Repensar



O empate de hoje à noite na Arena deixou claro: o Grêmio precisa se repensar. Repensar seus objetivos, que agora precisam ser no máximo de se manter na zona da Libertadores, pois time que perde cinco de seis pontos disputados em casa não pode mesmo ser campeão brasileiro. Repensar a titularidade de alguns jogadores que visivelmente estão merecendo um banco de reservas. E repensar o esquema tático, que foi solução por um tempo, mas hoje, novamente, mais atrapalhou que ajudou.

No primeiro tempo, ficou claro que o 3-5-2 deve ser deixado de lado por um tempo. Diante de um Santos apenas médio, que veio a Porto Alegre satisfeito em apenas contra-atacar, o Grêmio teve imensas dificuldades. Não foi a primeira vez, em casa, que o time gaúcho teve problemas para agredir o adversário nesta formação. Todas as jogadas hoje nos 45 iniciais se resumiam a um mesmo modo: bola aberta para um ala cruzar para a área. Nada de Zé Roberto, nada de Riveros e Souza de deslocando pelo meio, nada de Kleber, muito menos de Barcos. O Grêmio teve controle territorial, mas quase não criou perigo. O Peixe, em seus raros contragolpes, era mais incisivo.

Renato, como de hábito, não quis mexer no intervalo. Seu time voltou com mais disposição, seguiu tendo o controle das ações, mas faltava a bendita criatividade. Foi quando, enfim, ele abriu mão do 3-5-2, tirando Bressan e colocando Elano, que voltou bastante participativo. As chances foram aumentando, mas a superioridade só ficou clara com a entrada de Vargas, pela primeira vez como meia, no lugar de Zé Roberto. Em seus primeiros 30 segundos como meia, o chileno fez fila e deixou Elano liberado para fazer 1 a 0. Pena que o Grêmio só tenha descoberto sua real posição na segunda quinzena de setembro. Não foi por falta de aviso.

Do seu gol até sofrer o empate, o Grêmio teve seus únicos bons momentos de bom futebol na Arena. Como já ocorria no primeiro semestre, Elano e Vargas funcionaram muito bem juntos e criaram oportunidades até para ampliar. O banco resolvia os problemas do time. Aí Willian José, ex-jogador do time adversário como Elano, saiu do banco como Elano, e empatou o jogo. Como Elano.

Se no primeiro tempo o 3-5-2 já mostrava sérios problemas, no segundo, com a visível melhora do time no 4-4-2, isso ficou ainda mais claro. Elano parece ter voltado bem, com mais explosão. É cedo para dizer que ele repetirá o futebol de 2012 de agora em diante, mas é preciso tentá-lo desde o início contra o Vitória, para dar mais toque de bola e inteligência a um time que, com três zagueiros, passou a viver só de balões para a área. Vargas é outro que merece chance como titular, e no meio. Zé Roberto sairia neste caso? Não necessariamente. Barcos e Riveros, os dois piores nomes gremistas contra Atlético-MG e Santos, vêm bem antes nesta fila. Um 4-2-3-1 com Zé, Elano e Vargas no meio é bem plausível.

Quanto à tabela, de nada pensar em título se o time não faz a sua parte. O negócio para o Grêmio é, no discurso, pensar jogo a jogo. Na prática, tentar fazer o seu sem deixar que Atlético-PR e Inter o ultrapassem. Amanhã, a distância para a saída do G-4 pode para cair para um mísero pontinho.

Em tempo:
- Público de Gauchão na Arena. Já passou a hora de repensar o preço dos ingressos - não só na Arena, que até apresenta uma média de público razoável, mas em todo o Brasileirão. Estádio novo só faz sentido se estiver cheio.

Campeonato Brasileiro 2013 - 22ª rodada
18/setembro/2013
GRÊMIO 1 x SANTOS 1
Local:
Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Péricles Cortez (RJ)
Público: 13.641
Renda: R$ 341.829,00
Gols: Elano 27 e Willian José 39 do 2º
Cartão amarelo: Cícero e Alison
GRÊMIO: Dida (5,5), Gabriel (5,5), Rhodolfo (5,5) e Bressan (5,5) (Elano, 16 do 2º - 6); Pará (5), Souza (6), Riveros (4,5), Zé Roberto (5) (Vargas, 26 do 2º - 6,5) e Alex Telles (5,5); Kleber (5,5) e Barcos (4) (Yuri Mamute, 43 do 2º - sem nota). Técnico: Renato Portaluppi (5)
SANTOS: Aranha (6), Galhardo (5,5) (Bruno Peres, 32 do 2º - sem nota), Edu Dracena (5,5), Gustavo Henrique (5) e Mena (5); Alison (5,5) (Pedro Castro, 36 do 2º - sem nota), Arouca (5,5), Cícero (5,5) e Montillo (5) (Willian José, 32 do 2º - 6); Thiago Ribeiro (5,5) e Gabriel (5). Técnico: Claudinei Oliveira (5,5)

Comentários

Rodrigo disse…
Situação complicada. O negócio agora é pensar em se manter no G-4 mesmo (que poderá ser G-3 ou G-5). Por mais um ano, infelizmente. Aliás, costumam dizer que a Copa do Brasil é um atalho para a Libertadores, mas acredito que no caso do Grêmio buscar essa vaga através do Brasileiro acaba sendo um objetivo bem mais realista.

Em relação ao Vargas, a tua análise é perfeita. Lamento que muitos torcedores tenham até chegado ao ponto de duvidar da qualidade desse jogador (enquanto, por outro lado, demonstram uma infinita paciência com o Barcos). Difícil de entender. Abraço!
Vicente Fonseca disse…
Acho que o Grêmio precisa manter a força nas duas frentes. De fato, chegar à Libertadores via Brasileiro é mais fácil, mas a Copa do Brasil é o título possível, e o Grêmio não está em posição de abrir mão de um título que está a seis jogos, por mais difícil que ele seja. É preciso aproveitar a má fase do Corinthians, por exemplo, e conseguir um bom resultado em São Paulo na quarta que vem.

Agradeço os elogios. Acho que o Vargas até não vinha mal como atacante, mas como meia é visível que ele rende mais, partindo de trás. Será que só agora se percebeu isso? Contrataram o cara sem ver um videozinho sequer dele na Universidad de Chile?

Abraço!
Lourenço disse…
Mas o Vargas não era meia na La U, também. Parece que o problema maior dele no Grêmio é quando ele joga numa ponta, longe do gol, tornando-se um jogador não perigoso. Ele precisa ter essa liberdade para buscar jogo e concluir na área, perto do centroavante.
Vicente Fonseca disse…
Na U. de Chile ele partia de trás. Não era um organizador, um camisa 10, mas tinha posicionamento de meia (jogava de frente) e função de atacante.

Hoje comentamos no Carta na Mesa: o Vargas, posicionado como meia, tem tudo para ser um atacante muito melhor do que se estiver posicionado de atacante. Paradoxal, mas ontem se viu que é verdade.