de Barcelona SC, Estudiantes e Atlético Nacional, um dos mais difíceis da Libertadores. Mas é fato que chega a esta chave muito mais forte do que quando começou a disputa do torneio: cheio de desfalques, superou situações complicadas fora de casa, soube fazer os resultados em seu terreno e, assim, chega bem experimentado para este desafio enorme. Passar por Colo-Colo e Olimpia em dois mata-matas seguidos já é um ótimo cartão de visitas.

A vaga com Lucho
Um gol do argentino Lucho González no começo do jogo deu ao Atlético Paranaense a vaga na fase de grupos da Libertadores. A vitória por 1 a 0 sobre o Deportivo Capiatá foi no sufoco: o empate em um gol serviria aos paraguaios. Mas, assim como o Botafogo, a história só tende a ficar ainda mais complicada: a chave em que cai o Furacão, com San Lorenzo, Flamengo e Universidad Católica, é talvez a mais forte de todas as oito.

A mais corintiana das últimas noites
Franco-atirador diante do campeão brasileiro, o Corinthians chegou para o clássico contra o Palmeiras pressionado por torcedores organizados, que exigiam a vitória sobre o maior rival. Com muita luta, superou a soberba do rival e a catastrófica arbitragem de Thiago Duarte Peixoto, que expulsou Gabriel de forma absurda, quando nem da jogada da alegada falta para cartão ele participou. Durante toda a etapa final com um a menos, o Timão achou forças para vencer por 1 a 0, com um gol redentor de Jô aos 41 minutos do segundo tempo. E tome pressão para cima de Eduardo Baptista.

Mais dois do artilheiro
O começo de Brenner pelo Internacional é animador. Depois de marcar dois gols no empate diante do Passo Fundo, o artilheiro fez mais dois na goleada de 4 a 1 sobre o Oeste, pela Copa do Brasil. Já são seis tentos em quatro partidas pelo Colorado. O Inter segue sua trajetória peculiar em 2017: não venceu ainda pelo Gauchão, mas tem 100% de aproveitamento nas demais competições.

Só falta o exame médico
Depois de ver o uruguaio Gabriel Fernández não assinar por ser reprovado nos exames médicos (e com total correção, diga-se), é sempre bom tomar cuidado antes de dizer que algum jogador será anunciado pelo Grêmio. Mas com Lucas Barrios o mais difícil já ocorreu: o acerto financeiro. O paraguaio jogará na Arena por um ano, e deve assinar contrato hoje. Um reforço que, enfim, qualifica bastante o setor ofensivo, carente de um jogador que saiba fazer gols desde que Barcos e Marcelo Moreno deixaram o clube juntos, há dois anos.

Foto: Vítor Silva/SS Press/Botafogo.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Com destino ao Paraná

No mesmo dia em que acertou a liberação do meia Anderson para o Coritiba, o Internacional conheceu a amarga tabela da Série B deste ano. A estreia colorada será contra o Londrina, no Estádio do Café, provavelmente no dia 13 de maio. Sem dúvida um dia triste para a torcida rubra, pois é justamente quando sai a tabela que a ficha do rebaixamento termina de cair.

Como deve ocorrer durante todo o ano, nenhum confronto empolga. O primeiro em casa será contra o ABC, na 2ª rodada. A seguir, o Inter visita o Paysandu, num jogo cheio de simbolismo pelos episódios de 2002, recebe o Juventude, no primeiro clássico gaúcho do torneio, e depois visita o Figueirense. À exceção de Belém, só viagens curtas no começo da campanha. O jogo contra o Brasil de Pelotas será na 10ª rodada, no Bento Freitas. No returno, claro, os mandos se invertem.

Hoje à noite, o time de Antônio Carlos Zago terá o segundo teste do ano contra rivais da segunda divisão. Depois de fazer 2 a 1 no Brasil pela Primeira Liga, o Inter receberá o Oeste, pela segunda fase da Copa do Brasil. Voltam D'Alessandro, Uendel, Alemão e Rodrigo Dourado em relação ao time que maltratou a bola em Passo Fundo. Vale lembrar que empate, desta vez, não classifica o visitante: neste caso, a decisão da vaga será nos pênaltis. É recomendável não haver drama, nem menosprezo - o Oeste, ao menos em 2017, é da mesma turma do Internacional.

