Um minguinho de Falcão
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| Sobis, Andrezinho e Damião, o ataque colorado na estreia de Falcão |
É exagero ver o dedo de Falcão na classificação colorada. O Internacional não apresentou um futebol significativamente superior na estreia de seu novo técnico. Ao contrário: ainda foi um time que perdeu gols demais, como a leitura labial do novo técnico colorado denunciou após uma das tantas oportunidades desperdiçadas no segundo tempo. Houve problemas defensivos também, os de sempre. Mas, embora o dinamismo que Falcão pregue não tenha sido visto - nem teria como - já se notam algumas ideias interessantes do homem que ficou à beira do gramado inusitadamente de paletó e chuteiras.
Muitos viram um 4-4-2 em duas linhas, mas resisto a esta hipótese. Vi um 4-3-3 convicto em campo: Bolatti e Guiñazu guarnecendo a defesa, D'Alessandro centralizado na criação. Aí, Andrezinho extremamente aberto pela direita, posicionado sempre à frente dos três argentinos e numa mesma linha de Rafael Sobis, o ponta esquerda que fechava para o meio. Leandro Damião, o centroavante, claro. Foi em uma das tantas boas jogadas de Andrezinho, que raramente compunha o meio e ficava sempre muito avançado pelo lado destro, que saiu o gol. Com dribles desconcertantes sobre os zagueiros e laterais que caíam por ali, foi um dos melhores em campo. Grata surpresa.
Um esquema ousado como este exige treinamento. Falcão cansa de repetir que seu ideal é um time compacto, que se movimente o tempo todo, como um carrossel. Isto necessitará tempo para ser aplicado. Um 4-3-3, para funcionar, precisa da participação intensa de todos o tempo inteiro. Não foi o caso de ontem - D'Alessandro, por exemplo, foi dispersivo em vários momentos. A tarefa ficou facilitada principalmente porque o Santa Cruz teve um zagueiro expulso a 22 minutos de jogo. Mesmo assim, foi só 1 a 0. Ok, poderia ter sido diferença maior, mas o time de Edson Porto teve mais de uma oportunidade para empatar o jogo também.
Foi ao menos interessante ver o Inter jogar neste novo formato. O modo estanque como Roth armava a equipe tirava muito da espontaneidade que os bons jogadores precisam ter. Interessante também acompanhar um esquema de jogo diferente do que estamos habituados no Brasil. Resta saber se tamanha ousadia será aplicada na terça, quando a partida é decisiva, e de Libertadores.
RACING 2 x 0 INDEPENDIENTE
Grande vitória do Racing sobre o Independiente no clássico de Avellaneda: 2 a 0, no Cilindro tomado por azul e branco. Resultado merecido para a equipe de Miguel Ángel Russo, que dominou o jogo quase que o tempo todo. O primeiro tempo foi equilibrado, mas sempre com a Academia tendo mais iniciativa. O primeiro gol, em passe de peito de Teófilo Gutiérrez para conclusão perfeita de Hauche, foi uma pintura.
Na etapa final, quando era de esperar pressão do Rojo em busca do empate, o domínio do time da casa se acentuou. Começou fechado na busca de contra-ataques, mas a incompetência do Independiente era tamanha que o Racing passou a empilhar chances perdidas. Grandes atuações de Yacob, volante de qualidade no desarme e distribuição de jogo, Hauche e Gutiérrez, autor do segundo gol, no finzinho.
REAL MADRID 1 x 1 BARCELONA
O primeiro dos quatro clássicos em menos de 20 dias termina empatado, com dois gols de pênalti dos astros Messi e Cristiano Ronaldo. O fim de semana de clássicos ainda tem Porto x Sporting, e contou com a vitória do Manchester City sobre o Manchester United pela Copa da Inglaterra: 1 a 0.
YPIRANGA X GRÊMIO
A obrigação do Grêmio é dar uma resposta e vencer bem o Ypiranga hoje. Não pela situação do campeonato, mas para tentar minimizar o fiasco da última quinta, em Santa Cruz de la Sierra. Voltam ao time Gabriel, Douglas e Leandro. Não há necessidade de classificação, pois o time já está na final. Há, sim, necessidade de uma boa atuação. O time, salvo raríssimas exceções, ainda não funcionou em 2011.
