Líder com estilo

O Atlético/MG provou que está preparado para fazer uma grande campanha no Campeonato Brasileiro. No seu teste mais difícil na competição até agora, o Galo passou com louvor. Enfrentou um Olímpico quase lotado, empolgado pela estreia de Zé Roberto e venceu fora de casa um adversário que tem qualidade, tanto que poderia ter terminado a rodada na vice-liderança se vencesse. E com um gol antológico, claro, coroando um dos melhores jogos da competição neste ano até agora.

O Grêmio fez um bom primeiro tempo. Zé Roberto na articulação foi como colocar Jimo Penetril numa porta emperrada. As jogadas fluíam, pelos lados ou pelo meio. Luxemburgo surpreendeu ao escalar Anderson Pico, e ele teve um primeiro tempo de bons apoios pelo lado esquerdo. Marcelo Moreno aparecia bem, se antecipando à firme zaga atleticana, Kleber ia bem no jogo de corpo. Mas o Atlético/MG era liso nos contra-ataques.

Depois de minutos iniciais de pressão, o Galo emparelhou o jogo. Chegou ao gol em seu primeiro ataque realmente perigoso, numa jogada fantástica de Bernard, que teve conclusão de extrema categoria de Jô, que fez uma partida como nenhuma outra nos tempos de Inter. Só que o gol atleticano acordou o Grêmio, que terminou o primeiro tempo pressionando e muito próximo do empate.

Não eram necessárias mudanças, mas Luxemburgo resolveu alterar a formação do time. Léo Gago realmente errava demais, mas Rondinelly entrou muito mal no jogo. Tony não surtiu efeito pela direita. O time acabou ficando mais exposto e não ganhou em criatividade. O resultado foi um segundo tempo dominado pelo Atlético/MG, que se defendia muito bem das investidas gremistas e levava grande perigo nos contra-golpes. Ronaldinho cresceu, inclusive. Danilinho perdeu gols incríveis, mas ele e Bernard tanto atacavam em velocidade como ajudavam demais no combate aos laterais gremistas quando estes iam ao apoio. Importantíssimo papel tático.

Além de Bernard e Jô, o destaque no Galo vai para a bela atuação da dupla de zaga formada por Leonardo Silva e Rafael Marques. No combate individual a Kleber e Marcelo Moreno eles nem sempre levaram vantagem, mas no jogo aéreo foram praticamente perfeitos. O Galo chega à liderança do Campeonato Brasileiro ao conquistar sua terceira vitória fora de casa em quatro partidas. A atuação no Olímpico foi para não deixar dúvidas sobre as possibilidades do time.

Para o Grêmio, o resultado é obviamente decepcionante. Além de sair do G-4, o pior é saber que os dois próximos jogos são dificílimos, contra Santos e Cruzeiro, e fora de casa. Mas apesar de tudo, não há motivos para desespero: a distância para as equipes que ponteiam a tabela segue pequena, e a entrada de Zé Roberto já melhorou a criação - o número de chances criadas foi grande, principalmente no primeiro tempo. Difícil é manter qualquer otimismo diante do cenário de jogar longe de casa duas vezes - embora as maiores tragédias do 2012 gremistas tenham ocorrido na Azenha mesmo.

Em tempo:
- Expulsão absolutamente injusta de Anderson Pico. Falta critério a Paulo César Oliveira. É um engano, porém, atribuir a derrota ao cartão vermelho mal aplicado. O Grêmio não criou praticamente nada no segundo tempo, antes mesmo de ficar com 10 homens.

- Ótimo recomeço de Marcelo Grohe na titularidade. Salvou ao menos dois gols feitos.

Campeonato Brasileiro 2012 - 7ª rodada
1º/julho/2012
GRÊMIO 0 x ATLÉTICO/MG 1
Local: Olímpico Monumental, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Paulo César Oliveira (SP)
Público: 34.550
Renda: R$ 695.960,00
Gol: Jô 25 do 1º
Cartão amarelo: Fernando, Vilson, Serginho, Leandro Donizete e Jô
Expulsão: Anderson Pico 36 do 2º
GRÊMIO: Marcelo Grohe (7), Edilson (5) (Tony, intervalo - 4,5), Vilson (5,5), Gilberto Silva (5,5) e Anderson Pico (6); Fernando (5) (André Lima, 29 do 2º - 4,5), Souza (6), Léo Gago (4,5) (Rondinelly, intervalo - 4) e Zé Roberto (6); Kleber (5,5) e Marcelo Moreno (5,5). Técnico: Vanderlei Luxemburgo
ATLÉTICO/MG: Giovanni (6,5), Serginho (6) (Marcos Rocha, 46 do 2º - sem nota), Rafael Marques (6), Leonardo Silva (6,5) e Júnior César (5,5); Pierre (6), Leandro Donizete (6), Danilinho (5,5) (Escudero, 35 do 2º - 4,5) e Ronaldinho (6,5); Bernard (7,5) (Richarlyson, 43 do 2º - sem nota) e Jô (7). Técnico: Cuca


Comentários

Anônimo disse…
É verdade que o Grêmio criou muito pouco para vencer o jogo, sucumbindo à marcação do Atlético. Agora, a cera que fizeram foi algo que eu não vi desde o jogo com o Caxias no ano passado. E ninguém cobrou nada do juiz, mesmo porque não iria adiantar muito. Vendo jogos assim em que metade do tempo é gasto em paralisações, às vezes penso que deveriam adotar a mesma marcação de tempo do futsal, que só conta o tempo de bola em jogo. Não tornaria o jogo mais rápido, mas pelo menos a maioria dos “atendimentos médicos” em campo iria acabar.

