sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A estreia de Dourado na Arena foi também um abraço do Grêmio com sua própria história

A noite da última quarta-feira foi de festa, mas principalmente de reconciliação para os gremistas. A principal delas, claro, foi com as grandes conquistas: nada mais natural que o maior campeão da história da Copa do Brasil encerrasse seu aparentemente interminável jejum de grandes títulos trazendo-a para o armário pela quinta vez.

A imagem talvez mais tocante e simbólica da noite, porém, veio antes do jogo (homenagens à Chapecoense à parte, claro): o abraço de Hélio Dourado com Romildo Bolzan. Presidente responsável pela ampliação do Olímpico e do patamar do Grêmio em âmbito nacional, Dourado assistiu, quarta, seu primeiro jogo na Arena. Ele foi o dirigente mais resistente à mudança para o Humaitá: desde sempre criticou o modelo do negócio (contestação que se mostrou muito pertinente com o tempo) e a mudança de bairro do clube.

O abraço do histórico com o atual presidente é muito maior do que simplesmente uma comemoração de título: ele simboliza um Grêmio que se reconcilia com o seu passado sem deixar de olhar para o futuro. O time de 2016 foi feito do modo como quase todos os grandes times gremistas foram montados: com os pés no chão, contratações criteriosas, valorização da base e técnicos que conhecem o histórico do clube.

E como era importante para o Grêmio desvincular-se do seu passado - não esquecê-lo, mas tratá-lo justamente como passado, como deve ser. A conquista de quarta-feira é a primeira da Era Arena, um estádio que agora tem suas histórias próprias para contar. Este é um olhar para a frente que o clube precisava de fato fazer, embora seja necessário aperfeiçoá-lo, claro. O Grêmio campeão de 2016 é um Grêmio de estádio novo, mas com uma torcida que carrega a alma de sempre. É um Grêmio que joga firme, como sempre fez em seus melhores momentos, mas que trouxe consigo um DNA de modernidade costurado a partir de um trabalho olhando para a frente desenvolvido por Roger Machado. Um Grêmio que respeita o passado sem se balizar exclusivamente nele - uma equação difícil de ser resolvida, pois a linha entre passado e saudosismo é muito tênue.

Claro, há ainda bastante a melhorar. Especialmente fora de campo: se dentro dele o futebol teve um ano muito positivo, o indesculpável estado de degradação da área do Estádio Olímpico e a interminável negociação para obtenção da gestão plena da Arena são desafios importantes do segundo mandato de Romildo no Tricolor. Talvez sejam estas duas peças as que faltam para que o quebra-cabeças esteja finalizado. As peças que, se encaixadas, deixarão o passado definitivamente no passado, sem margem para conflitos existenciais que possam atrapalhar o futuro.

As mesclas de alma de Olímpico com o avanço da Arena, da alma de Renato com a cultura de Roger, da experiência de Douglas com a juventude de Everton, todas elas, estão registradas no abraço de Dourado com Romildo. Uma noite na qual se reencontrou de forma esplêndida com a sua história, mas sem deixar de lado a necessidade de construir narrativas novas para enriquecê-la ainda mais.

Foto: Grêmio/Divulgação.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Pragmatismo dentro de campo, explosão fora dele: o Grêmio, enfim, é campeão de novo

Maicon ergue a taça, gesto sonhado pelos gremistas há 15 anos
O que menos faltou ontem durante o dia em Porto Alegre foi gremista eufórico. E isso dava medo em outro tipo não tão comum, embora presente antes da final com o Atlético Mineiro: o gremista preocupado com o oba-oba, com o "já ganhou". Era inevitável: a vantagem de 3 a 1 obtida na ida, somada ao enorme jejum de títulos dos últimos anos formaram uma combinação absolutamente explosiva, capaz de dar à Arena sua lotação máxima e à Avenida Goethe uma festa de proporções enormes até mesmo em comparação com outras já realizadas por ali.

