A volta de Pelaipe

A dita revolução no futebol do Grêmio podia contar com um homem de oposição na vice-presidência de futebol e um novo treinador. Mas assume Paulo Pelaipe, um velho conhecido colega de Paulo Odone. Trabalhou três anos no futebol gremista recentemente: da queda de Mário Sérgio à chegada de André Krieger. Os primeiros 18 meses com Renato Moreira a seu lado; os outros 18, sozinho.

Pelaipe não será o vice de futebol, mas sim o diretor executivo remunerado. Não entra no lugar de Antônio Vicente Martins, mas no de Alexandre Faria. No entanto, será um diretor muito mais atuante que qualquer outro que tenha por ali passado. Não será o vice propriamente dito, mas terá poder e força de atuação, intrínsecos à sua personalidade, tão grandes ou até superiores ao do futuro vice-presidente.

O futebol do Grêmio terá, portanto, dois homens: Pelaipe e mais um. Isso, por si, já é quase uma revolução. Outra é o estilo de Pelaipe: de cara, já disse que Lins, por exemplo, não tem condição de vestir a camisa tricolor. Fala demais, é por vezes mal educado, cria confusões. Por outro lado, põe ordem na casa, mobiliza e, acima de tudo, conhece do assunto. É homem de vestiário. E tem grande poder de observação.

Quero crer que é justamente por isso que Pelaipe está voltando. Os grandes momentos do Grêmio pós-Aflitos são com times baratos e eficientes. Nos últimos anos, notadamente após a chegada de Duda Kroeff (mas que continuou com Odone este ano), as equipes são bem mais caras e obtêm resultados inferiores. Pelaipe tem grande participação no "bom e barato" de 2006, 2007 e 2008. Ele ajudou a montar o Grêmio vice da Libertadores e vice Brasileiro com orçamentos reduzidos. Trouxe nomes como Victor, Réver, Diego Souza, William, entre outros. O Grêmio precisa acertar mais nas apostas que faz em vez de assumir contratos longos com jogadores de retorno duvidoso, caso recente de Marquinhos, por exemplo.

Resta saber quem será o técnico. Julinho Camargo é contemporâneo de Pelaipe no Grêmio. Pode bancá-lo. No entanto, técnicos de "fala mansa", como ele, não costumam ter a admiração do novo dirigente. Seria a volta de Roth? O tempo dirá, e não demoraremos muito a saber. Se Pelaipe dará certo ou não, também são outros quinhentos. Mas, apesar de todos os riscos que sei que corro ao afirmar isso, é um homem com o perfil que o Grêmio precisa para o momento.

Em tempo:
- Carta na Mesa entra ao ar hoje à noite.

Comentários

samir disse…
Pq contrataram o Alexandre Faria, alguém pode me explicar?

Não sou mto fã do pelaipe, mas na atual situação, penso q ele e Roth são os nomes ideais para remobilizar o time. Do jeito que está, o pior acontecerá!