Noite de grande clássico
O jogo mais chamativo da noite é por um estadual: Corinthians x Palmeiras, em Itaquera, pelo Paulistão. Não tem a importância da Libertadores, mas reúne uma enorme rivalidade. Difícil falar em favoritismo, como sempre, mas desta vez fica claro que o momento é palmeirense. No treino de ontem, torcedores exigiram dos jogadores do Timão a vitória no clássico, em tom intimidatório.

Brasil x Paraguai, pela fase de grupos
A noite de Libertadores terá dois jogos entre brasileiros e paraguaios, encerrando as fases preliminares da competição. Ambos os jogos serão em solo guarani: o Botafogo defenderá uma exígua vantagem de 1 a 0 em relação ao Olimpia, enquanto o Atlético Paranaense precisa vencer o Deportivo Capiatá para ingressar no grupo de Flamengo, San Lorenzo e Universidad Católica. Tarefas complicadas, mas ambos os brasileiros reúnem condições de seguir adiante.

14 gols em dois jogos
A Liga dos Campeões viveu uma noite de dois jogaços ontem. Num confronto com duas viradas na Inglaterra, o Manchester City fez 5 a 3 no Monaco, com show de Agüero e Sterling. O ótimo time francês, no entanto, tem condições de reversão em casa. Mais complicada é a vida do Bayer Leverkusen, que levou 4 a 2 do Atlético de Madrid em plena Bay Arena. Hoje é a vez de Porto x Juventus e Sevilla x Leicester.

O óbvio centroavante
Encostado no Palmeiras, Lucas Barrios é uma opção valiosa e rara que o mercado brasileiro de jogadores oferece no momento. Necessitando de alguém que saiba fazer gols, o Grêmio parece próximo de um acerto com o paraguaio. Caso venha mesmo, Barrios começará como reserva, não apenas porque Luan é o centroavante titular, mas também por estar sem ritmo de jogo. No entanto, com sua qualidade, pode funcionar muito bem com o atacante campeão olímpico. Será uma questão boa para Renato resolver - se vier, frisando mais uma vez.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Grandes jogos logo de cara

Sem o mata-mata da Libertadores como concorrente, o Campeonato Brasileiro deste ano promete começar mais quente que em temporadas anteriores. É verdade que alguns clubes estarão envolvidos nas rodadas finais da fase de grupos do torneio continental, mas o caráter decisivo nestes casos é bem menor que o de uma disputa eliminatória. Assim, diminuem as chances de times mistos ou reservas, o que costuma esfriar bastante o interesse no início do campeonato.

Potencializando ainda mais a possibilidade de um belo começo de certame, a CBF marcou uma série de jogos entre grandes clubes logo na primeira rodada. Dois deles envolvem equipes brasileiras que estarão na Libertadores: Grêmio x Botafogo (se o Fogão passar pelo Olimpia), na Arena, e Flamengo x Atlético Mineiro, no Rio. Palmeiras x Vasco, Fluminense x Santos e Cruzeiro x São Paulo completam o rol de partidaços da rodada de abertura da competição.

Único representante gaúcho na elite em 2017, o Grêmio, ao contrário do ano passado, terá um começo teoricamente mais ameno agora. Se em 2016 as rodadas iniciais reservaram jogos contra Corinthians, Flamengo, Atlético Mineiro, Coritiba e Palmeiras ao Tricolor, agora, após o Botafogo, haverá dois jogos fora (contra Atlético Paranaense e Sport), o Vasco em casa, a Chapecoense fora e o Bahia em casa nas seis primeiras rodadas. Em princípio, nenhum destes rivais assumirá candidatura séria ao título - embora Botafogo e Atlético Paranaense sejam equipes com condições de brigar por vaga na Libertadores, ao menos. A última rodada é que promete ser quente: duelo contra o Galo, em Belo Horizonte, dia 3 de dezembro.

