A dura vida de um centroavante do Inter
O resultado, há tempos, é conhecido: o Inter é um time que toca muito e chuta pouco. Hoje, é verdade, isso em parte foi minimizado. Imaginava-se um 4-5-1 com 3 volantes, mas Tinga de centromédio nada teve: foi um dublê de Zé Roberto no primeiro tempo. Não tem o cacoete da conclusão, e só por isso o time não virou a etapa inicial vencendo. Foram nada menos que 4 chances perdidas em cerca de 10 minutos iniciais, todas por Tinga. O Inter começou melhor e dominou o Fluminense, com uma posse de bola que beirava os 70%.
Mas bastou o abalado time carioca (a questão Fred mexeu com o ânimo visivelmente) se organizar para que o Inter parasse de acossar o gol de Diego Cavalieri. E aí veio o grande problema dos últimos 12 meses: o isolamento do centroavante. Leandro Damião precisa ser mais abastecido, especialmente pelo alto. É um centroavante ao estilo de Jardel, trombador, cabeceador, finalizador. Mas Nei e Kleber inexistiram no apoio, como de hábito. Nem mesmo os meias se aproximaram. Mesmo não sendo um jogador de tabelamentos, já ajudaria bastante.
O Fluminense terminou o primeiro tempo em equilíbrio, não chegava a dominar o jogo. Já atacava mais, ensaiava pressão, mas exibia enormes dificuldades em penetrar. O gol de Souza (ótima conclusão), que abriu o placar, foi uma falha de posicionamento da defesa. E obrigava o Inter a sair para o jogo. Faltava, porém, criação. Tinga, com mais trabalho na marcação ao crescente Souza, já não subia tanto como outrora. Andrezinho errava muitos passes e D'Alessandro foi extremamente discreto. Osmar Loss, diante da necessidade de buscar o resultado, chegou a retirar o volante Élton. Atacantes? Só Damião, o jogo inteiro. Ninguém mais. É dogma, eu disse.
Como de costume, então, o camisa 9 tentou resolver sozinho. Brigou com meio time do Flu dentro da área, sem ajuda de mais ninguém, e cavou pênalti. D'Alessandro, exímio batedor, cobrou mal, no meio do gol, para defesa de Diego Cavalieri. Para piorar as coisas, Loss mexeu mal: tirou Tinga, que já caíra de rendimento, mas havia feito bom primeiro tempo, para colocar Ricardo Goulart. Andrezinho e D'Alessandro, de desempenhos mais modestos, permaneciam. O time em nada melhorou, embora o guri tenha dado bom chute de fora da área logo que entrou. O 2 a 0, em pênalti daí bem batido por Rafael Moura, foi só consequência da falta de capacidade rubra.
O Internacional estaciona nos 19 pontos. Apesar da 8ª colocação, está mais próximo da zona de rebaixamento (6 pontos até o Avaí) que da Libertadores (7 pontos até o Palmeiras). Não estou sugerindo ponta de baixo para o Colorado. Mas é um dado que explicita bem que o momento é ruim. O Inter está sem técnico, com um esquema engessado e engessante, com problemas táticos e falta de alternativas no plantel. A situação do Grêmio encobre parte dos problemas e garante certa tranquilidade no ambiente. Mas não melhora em nada a temporada igualmente medíocre que a equipe rubra realiza.
Em tempo:
- Os 4 times cariocas estão entre os 7 primeiros colocados. No Rio estão os dois últimos campeões nacionais e o atual dono da Copa do Brasil. Há tempos que falar do futebol da Cidade Maravilhosa como decadente é falacioso.
Campeonato Brasileiro 2011 - 14ª rodada
4/agosto/2011
FLUMINENSE 2 x INTERNACIONAL 0
Local: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Nielson Nogueira Dias (PE)
Público: 6.399
Gols: Souza 10 e Rafael Moura (pênalti) 41 do 2º
Cartão amarelo: Carlinhos, Diego Cavalieri e Kleber
Expulsão: Wilson Matias 40 do 2º
FLUMINENSE: Diego Cavalieri (7,5), Mariano (5,5), Márcio Rozário (5), Gum (5,5) e Carlinhos (5); Edinho (6), Diguinho (5,5) (Valencia, 28 do 2º - 5,5), Marquinho (6) (Fernando Bob, 35 do 2º - sem nota) e Souza (6,5); Rafael Sobis (5) (Ciro, 27 do 2º - 5,5) e Rafael Moura (6). Técnico: Abel Braga (6)
INTERNACIONAL: Muriel (5,5), Nei (4,5), Bolívar (5), Índio (5) e Kleber (4,5); Élton (5,5) (João Paulo, 17 do 2º - 5), Wilson Matias (4), Tinga (6) (Ricardo Goulart, 26 do 2º - 5,5), D'Alessandro (4) e Andrezinho (4,5) (Lucas Roggia, 38 do 2º - sem nota); Leandro Damião (5,5). Técnico: Osmar Loss (4,5)
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