O contraste mais interessante desta final reside justamente aí: a euforia que tomou conta do Rio Grande do Sul nas últimas semanas em nada tinha a ver com a postura prussiana adotada pelos jogadores do Grêmio ontem, e em toda a Copa do Brasil. Em todas as fases, o Tricolor abriu vantagem no primeiro jogo e fez resultado suficiente para passar no segundo - seja quando o mata-mata começava na Arena ou fora dela. Algo notável para um clube tão traumatizado por derrotas em jogos decisivos nas últimas temporadas.

Muitos compararam as duas brilhantes atuações gremistas contra Cruzeiro e Atlético no Mineirão. Pois o jogo de ontem foi também quase um espelho da partida da Arena na semifinal. Dono de larga vantagem, o Grêmio começou um tanto nervoso, uma tensão relativamente normal, que logo foi controlada. O adversário estava mais organizado que no jogo da ida, outra coincidência notável. Mas em nenhum momento da noite o Galo deu as cartas. A partida sempre foi disputada dentro dos limites estabelecidos pelos gaúchos, o que mostra, além da organização e da confiança, a enorme maturidade do time de Renato Portaluppi.

Perfeito no combate a Pratto, Kannemann foi um dos nomes da final
Com três volantes e três atacantes de início, o Atlético apostava nos recuos de Luan e Robinho para fazer a ligação. Mas a dedicação gremista neutralizou este poder de fogo: criticado por torcedores pelo primeiro tempo discreto, Everton foi muito importante nos 45 minutos iniciais por ajudar a brecar um possível dois-um de Marcos Rocha e Luan em cima de Marcelo Oliveira. Este foi só um exemplo, claro: a vitalidade de Maicon e Walace, a segurança impressionante da dupla de zaga e a dedicação ímpar de Ramiro foram argumentos fundamentais para que o time gaúcho mantivesse o controle da situação com segurança e consistência.

O crescimento de Everton no segundo tempo se deu menos em função de algum tipo de orientação de Renato e muito mais por conta do espaço dado pelo Atlético. Cada vez com menos tempo e diante de uma necessidade ainda gigantesca de marcar gols, Diogo Giacomini foi abrindo seu time e perdendo a consistência inicial que equilibrou o duelo tático do jogo no primeiro tempo. Com apenas um volante e cinco homens de frente na parte do final do jogo, o Galo praticamente ofereceu o contragolpe ao Tricolor, sem conseguir sucesso ao tentar vazá-lo. Foi num desses contra-ataques, nem tão rápido assim, que surgiu o gol do título - jogada de Miller Bolaños, que também passou pelos pés de Luan e Everton e terminou no próprio Bolaños. O golaço espetacular de Cazares nos acréscimos possivelmente nem foi visto por muitos torcedores que ainda comemoravam a redenção do minuto anterior (uma pena, diga-se, pois foi antológico).

Trazido para decidir e dar títulos ao Grêmio lá em fevereiro, Miller Bolaños não se justificou em 2016, termina o ano na reserva, mas fez o que dele se esperava na decisão. A campanha gremista começou com um gol dele em Curitiba diante do Atlético Paranaense e terminou com um dele ontem. Mas, embora importante, não foi ele o jogador do momento decisivo. Claro que fazer o gol que simboliza o penta da Copa do Brasil entra para a história, mas a trajetória do Grêmio na competição conta, por exemplo, com o gol decisivo de Everton diante do Palmeiras, em São Paulo; o golaço de Luan na semifinal diante do Cruzeiro; os gols de Pedro Rocha contra o Galo; e o de Everton, em cruzamento de Geromel, talvez o verdadeiro gol do título.

Festa pelo penta varreu a madrugada em Porto Alegre
A desforra gremista também passa decisivamente por Marcelo Grohe. Falhar no gol de Cazares não é nada para um personagem que salvou um chute à queima-roupa de Júnior Urso no primeiro tempo do jogo de ida da final. Mas o principal lance dele na competição talvez remeta às oitavas de final: imaginem qual o cenário do Grêmio neste momento se ele não tivesse defendido a cobrança de Wéverton na decisão por pênaltis diante do Furacão? De ídolo instantâneo da zaga e um dos heróis da conquista, Kannemann se tornaria o vilão perna de pau que isolou o pênalti que eliminou o Grêmio da disputa, por exemplo. E Renato Portaluppi, por sua vez, começaria sua passagem pelo clube com uma eliminação logo na estreia.

