No jogo das duas escritas, prevaleceu a frieza alemã
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Özil foi o único a fazer gol em Buffon nos jogos da Euro 2016 |
Mas isso não significa que a Alemanha tenha sido superior à Itália. Não foi: Antonio Conte se despede da Azzurra com uma campanha empolgante, de reabilitação da autoestima de uma seleção que há alguns anos vem machucada por resultados decepcionantes. A Itália mostrou repertório hoje, como em toda Euro: soube fechar os espaços alemães durante quase todo o jogo, tornando os 59% de posse de bola do time de Joachim Löw praticamente improdutivos. E, se diante de Espanha e Bélgica o time se prevaleceu da vantagem para jogar no erro do adversário, hoje foi capaz de buscar um empate que parecia improvável, na raça, mas também na qualidade.
Löw abriu mão do dinamismo de Draxler para escalar Mario Gomez. O centroavante foi um dos melhores da Alemanha, mas sua escalação custou caro: uma dificuldade grande da equipe de envolver a Itália, que controlou toda a etapa inicial com seu meio-campo robusto, combativo e veloz. Após um primeiro tempo sonolento, o segundo começou em voltagem mais alta, por conta dos alemães: mais agressivos, passaram a forçar mais, mas também ceder mais espaços. Chegaram ao gol num lance de até azar italiano, onde a bola bateu em Bonucci e sobrou limpa para Özil fazer 1 a 0.
Foi após sofrer o gol que a Itália mostrou sua força e mostrou o quanto é errado atribuir a este time o rótulo de que só sabe jogar no erro do adversário. Mesmo inferior tecnicamente, foi para cima da Alemanha com personalidade e chegou ao empate através de um pênalti cometido pelo imprudente Boateng. Os alemães sentiram o gol sofrido, não o esperavam, pois tinham o controle das ações, por mais corajosa que fosse a postura italiana. Essa segurança do time de Conte marcou os minutos finais do tempo normal e toda a prorrogação. Poderia se refletir numa vitória nos pênaltis, que acabou não vindo.
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Zaza entrou só para bater o pênalti. Jogou por cima do gol |
O jogo de tetracampeões mundiais prometia muito, não foi tão bom tecnicamente, mas foi um duelo enorme. Não só pelos oito títulos de Copas que estavam ali, mas por duelos como Buffon x Neuer, goleiros que não haviam sofrido gol ainda na Eurocopa, por tradições imensas que se colidiam, por seleções em estágios diferentes que se encararam em uma disputa muito interessante. Prevaleceu, afinal, a melhor seleção do mundo. A que ainda é a principal favorita ao título e que, apesar das dificuldades, ultrapassou um obstáculo complicadíssimo em Bordeaux. Porque se a Itália foi forte agora, imaginem daqui a dois anos, com mais evolução ainda.
Eurocopa 2016 - Quartas de final


Local: Stade Matmut-Atlantique, Bordeaux (FRA); Data: sábado, 02/07/2016, 16h; Árbitro: Viktor Kassai (HUN); Público: 38.764; Gols: Özil 19 e Bonucci (pênalti) 32 do 2º; Decisão por pênaltis: Alemanha 6 (Kroos, Draxler, Hummels, Kimmich, Boateng e Hector) x 5 Itália (Insigne, Barzagli, Giaccherini, Parolo e De Sciglio). Erraram Müller (defendido), Zaza (fora), Özil (trave), Pelle (fora), Bonucci (defendido), Schweinsteiger (fora) e Darmian (defendido); Cartão amarelo: Hummels, Schweinsteiger, Sturaro, De Sciglio, Parolo, Pelle e Giaccherini; Nota do jogo: 7; Melhor em campo: Parolo
Fotos: UEFA.
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