Ganhou ou deixou de ganhar?

Rafael Moura, oportunista, marca o primeiro do Goiás

O Goiás jogou muito mais que o Independiente. Impôs um melhor futebol desde o início de jogo. Fez valer o fator local e patrolou o time argentino nos primeiros 20 minutos. Contou com uma expulsão de um dos platinos antes da metade do segundo tempo. Teve, portanto, a faca e o queijo na mão para ganhar a Copa Sul-Americana hoje mesmo. Mas não conseguiu definir o confronto. Foi seu único pecado na noite. Um pecado que leva a decisão para Avellaneda, algo no mínimo incoveniente.

Turco Mohamed deve ter se impressionado com as dimensões gigantescas do Serra Dourada, assim como se impressionou com a altitude de Quito na semifinal. Resolveu escalar mais um volante, Godoy, no lugar de Pato Rodríguez, o melhor e único articulador no Libertadores de América. O 3-5-2 com jeitão de 5-3-2 não tinha qualquer saída. Pelo lado esquerdo, Mareque era completamente envolvido por Marcelo Costa e Douglas; na direita, Cabrera era contido por Wellington Saci e Marcão. Pelo meio, sem criação, evidenciava-se a estiagem de bolas para Silvera. Parra, seu companheiro de ataque, era obrigado a voltar, isolando o companheiro na frente. Bem contido pelos zagueiros, porém, nada de perigoso fez.

É verdade que o primeiro gol do Goiás, em lance fortuito, fez o esquema de Mohamed desabar. O Independiente, a exemplo do jogo com a LDU no Equador, não estava preparado para sair perdendo tão cedo. Esperava levar ao menos para o intervalo o empate, para no segundo tempo tentar ousar. Atirou-se para cima sem qualidade na criação e sem consistência defensiva. Levou o segundo gol em contra-ataque. Deu pinta de goleada.

A conversa entre os argentinos logo após o apito para o intervalo, ainda dentro do campo, evidenciava o péssimo primeiro tempo – onde o time não só jogou mal, mas também teve azar. Deu tudo errado. Um pouco mais organizado, e agora com Rodríguez, o Rojo voltou para a etapa final ao menos sem ser acossado defensivamente. Mas a expulsão de Silvera terminou com qualquer chance de reação. Ali, 12 minutos do segundo tempo, era a hora de Arthur Neto ousar, colocar mais um atacante ou, no mínimo, forçar seu time a ir para a frente.

Não o fez. O Goiás, que já se dava por satisfeito com o 2 a 0 antes da expulsão, resolveu descansar em vez de matar a partida. A primeira mexida, aos 24, foi de Otacílio Neto por Everton Santos, uma opção de velocidade, mas sem dar agudez ao time. A única mexida tática em prol do ataque, além de ocorrer tarde (42 minutos), foi errada: Felipe devia ter entrado antes, e não no lugar do melhor meio-campista, Marcelo Costa, que era quem ligava o meio com o ataque.

Por isso, embora o Goiás tenha de certa forma encaminhado o título, discordo dos que acham que já ganhou a Sul-Americana. O Goiás, na verdade, deixou de ganhar o torneio hoje. Não no sentido de que perderá, mas no sentido de que adiou a decisão para o jogo da semana que vem. E, em Avellaneda, o Independiente joga bem mais do que esta calamidade de hoje à noite.

Copa Sul-Americana 2010 – Final – 1º Jogo
1º/dezembro/2010
GOIÁS 2 x INDEPENDIENTE 0
Local: Serra Dourada, Goiânia (GO)
Árbitro: Carlos Torres (PAR)
Público: 35.500
Renda: R$ 912.940,00
Gols: Rafael Moura 14 e Otacílio Neto 21 do 1º
Cartão amarelo: Carlos Alberto, Otacílio Neto, Julián Velázquez e Galeano
Expulsão: Silvera 12 do 2º
GOIÁS: Harlei (6), Rafael Tolói (6,5), Ernando (6,5) e Marcão (7,5); Douglas (7), Amaral (6), Carlos Alberto (6), Marcelo Costa (6,5) (Felipe, 42 do 2º - sem nota) e Wellington Saci (5,5); Otacílio Neto (6,5) (Everton Santos, 24 do 2º - 5,5) e Rafael Moura (7). Técnico: Arthur Neto (6,5)
INDEPENDIENTE: Navarro (5,5), Julián Velázquez (5), Tuzzio (5,5) e Galeano (5); Cabrera (4,5) (Matheu, 34 do 2º - sem nota), Battión (5), Fredes (4,5) (Maxi Velázquez, 42 do 2º - sem nota), Godoy (4) (Rodríguez, intervalo – 5) e Mareque (4); Parra (5) e Silvera (3). Técnico: Antonio Mohamed (4)

Foto: EFE.

Comentários

Faraon disse…
Bah, não consegui ver o jogo e vim correndo pra cá ler o que aconteceu. QUE FASE, ein greminho.

Mas pelo que vi da partida contra a LDU, de fato não esperava nada diferente. O futebol argentino anda um tanto de ressaca, me parece.

Agora é matar o Botafogo e ficar na espreita. Se rolar, melhor. Mas já acho improvável.
Vicente Fonseca disse…
Acho que o caso do Independiente não foi bem ressaca, mas falta de qualidade mesmo. O clube quer muito ganhar algum título internacional. Faltou bola. Mas nada que não se possa tirar na Argentina. Ficou difícil, mas não duvido de decisão por pênaltis, por exemplo.
Zezinho disse…
O negócio é torcer pro Rafael Moura ser expulso com 10' do 1º tempo e o Marcão entregar.

Cada vez mais fico convencido que o Goiás não era time para cair de forma tão vertiginosa à Segundona. Leão e Jorginho conseguiram minar qualquer tipo de organização no Esmeraldino.

Ontem foi apenas mais um capítulo do desnível técnico absurdo entre equipes brasileiros e as demais sul-americanas. Com a exceção da LDU, alguns argentinos e algum outro time que surge como surpresa esporádica (Cúcuta, Nacional/URU, U. de Chile), os times estrangeiros jogam sem ambição nenhuma fora de casa. E cada vez mais se esquecem da técnica para ficar apenas na raça
Vicente Fonseca disse…
Acho que é muito mais uma questão de postura fora de casa do que de diferença técnica. O Goiás não é um supertime perto do Independiente, como pareceu ontem. Reitero que se equivalem.
Lourenço disse…
Ainda há chances, mas é um balde de água fria para o jogo de domingo.
Chico disse…
Concordo. Também acho que o Goiás deixou de ganhar o título ontem.