Que comecem os matas

Quem vê só o 6 a 2 final não imagina as dificuldades pelas quais o Internacional passou durante o primeiro tempo. O time esteve perdendo de 2 a 0, e correndo algum risco de ser eliminado hoje mesmo do Gauchão. Até 38 do primeiro tempo, o Canoas fazia 2 a 1. Aos 45, levava 4 a 2. A rápida reação começou com dois gols de Rafael Sobis, enfim posto como atacante, local que Celso Roth teimava em não aproveitá-lo. D'Alessandro, o capitão do time de Falcão, encaminhou a goleada no primeiro tempo e a tranquilidade para ampliá-la no segundo.

O Internacional credencia-se para pegar o Santa Cruz, time sempre chato, que complicou a tarde do Grêmio e quase forçou um Gre-Nal antes da hora em que todos queriam. Não haverá Libertadores no meio da semana, o que significa que Falcão terá uma semana para trabalhar um time forte para encarar o Galo no Beira-Rio.

O rival do Grêmio, por outro lado, parece de nível semelhante, com a diferença que joga em casa. No Colosso da Lagoa, o Ypiranga e os reservas gremistas ficaram no 1 a 1. Na Taça Piratini, também nas quartas, deu 5 a 0 no Olímpico, com os titulares. O Grêmio, mesmo fora, é favorito. Resta saber quantos dos titulares jogam, já que há partida na Bolívia quinta-feira.

Um Gre-Nal, pelos cruzamentos, só ocorreria na final. O Inter, se passar pelo Santa Cruz, enfrenta Juventude ou Lajeadense - se for o Ju, provavelmente no Alfredo Jaconi. O Grêmio, por sua vez, pode continuar fora do Olímpico se o rival for o Cruzeiro. Se der São Luiz, volta pra casa. A Dupla pode ter muitas visitas a fazer nos jogos únicos decisivos, o que não deixa de ser uma vitória dos pequenos.

Cabe, no entanto, ressaltar algumas decepções. O Caxias é a primeira delas: de finalista e quase campeão da Taça Piratini, o time grená desandou após a saída de Lisca. Foi o lanterna de sua chave, com apenas 6 pontos e só uma vitória em sete partidas. Outra foi o Pelotas, que tão bem foi em 2010, e nem cócegas fez este ano - a não ser na zona de rebaixamento. Mas a pior de todas foi o Novo Hamburgo: é o time que mais investe no interior atualmente, e sequer passou para os mata-matas de nenhum dos dois turnos. Muita coisa precisa ser repensada no Vale do Sinos. Nove empates em 15 jogos é demais para quem quer ser oposição séria à Dupla Gre-Nal.

Comentários

Zezinho disse…
Bah, Professor, poderia fazer um texto enorme, falando desde quando subimos da Segundona, em 2003, até o Centenário, mas focarei nesse ano.

A preparação do Novo Hamburgo não foi de toda falha. O clube contou com recursos elevados como poucas vezes em sua história. Contava com uma base interessante de jovens egressos do sub-20, investiu forte na comunicação social, nas melhorias do estádio, em pré-temporada em Gramado. Preparou seu Centenário com carinho. Fora de campo estava uma beleza. Mas foi na zona do agrião os maiores erros.

A direção de futebol, do competente Luiz Valentim, deu demasiada autonomia para Gilmar Iser formar o grupo. Eis um erro crasso: treinador algum pode ter plena autonomia para montar uma equipe. Quando ele tem isso, enche a equipe de jogadores medíocres, seus bruxos quase que insubstituiveis.

Um clube do Interior tem uma margem muito pequena de erros. E Iser, ao montar seu grupo, abusou dessa margem. Contratou a peso de ouro jogadores medíocres, que muito obedeciam a ele, mas pouco agregavam ao time.