Uma mudança polêmica no regulamento é a proibição de mandantes jogarem partidas fora de seu estado no Brasileirão. O objetivo é evitar vendas de mando de campo como a que o Santa Cruz proporcionou em 2016 ao receber o Corinthians em Cuiabá, por exemplo. O Flamengo, que teve várias sedes no ano passado, foi contra a proposta. No entanto, a medida é salutar para garantir mais equilíbrio técnico à competição. Outra alteração, que valerá apenas para 2018, é a proibição de campos de grama sintética. O Atlético Paranaense é o único clube diretamente atingido.

A 1ª rodada (13 e 14/05/2017)
Fluminense x Santos
Flamengo x Atlético Mineiro
Palmeiras x Vasco
Corinthians x Chapecoense
Cruzeiro x São Paulo
Grêmio x Botafogo
Bahia x Atlético Paranaense
Ponte Preta x Sport
Coritiba x Atlético Goianiense
Avaí x Vitória

De liga a torneio de verão
Surgida como uma proposta interessante de contraponto aos estaduais, a Primeira Liga deverá ter em 2018 seu terceiro formato diferente em três edições. Concentrada até abril em 2016, virou um monstrengo arrastado até agosto neste ano. Para a próxima temporada, a ideia é transformá-la em um torneio de verão, com sede única e jogos concentrados no começo do ano.

Noia, um líder incontestável
O Novo Hamburgo sobra no Campeonato Gaúcho. A goleada de 4 a 1 para cima do Juventude simboliza o grande momento vivido pela equipe do Vale dos Sinos no começo do estadual. São quatro jogos, quatro vitórias, 100% de aproveitamento, com o melhor ataque (8 gols marcados) e a melhor defesa (só 2 sofridos). A vantagem para Caxias e Grêmio, que dividem a vice-liderança, já é de expressivos cinco pontos. É verdade que a equipe anilada só jogou um destes quatro jogos fora de casa - mas neste confronto superou o hexacampeão Internacional, no Beira-Rio. Projetando 15 pontos como o suficiente para chegar aos mata-matas, basta mais uma vitória nos sete jogos que faltam para o time do técnico Beto Campos virtualmente garantir passagem às quartas de final. Campanha impressionante.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Agenda da semana

Terça, 21/02
16:45 - Liga dos Campeões - Manchester City x Monaco, Bayer Leverkusen x Atlético de Madrid
20:30 - Paulista - São Paulo x São Bento
21:30 - Paulista - Ituano x Santos

Quarta, 22/02
16:45 - Liga dos Campeões - Porto x Juventus, Sevilla x Leicester
19:30 - Copa do Brasil - Vitória x Bragantino
19:30 - Primeira Liga - Ceará x Flamengo
19:30 - Paulista - Linense x Ponte Preta
21:45 - Libertadores - Olimpia x Botafogo, Deportivo Capiatá x Atlético-PR
21:45 - Copa do Brasil - Sport x Sete de Setembro, Cruzeiro x São Francisco
21:45 - Paulista - Corinthians x Palmeiras
21:45 - Catarinense - Chapecoense x Metropolitano, Avaí x Figueirense
21:45 - Baiano - Fluminense-BA x Bahia

Quinta, 23/02
19:15 - Libertadores - Atlético Tucumán x Junior
19:30 - Goiano - Atlético-GO x Iporá
21:00 - Libertadores - The Strongest x Unión Española
21:30 - Copa do Brasil - Coritiba x ASA

