Surgiram os milhões
Samir El Hawat*
Após um período enfrentando os reflexos da crise econômica mundial, a situação mudou de figura para os clubes europeus. Nos últimos dias da janela de transferências, os cofres foram abertos e milhões de euros foram despejados para contratações. Para o Brasil, a exceção de Jonas, nenhum clube perdeu jogador considerado importante.
A maior transação da janela de janeiro, e a sexta maior da história do futebol, quem diria, foi a saída de Fernando Torres do Liverpool para o Chelsea. Os londrinos pagaram a bagatela de € 50 milhões, algo em torno de 140 milhões de reais. O valor é absurdo, mas vale lembrar que, para tirá-lo do Atlético de Madrid, os Reds pagaram algo em torno de € 30 milhões. Além disso, os Blues foram buscar o zagueiro brasileiro David Luiz, junto ao Benfica, por € 25 milhões. Na soma, 75 milhões valor gasto no dia em que o clube divulgou ter tido prejuízo de 82 milhões de euros na temporada passada.
Os Reds, que ainda cambaleiam após o início de temporada turbulento, com a venda do clube, não deixaram por menos. Se não conseguiram contratar um atacante com a grife de El Nino, pelo menos buscaram um quase tão caro quanto o espanhol: trata-se de Andy Carrol, 21 anos, jovem promessa do futebol inglês, que deixou o Newcastle por € 40 milhões. Mas o clube de Liverpool não parou por aí nas contratações, e foi buscar o também atacante (e goleiro) Luis Suárez, um dos destaques da campanha uruguaia na Copa. Foi comprado por € 26 milhões junto ao Ajax. Estreou na rodada do meio de semana, com gol, na vitória de sua equipe sobre o Stoke City por 2x0.
O Chelsea foi pontual nas contratações, e me parece que mandou muito bem. Com a lesão do zagueiro Alex, havia necessidade da contratação. E David Luiz vem jogando muito bem, tanto pela seleção quanto pelo Benfica. Já a contratação de Torres supre uma carência de longo tempo. Anelka nunca foi um parceiro a altura de Drogba. O espanhol e o costa-marfinense se combinam e certamente vão dar o que falar. A estreia de El Nino deve se dar no próximo domingo, justamente contra seu ex-clube. Já para o Liverpool, os problemas são muito maiores. Perdeu a sua referência na frente, contratou dois bons jogadores, mas que não são diferenciados. Se juntarão ao esforçado, mas também comum, atacante Kuyt. Além disso, precisa de muito mais para ter um time. Gerrard não vem jogando por conta de lesão. Está na hora de pensar numa reposição a altura do emblemático jogador dos Reds.
Um dado que já vem se verificando nas ultimas temporadas: das 10 contratações mais caras do período 2010-2011, oito são de jogadores contratados pelos clubes ingleses. O Manchester City foi responsável por quatro dessas contratações. Os italianos aparecem apenas com a 19ª contratação mais cara: Pazzini, pela Inter de Milão. Isso se evidencia em campo, na qualidade dos jogos da Premier League e nas disputas pela UEFA. Nos últimos anos, os ingleses vem dominando a reta decisiva da Champions. Nem sempre vencem, é verdade, mas estão lá, bicando a disputa.
A partir da temporada 2013-2014, entrará em vigor o Fair Play Financeiro, mecanismo criado pela UEFA para controlar os altos valores envolvidos nas transações. Em suma, qualquer clube da Europa que gaste mais do que tenha recebido na temporada passada, fica fora das disputas europeias. Caso o clube não tenha conquistado vaga na Champions ou na Europe League, sofrerá multas pesadas da entidade máxima do futebol europeu. Se o sistema realmente entrar em vigor, e funcionar bem, sinto que muitos clubes terão enormes problemas.
De resto, surpreende a continuidade de Luís Fabiano no Sevilla. O atacante da seleção brasileira na Copa de 2010 já disse inúmeras vezes que seu ciclo no mediano clube espanhol acabou, e que gostaria de jogar em um clube que lhe possibilite disputar títulos. Mas o alto valor da multa rescisória (cerca de 20 milhões de euros), e uma série de lesões que atormentam a vida do atacante, faz com que os principais clubes não tentem a contratação. Uma pena para ele, que poderia crescer com melhores parcerias.
A janela de transferências também atingiu o futebol sul-americano, mas pelo lado positivo: o Corinthians foi buscar Liédson, ex-Sporting de Lisboa. E Camoranesi, argentino naturalizado italiano, campeão mundial em 2006 pela Azurra assinou com o Lanús, por dois anos de contrato.
Copa do Rei
Barcelona e Real irão se enfrentar na final da copa da Espanha. Previsível, afinal, são as únicas equipes do futebol espanhol.
