A arrumação começou
PALMEIRAS 0 x 0 GRÊMIO
Celso Roth não fez nada de mais. Definiu Adílson como solução emergencial na lateral direita, tentou acertar o posicionamento defensivo, fez de tudo para mexer com os brios do grupo de jogadores e conquistou um respeitável empate sem gols contra o Palmeiras, que ainda não havia perdido pontos em sua casa adotiva, o Canindé. Depois de dois míseros treinos, assumindo a nau gremista em meio à tempestade, seria incoerência pedir algo muito melhor.
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O novo (de novo) treinador gremista coleciona antipatias, mas mesmo os mais ferozes detratores concordam: o homem tem as manhas e sabe arrumar a casa. Especialmente porque sabe que, quando não dá para ganhar, o que conta é não perder. Assim foi hoje. O 4-5-1 foi visível, ainda que em vários momentos Leandro tenha ganho mais liberdade na frente, o que transformava o desenho tático em algo próximo do 4-4-1-1. Emissoras de RJ e SP reproduziram intensamente por aí o clichê do "ferrolho" de Celso Roth, o que apenas deixa claro que elas não devem ter assistido a partida com a devida atenção. Porque o Grêmio foi resguardado, sim, mas não abdicou de tentar o ataque quando sentia um pouco mais de firmeza na jogada. E convenhamos que uma segunda linha que apresenta Lúcio e Douglas não pode ser considerada um exemplo de retranca.
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A amostragem é pequena, mas já fica claro que Celso Roth não fugirá de seu modo tradicional de encarar o futebol. Os setoristas já informam que os treinos de posicionamento defensivo voltaram ao Olímpico, algo bastante perceptível já na partida de hoje. Não que o Palmeiras seja um time conhecido pela bola aérea, mas o fato é que a zaga de Vilson e Rafael Marques foi um pouco mais segura do que de costume, especialmente por estar bem guarnecida - em especial por Adílson, improvisado na lateral, mas que seguidamente fechava quase como um terceiro zagueiro. Como Collaço também não é um apoiador de encher os olhos, a primeira linha defensiva gremista ficou bem fincada, o que enfraqueceu o apoio, mas solidificou a defesa. Bem do jeito que Roth gosta.
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Contra o Fluminense, será preciso fazer mais. Douglas, por exemplo - foi inegavelmente voluntarioso, correu, ajudou na marcação, até levou amarelo depois de um carrinho meio desnecessário na intermediária. Mas armou muito pouco - especialmente porque quase ninguém encostou nele durante o jogo. Lúcio, de novo, foi muito mal, de forma que a perda de posição para Escudero tende a ser questão de tempo. Leandro perdeu um gol feito, teve dificuldades em ajudar na criação, e talvez seja adequado deixar o guri no banco por alguns jogos, abrindo espaço para Miralles - que entrou bem no jogo, uma vez mais. São ajustes que precisam ser feitos, até porque empatar em casa de novo não é opção. Mas Celso Roth, pela quarta vez, estreia sem perder - e ninguém em sã consciência pedia mais que isso dele nesse momento.
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Comentários
Gostaria, também, que o Alemão pegasse a vaga do Rochemback e o Escudero (ou Pessali ou Mithyuê) ficasse na vaga do Lúcio.