Tiago
Vicente Fonseca disse…
Achei ótimo o Grêmio não ter posto a bola para fora nestas ocasiões. O fair play é a institucionalização da cera, é torná-la politicamente correta. Tanto que o Pierre, que estava "lesionado", se levantou correndo quando viu que o Grêmio atacaria e não colocaria a bola para fora para seu atendimento "médico".
Igor Natusch disse…
Não achei que o Grêmio tenha piorado no segundo tempo. Para mim, o jogo ficou mais ou menos igual ao que era desde o gol do Galo: o Grêmio tentando atacar e criando chances mais na sorte que no talento, com o visitante especulando forte nas saídas em velocidade. O que mudou foi a compactação do Atlético-MG, bem maior no segundo tempo. E Rondinelly realmente não entrou bem.
Marcelo disse…
Achei que o Luxemburgo mais uma vez errou nas alterações. O Grêmio chutou pouco a gol, talvez o Miralles que chuta bastante de fora da área pudesse dar uma contribuição melhor.
Lique disse…
é uma pena a expulsao do pico. como já dito mil vezes por todos, se ele cuidar do físico, tem um bom potencial. começar assim com expulsao é muita sacanagem. passível de processo por danos morais ao juizao. heh
Diogo Terra disse…
A expulsão do Anderson Pico não foi injusta. Foi obscena. Tipicamente brasileira, na linha da SPA - Síndrome da Pequena Autoridade - que assola quem quer que ache que manda alguma coisa.
Vicente Fonseca disse…
Igor: achei que houve piora bem acentuada do time no segundo tempo. A equipe continuou com bastante posse de bola no ataque, mas chegou bem menos na área e ficou muito mais exposta. As chances claras foram quase todas do Atlético. No primeiro tempo, quase só deu Grêmio.

Acho que o Pico fez um bom jogo. Achei extremamente injustas as vaias que alguns fizeram contra ele após a expulsão. Não devia ter levado o vermelho e teve boa atuação.
Igor Natusch disse…
Atribuo as vaias à irritação de alguns pela expulsão que não viram direito e acharam irresponsabilidade do cara. Pelo futebol jogado, nenhum sentido. Teve atuação bem razoável. E olha que quem me conhece sabe que sou CRITICO FEROZ dele desde que fardou pelo Grêmio pela primeira vez.

PORÉM, para não perder o hábito, digo que vi INÚMERAS vezes o Pico no meio do gramado, quase no círculo central mesmo, ao invés de abrir pela esquerda. Continua tendo a consciência tática de um quero-quero, pelo visto. Que Luxa o salve.
Marcelo disse…
Engraçado que tem "especialista" na zh hoje defendendo o fim do esquema com três volantes. Os caras ganham pra isso e não conseguem ver que no primeiro tempo o Grêmio teve muito mais chances de gol.
Vicente Fonseca disse…
Sim, reparei isso também. Por vezes ele se comportou como um meio-campista. Isto não é algo necessariamente ruim, desde que o cara não afunile o jogo, como aconteceu muito ontem, e não só com ele.
Davi disse…
O time do Galo é melhor que o Gremio tecnica e taticamnete, e ainda tem mais velocidade, alias, o time do Gremio é muito lento, se tivesse mais velocidade seria muito mais forte.
Acho que o Marcelo Moreno produz muito pouco, Jo foi muito melhor do que ele,se continuar assim até o fim do ano sera melhor Gremio se desfazer dele e trazer o roger da Ponte preta. Vilson foi mal, os laterais nao renderam bem, vender o M. Fernandes prejudicou muito o time, seria um grande acrescimo pela direita e ontem ele fez falta.
E o Kleber tem que jogar mais, essa historia de que falta ritmo é uma desculpa exagerada, o Zé Roberto com seus 38 anos estreou ontem voltando ao Brasil e ja foi bem.
Igor Natusch disse…
Gostei do Kleber ontem. Aliás, venho gostando dele. O problema é que vem sendo pouco municiado e acaba tendo que buscar a bola, tendo a posse dela sempre longe do gol. Ou seja, não acho que seja problema dele, é um problema do meio-campo que estoura nele. E no Moreno também, ainda que ele realmente esteja aquém do que vinha sendo. Enquanto não acharmos um meio-campo capaz de criar jogadas com mais frequência e rapidez (o que passa também por boa abertura dos laterais, por ex), nenhum atacante vai dar realmente certo nesse time.
Vicente Fonseca disse…
A jogada de corpo que ele fez quando limpou dois marcadores dentro da área no primeiro tempo me lembrou o melhor Kleber dos tempos de Palmeiras e Cruzeiro. Mas concordo que tá faltando o gol. Também acho que os poucos gols de atacante não são problema só deles, mas da criação. Moreno é um ótimo centroavante, não precisa trazer outro, como ouvi alguns defendendo.
Luiz Paulo Telo disse…
Não sei porque o Luxemburgo não adota a fórmula mágica da nossa crônica esportiva local. Todos os times do mundo tem que jogar com dois volantes e dois meias.
Chico disse…
Luxemburgo = novo Paulo Autuori