Sábado, 25/02
10:00 - Catarinense - Joinville x Chapecoense
12:15 - Espanhol - Betis x Sevilla
14:00 - Italiano - Napoli x Atalanta
16:30 - Copa do Brasil - Paraná x Bahia
16:30 - Paulista - Palmeiras x Ferroviária
16:30 - Carioca - Fluminense x Madureira
16:30 - Gaúcho - Cruzeiro-RS x Grêmio
16:30 - Mineiro - Democrata/GV x Atlético-MG
16:30 - Catarinense - Almirante Barroso x Avaí
17:00 - Paulista - Santos x Botafogo-SP
18:30 - Carioca - Flamengo x Vasco
18:45 - Copa do Nordeste - América-RN x Vitória
19:30 - Paulista - Novorizontino x São Paulo, Mirassol x Corinthians, Ponte Preta x São Bernardo
20:30 - Paranaense - Atlético-PR x Toledo
21:00 - Copa do Nordeste - River x Sport

Domingo, 26/02
10:30 - Holandês - Feyenoord x PSV
12:15 - Espanhol - Atlético de Madrid x Barcelona
16:45 - Italiano - Internazionale x Roma
17:00 - Francês - Olympique x Paris Saint-Germain

Jogos no horário de Brasília.

Um castigo à sonolência

Grêmio de Ramiro cedeu empate no final ao São José
O Grêmio ainda perece de ressaca pelo título da Copa do Brasil. Devagar, o time de Renato Portaluppi tem jogado para o gasto, no máximo. Às vezes, nem isso: diante do São José, fazia uma partida no máximo média até achar seu gol. Feito o 1 a 0, sentou na vantagem, recuou, fez cera e esperou o jogo acabar. Não contava que o Zequinha, que ainda nem gol tinha feito no Gauchão, pudesse empatar. Pois empatou.

A frustração do empate traz consigo uma série de vilões. É verdade que Maicon tirou o pé na dividida que originou o empate, mas também houve uma série de equívocos na jogada: a subida às costas de Marcelo Oliveira, a falta de alguém que cortasse o passe para trás, a liberdade dada a Rafinha para concluir... É verdade também que não jogaram Luan e Pedro Rocha, dentre outras opções importantes na frente. Mas Renato poderia ter aproveitado a ocasião para testar uma formação diferente, sem precisar sacrificar Everton como centroavante, jogando entre os zagueiros e de costas para o gol. Faltou bastante gente, mas dava para ter feito melhor.

As substituições do técnico gremista ajudam a explicar o resultado, para o bem e para o mal. Até o gol de empate do São José, este era mais um jogo no qual a mexida de Renato daria a vitória ao Grêmio, como tantos outros. Lincoln entrou no lugar de Jaílson e construiu a jogada do gol (irregular) de Miller Bolaños. Mas a entrada de Arthur ajudou a recuar mais um time que já não queria jogo. O equatoriano saiu porque pediu, mas retirá-lo do campo foi fatal também. Miller foi o melhor jogador da partida - uma das raras boas notícias da noite chuvosa, ao lado do sempre seguro Kannemann, este uma notícia já felizmente velha e corriqueira.

O Grêmio está devendo em 2017, seja dentro de campo como na busca por reforços. Mesmo assim, a impaciência da torcida anda exagerada. A discussão de Maicon ao final do jogo com torcedores exaltados é a cara de uma crise que simplesmente não existe. Portanto, o episódio é exagerado e fora de lugar. O time é encorpado de 2015 e 2016, mas falta a embocadura que só a competitividade dá. Talvez o Gre-Nal de daqui duas semanas seja o primeiro jogo de verdade deste Grêmio que, até aqui, dá mais sono que propriamente preocupação.

O pior começo em 12 anos
Desde 2005 o Internacional não passava os quatro primeiros jogos do Gauchão sem vencer. A diferença é que, 12 anos atrás, o Colorado tinha um belo time se formando. Desta vez, há muito mais preocupação que paciência. Alguns titulares importantes não atuaram em Passo Fundo, mas o futebol apresentado no empate em 2 a 2, cedido nos acréscimos, foi pobre novamente. O centroavante Brenner, com dois gols, foi o único destaque positivo apresentado pelo time de Antônio Carlos Zago no Vermelhão da Serra.