Os detalhes no futebol realmente jogam fora ou abençoam trabalhos. O importante, no caso gremista de agora, é notar que desde o início ele teve um norte. Romildo Bolzan não se prendeu a atitudes populistas: preferiu sanar as finanças para tornar o Grêmio saudável, dispensando nomes caros e apostando na base. Tudo isso foi recompensado maravilhosamente ontem, e também na partida do Mineirão, quando justamente dois desses guris prestigiados fizeram os gols decisivos. A sorte também ajuda, claro. Mas explicar o título pela expulsão de Allione no Allianz Parque, por exemplo, é muito menos justo que citar quem realmente merece menção. E a diretoria do clube é, como quase sempre, a origem de todos aqueles que merecem os verdadeiros elogios.

Cada vez mais mito
A saída de Roger Machado em setembro não estava nos planos da direção gremista, e talvez tenha sido o maior erro conceitual de Romildo em sua gestão no clube. Mas a escolha de seu substituto se revelou a mais acertada possível: além da identificação com a torcida, Renato tinha dois bons trabalhos no clube anteriormente. O atual talvez seja o melhor ainda: ao manter o padrão de jogo dos tempos de Roger e corrigir problemas como a bola aérea defensiva e a postura em momentos decisivos, Renato transformou um bom time em um campeão nacional. Depois de entrar para a história do clube como o autor dos dois gols na final do Mundial de 1983, vira agora o treinador que conseguiu encerrar o jejum mais sofrido que o clube já viveu de grandes conquistas nas últimas décadas. A idolatria só aumenta.

Campeão fora de casa
A Arena viveu ontem sua primeira noite de título, mas os grandes momentos da trajetória gremista se deram principalmente fora dela. Em casa, o Grêmio venceu só um jogo, empatou dois e perdeu outro; fora, ganhou três e empatou um. O aproveitamento como visitante é o dobro de como mandante: 83,3% a 41,7%. Mas é mera coincidência: dono de grande posse de bola quase sempre, o Grêmio foi propositivo em todos os mata-matas, dentro ou fora de casa. Impôs-se aos rivais em todos eles, mesmo longe de Porto Alegre. Como três dos quatro mata-matas começaram fora de casa, a campanha ganhou este aspecto curioso - tanto que a única vitória em casa foi contra o Palmeiras, justamente o mata-mata que iniciou pela Arena. Jogar do mesmo modo dentro e fora de casa era algo que muitos reclamavam na época de Roger, quando a campanha no Brasileirão não decolou pela má campanha longe da Arena. Mais um mérito de Renato, portanto.

Campeão pela primeira vez
Brilhante em seus três anos de Grêmio, Geromel conquistou ontem seu primeiro título como jogador profissional, aos 31 anos de idade. As passagens por diversos clubes de pequeno ou médio porte na Europa explicam a curiosidade.

Fotos: Lucas Uebel e Emanuel Denauí/Grêmio.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A maior de todas as 24 chances do Grêmio

Em 29 de novembro de 2001, há 15 anos e uma semana, o Grêmio, então treinado por Tite, perdeu para o Flamengo nos pênaltis, dentro do Olímpico, nas semifinais da Copa Mercosul. Foi a primeira de uma lista de 23 eliminações de grandes competições de mata-mata (sem falar no jejum no Brasileirão) que perdura até hoje.

Nesta década e meia, duras derrotas para o próprio Atlético Mineiro, em dezembro de 2001, além de Olimpia, Santos, Independiente Medellín, Flamengo, Internacional, Fluminense, 15 de Novembro, Boca Juniors, Atlético Goianiense, Cruzeiro, Goiás, Universidad Católica, Palmeiras, Millonarios, Santa Fe, Atlético Paranaense, San Lorenzo, e, finalmente, a categórica derrota para o Rosario Central na Libertadores deste ano. Que pode e deve ter sido a última. Pois tudo isso tem tudo para virar passado hoje à noite, que é A noite, pois é a que carrega a inadiável e indiscutivelmente maior de todas as 24 oportunidades que o clube gaúcho teve no período de voltar a ser feliz e soltar o grito de campeão.

