Suando frio

Quando Lúcio comemorou com vibração de um gol de título o fato de ter tirado com um carrinho salvador em cima da linha aquele que seria um novo empate do Atlético/MG, tivemos o retrato do que foi o Grêmio nesta quarta-feira: um time inegavelmente mais dedicado, onde todos "ralaram a bundinha no chão" como mandou Pelaipe. Mas também um time com sérios problemas defensivos, e que por isso - e outros tantos motivos - mais uma vez não venceu.

O Grêmio tem problemas em seus três setores, e isso não é de hoje. O de ataque é o mais agonia: o time chuta pouco e tem uma dificuldade imensa de penetrar, de criar situações. A entrada de Leandro no segundo tempo melhorou demais a equipe neste sentido. Mas não é na frente que reside a dificuldade mais urgente de ser tratada: é atrás. Primeiro, porque todo time desarrumado, desajustado, bagunçado, deve começar de trás para a frente, ajeitando a defesa. O Grêmio vai voltar a vencer em casa quando parar de perder fora. Jogará menos pressionado no Olímpico deste modo. E o time só conquistará isso com uma defesa confiável. A partir dela, tudo melhora - inclusive o ataque.

Em 6 jogos na Azenha, Julinho Camargo viu seu time sofrer 7 gols. É pouco, média realmente baixa. Mas isso não quer dizer que a defesa seja boa. O Grêmio dos últimos jogos parte para cima do adversário, controla o jogo e perde por erros defensivos. O América chegou apenas uma vez ao gol de Victor quarta passada: foi o que bastou para marcar e impedir a vitória gremista. O Flamengo, no sábado, foi dominado em boa parte do jogo, mas chegou duas ou três vezes e fez dois gols. Já o Atlético/MG, nesta quarta, quando atacou o Grêmio conseguiu dois empates. Postou-se atrás por medo de perder um jogo que teria vencido, caso fosse mais ousado.

O empate um minuto após o primeiro gol é imperdoável. Foi um alívio que durou 60 segundos e esfriou o Olímpico, deixando o time ainda mais nervoso. Houve a sorte de um 2 a 1 conquistado num pênalti inexistente marcado sobre Mário Fernandes. Em vez de 60, foram 600 segundos de manutenção do resultado. Leonardo Silva, bem como o atacante baixinho do Oriente Petrolero, fez gol de cabeça na defesa gremista abaixado. Antes disso, o Atlético/MG teve pelo menos três grandes oportunidades para chegar ao 2 a 2. A descrita na frase que inicia este texto foi só a primeira delas. Em 10 minutos de vantagem, o Grêmio cedeu quatro oportunidades ao Galo. É óbvio que uma delas entraria.

O resultado é péssimo, ainda mais com a perspectiva de ver o Palmeiras, sábado, no Canindé. Fica de positivo apenas a postura de maior entrega dos atletas, que marcaram muito, com extrema dedicação. De resto, pura preocupação. Há muito trabalho pela frente, de treinamento mesmo: posicionamento defensivo, bolas paradas, movimentação, padrão de jogo, nada disso o Grêmio tem (e aí está a culpa de Renato Portaluppi). Julinho Camargo parece perdido. Escalou um time com 3 volantes e Escudero como articulador, onde ele não funciona. Apesar de Pelaipe o garantir no cargo, não creio que terá vida longa.


Comentários

Igor Natusch disse…
Julinho Camargo cairá, possivelmente antes do jogo contra o Palmeiras. Pelo mais elementar e, honestamente, mais justo dos motivos: a aposta não deu resultado. Sem uma herança dos dias de Renato Portaluppi (e isso é muito bem frisado no texto), Julinho está precisando reconstruir o Grêmio desde o princípio, trocando vários pneus com o carro andando e perseguido por bandidos que atiram sem parar. Ele não tem condições de fazê-lo. Simples assim. E tudo que envolve a partida de ontem, desde a má escalação inicial até o tom de quase blefe da coletiva pós-jogo, mostra isso.

Creio que não é Pelaipe, e sim Odone quem tomará (ou já tomou) a decisão. Foi aposta dele e ele não parece mais disposto a bancar. E Celso Roth virá, pela ducentésima vez, para apagar o incêndio. Gostaria de acreditar que desta vez haverá um trabalho sólido rumo a uma equipe competitiva, ao invés da insistência maníaca nas mesmas soluções emergenciais repetidas meses a fio. Mas não acredito muito, sinceramente.

Celso Roth transformado em mantra salvador demonstra claramente a deprimente decadência do nosso futebol.
Vicente Fonseca disse…
Eu acho perfeito PARA O MOMENTO. Não é a primeira nem a última vez que Roth vem para salvar a pátria. Em 2000, o Grêmio o trouxe em meio a um péssimo Brasileiro e terminou entre os quatro melhores. Mas 2001 teve sucesso porque a direção trouxe Tite, para começar um novo trabalho. Começar com Roth, dar-lhe tempo, opções, LONGO PRAZO, não dá. Para tiro curto, serve muito.

Mas será tiro curto? Tomara.
Sancho disse…
Eu não demitiria jamais o Roth. Deixaria-o permanentemente na comissão técnica. Em tempos de aperto, ele assumiria o time, salvaria a barca até a chegada de alguém para recomeçar um trabalho a longo prazo; quando ele retornaria a ser assistente.
Vicente Fonseca disse…
Foi a sugestão do Batata após o programa de hoje, Sancho. Celso Roth seria um excelente auxiliar técnico.

Pena que seu ego não lhe permitiria ficar só na de auxiliar...