Federações estaduais, até quando?
A imagem dos jogadores de Atlético Paranaense e Coritiba de mãos dadas no círculo central da Arena da Baixada entrará para a história. O show de autoritarismo da Federação Paranaense de Futebol merece todo o repúdio por simbolizar o que há de mais atrasado no futebol brasileiro. Infelizmente, já fui mais otimista: em outros tempos, saudaria a atitude dos clubes como um peitaço importante ao monopólio exercido pela Rede Globo, que ofereceu menos do que ambos gostariam de receber para terem seus jogos exibidos na TV. Agora, saúdo igual a revolta, claro, mas sem grandes esperanças de que isso vá mudar alguma coisa de forma efetiva. Infelizmente.

Show de Fred no Mineirão
Cria do América-MG, Fred marcou três vezes contra o seu ex-clube ontem. A goleada de 4 a 1 alça o Atlético à liderança do Campeonato Mineiro, com 12 pontos, único clube com 100% de aproveitamento. Importante recuperação para um time que já perdeu clássico neste começo de temporada e ainda é visto com certa desconfiança após perder nomes como Lucas Pratto.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Um domingo repleto de desfalques

Os percalços de começo de temporada seguem firmes, para preocupação da Dupla Gre-Nal. Há 13 dias de disputarem o primeiro (e talvez único) clássico de 2017, os dois grandes gaúchos ainda seguem em busca da estabilidade. Além do desempenho irregular, normal em inícios de ano, as lesões atrapalham bastante as tarefas de Renato e Antônio Carlos.

Em Passo Fundo, o técnico colorado tem vários problemas na escalação, a começar por D'Alessandro. Esta deve ser uma constante ao longo de 2017: prestes a completar 36 anos, o argentino terá de ser preservado diversas vezes para manter bom rendimento. Esta será só a primeira vez. Como a Copa do Brasil é a prioridade, e quarta há o Oeste (futuro adversário pela Série B) no Beira-Rio, ele não viaja para o norte do estado. Seijas atuará em seu lugar.

O venezuelano mantém um nível razoável de substituição, mas não será apenas D'Ale o ausente no Vermelhão da Serra. Uendel e Rodrigo Dourado, igualmente poupados, darão lugar a Carlinhos e Anselmo. Na lateral, Alemão, com desgaste físico, abre espaço para Junio. A escalação que entrará em campo, recitada do 1 ao 11, é bastante precária - a titular completa já não anima, convenhamos, mas com tantas ausências a coisa piora bastante.

No caso do Grêmio, a titularidade não é tanto o problema. Claro que Luan fará falta, mas Everton supre bem sua perda. O mesmo vale para Douglas, substituído até agosto por Miller Bolaños (ou algum meia que deva vir nestes seis meses de parada pela cirurgia no joelho), e Edílson, que dará lugar a Léo Moura. O que chama a atenção é a falta de opções no banco, especialmente no ataque: Beto, Pedro Rocha e Jael não ficarão à disposição. O mesmo vale para o uruguaio Maxi Rodríguez, um pouco mais atrás. Os jovens Lincoln e Ty Sandows serão as opções mais agudas. O Grêmio precisa contratar, é fato, mas tantas ausências assim complicariam até mesmo o elenco mais farto.

Dentro de campo, fica a expectativa por uma atuação melhor diante do São José, na Arena. Renato indicou, após a magra vitória sobre o Passo Fundo, que seu time seria outro, mais encorpado, após a quarta ou quinta rodada do Gauchão. Este será o quarto jogo do Tricolor com seus titulares em 2017. Há problemas demais, mas também houve uma semana só para treinos. A base, apesar dos desfalques, é a mesma do ano passado. Está na hora de a equipe começar a mostrar melhor desempenho.

Clássico pelo YouTube
Desgostosos com a proposta da Globo, Atlético Paranaense e Coritiba inovaram: transmitirão o clássico de hoje à tarde, na Arena da Baixada, pelos seus canais oficiais no YouTube. É a principal atração do domingo de futebol no Brasil, justamente por conta desta novidade. Como será a repercussão desta atitude? A expectativa, em princípio, é boa: enfrentar monopólios, em princípio, é sempre positivo.

