Baixo astral



A derrota para a Ponte Preta (19º, 19) escancarou os problemas do Corinthians (7º, 30). É verdade que os gols da vitória do time de Campinas (7 mil) vieram só aos 42 e 48 do segundo tempo, mas quem viu sabe que a Macaca foi superior. Antes sinônimo de organização, o Timão, que ainda tem de longe a defesa menos vazada do Brasileiro, permitiu que o time da casa criasse oportunidades quase que o tempo todo, especialmente através do experiente Adrianinho e das boas chegadas do volante Fellipe Bastos. Por outro lado, o campeão mundial chegava basicamente através de bolas paradas.

Tite já ganhou de volta Pato e Guerrero, as referências que ele tanto pedia, mas seu time só piora. A goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo, que tinha tudo para ser um marco na caminhada do Timão rumo à disputa do título, foi, parece, um último suspiro de grandes partidas da equipe no Brasileiro. De lá para cá, o Timão ganhou só um ponto em 15 disputados, e ele foi contra o lanterna Náutico, no Pacaembu. A disputa de título já era, e não foi ontem que acabou: já são 19 pontos de distância para o Cruzeiro. Para o G-4, segue de cinco, mas pode subir para oito hoje, se o Atlético-PR derrotar o Flamengo no Maracanã.

O ciclo de Tite no Parque São Jorge, parece, se encerra ao final do ano. Não que ele seja o culpado por tudo, ao contrário, mas desde o começo de 2013 é visível que o time não é mais tão eficiente quanto foi nas duas temporadas anteriores. Pato, de atuação bisonha no Moisés Lucarelli, não combina com o estilo da equipe. Ou se forma um time a partir dele, um novo conceito de equipe, ou ele vira opção. Tentar colocá-lo nesta engrenagem, ao que parece, não funcionará.

A primeira opção, aliás, é até mais plausível que a segunda, já que o Corinthians campeão do mundo tinha em Paulinho uma peça imprescindível. Aquela mecânica de jogo dependia muito de seus avanços ao ataque. Sem esse elemento-surpresa, o Timão se tornou um time previsível - e bem vencível.

Rio de Janeiro: cinco anos depois de cair, o Vasco (17º, 24) parece condenado ao abismo outra vez, algo que não surpreende quem acompanha o time desde o início do ano. A derrota em pleno São Januário (6 mil) para o Vitória (6º, 30) é emblemática: o time cruz-maltino dominou no início, abriu o placar, mas recuou (quem precisa do resultado recua naturalmente por insegurança, e permite o crescimento do adversário) e cedeu a virada dolorosamente no finzinho. Na maluquice do Brasileirão, o time baiano, de candidato ao rebaixamento, em duas rodadas começa a encostar no G-4 novamente. A distância do Rubro-Negro para o Vasco é de apenas seis pontos - e 11 posições.

Curitiba: dois times sem grandes riscos de queda e sem grandes chances de chegar à Libertadores, Coritiba (8º, 30) e Goiás (9º, 30) fizeram um jogo franco no Couto Pereira (8 mil). O 2 a 2 reflete bem o que foi a partida.

Criciúma: aos poucos, o trabalho de Luxemburgo no Fluminense (10º, 29) vai encaixando. Nos 2 a 1 sobre o Criciúma (16º, 24), a equipe teve forças para virar um jogo difícil, no caldeirão do Heriberto Hülse (10 mil), com dois gols do lateral Bruno. O resultado começa a fazer o Flu desgarrar da turma de baixo e o permite sonhar com a de cima, se mantiver o embalo. Já o Tigre consegue o quarto resultado frustrante seguido, e só não está entre os rebaixados porque o Vasco consegue ser ainda pior. Mas o risco de queda só aumenta.

São Paulo: com mais uma atuação segura, o São Paulo (13º, 27) se afastou um pouco mais da zona de rebaixamento. Diante de 29 mil pagantes, bateu o Atlético-MG (12º, 28) e acabou com a série invicta do rival que o eliminou da Libertadores. Campanha típica de Muricy: em três jogos, o técnico obteve três vitórias, duas delas por 1 a 0, e o time ainda não sofreu gols. É cedo para se empolgar com algo melhor, mas o risco de queda parece estar ficando mesmo para trás.

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