CAMPEONATO GAÚCHO
O Cruzeiro/RS fez 2 a 0 no São Luiz e joga a próxima em casa, mesmo que contra o Grêmio. Se o Estrelão não oferece condições, aposto na Ulbra ou no Passo d'Areia como local do jogo, repetição da semifinal da Taça Piratini. Se o Tricolor já sabe que decidirá sua sorte nas semifinais fora de casa, se passar pelo Ypiranga, o Inter conhecerá o local de seu próximo confronto hoje à tardinha. Se der Juventude, no tempo normal, é no Alfredo Jaconi; se der Lajeadense, no Beira-Rio.
Foto: Lucas Uebel/Vipcomm.

Comentários
No 4-4-2 britânico, utilizar D'Alessandro como winger pela esquerda e´um desperdício. Ele não tem a velocidade necessária à função, além de que, como armador, ele atua na intermediária ofensiva.
Deixa o meio para Guiñazu e Bolatti pode ser temeroso, porque embora o Guiñazu saiba executar taticamente a função do box-to-box, ele pouco arremata a gol.
Guiñazu aberto na esquerda, D'Alessandro ao seu lado, Bolatti ficando mais e Andrezinho aberto pela direita dá, teoricamente, maior equilíbrio ao sistema
Entretanto, discordo amavelmente dos amigos debatedores! Eu vi o Inter num 4-4-2 britânco, vi o Guiñazu chegando na área enquanto os meias estavam abertos, um em cada lado. Vi Sobis aparecer no meio, na esquerda e na direita, como um segundo atacante de movimentação.
Comentei no blog depois do jogo, vi o 4-4-2 com as duas linhas bem definidas. Hoje o meu guru Eduardo Cecconi postou no seu blog como ele viu o Inter > http://globoesporte.globo.com/platb/tabuleiro/2011/04/17/falcao-leva-o-4-4-2-em-duas-linhas-ao-inter/
Ah, concordo com o Zezinho quando a babação de ovo da imprensa, principalmente da RBS... Impressionante.
Sobre o 4-4-2 britânico ou não, não pude assistir o jogo direito, de forma que não fiz essa análise e não vou opinar. Mas, falando em teoria, acho difícil as duas linhas (que aliás, surgiram em alguns momentos da derrota gremista pro Oriente Petrolero e ninguém falou nada) funcionarem com as peças das quais o Inter dispõe. Duvido que o D'Alessandro segure na função e, ainda que seja voluntarioso, concordo com Zezinho que Guiñazu não tem perfil para cumprir a multitude de funções que dele se espera. Enfim, tempo ao tempo.
A diferença que coloco, e penso que é a mesma do Paulo, é que havia jornalista ontem GOZANDO em cima do teclado, principalmente em seus respectivos perfis do Twitter.
E para não dizer que estou falando de 'imprensa azul' ou 'imprensa vermelho', viu-se algo semelhante, mas em menor escala, quando Paulo Autuori foi contratado. Parecia que o trabalho anterior - coincidentemente, de Celso Roth - era um lixo completo e que começava a era de um messias - no caso do Grêmio, um messias de suéter; no do Inter, de terno e mullets.
O único ponderado foi o Carlos Guimarães, da Band, companheiro do Falcão na Gaúcha, que disse que o Inter foi diferente por 20 minutos, mas que no restante do jogo apresentou os mesmos problemas de antanho - algo plenamente plausível.
Esse detalhe que o Zezinho atentou é o mais importante, tato Autuori quanto Falcão iniciam seus trabalhos depois de uma demissão de Celso Roth, o cara mais adiado da imprensa gaúcha.
Imprensa que, aliás, queima muita gente quando não vai com a cara. Vide a pegação de pé no Carlos Alberto. Fala do futebol do cara, que tá pouquinho, mas evita a vida pessoal, pô!
Diretamente de uma lã rauze fronteiriça:
Marcos Almeida Pfeifer