O goleiro Aranha, os zagueiros Fernando, Lino e Vinicíus, os volantes Russo e Almeida, o meia Cleberson e o atacante André Luís. Todos escolhidos a dedo por Iser. A exceção de Lino, os outros pouco ou nada acrescentaram à equipe.

Muitos jogadores atuaram na base do carteiraço também. Michel nunca esteve em forma. Gustavo Papa é péssimo. Rodrigo Mendes demorou a entrar em forma. O time prescindiu de um articulador e de um atacante de referência em pleno gozo de suas faculdades mentais e físicas.

O Gauchão de Michel foi ridículo: passou todos os jogos preso na ponta-direita e errando todos os cruzamentos. Gustavo Papa errou pênalti contra um goleiro aleijado.

Se o time, tanto com Iser quanto com Julinho, tinha uma defesa sólida e ótimo toque de bola no meio-campo, lhe faltou um atacante eficiente e que não ficasse isolado. Faltou companhia ao esforçado Juba.

Os 3 reveses em 4 jogos na pré-temporada anunciavam águas revoltas. O Gauchão confirmou isso. Um time com ótima defesa, mas sem poder de síntese, de definição. Um time que apostou em estrelas decadentes e jovens bruxos de seu treinador espalhados Brasil afora.

É uma tristeza desgraçada ver a camisa anilada ter sido vestida por jogadores de valores técnicos inversamente proporcionais ao seus vencimentos.

Outra coisa que me deixa triste é a ausência de público em jogos do Nóia. Se pegarmos Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Ivoti, Sapiranga, Portão e São Leopoldo, passamos dos 500 mil habitantes. É pedir muito para que, ao menos 0,5% deles, compareçam ao Estádio do Vale? Como um clube será grande se sua torcida é acomodada?

Tchê, na década de 1980, o Nóia lotava o Santa Rosa. Como é que hoje, com mais recursos, com mais população, isso não se faz no Vale?

Por um Novo Hamburgo laico: fora Gustavo Papa!
Vicente Fonseca disse…
Interessante tua análise/desabafo, Zezinho. Ajuda a entender muita coisa dessa campanha pífia do Nóia, de quem eu esperava muito mais.
Sancho disse…
A quem interessar, fiz uma classificação apenas com os jogos entre os times de fora da Região da Grande Porto Alegre (conforme divisão da Famurs).

Posso mandar por e-mail.

Juventude foi campeão invicto; melhor defesa ao lado do Nóia (o rei dos empates).
Vicente Fonseca disse…
Pois é, eu não entendi muito bem os critérios que deram ao Juventude o título de campeão do interior...
Sancho disse…
Nada que ver com o regulamento, Fonseca. O Papo foi campeão do Interior porque somou mais pontos no total da classificação geral (foi 3º, atrás da dupla). Eu resolvi ver como ficaria sem os confrontos contra os times da capital. E o Juventude também venceria dessa forma (5v, 4e).
Vicente Fonseca disse…
Eu sei, a tua contagem é diferente da que é feita oficialmente para fins de título do interior. Minhas dúvidas eram se entram os pequenos da Capital e se só contam os jogos das fases classificatórias. Pelo jeito, entram.

Me surpreendo em saber que o Juventude fez mais pontos que o Cruzeiro.
Zezinho disse…
Pois é, Professor.

Em 2003, o Nóia ressurgiu das cinzas ao fazer uma grande campanha na Segundona Gaúcha, chegando a ficar 15 jogos invicto, fazendo 4 confrontos épicos contra o Inter/SM (incluindo uma partida que foi encerrada aos 56' do 1º tempo). A folha salarial do clube era de R$30 mil mensais, mesclando jovens (Tiago, Luiz Henrique, Xavier) com veteranos (Marco Antônio, Djair, Dias, Luciano, Assis).

