Parrilla apimentada
O placar magro, mínimo, não diz o que foi o jogo desta noite. O Uruguai finalmente mostrou um futebol envolvente, parecido com o da Copa do Mundo. Um time extremamente interessado, que marca sob pressão o adversário. Dominou o México na maior parte do tempo e só não venceu por maior diferença de gols por falta de pontaria - e de sorte - de seus homens de frente.
Tabarez vem fazendo nesta Copa América o inverso do que fizera na África do Sul. Começou com o time que foi 4º colocado no Mundial, com Forlán recuado para a meia e Cavani e Suárez compondo o ataque. Vendo que esta estratégia não funcionou, passou Forlán para o ataque, como no primeiro jogo da Copa do ano passado, retirando Cavani ao invés de colocá-lo. Curiosamente, o resultado foi o mesmo de 2010: Forlán cresceu de produção, e com ele o time.
Com um meio-campo mais encorpado, formado pela firme dupla Pérez-Arévalo, mais os dois Álvaros - Pereira e Gutiérrez, o Uruguai ganhou consistência e volume de jogo. Com Forlán mais próximo de Suárez, o número de tabelas e chances criadas aumentou consideravelmente. O gol de Álvaro Pereira, seu segundo nesta Copa América, veio cedo, logo aos 14 minutos. Poderiam ter vindo muitos outros, mas faltou precisão na hora de arrematar. Somente Forlán, um dos destaques da partida, perdeu pelo menos duas incríveis.
Dada a vitória do Chile sobre o Peru minutos antes, o Uruguai entrou sabendo que, caso vencesse, pegaria a anfitriã Argentina. Nem por isso jogou pelo empate, ao contrário: entrou com gana incomum (ou comum a uruguaios) buscando sua primeira vitória, mesmo sabendo que enfrentaria uma pedreira na próxima fase por conta disso.
Na verdade, não há mesmo o que temer. O Uruguai, hoje, é um time muito mais encorpado e pronto que a Argentina. Tem uma zaga superior (a lentidão e experiência de Lugano se completam com a juventude, alta técnica e vigor físico de Coates), um meio-campo menos técnico, mas mais entrosado, e um centroavante melhor. Não tem Messi, mas tem Forlán. Não tem torcida a seu favor, mas tem uma tradição de estragar festas de anfitriões como poucos.
É sábado, 19:15. Lamento por quem perder esse jogaço.
Comentários
Seis pontos em dois jogos do palpitazzo.
Eu to dimoooooooois, gabardo.
Estava desenhado um empate sem-vergonha para o México, que o bandeirinha acertadamente impediu.
Além disso, o Suárez me lembrou sua atuação contra a Coreia do Sul, no Mundial. Depois de fazer 1x0, ele errou todos os gols possíveis, domínios de bola e etc. Às vezes, ganhava a bola do zagueiro, mas na hora do último passe ou da finalização, ele pecava. Naquela vez, ainda fez o belo gol da vitória; ontem, perdeu a oportunidade de fazer um placar elástico