Os malefícios da timidez
INTER 1 x 1 BAHIA
Mais do que frustrante, o empate colorado contra o Bahia mostrou-se impressionante, no mau sentido. Afinal de contas, o Inter demonstrou, com argumentos bastante convincentes, que é uma equipe muito superior ao tricolor da Boa Terra, e poderia ter vencido com folga e autoridade inquestionável. Porém, recuou inexplicavelmente no segundo tempo, deixou-se levar pelas circunstâncias e acabou cedendo o empate de forma quase inexplicável. Mais do que ganhar um ponto, o Inter deixou dois escaparem pelos dedos, e observa de uma distância cada vez maior a briga pela ponta da tabela.
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Na coletiva, Osmar Loss se disse aliviado por entregar o Inter em boas condições para Dorival Jr - que, por motivos que só o exuberante planejamento colorado poderia nos explicar, só assume na terça-feira, quase uma semana depois de ser contratado. Penso, no entanto, que a afirmação não dá testemunho da verdade, digamos assim. Ou melhor, poderíamos considerá-la verídica até os primeiros minutos do segundo tempo, quando o Internacional começou a rumar, de forma convicta e um tanto incompreensível para dentro da própria meta. O objetivo era proteger o 1 a 0 - placar que não só podia, como deveria tentar ampliar.
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Porque o Bahia, senhoras e senhores, mostrou-se lamentavelmente frágil. Mesmo com o Inter crivado de desfalques (o último deles, Andrezinho, supostamente pediu para não ir à Bahia porque estava nos últimos detalhes para acertar com o Fluminense), o dono da casa jogou a primeira etapa como time pequeno: recuado, medroso, incapaz de olhar com firmeza nos olhos do adversário. E o Internacional, que nada tem a ver com o complexo de inferioridade alheio, tomou com gosto as rédeas da partida.
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Fez um gol, por intermédio do implacável Leandro Damião, e poderia ter feito vários outros - um deles, perdido de forma esdrúxula por Tinga no apagar das luzes da primeira etapa, entrará para o anedotário nacional como um dos gols mais imperdíveis da história do Brasileirão. Seja como for, o Inter era folgadamente superior. Porém, sabe-se lá por quais motivos, achou que era mais prudente segurar o placar no segundo tempo. Parecia o rapaz tímido que prefere ficar no balcão do bar, escondendo-se atrás de uma cerveja, por mais que a mocinha do outro lado do salão sorria de forma insinuante e ajeite o cabelo sem parar.
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A expulsão de Fabinho aos 15mins, deixando o Bahia com um jogador a menos, não foi suficiente para demover o Inter de sua postura acanhada, à beira da covardia. A punição veio a galope, em um pênalti cometido por Índio, em consequência de uma das pressões mais pobres tecnicamente que se viu em muito, muito tempo. Mas o Inter chamou o Bahia, e o Bahia aceitou o convite, mesmo tropeçando nas próprias pernas. E a vitória certa virou um empate cujo sobrenome é frustração.
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A postura colorada foi, me perdoem a franqueza, inadmissível e incompatível com um clube que, mesmo desfalcado, mostrou-se muito superior ao adversário. Há muita reclamação do vestiário contra a arbitragem de Gutemberg de Paula Fonseca, e pouca indignação com o comportamento do próprio time dentro de campo. Esperam, talvez, que Dorival Jr coloque ordem na casa e conduza o plantel do Inter à realização efetiva de seu potencial. Não é uma expectativa delirante, longe disso - mas caberá ao novo treinador bem mais do que distribuir coletes nos treinos coletivos.
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Comentários
Isso, sinceramente, não é covardia. O Inter só não conseguiu o domínio da bola e a criação de mais chances porque tem volantes insuficientes na saída de bola. WM e Élton erraram muitos passes, ficaram pouco com a bola e tentaram demais a ligação direta. Pode ser uma orientação, sem dúvida, mas se o Inter tivesse jogadores com melhor saída de bola no início da meia cancha, como o Guiñazu, não teria recuado tanto.
Acho que as críticas de hoje se devem mais ao histórico de covardia do Loss do que pelo jogo em si. Dá para dizer que ele teve uma leitura de jogo ruim, também: se Tinga tivesse recuado para a intermediária defensiva para fazer o que muitas vezes D'Alessandro faz, que é armar o jogo desde a defesa, o Inter teria dominado mais a partida.
No mais, o João Paulo foi uma grata surpresa.
http://globoesporte.globo.com/jogo/brasileirao2011/14-08-2011/bahia-internacional.html
Observem: 37 passes errados, um número muito alto. Élton, como eu falei, errou demais: foram 7. Mas Wilson Matias só errou um - Tinga, que eu disse que qualificaria a saída de bola, erra 5.