A boa, mas amarga, estreia de Pratto
Lucas Pratto eleva o nível do ataque do São Paulo, é fato consumado. O que falta é o resto do time melhorar, e, principalmente, se equilibrar. O Tricolor de Rogério Ceni marca e toma muitos gols: fez 12 e levou nove em apenas quatro jogos no Paulistão, médias altas demais. O argentino precisou de apenas oito minutos para marcar seu primeiro gol com a camisa são-paulina, mas o organizado e surpreendente Mirassol, time de melhor campanha do estadual até agora, teve forças para arrancar um ótimo empate em 2 a 2 no Morumbi, que recebeu 44 mil torcedores ansiosos pela estreia do candidato a ídolo.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Enfim, uma união dos clubes cariocas - e por um bom motivo

Essas frases abaixo se repetiram mil vezes no futebol brasileiro. Repetirei pela 1001ª oportunidade.

As cenas deprimentes vistas antes do clássico entre Botafogo e Flamengo, no domingo passado, exigem medidas severas para punir quem cometeu a selvageria. No entanto, assumindo sua incompetência e/ou demonstrando pouca vontade de fato de resolver o problema, a Justiça tomou a pior decisão possível: obriga a Federação Carioca de Futebol a implantar torcida única nos clássicos do estadual deste ano. Um verdadeiro atraso, já colocado em prática - e sem resultados positivos - em São Paulo.

Agora, algo surpreendente, quase inédito: a união dos quatro grandes do Rio (e da própria FERJ) por um bom motivo.

A Federação mais uma vez se embananou toda ao montar o regulamento do campeonato deste ano. Voltaram os dois turnos nomeados por Taça Guanabara e Taça Rio, com apenas 12 clubes, o que é bom; no entanto, os campeões destes turnos ainda terão disputar semifinais contra os adversários não-campeões de melhor campanha antes de efetivamente jogarem a decisão. Um pequeno monstrengo, mas com um objetivo aparentemente interessante: aumentar (banalizar?) o número de clássicos do Cariocão 2017, que começou o ano podendo conter nada menos que 16 duelos entre Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Mas todos os clássicos das fases de mata-mata teriam torcida igualitária, algo extremamente saudável.

A raridade de vermos um acerto entre os quatro grandes e a FERJ corre risco por conta da decisão equivocada tomada ontem pelo juiz Guilherme Schilling, que determina só jogos com torcida única nos clássicos entre estes clubes. Novamente, os quatro gigantes do Rio e a FERJ (e até o combalido e corrupto Governo do Estado) se uniram para recorrer da decisão. O Vasco, por exemplo, disse que nem entrará em campo na semifinal se houve torcida única. Não deixa de ser uma "euricada", já que o time cruz-maltino provavelmente será vice-líder de seu grupo e terá de enfrentar o Flamengo como visitante, perdendo o direito a ter torcedores. Mas Eurico Miranda, desta vez, tem razão: o regulamento seria rasgado, e o pior, por um retrocesso lamentável.

Ver confusões do tipo no Campeonato Carioca é algo comum há décadas, mas ver os grandes e a federação unidos é algo digno de nota. Principalmente depois do que vimos em 2015, quando discussões intermináveis a respeito do regulamento do campeonato, especialmente de ordem financeira, racharam de vez o estadual - Vasco e Botafogo ficaram do lado da FERJ, enquanto Flamengo e Fluminense ajudaram a fundar a Primeira Liga e quase abandonaram o torneio local.

Caso a decisão se mantenha, uma alternativa estudada pelas partes interessadas é realizar os clássicos fora do estado do Rio de Janeiro. Uma pena por um lado, mas ótimo por outro: os torcedores que querem acompanhar seus clubes terão de ver pela TV a festa das torcidas divididas em praças onde a violência nos estádios é menor - seja porque a violência urbana é menor, seja porque há menos marginais envolvidos com os clubes, ou porque não houve nenhum juiz naquele local capaz de tomar uma decisão tão estúpida quanto essa.