Os jogadores devem entrar em campo sem lembrar destes fracassos. Mas os torcedores, claro, o carregarão. Lembrar deles não é fazer mau agouro ou pensar que tudo vai dar errado de novo, pelo contrário: é necessário para dar a dimensão da importância que o jogo de hoje à noite tem na história do clube. O Grêmio não jogará apenas por mais um título, ou para ser o maior campeão da história da Copa do Brasil: ele joga para inaugurar as conquistas de sua nova Arena e, principalmente, para dar a seu torcedor uma alegria que ele merece e sonha há bastante tempo.

Os gremistas sonham com este momento há muito tempo. Estão tão eufóricos quanto desconfiados: sim, a vantagem é enorme, as condições são todas favoráveis, mas quem garante que o time não vai sofrer um apagão com em algumas destas eliminações citadas? Claro, aí entraríamos no terreno da mística. E é só mesmo na mística, ou só se apartando demais da razão, que se pode ver alguma possibilidade de que o pentacampeonato não venha, afinal de contas.

Muito se perguntou nos últimos dias a respeito da parada forçada devido à tragédia da Chapecoense. Ela beneficia quem na final da Copa do Brasil? Grêmio ou Atlético Mineiro? Na verdade, não é tão simples responder. Aos gaúchos certamente não foi o ideal: o Tricolor vinha no embalo de uma vitória maravilhosa no Mineirão e enfrentaria um rival esfacelado, sem treinador e precisando mudar tudo em termos táticos para ter alguma chance remota de reversão. A parada esfriou esse cenário amplamente favorável, e ainda deu tempo ao Galo para trabalhar um pouco mais. Diogo Giacomini teve sete dias além do que previa para pensar numa estratégia de ganhar o título hoje à noite.

Por outro lado, a quebra do ritmo de decisão da semana passada pode, sim, beneficiar o Grêmio. A razão é simples: a euforia diminuiu. A atuação de gala em Belo Horizonte já está um pouco mais distante no tempo, o clima de oba-oba que poderia haver foi massacrado pela tristeza de Chapecó. Atrasar a disputa em uma semana pode talvez ter ajudado a aumentar a ansiedade, mas também ajudará a conter uma euforia que poderia ser prejudicial. Pensar que o Galo pode ter se preparado melhor também pesará para que o Tricolor tenha total respeito pelo adversário e suas chances de reversão, por menores que sejam.

Fala-se muito de tudo isso porque em finais, em mata-matas, o fator psicológico pesa muito. Neste caso, um fato completamente estranho ao próprio torneio, que foi o acidente da Chape, desce de paraquedas num jogo com ingredientes já bastante intensos. Somando esse caráter aleatório de um adiamento imprevisível ao fato de o Grêmio estar há 15 anos sem levantar uma taça de grande expressão, temos aí terreno para tornar o jogo de hoje à noite extremamente nervoso. Até vidente prevendo virada andaram enfiando nessa receita.

Eis que então decidimos virar nosso olhar para dentro de campo. E aí, na lógica, a verdade é uma só: o Grêmio está muito perto do título que há tanto tempo persegue, e é difícil que o perca, pois tem todas as vantagens: joga em casa; tem uma uma ótima vitória de 3 a 1 aplicada na partida em que foi visitante, conquistada com total superioridade, a qual é mais importante do que se pensa, pois deixará o Galo numa encruzilhada: se o Atlético se atirar para cima, abrirá espaços e tomará gols fatais, mas se atuar fechado demais dificilmente terá poderio ofensivo para furar a bem postada defesa gaúcha.