Após um período enfrentando os reflexos da crise econômica mundial, a situação mudou de figura para os clubes europeus. Nos últimos dias da janela de transferências, os cofres foram abertos e milhões de euros foram despejados para contratações. Para o Brasil, a exceção de Jonas, nenhum clube perdeu jogador considerado importante.
A maior transação da janela de janeiro, e a sexta maior da história do futebol, quem diria, foi a saída de Fernando Torres do Liverpool para o Chelsea. Os londrinos pagaram a bagatela de € 50 milhões, algo em torno de 140 milhões de reais. O valor é absurdo, mas vale lembrar que, para tirá-lo do Atlético de Madrid, os Reds pagaram algo em torno de € 30 milhões. Além disso, os Blues foram buscar o zagueiro brasileiro David Luiz, junto ao Benfica, por € 25 milhões. Na soma, 75 milhões valor gasto no dia em que o clube divulgou ter tido prejuízo de 82 milhões de euros na temporada passada.
Os Reds, que ainda cambaleiam após o início de temporada turbulento, com a venda do clube, não deixaram por menos. Se não conseguiram contratar um atacante com a grife de El Nino, pelo menos buscaram um quase tão caro quanto o espanhol: trata-se de Andy Carrol, 21 anos, jovem promessa do futebol inglês, que deixou o Newcastle por € 40 milhões. Mas o clube de Liverpool não parou por aí nas contratações, e foi buscar o também atacante (e goleiro) Luis Suárez, um dos destaques da campanha uruguaia na Copa. Foi comprado por € 26 milhões junto ao Ajax. Estreou na rodada do meio de semana, com gol, na vitória de sua equipe sobre o Stoke City por 2x0.
O Chelsea foi pontual nas contratações, e me parece que mandou muito bem. Com a lesão do zagueiro Alex, havia necessidade da contratação. E David Luiz vem jogando muito bem, tanto pela seleção quanto pelo Benfica. Já a contratação de Torres supre uma carência de longo tempo. Anelka nunca foi um parceiro a altura de Drogba. O espanhol e o costa-marfinense se combinam e certamente vão dar o que falar. A estreia de El Nino deve se dar no próximo domingo, justamente contra seu ex-clube. Já para o Liverpool, os problemas são muito maiores. Perdeu a sua referência na frente, contratou dois bons jogadores, mas que não são diferenciados. Se juntarão ao esforçado, mas também comum, atacante Kuyt. Além disso, precisa de muito mais para ter um time. Gerrard não vem jogando por conta de lesão. Está na hora de pensar numa reposição a altura do emblemático jogador dos Reds.
Um dado que já vem se verificando nas ultimas temporadas: das 10 contratações mais caras do período 2010-2011, oito são de jogadores contratados pelos clubes ingleses. O Manchester City foi responsável por quatro dessas contratações. Os italianos aparecem apenas com a 19ª contratação mais cara: Pazzini, pela Inter de Milão. Isso se evidencia em campo, na qualidade dos jogos da Premier League e nas disputas pela UEFA. Nos últimos anos, os ingleses vem dominando a reta decisiva da Champions. Nem sempre vencem, é verdade, mas estão lá, bicando a disputa.
A partir da temporada 2013-2014, entrará em vigor o Fair Play Financeiro, mecanismo criado pela UEFA para controlar os altos valores envolvidos nas transações. Em suma, qualquer clube da Europa que gaste mais do que tenha recebido na temporada passada, fica fora das disputas europeias. Caso o clube não tenha conquistado vaga na Champions ou na Europe League, sofrerá multas pesadas da entidade máxima do futebol europeu. Se o sistema realmente entrar em vigor, e funcionar bem, sinto que muitos clubes terão enormes problemas.
De resto, surpreende a continuidade de Luís Fabiano no Sevilla. O atacante da seleção brasileira na Copa de 2010 já disse inúmeras vezes que seu ciclo no mediano clube espanhol acabou, e que gostaria de jogar em um clube que lhe possibilite disputar títulos. Mas o alto valor da multa rescisória (cerca de 20 milhões de euros), e uma série de lesões que atormentam a vida do atacante, faz com que os principais clubes não tentem a contratação. Uma pena para ele, que poderia crescer com melhores parcerias.
A janela de transferências também atingiu o futebol sul-americano, mas pelo lado positivo: o Corinthians foi buscar Liédson, ex-Sporting de Lisboa. E Camoranesi, argentino naturalizado italiano, campeão mundial em 2006 pela Azurra assinou com o Lanús, por dois anos de contrato.
Copa do Rei
Barcelona e Real irão se enfrentar na final da copa da Espanha. Previsível, afinal, são as únicas equipes do futebol espanhol.
* Colaborador especial, escreve semanalmente sobre futebol europeu aqui no Carta.
Comentários
E cara, não vejo possibilidade alguma de algum time conquistar um título espanhol q não seja um dos dois... a diferença é cada vez maior..