Vitória de quem errou menos

Corinthians x Inter é um clássico do futebol brasileiro desde 1976, e que ganhou muito em rivalidade nos últimos anos. E clássico, diz o chavão, é decidido no detalhe. Foi o caso desta noite: ganhou quem errou menos. E o Corinthians de Tite, temos visto desde que o Brasileirão começou, errou pouquíssimo. Quase nada.

Foi um jogo intenso, peleado e equilibrado. Uma partida completa, com todos os componentes de um jogaço de bola. Houve alternância de domínio. No começo, o Corinthians procurava mais o gol. Tinha mais a bola, mas levava pouco perigo. Tite arma seu time num 4-3-3 equilibrado, sem megalomanias. Aliás, o Timão só tem uma compulsão: marcar. Faz isso o tempo todo. Com vários jogadores. E não só os efetivos volantes Ralf e Paulinho: Jorge Henrique, Willian, Alex, os laterais, todos levam o achicar muito a sério. É um time obsessivo, detalhista. Erra pouquíssimo. E sabe jogar no erro do adversário.

O jogo foi ótimo porque o Internacional soube fazer o enfrentamento. Jogou bem, especialmente no primeiro tempo. A segunda metade da etapa inicial foi colorada. Com um time compactado e de alta qualidade técnica, o Inter deixou o ímpeto inicial corintiano arrefecer para adonar-se da meia-cancha através da experiência de seus meio-campistas. Guiñazu foi impecável na contenção. Bolatti, finalmente, fez boa partida sob o comando de Falcão, marcando bem e saindo com qualidade. D'Alessandro movimentou-se muito, envolvente, fazendo boa dupla com Zé Roberto. Se Oscar e Leandro Damião estivessem no nível dos demais, a história poderia ter sido outra. Mas são os dois melhores jogadores do time no campeonato, têm crédito para irem mal vez que outra.

O jogo cresceu ainda mais no segundo tempo. O papo de Tite foi bom no intervalo. O Corinthians retomou a fome pelo gol e voltou a encurralar o Inter, que tinha seus ataques, mas já sem a mesma intensidade. O gol de Willian, aos 31 minutos, ocorreu na milésima falha de Nei (de tanto o Timão insistir por ali, uma hora deu certo), num momento onde o time gaúcho já parecia se contentar com o empate, diante das substituições de Falcão feitas no minuto anterior, como a entrada de Glaydson. Foi o lance do erro vermelho: defesa fora do lugar, gol do Corinthians, que não perdoou na frente e nem errou atrás. O Inter sim, e pagou com a derrota por isso.

A atuação do Internacional anima os colorados por um lado. O time mostrou que é bom e não deve muito em qualidade para o líder absoluto da competição. No entanto, após pegar vários adversários fracos e pontuar, o Inter cai pela segunda vez seguida em um teste difícil na mesma semana, e isso não é bom sinal. Outro problema são as carências do elenco, escancaradas com as entradas dos desconhecidos Alex e Gilberto na hora de reverter o resultado adverso. O time titular é de ótimo nível, o banco é totalmente aquém das necessidades. Isso pesa muito em uma competição longa.

A distância de 10 pontos para o Corinthians, e com um jogo a mais já feito, também pesa. Mesmo assim, o Campeonato Brasileiro está longe de uma definição. Há comentários apressados que já dão o Timão como campeão com incríveis 29 rodadas de antecipação. Tenho visto precipitação...

Em tempo:
- Discordo de quem viu o árbitro prejudicando o Internacional. Ricardo Marques Ribeiro é, simplesmente, péssimo. Não deu falta clara em Leandro Damião, assim como não deu sequer amarelo para Bolívar após acertar Liédson três vezes com violência. Foi caseiro em alguns lances duvidosos, assim como não deu pênalti de Juan, que acertou cotovelaço em atacante paulista dentro da área. Repetir à exaustão que o Corinthians só ganha porque é favorecido é não enxergar o ótimo trabalho que Tite vem fazendo. E pura teoria da conspiração.

Campeonato Brasileiro - 12ª rodada (jogo adiantado)
14/julho/2011
CORINTHIANS 1 x INTERNACIONAL 0
Local: Pacaembu, São Paulo (SP)
Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG)
Público: 35.158
Renda: R$ 1.197.654,50
Gol: Willian 31 do 2º
Cartão amarelo: Zé Roberto e Juan
CORINTHIANS: Júlio César (6), Weldinho (5,5) (Wallace, 39 do 2º - sem nota), Chicão (6), Leandro Castan (5,5) e Fábio Santos (5,5); Ralf (6), Paulinho (6) e Alex (5,5); Willian (6,5) (Edenílson, 39 do 2º - sem nota), Liédson (4,5) (Emerson, 18 do 2º - 6) e Jorge Henrique (5,5). Técnico: Tite (6,5)
INTERNACIONAL: Muriel (6), Nei (3,5) (Gilberto, 41 do 2º - sem nota), Bolívar (5,5), Juan (6) e Kleber (5,5); Guiñazu (6,5), Bolatti (6) (Glaydson, 30 do 2º - 5), D'Alessandro (6) e Oscar (5); Zé Roberto (5,5) (Alex, 30 do 2º - sem nota) e Leandro Damião (4,5). Técnico: Paulo Roberto Falcão (6)


Comentários

Corinthians já é o campeão. Me cobrem.
E li o texto todo. Quero ser precipitado mesmo.
Vicente Fonseca disse…
hashdhahaha

Tava com saudade dessa figuraça.
Prestes disse…
Uma derrota doída, mas a atuação anima mesmo.
Prestes disse…
PS: Guiñazu jogou dimooooois
Prestes disse…
PS2: Eu odeio o Jorge Henrique.
Mário disse…
O discurso colorado contra a arbitragem é absurdo: o lance capital foi a cotovelada do Juan no Emerson (Wianey e Nando Gross dizendo que "não foi cotovelada" é absurdo). Seria pênalti e cartão vermelho. O resto são erros de jogo, embora demasiados ontem.

De resto, Tite comprova que é bom treinador, apesar do discurso cansativo.
Vicente Fonseca disse…
Concordo plenamente, Mário.
SEMPRE NA LEITURA, poucas vezes comentando.