Além disso, o Grêmio tem um time taticamente muito mais coeso que o Atlético, por mais que Giacomini pense em reforçar seu meio-campo para equilibrar a batalha do setor. Só que a consistência do meio gremista é resultado de um trabalho de quase dois anos, e não de uma semana de trabalho imprevisto. Mas o principal fator, além da vantagem enorme, é o fato de o time de Renato Portaluppi estar muito concentrado na busca deste objetivo, bem mais que o próprio Galo, inclusive. Vale lembrar que já se citou anteriormente que a parada de 20 dias entre a semifinal com o Cruzeiro e a final com o Atlético poderia quebrar o ritmo de competição gremista, hipótese desmentida pela atuação monstruosa de 15 dias atrás, com nível inclusive superior ao demonstrado diante da Raposa.

Hoje é a noite mais aguardada e importante para os gremistas dos últimos 15 anos. Porque nunca o título de grande expressão esteve tão próximo como agora. É a noite que nascerá para enterrar de vez um jejum que por várias vezes parecia interminável, ou então para prolongá-lo ainda mais, no que seria a maior de todas as decepções que o clube terá enfrentado neste período tão árido de sua história. Os argumentos lógicos pesam todos a favor; os irracionais podem pender para o lado que o estado de espírito de cada torcedor quiser.

Retrospectos
O Grêmio desta Copa do Brasil é um time que faz papel muito melhor fora de casa que dentro da Arena. Isso contradiz completamente a campanha feita pela equipe no Brasileirão. Longe de casa, o Tricolor venceu três dos quatro jogos que disputou e empatou outro; em Porto Alegre, venceu um, empatou outro e perdeu outro. Mas jamais tomou dois gols em um mesmo jogo, requisito mínimo para levar a disputa para os pênaltis hoje. Já o Atlético ganhou só dois dos sete jogos disputados, mas nenhum por dois gols de diferença. Terá de fazê-lo contra o melhor time que enfrentou até agora na competição. E mais: somente em casa, contra o Juventude, o time mineiro não sofreu gols. Ou seja: a exigência provável para hoje é fazer pelo menos três gols contra um time que só levou quatro em toda a Copa do Brasil.

Galo na fase de grupos
A Libertadores de 2017 segue mudando o regulamento do Brasileirão. Ontem, a Conmebol confirmou que uma das vagas que seria de equipes mexicanas vai para o Brasil, que agora terá seis clubes direto na fase de grupos: os quatro primeiros do Brasileiro, o campeão da Copa do Brasil e a Chapecoense, declarada campeã da Sul-Americana. Assim, o Atlético Mineiro garantiu vaga na fase de grupos. Imaginem se tivéssemos tido neste fim de semana: neste caso, o Galo entraria da pré-Libertadores para a fase de grupos após o término do campeonato nacional. Confusão sem fim.

Em várias frentes
Devido à tragédia de terça passada, não comentamos o quanto o 1 a 0 aplicado pelo Vitória sobre o Coritiba complicou a vida do Internacional no Campeonato Brasileiro. As chances de escapar são tão improváveis que até mesmo uma ida aparentemente sem sentido ao STJD está sendo empreitada pelo Colorado. Dificilmente haverá sucesso nos tribunais. Dentro de campo, as chances são um pouco maiores, mas ainda assim ínfimas. É a semana mais tensa da história do clube rubro.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Carta na Mesa - 28/11/2016

Antes da tragédia da Chapecoense, o Carta na Mesa projetou o que era para ser a semana de decisões de Copa do Brasil e Brasileirão.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Uma tristeza sem tamanho

O luto permanece. Mas, passado o choque inicial, algumas poucas coisas podem ser ditas a respeito da tragédia de ontem.


1) Meu sentimento de profunda tristeza com o que aconteceu é duplo, triplo, múltiplo, pois além de toda a situação humana que envolve um momento tão triste como esse, vi profissionais conhecidos irem embora de uma hora para outra. E principalmente um deles: o Laion Espíndula, excelente profissional que cobria a Chapecoense para o Globo Esporte. Um companheiro de profissão, de pesquisas em jornalismo esportivo. Um cara com quem infelizmente nem convivi tanto assim em termos diários, mas cuja convivência foi sempre maravilhosa, e que considero um amigo não apenas por ter várias pessoas próximas conhecidas em comum, mas pela maneira agradável, simpática e simples de ser em todas as vezes em que nos falamos. Uma perda tão grave que foi capaz de potencializar essa tristeza absurda de uma forma ainda mais terrível. A notícia de sua partida foi pra arrasar ainda mais o meu dia e de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

