A dura vida de um centroavante do Inter

Celso Roth já saiu do Beira-Rio há quatro meses, mas suas ideias seguem firmes por lá. O esquema com único atacante, fundamental na vitoriosa reta final da Libertadores do ano passado, virou dogma vermelho. Houve um breve hiato no período de Paulo Roberto Falcão, mas bastou sua demissão para que a ideia fosse retomada. Coincidência ou não, Luigi não queria Falcão como técnico colorado. Uma carvalhice, bem como a reabilitação do nada saudoso Wilson Matias.

O resultado, há tempos, é conhecido: o Inter é um time que toca muito e chuta pouco. Hoje, é verdade, isso em parte foi minimizado. Imaginava-se um 4-5-1 com 3 volantes, mas Tinga de centromédio nada teve: foi um dublê de Zé Roberto no primeiro tempo. Não tem o cacoete da conclusão, e só por isso o time não virou a etapa inicial vencendo. Foram nada menos que 4 chances perdidas em cerca de 10 minutos iniciais, todas por Tinga. O Inter começou melhor e dominou o Fluminense, com uma posse de bola que beirava os 70%.

Mas bastou o abalado time carioca (a questão Fred mexeu com o ânimo visivelmente) se organizar para que o Inter parasse de acossar o gol de Diego Cavalieri. E aí veio o grande problema dos últimos 12 meses: o isolamento do centroavante. Leandro Damião precisa ser mais abastecido, especialmente pelo alto. É um centroavante ao estilo de Jardel, trombador, cabeceador, finalizador. Mas Nei e Kleber inexistiram no apoio, como de hábito. Nem mesmo os meias se aproximaram. Mesmo não sendo um jogador de tabelamentos, já ajudaria bastante.

O Fluminense terminou o primeiro tempo em equilíbrio, não chegava a dominar o jogo. Já atacava mais, ensaiava pressão, mas exibia enormes dificuldades em penetrar. O gol de Souza (ótima conclusão), que abriu o placar, foi uma falha de posicionamento da defesa. E obrigava o Inter a sair para o jogo. Faltava, porém, criação. Tinga, com mais trabalho na marcação ao crescente Souza, já não subia tanto como outrora. Andrezinho errava muitos passes e D'Alessandro foi extremamente discreto. Osmar Loss, diante da necessidade de buscar o resultado, chegou a retirar o volante Élton. Atacantes? Só Damião, o jogo inteiro. Ninguém mais. É dogma, eu disse.

Como de costume, então, o camisa 9 tentou resolver sozinho. Brigou com meio time do Flu dentro da área, sem ajuda de mais ninguém, e cavou pênalti. D'Alessandro, exímio batedor, cobrou mal, no meio do gol, para defesa de Diego Cavalieri. Para piorar as coisas, Loss mexeu mal: tirou Tinga, que já caíra de rendimento, mas havia feito bom primeiro tempo, para colocar Ricardo Goulart. Andrezinho e D'Alessandro, de desempenhos mais modestos, permaneciam. O time em nada melhorou, embora o guri tenha dado bom chute de fora da área logo que entrou. O 2 a 0, em pênalti daí bem batido por Rafael Moura, foi só consequência da falta de capacidade rubra.

O Internacional estaciona nos 19 pontos. Apesar da 8ª colocação, está mais próximo da zona de rebaixamento (6 pontos até o Avaí) que da Libertadores (7 pontos até o Palmeiras). Não estou sugerindo ponta de baixo para o Colorado. Mas é um dado que explicita bem que o momento é ruim. O Inter está sem técnico, com um esquema engessado e engessante, com problemas táticos e falta de alternativas no plantel. A situação do Grêmio encobre parte dos problemas e garante certa tranquilidade no ambiente. Mas não melhora em nada a temporada igualmente medíocre que a equipe rubra realiza.

Em tempo:
- Os 4 times cariocas estão entre os 7 primeiros colocados. No Rio estão os dois últimos campeões nacionais e o atual dono da Copa do Brasil. Há tempos que falar do futebol da Cidade Maravilhosa como decadente é falacioso.

Campeonato Brasileiro 2011 - 14ª rodada
4/agosto/2011
FLUMINENSE 2 x INTERNACIONAL 0
Local: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Nielson Nogueira Dias (PE)
Público: 6.399
Gols: Souza 10 e Rafael Moura (pênalti) 41 do 2º
Cartão amarelo: Carlinhos, Diego Cavalieri e Kleber
Expulsão: Wilson Matias 40 do 2º
FLUMINENSE: Diego Cavalieri (7,5), Mariano (5,5), Márcio Rozário (5), Gum (5,5) e Carlinhos (5); Edinho (6), Diguinho (5,5) (Valencia, 28 do 2º - 5,5), Marquinho (6) (Fernando Bob, 35 do 2º - sem nota) e Souza (6,5); Rafael Sobis (5) (Ciro, 27 do 2º - 5,5) e Rafael Moura (6). Técnico: Abel Braga (6)
INTERNACIONAL: Muriel (5,5), Nei (4,5), Bolívar (5), Índio (5) e Kleber (4,5); Élton (5,5) (João Paulo, 17 do 2º - 5), Wilson Matias (4), Tinga (6) (Ricardo Goulart, 26 do 2º - 5,5), D'Alessandro (4) e Andrezinho (4,5) (Lucas Roggia, 38 do 2º - sem nota); Leandro Damião (5,5). Técnico: Osmar Loss (4,5)


Comentários

Sancho disse…
O futebol nacional caiu e alcançou os cariocas...
Chico disse…
O cocôlorado parece aquele cara que vai numa concessionária de carros importandos quando não tem nem dinheiro pra comprar um automóvel seminovo.