Em 2004, com uma folha de R$60 mil, fez uma campanha razoável em sua volta à primeira divisão, disputou a Série C e ficou em 5º na Copa RS. Os responsáveis pelo reerguimento do ECNH foram, sobretudo, o presidente Rosalvo Johann (irmão do Loivo, donos da Johann Alimentos) e o gerente de futebol Everton Cury (ligado a On Line, mesma empresa que montou o time de vôlei da On Line/Novo Hamburgo).

Em 2005, após um péssimo Gauchão, o novo presidente, Bruno Fehse (filho de um ex-presidente e dono de uma seguradora), fez uma limpa no futebol. Contratou Luiz Valentim para diretor de futebol, re-estruturou a base, formou um baita time com jogadores rodados e levou a Emídio Perondi (aplicando 5x0 no Glória, na semi, e 3x0 no Brasil, na final), a Copa RS (com o time reserva) e chegando em 4º na Série C. Nossa folha era de R$90 mil.

Em 2006, 6ª colocação no Gauchão, aplicando 4x0 no Ju na última rodada da primeira fase e tendo o artilheiro da competição, Giancarlo. Nossa folha era de R$120 mil.

Após a eliminação na Série C, o Nóia passou por tempos de hibernação. Em 2008, chegou a ter seu presidente mais novo da história, Rodrigo Kauer de Barros, de apenas 28 anos.

A volta do Nóia, já projetando o Centenário, foi no segundo semestre de 2009. As contratações de Rodrigo Mendes e Juba datam dessa época. Foi elevado à presidência Carlos Duarte (dono de uma transportadora, a Transduarte).

O clube cresceu muito em marketing, com os 'Galácticos do Vale', teve uma folha de R$200 mil e foi vice-campeão do 1º turno. Graças à politicagem existente na FGF, ficou alijado da Série D.

Esse ano o planejamento fora de campo foi bem feito. Mas como disse anteriormente, a autonomia demasiada dada a Iser e o gasto astronômico com jogadores com pouco retorno (R$30 mil mensais pra Rodrigo Mendes, R$20 mil para Michel e Papa), chegando a uma folha de quase R$250 mil minou com as esperanças de título gaúcho - ou vaga na Série D.

Dizem que graças às desistências de Cerâmica, Sapucaiense e Pelotas, o Nóia irá à Série D como QUINTO colocado da Copa RS de 2010. É até constrangedor.

Vejo no clube um planejamento a longo prazo. O Anilado disputa a Punta Cup e disputará a Taça BH esse ano.

Mas o que me aflinje é a necessidade de um mecenas (Johann, Fehse, Duarte) para o clube lograr algo, além do excessivo gasto com jogadores medíocres. É possível formar um time com jogadores daqui mesmo
Sancho disse…
Essa do Papo em 3º surpreendeu todo mundo. Ninguém acompanha a classificação geral. Quando se viu, estavam em 3º.

Tem tudo para complicar a vida do Falcão, no Jaconi, num provável Juve-Nal de semifinal.

P.S.: Eu pretendo ir ao Estrelão no sábado. Acredito que o São Luiz tenha time para encarar o Cruzeiro, e esse ser o melhor jogo das quartas-de-final. Alguém quer combinar uma ida?
Vicente Fonseca disse…
Sim, importante lembrar: o Juve-Nal, se ocorrer, hoje seria no Jaconi.

Não tenho como ir neste jogo de sábado. Acredito que o André Kruse se pilha pra ir contigo, Sancho. Tudo para ser bom jogo, mesmo.
Zezinho disse…
Enterrem meu coração na curva do rio
Igor Natusch disse…
Ô, Zezinho. Escreve um texto pro Carta, meu guri! Essa análise do Novo Hamburgo é boa demais para ficar na caixa de comentários. Tenho certeza que o Vicente há de concordar!
Zezinho disse…
É fácil negociar comigo: sou FILHO ÚNICO (abra$$o, Ronaldinho e Jonas)
Vicente Fonseca disse…
Nenhum problema, por mim. Pra não repetir esta análise, mande outra, sobre outro tema. Combinemos por e-mail.