2) É de arrasar qualquer um pensar que toda a história construída pela Chapecoense nos últimos anos possa ter terminado de uma forma tão macabra. Pensar que aquela defesa do Danilo no fim do jogo com o San Lorenzo fosse entrar para a história como o último dos seus milagres. Eu ainda não cheguei a parar para pensar com calma em toda essa trajetória e traçá-la do início ao fim. Não sou tão forte assim pra aguentar no osso realizar esse tipo de exercício.

3) Ainda assim, dois pontos me deixaram muito feliz ontem. O primeiro, e principal deles, ver que a quase totalidade das pessoas ainda consegue se identificar em um momento trágico como esse. Ontem foi o dia mais triste da história do futebol brasileiro, mas também um dos que mais me deu esperança de como esse mundo ainda tem jeito. O clubismo foi deixado de lado, a mesquinhez foi deixada de lado e, com raras exceções, o espírito de porco também. As pessoas entenderam a dimensão desta tragédia. Os clubes também. O jornalismo também. Embora chocados, quase todos entendemos e respeitamos. Não fizemos piadinhas infames, repudiamos as poucas que os sem-noção inventaram de soltar. Eu não sou mais tão otimista quanto em outros tempos, pois o momento do nosso país não permite isso, mas se algumas poucas pessoas puderem mudar nem que seja por um tempo o modo como lidam com suas vidas, deixando de se preocupar com bobagens e materialismos, e valorizando o que realmente importa, colocando o amor em suas atitudes muito acima de ódios e rancores, já ficarei mais do que satisfeito. Que todos possamos ter aprendido um pouco com toda essa dor imensa que nos abateu e nos abaterá enquanto o que ocorreu ontem ecoar em nossas cabeças, é só o que peço e quero para mim e para aqueles que comigo convivem.

4) O segundo ponto positivo foi ver as enormes demonstrações de solidariedade que o mundo do futebol, especificamente, prestou à Chapecoense. Não apenas as merecidas homenagens, mas as atitudes práticas que tornam esse esporte tão grande: o óbvio adiamento de todos os jogos nacionais por uma semana; a iniciativa dos clubes brasileiros de emprestar jogadores gratuitamente para a Chape e pedir à CBF que ela fique imune ao rebaixamento por três anos; o auxílio financeiro que alguns gigantes europeus têm se disposto a dar para a reconstrução do clube catarinense; e, principalmente, a grandeza sem tamanho do Atlético Nacional, de pedir à Conmebol que declare a Chapecoense campeã da Copa Sul-Americana sem a necessidade de disputa da final. Esta foi a atitude mais nobre que já vi no esporte em toda minha vida. O futebol sempre foi muito mais do que um jogo, e ontem tivemos a mais linda prova disso: uma solidariedade fantástica num momento de profunda tristeza do mundo inteiro.

Desculpem alguns possíveis erros. Esse texto foi escrito sem muita preocupação com tamanho, revisão ou qualquer coisa do tipo, pois não estou ainda com cabeça para isso, embora não registrar esse momento e todo o sentimento que carrego seja inadmissível para um espaço que há mais de dez anos trata de futebol. Quando tivermos digerido ao menos uma pequena parte de tudo isso, aí sim, voltaremos ao ritmo normal.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Luto

Sem condições para escrever nada nos próximos dias. Perdão, amigos.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Cuca cumpriu a promessa: o Palmeiras é campeão brasileiro

Palmeiras conquista seu segundo título nacional em um ano
Quando enfiou 4 a 0 no River Plate uruguaio e mesmo assim foi eliminado ainda na fase de grupos da Taça Libertadores, Cuca sentenciou: o Palmeiras será campeão brasileiro em 2016. A frase, tida como um consolo para um momento difícil, residia na crença de que, com um mês para trabalhar entre a eliminação no torneio continental e o começo do Brasileirão, seria possível deixar o Verdão pronto para, enfim, encerrar o jejum no principal campeonato do país. A profecia foi cumprida ontem, na vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, no Allianz Parque lotado como jamais se viu.

