O que mudou?



Muitos virão com a fórmula pronta: a volta ao Centenário e o abandono do Vale, a saída de Dunga, a entrada de Clemer, a volta de Leandro Damião ao time. Há muitas explicações para o Inter ter voltado às vitórias, e justamente contra um Fluminense que não perdia há oito jogos. O importante é que ela veio, para deixar de lado qualquer mínimo resquício de perigo de rebaixamento para trás, e projetar dias um pouco mais tranquilos.

Talvez a melhor explicação, ou ao menos parte dela, esteja justamente no adversário. O Fluminense que veio a Caxias do Sul era um time sem Diego Cavalieri, Gum, Carlinhos, Edinho, Fred e o técnico Vanderlei Luxemburgo. Uma equipe absolutamente desfigurada, e que por isso veio para se segurar. Nada disso tira o mérito do Inter, que não tem nada a ver com os problemas alheios e soube aproveitá-los para vencer, fazendo a sua parte. Mas é lógico que essa circunstância facilitou um pouco as coisas. Especialmente porque obrigou a equipe carioca a atacar bem menos do que gostaria, o que cai como uma luva para um adversário que toma muitos gols, como o Inter.
1º TEMPO: Inter muito semelhante ao de Dunga: jogo truncado
Nenhuma explicação da vitória pode deixar isso de lado, mas houve mudanças no próprio Inter também. Conforme falamos antes do jogo, Clemer deu suas pitadas no time que entrou em campo, embora ele ainda seja na essência totalmente dunguista. Essas mexidas foram Fabrício e principalmente Leandro Damião, que entrou com outro espírito desta vez: uma vontade visivelmente maior e uma grande simplificação das jogadas, preferindo a trombada ao drible desnecessário, se atirando na bola para tentar o gol em vez de se atirar no campo para pretextar falta. Isso fez toda a diferença.

A partida foi absolutamente sonolenta no primeiro tempo, mas já víamos que Damião estava com outra fome pelas disputas. O Flu, quando saía, era num chute de fora da área, preferencialmente por Jean ou Rafael Sobis. No segundo tempo, com a lesão de Jorge Henrique, Clemer colocou Caio, o que tornou o time mais agressivo. Aí sim o Inter passou a merecer o gol: exerceu pressão, mais no abafa que na qualidade técnica, mas o suficiente para acuar seu adversário. Quando o momento mais agudo já havia passado e o 0 a 0 se encaminhava, veio o gol de Damião, após dois desvios, sofrido, chorado, mas acima de tudo importante. Dá gosto ver o camisa 9 do Inter fazendo o simples em vez de enfeitar, metendo do jeito que dá para dentro do gol.
2º TEMPO: Inter mais ofensivo com Caio; Flu inverte laterais, mas é dominado
É muito cedo para qualquer tipo de empolgação, até porque a atuação colorada foi absolutamente comum. O Inter venceu porque, na prática, só ele mesmo poderia vencer este jogo. Derrotar um time quase reserva do Fluminense com grandes dificuldades é obrigação. Clemer não teve tempo de fazer grandes mudanças, embora tenha feito um treino tático no sábado, algo que Dunga não fazia, pasmem, desde o início de agosto. No entanto, viu-se uma equipe mais leve, um estádio que cantou mais a seu favor, e isso facilita em tempos difíceis.

Em tempo:
- Valdívia é a cara do Valdívia famoso. Espero que o apelido pegue.

- Desempenho gaúcho contra cariocas no Brasileirão é incrível. O Grêmio ganhou todos os cinco jogos que fez contra times do Rio. O Inter já acumula quatro vitórias, um empate e uma derrota. Em 33 pontos disputados contra equipes cariocas, os dois gaúchos levaram 28 para o sul.

Campeonato Brasileiro 2013 - 26ª rodada
6/outubro/2013
INTERNACIONAL 1 x FLUMINENSE 0
Local: Centenário, Caxias do Sul (RS)
Árbitro: Wilson Luiz Seneme (SP)
Público: 9.375
Renda: R$ 211.200,00
Gol: Leandro Damião 34 do 2º
Cartão amarelo: Willians, Fabrício, Leandro Damião, Rafinha, Bruno e Marcos Júnior
Expulsão: Fábio Braga 46 do 2º
INTERNACIONAL: Muriel (6), Gabriel (5), Índio (5,5), Jackson (5,5) e Fabrício (5); Ygor (5,5), Willians (5,5), D'Alessandro (6), Otávio (5,5) (Valdívia, 25 do 2º - 5,5) e Jorge Henrique (5,5) (Caio, 3 do 2º - 5,5); Leandro Damião (6,5) (Forlán, 41 do 2º - sem nota). Técnico: Clemer (6)
FLUMINENSE: Kléver (7), Bruno (5,5), Leandro Euzébio (5,5), Anderson (5) e Igor Julião (5); Fábio Braga (4,5), Jean (5,5), Wagner (5) e Rafinha (4,5); Rafael Sobis (5,5) e Biro Biro (4,5). Técnico: Antônio Lopes Jr. (5)

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