Um Cruzeiro impossível



A goleada de 4 a 1 sobre o Náutico (20º, 17) representa, provavelmente, o auge técnico do Cruzeiro (1º, 59) em sua campanha rumo ao seu segundo título do Campeonato Brasileiro. O resultado em si até não surpreende, dada a diferença técnica entre as duas equipes. Mas a superioridade com que a equipe de Marcelo Oliveira se impôs na Arena Pernambuco (21 mil) foi assombrosa.

Aos 7 minutos do segundo tempo ocorreu a jogada que resume este time do Cruzeiro. Escanteio para o Timbu, Ricardo Goulart corta de cabeça e inicia o contragolpe. Everton Ribeiro puxa a jogada, tabela com Borges e Willian e lança o próprio Ricardo Goulart, que correu 80 metros para entrar livre na área e fazer 2 a 1 para a equipe mineira. O lance que encaminhou a vitória com todas as qualidades deste timaço histórico: solidariedade defensiva dos atacantes, objetividade, qualidade no toque de bola, entrosamento impressionante dos homens de frente, um meia cerebral, atacantes que ajudam na criação ao se apresentaram para a tabela e eficiência na conclusão.

São muitas qualidades para um time só. Se a vantagem do Cruzeiro para o Grêmio fosse de apenas 1 ponto, já seria difícil o time gaúcho conseguir tirar a Raposa da liderança, tal a forma com que a equipe de Marcelo Oliveira vem se apresentando há dois meses. Com 11 pontos, é missão praticamente impossível. Mais que provável campeão brasileiro, o Cruzeiro é quem merece levar para casa o campeonato.

A discussão, agora, é saber quem jogou mais: o Atlético-MG campeão da América ou o Cruzeiro (provável) campeão brasileiro? O Galo que começou a Libertadores jogava tão bem quanto esta Raposa de agora, mas o que finalizou os mata-matas contra Tijuana, Newell's e Olímpia já não era tão vistoso. Seja como for, é só uma pitada de rivalidade na discussão. O ano do futebol mineiro é daqueles de fazer o resto do Brasil só babar de inveja.

Curitiba: Atle-Tiba muito disputado na Vila Capanema (15 mil), e embora clássico seja sempre clássico, a vitória do Atlético-PR (3º, 44) era mesmo o resultado mais esperado. O Coritiba (15º, 31) até saiu na frente, com Júlio César, mas Paulo Baier, que deve ser dispensado pelo Furacão no fim do ano, provou que isso é um potencial erro, pois segue sendo um jogador importantíssimo para a equipe. Marcou dois gols, um deles em suas indefectíveis cobranças de falta, e deu a vitória ao Atlético por 2 a 1.

Belo Horizonte: jogo muito faltoso e disputado no Independência (16 mil), mas faltou futebol para os dois últimos campeões da Libertadores. Atlético-MG (5º, 39) e Corinthians (9º, 35), com poucos objetivos concretos no campeonato, ficaram mesmo no 0 a 0.

São Paulo: o Cruzeiro foi um acidente de percurso na vida da Portuguesa (10º, 34). Comandada pelo endiabrado Gilberto, a Lusa goleou o Santos (8º, 36) com autoridade no Canindé (8 mil) por 3 a 0, entrando no G-10. Se Grêmio, Atlético-PR ou Botafogo ganharem a Copa do Brasil e a quinta vaga for aberto no Brasileirão, a Portuguesa já é uma candidata - embora sua briga ainda seja a de não ser rebaixada.

Brasília: 35 mil torcedores foram ao Mané Garrincha e viram um clássico muito disputado entre Flamengo (12º, 34) e Vasco (17º, 30), resultado ruim para ambos. O Flamengo não se afasta da zona de rebaixamento, e o Vasco não sai dela com o 1 a 1. Ah, Cris falhou de novo no gol do adversário.

Goiânia: dois golaços de ex-atacantes da Dupla Gre-Nal, Lins e Walter, resumem o empate em 1 a 1 entre Goiás (13º, 34) e Criciúma (18º, 26) no Serra Dourada (7 mil). Jogo ruim e resultado ainda pior para ambos, que seguem lutando para não cair e prolongam seus longos e respectivos jejuns de vitórias na competição.

Salvador: assim como Flamengo x Vasco e Goiás x Criciúma, Bahia (14º, 33) e Ponte Preta (19º, 23) ficaram no 1 a 1 na Fonte Nova (11 mil) em um jogo ruim com resultado ruim para os dois lados. O Bahia segue ameaçado, e a Ponte está cada vez mais próxima do abismo.

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