O autor do gol do título diz muito sobre esta conquista: Fabiano, reserva da lateral direita. É simbólico por ter sido um título do grupo palmeirense. Talvez aí resida o maior mérito de Cuca: com um elenco inchado, mas cheio de peças de bom nível, Marcelo Oliveira venceu a Copa do Brasil de 2015, mas não soube formar um time na acepção da palavra - tanto que fracassou na Libertadores deste ano. Cuca não: teve a sabedoria de retirar da equipe titular nomes famosos, como Barrios e Rafael Marques, para apostar em jogadores pouco cotados, como Moisés, Tchê Tchê e Roger Guedes. Tudo em nome da funcionalidade da equipe.

Deu muito certo. O Palmeiras de 2016 foi tão regular quanto outros campeões recentes, como o Cruzeiro bicampeão e o Corinthians do ano passado. Perdeu só um dos últimos 20 jogos que disputou. Terminará o campeonato com 29 das 38 rodadas na liderança. Não chegou a ser um título de ponta a ponta porque, embora tenha começado como primeiro colocado, perdeu esta condição algumas poucas vezes. No returno, porém, manteve quase sempre uma distância de pelo menos três pontos até os perseguidores mais próximos.

Campeoníssimo, Cuca finaliza 2016 na seleta de galeria dos supertécnicos nacionais da atualidade. Campeão da América pelo Atlético Mineiro três anos atrás, retorna ao Brasil e tira o Palmeiras da fila após 22 anos, subindo a um patamar que talvez somente Tite esteja acima. Ele já anunciou que não treinará no Palestra no ano que vem, mas deixa um legado e tanto para seu sucessor.

Vivo, Inter seca o Vitória hoje à noite
Com um time bagunçado e cheio de peças ofensivas em campo, o Internacional não mostrou qualquer mecânica de jogo diante de um apático Cruzeiro no Beira-Rio. Venceu do jeito que deu, na base da individualidade, mas sem qualquer consistência. O resultado, porém, é importantíssimo: com 42 pontos, o Colorado iguala o Vitória, mas precisa secá-los hoje diante do Coritiba. Ganhando no Couto Pereira, o time de Argel Fucks praticamente se livra do rebaixamento e deixa o Inter à beira do abismo de vez.

O resultado obtido ontem, no entanto, enche de otimismo os torcedores vermelhos. Caso o Vitória não conquiste um resultado positivo hoje, só ganhando do campeão Palmeiras no Barradão é que terá a garantia da salvação. Vencer o decadente Fluminense na última rodada é possível, mas vale lembrar que o Inter segue jogando um futebol pobre, não ganha longe de casa há seis meses e há cinco não vence uma partida sem Seijas, que não jogará no Rio por estar suspenso. O venezuelano foi mal ontem, diga-se de passagem.

Briga pelo vice acirrada
A vitória de 2 a 0 sobre o Santos no Maracanã deixa o Flamengo na vice-liderança do Brasileiro. O resultado ajudou o Palmeiras a confirmar o título, mas está longe de garantir aos cariocas o segundo lugar de forma definitiva. Dois pontos à frente do Peixe, o Fla visita na última rodada um Atlético Paranaense lutando por vaga na Libertadores, enquanto os santistas recebem o lanterna América na Vila Belmiro.

Vexame em Recife
Mesmo com time reserva, técnico reserva e até assessor de imprensa reserva, o Grêmio não podia ter levado 5 a 1 do Santa Cruz em Recife. O placar, porém, dá a entender um massacre que não ocorreu: até 40 minutos do segundo tempo, os pernambucanos venciam por 2 a 1 e o jogo era parelho. A desconcentração nos cinco minutos finais é que causaram três gols e o fiasco. A Copa do Brasil está muito próxima e de forma brilhante, mas o Brasileirão gremista deixou bastante a desejar.

Foto: César Greco/Palmeiras.

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