Retrospectiva 2010: Corinthians
O Corinthians terminou o ano de seu centenário sem títulos. Não foi uma temporada ruim, longe disso, mas abaixo do que seus próprios torcedores esperavam. Desta vez, porém, não foi mais uma mal sucedida edição do Projeto Libertadores que pôs a temporada a perder. Alguns aspectos alheios à vontade do clube pesaram.
Novamente, o Corinthians entrou priorizando a Libertadores de forma obsessiva. Fez um mau Campeonato Paulista em nome da conquista da América. Ia muito bem, até que uma tempestade desabou sobre o Maracanã e causou um jogo atípico, vencido pelo Flamengo, por 1 a 0. Em São Paulo, o 2 a 1 tirou o time cruelmente pelo saldo qualificado, embora a campanha na fase de grupos tenha sido muito superior.
No entanto, após cair cedo na competição continental, o Timão adentrava o Brasileiro comendo a grama, sendo o favorito ao título. Chegou à Copa do Mundo na liderança, até que perdeu o técnico Mano Menezes para a seleção. Todo o período de treinos durante o Mundial foi perdido pela troca de comando. Adílson Batista esboçou alguns bons momentos, mas o time não o entendia e foi perdendo fôlego. Neste descompasso, perdeu o título.
Tite conseguiu uma extraordinária recuperação do Corinthians, mais como time do que na tabela, já que sempre esteve entre os primeiros. O empate em 1 a 1 com o Vitória e as duas derrotas para o Atlético/GO foram apontados como os jogos onde o título escapou, mas há explicações bem maiores. Começam pelas trocas de comando, passam pelos problemas físicos de Ronaldo (com ele, o Timão cresce demais). Roberto Carlos, que chegou como medalhão, perdeu a alcunha pejorativa após mostrar bom futebol.
68 pontos; 38 jogos; 19 vitórias; 11 empates; 8 derrotas; 65 gols marcados; 41 gols sofridos; 59,6% de aproveitamento
Em casa: 47 pontos (82,5%) – melhor campanha da Série A
Fora: 21 pontos (36,8%) – 8ª melhor campanha
Destaques: Jucilei (V), Elias (V), Bruno César (M)
Decepção: Souza (A)
Artilheiro: Bruno César, 14 gols
Média de público: 30.079 (1º)
Posição rodada a rodada:
5ª rodada: 1º; 10ª rodada: 2º; 15ª rodada: 2º; 20ª rodada: 2º; 25ª rodada: 2º; 30ª rodada: 3º; 35ª rodada: 1º; Final: 3º
Melhor atuação: Corinthians 3 x São Paulo 0 (15ª rodada)
Pior atuação: Corinthians 3 x Atlético/GO 4 (29ª rodada)
Turno: 37 pontos, 2º colocado
Returno: 31 pontos, 5º colocado
Prognóstico Carta na Manga (08/05/2010): candidato à Libertadores
2011: classificado à Taça Libertadores da América

Comentários
O Timão nunca teve um centroavante à altura do Ronaldo - ou perto disto - para substituí-lo. E creio que o próprio planejamento do clube buscou isso.
Se o Corinthians tivesse um bom centroavante, o time renderia bem sem o Ronaldo, mas quando Ronaldo voltasse, jogaria no carteiraço. Criaria uma situação incômoda ao treinador: escalaria o Ronaldo, mas tendo um jogador em melhor fase no banco. Puniria o time.
Assim, o time teve como centroavante o Souza. A mediocridade do Souza não permitiu a ele fazer sombra ao Ronaldo. Por isso, Ronaldo voltava normalmente ao time. No entanto, como este estava em má fase, não ajudou o time; como seu reserva era medíocre, puniu ainda mais o time.
Uma equação complexa com pelos menos duas variáveis e que o Corinthians não soube resolver.
Na lista pra Libertadores, também não havia reserva à altura pro Roberto Carlos. O inscrito foi o garoto Dodô. Menos mal que não foi necessário.
O engraçado da boa campanha do Corinthians no Brasileirão é que o alto investimento não correspondia aos jogadores. Eram, em sua maioria, jogadores comuns, mas em um time ajeitado. Se tivesse a camisa do Botafogo, seria um time barato. Mas a grife Corinthians superstimou um time formado por Jucilei, Bruno César, Jorge Henrique, Ralf e Paulinho