Ano passado, em Brasília, tive a oportunidade de acompanhar de perto um Flamengo x Vasco onde quase todo o Mané Garrincha tinha torcida mista. Apenas as organizadas eram separadas. O clima não poderia ter sido melhor. Daqui duas semanas haverá Gre-Nal em Porto Alegre - o oitavo seguido com um setor de torcida mista. Nos sete anteriores, em apenas um deles houve incidentes mais sérios - fora do setor misto - e isso numa das cidades onde a violência urbana é mais alta e segue cada vez pior no país. Os exemplos estão aí, diante do nariz de todos. Basta ter inteligência e humildade para segui-los - e coragem para prender os que efetivamente tentam estragar tudo.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Gavilán comanda a surpresa

Ex-volante da Dupla Gre-Nal treina o surpreendente Capiatá
O Deportivo Capiatá chegou a Curitiba com o devido respeito de ter goleado e revertido uma enorme desvantagem diante do Universitario em pleno Estadio Monumental de Lima. Ainda assim, é possível dizer que o time treinado por Diego Gavilán surpreendeu o Atlético-PR. O empate de 3 a 3 deixa a equipe paraguaia relativamente perto da fase de grupos - na prática, um empate em casa basta para assegurar a vaga.

Mais uma vez, o Capiatá marcou três gols fora de casa, uma façanha, ainda mais em Libertadores. Chama a atenção a personalidade do time, tecnicamente bastante modesto: saiu perdendo, mas teve peito de enfrentar a Arena da Baixada e buscou a virada. Cometeu um pênalti bobo, sofreu o empate e perdeu um jogador expulso logo a seguir. Não resistiu à pressão e levou nova virada, mas, no fim, com um a menos, conseguiu ainda o empate. Como se o 3 a 2 contra já não fosse relativamente interessante diante das circunstâncias.

A rodada de ida da terceira fase da Libertadores termina hoje à noite. Jogam Junior x Atlético Tucumán e Unión Española x The Strongest.

Estrela de Ceni brilha no San-São
Depois de golear a Ponte Preta no domingo, Rogério Ceni obteve sua segunda grande vitória seguida à frente do São Paulo, desta vez ainda mais expressiva. Bater o Santos por 3 a 1, de virada, em plena Vila Belmiro, é tarefa para poucos. E a estrela do novo treinador brilhou: colocou o jovem Luiz Araújo no intervalo e o viu marcar os dois gols que decidiram a parada. Há seis clássicos o Tricolor não batia o Peixe, e há oito anos não ganhava na casa do adversário.

Sem grandes surpresas
Nenhum dos times da Série A caiu na Copa do Brasil ontem. Pelo contrário: todos sobraram. O Fluminense goleou o Globo por 5 a 2, o Cruzeiro fez 2 a 1 no Volta Redonda e o Avaí bateu a Desportiva pelo mesmo placar. Chamam mais atenção as quedas de Ceará, Fortaleza, Náutico e Figueirense, para Boavista, São Raimundo-PA, Guarani/Ju e Rio Branco-AC, respectivamente. O Inter, por sua vez, sofreu no primeiro tempo, mas fez 2 a 0 no Princesa do Solimões no segundo e garantiu vaga para encarar o Oeste.

Alguns confrontos da segunda fase já estão definidos. Os mandos de campo irão a sorteio. Ao contrário da primeira, o empate levará a decisão para os pênaltis. Alguns dos jogos já definidos são Vitória x Bragantino, Sport x Sete de Setembro, Cruzeiro x São Francisco, Inter x Oeste, Coritiba x ASA, Ponte Preta x Cuiabá e São Paulo x PSTC.

Foto: Deportivo Capiatá/Divulgação.

Com Pimpão, uma vantagem possível (e muito boa)

Pimpão comemora o golaço que dá vantagem ao Botafogo
Nem Camilo, nem Montillo. Quem vem fazendo a diferença nesta Libertadores em favor do Botafogo é Rodrigo Pimpão. Herói da classificação diante do Colo-Colo, com um gol salvador em Santiago, foi dele o golaço de bicicleta que fez a equipe carioca abrir vantagem sobre o Olimpia no último mata-mata antes da fase de grupos. Mas não foi só isso: sem Montillo, foi ele quem assumiu a liderança técnica da equipe, com arrancadas verticais, armação de jogadas e conclusões perigosas.

