O Inter de 2015 tem a cara do Cruzeiro de 2011. E vive sua pior crise desde 2002

Conversando com amigos mineiros aqui em Belo Horizonte, chegamos à conclusão de que o Inter de 2015 lembra bastante o Cruzeiro de 2011. Naquele ano, a Raposa vinha de um bom Brasileiro, reforçou seu time para ganhar a Libertadores, acabou eliminada, viu o time se esfacelar após a queda para o Once Caldas e, no fim do ano, só se livrou do rebaixamento na última rodada. Para o Colorado cumprir à risca o roteiro, só falta a última parte.

Porém, falar em rebaixamento, ou até mesmo em correr algum risco do tipo, ainda é muito precipitado. A crise do clube é, seguramente, a maior desde a quase queda para a segunda divisão, em 2002. Em 13 de novembro daquele ano, torcedores cantaram ajoelhados o hino do clube em frente ao portão 8 do Beira-Rio após a derrota para o Cruzeiro, num ato de amor e de desespero também. Aquele ato foi um símbolo de um Inter à beira de um ataque de nervos, exatamente o clima que estamos vendo agora. Mahicon Librelato, em Belém, salvou a equipe do descenso daquela vez.

A crise desta vez é menos técnica do que anímica - em 2002, o time colorado que escapou da queda era fraquíssimo. Todos sabemos que, agora, os jogadores do elenco rubro são bons o suficiente para não darem os vexames que têm dado de um mês para cá. E também por isso é que a cobrança é fortíssima: os acontecimentos de ontem foram extremamente significativos. E simbólicos, pois raramente se vê no Rio Grande do Sul torcida tentar invadir treino, quanto mais soltar rojão em meio aos trabalhos.

Mas isso é só uma parte da crise colorada: direção e atletas estão, ao menos aparentemente, rompidos. Se a relação já parecia tensa com os atrasos de salários/direitos de imagem, com a eliminação da Libertadores e com a demissão de Diego Aguirre, que, segundo Juan, era querido pelos jogadores, os 5 a 0 no Gre-Nal foram a gota d'água. E enquanto o castelo cai em ruínas, o presidente viaja ao Chile para tentar uma impossível e caríssima contratação de Jorge Sampaoli, ignorando os problemas financeiros e psicológicos do clube, quando poderia muito bem ter mandado o diretor de futebol Carlos Pellegrini para Santiago tentar a contratação - se é que esta improvável tentativa deveria ter sido feita, já que a chance de sucesso era pequena e só tendia a atrasar ainda mais a chegada do novo treinador.

O interino Odair Hellmann, já se viu domingo, caiu numa tormenta furiosa. Tem de ajeitar a cozinha em meio a um clima péssimo, e tentar fazer com que um elenco que vem perdendo um jogador importante por semana se mantenha competitivo. Não é nada fácil, mesmo para um treinador de cancha, como o sonhado Muricy Ramalho. Depois do fiasco de domingo, era previsível que várias mudanças fossem ocorrer em relação ao time que vai enfrentar o Fluminense hoje à noite. Mas a lógica segue a mesma do Gre-Nal: time fechado para evitar um desastre. O curioso é que, no clássico, nada do que ele planejou acabou de fato ocorrendo.

É um jogo em casa, mas a humildade com que ele se porta na hora de montar a equipe é algo raro de se ver em um confronto de dois clubes grandes. Mais raro ainda é ver a equipe entrar em campo para jogar em casa sem nenhum atacante de ofício - Valdívia e Eduardo Sasha comporão a dupla de frente. E não dá par se dizer que ele está de todo errado: na verdade, ele é o menos culpado nessa história toda.

O horizonte é complicado, o momento técnico e psicológico é gravíssimo, mas a queda é altamente improvável. Porque mesmo que já tenha perdido Aránguiz e Nilmar, e que possa vir a perder D'Alessandro, o Inter, potencialmente, é ainda muito superior a Goiás, Vasco, Joinville e Coritiba, apenas para citar os quatro últimos hoje na tabela. A distância para a zona de risco ainda é grande. Porém, se os jogadores experientes forem mesmo saindo (será que Anderson, Réver e Lisandro, após o péssimo Gre-Nal que fizeram, receberão chances tão cedo?), caberá aos mais jovens segurar a bronca. Exatamente como no Cruzeiro de quatro anos atrás. É ou não é bem parecido?

Comentários

Chico disse…
Enquanto o beira-lixo explode, dodóilessandro fica escondido jogando videogame.
Cassio Fornos disse…
Maicon Librelato e a mala preta salvaram o inter em 2002!!!
Vicente Fonseca disse…
Hahaha, grande Chico.

Cássio, eu não vou falar a respeito de mala preta naquele jogo porque é algo que nunca ficou provado, e portanto, num espaço como esse, é preciso ter cuidado com esse tipo de declaração. Embora, claro, eu também considere estranho o comportamento do Paysandu naquele dia - a própria torcida virou de costas para o campo em protesto, vale lembrar que eles não disputavam mais nada na competição, enquanto o Inter jogava a vida. Isso muitas vezes pesa também.

Abraços!