Disposto a abrir vantagem, o Botafogo tomou a iniciativa do jogo e pressionou com força os paraguaios nos primeiros 15 minutos. A postura retraída do Olimpia colaborou para isto - e foi até surpreendente, dado o esquema ofensivo colocado em campo pelo uruguaio Pablo Repetto. No entanto, a pressão parou logo que Montillo se lesionou. Um problema novo, desta vez na panturrilha. Um balde de água fria no Engenhão.

Sem o argentino, além do estádio, o time também sentiu. Bem marcado, Camilo não conseguia conduzir o time, a não ser em alguns contra-ataques. Engessado e pouco criativo, o Botafogo viu o Olimpia tomar coragem, equilibrar o jogo e dominar o meio. Faltava, porém, verticalidade ao time guarani: Mouche e Benítez se movimentavam bem, mas Montenegro era neutralizado pela zaga carioca e pouco recuava para buscar opções. O jogo estava bastante truncado quando Pimpão tirou o coelho da cartola. Um gol da única maneira possível de acontecer: num lance isolado, um lateral cobrado por Jonas, desviado por Roger e concluído maravilhosamente.

No segundo tempo, o que era equilíbrio virou domínio paraguaio. Fruto da saída por lesão muscular (mais uma) de Bruno Silva, um dos donos da meia-cancha. Aberto de vez, o Olimpia veio para cima. Mas faltava qualidade: González, que entrou como ponta pela direita, não deu sequência com qualidade a uma jogada sequer - e muitas vezes nem na corrida vencia Victor Luís. Mas a etapa final foi complicada para o Botafogo: tirando um ou outro lampejo individual de Pimpão, basicamente, o time tratou de segurar os paraguaios para chegar ao Defensores del Chaco sem o gol sofrido em casa. Conseguiu.

Por tudo isso, a vitória foi importante. O Botafogo mais uma vez teve desfalques, desta vez em meio ao jogo, e os superou com dedicação e organização, como sempre. Leva a Assunção um bom resultado, não apenas pelas circunstâncias do jogo, mas também pensando nos 180 minutos. A batalha da semana que vem promete.

Em tempo:
- Público inferior a 30 mil no Engenhão, quando o esperado inicialmente eram 40 mil pessoas. Dez mil afugentados pela violência de domingo, certamente.
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Copa Libertadores 2017 - 3ª fase - Jogo de ida
15/fevereiro/2017
BOTAFOGO 1 x OLIMPIA 0
Local: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Roddy Zambrano (EQU)
Público: 29.514
Renda: R$ 1.390.210,00
Gol: Rodrigo Pimpão 36 do 1º
Cartão amarelo: Jonas, Aírton, Mouche, Giménez e Ortíz
Resultado de imagem para botafogoBOTAFOGO: Hélton Leite (6), Jonas (6), Marcelo (6,5), Emerson Silva (6) e Victor Luís (5,5); Aírton (6) (Matheus Fernandes, 35 do 2º - sem nota), Bruno Silva (6,5) (Guilherme, intervalo - 5) e Camilo (6); Montillo (sem nota) (João Paulo, 15 do 1º - 5,5), Roger (6) e Rodrigo Pimpão (7,5). Técnico: Jair Ventura
Resultado de imagem para olimpiaOLIMPIA: Azcona (5,5), César Benítez (5) (Ferreira, 28 do 2º - 6), Pellerano (5,5), Cañete (5,5) e Giménez (5); Riveros (5,5), Fernández (5) (González, 2 do 2º - 4,5) e Ortíz (5); Mouche (5,5) (Santa Cruz, 13 do 2º - 5,5), Montenegro (4,5) e Julián Benítez (5,5). Técnico: Pablo Repetto

Foto: Sátiro Sodré/SS Press/Botafogo.

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