Para voltar a ser rey
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| Silvera fez um gol em Ibagué, mas jogou pouco hoje |
O Independiente conseguiu. Empatar em 0 a 0 com o Tolima foi o suficiente para que o maior campeão da história da Libertadores chegasse à semifinal de um torneio sul-americano 15 anos depois da vitoriosa Supercopa de 1995. A festa após o apito de Carlos Amarilla deu bem a dimensão do que foram as dificuldades para obter esta vaga e o quanto ela representa para um clube imenso, mas que há tempos anda mergulhado em crise.
Passada a euforia, é hora de pôr os pés no chão. Porque embora seja muito bonito ver o Rey de Copas de volta às grandes disputas, é preciso reconhecer que a classificação foi injusta. Não apenas porque o time colombiano foi superior na maior parte do tempo, mas porque foi prejudicado pela arbitragem, que anulou um gol legal marcado pelo zagueiro Martínez e marcou equivocadamente um impedimento de Perlaza (o mesmo que marcou contra o Grêmio na Libertadores de 2007), que resultaria em um pênalti que teria definido o jogo.
El Turco Mohamed pedia que seu time definisse a classificação no primeiro tempo. Talvez previsse que, passados os minutos iniciais, o Independiente passaria a ter imensas dificuldades. E não se pode culpar nada extra-campo, nem mesmo o fato de o time ter jogado em casa alheia, a do rival e vizinho Racing - até porque a torcida roja deu show capaz de impressionar o mais acostumado espectador de futebol sul-americano. Faltou, mesmo, futebol.
De início num 3-5-2, com o enganche Rodríguez alternando para a ponta esquerda e fazendo um falso 3-4-3, o Independiente começou em cima. Cabrera e Parra tramavam bem pela direita, e o gol parecia questão de tempo. O Tolima não se afobou em nenhum instante. Como só precisava de um gol, não se atirou ao ataque. Foi inteligente: suportou a pressão inicial e, aos poucos, foi equilibrando. Antes mesmo do intervalo, já dominava o jogo.
No segundo tempo, o domínio colombiano ficou ainda mais evidente. Preso em sua defesa, o Independiente não conseguia articular quase nada. Só não foi vazado porque ao Tolima faltou poder de definição. Medina, o artilheiro, jogou pouco. Marangoni, bom meia argentino (os hermanos têm fartura de articuladores), é quem mais ameaçava a classificação vermelha, com bons arremates de fora da área.
O Independiente não é melhor que a LDU, embora deva ser respeitado por toda a sua história. Tem um fator local forte, como os equatorianos, mas, com o futebol apresentado hoje, não demonstra condições de encarar a Liga de igual para igual, como fez o Newell’s. Sem dúvida, se passar para a finalíssima, crescerá muito. Mas precisa evoluir bastante. Para quem seca os brasileiros na Sul-Americana, torcer pelo time de Quito é o mais recomendado.
Copa Sul-Americana 2010 – Quartas de Final – Jogo de volta
11/novembro/2010
INDEPENDIENTE 0 x TOLIMA 0
Local: Cilindro, Avellaneda (ARG)
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Público: não divulgado
Cartão amarelo: Fredes, Mareque, Julián Velásquez, Maxi Velázquez, Marrugo e Aguilar
INDEPENDIENTE: Navarro (6), Julián Velásquez (4,5) (Godoy, 40 do 2º - sem nota), Tuzzio (5,5) e Galeano (5); Cabrera (6), Battión (5), Fredes (4,5), Rodríguez (5,5) (Maxi Velázquez, 21 do 2º - 5,5) e Mareque (5,5); Parra (6) (Gómez, 29 do 2º - 5,5) e Silvera (4,5). Técnico: Antonio Mohamed (5,5)
TOLIMA: Silva (5), Vallejo (5), Arrechea (5,5), Martínez (6) e Aguilar (5,5); Bolívar (6), Chará (5,5), Marrugo (5) (Ortellada, 34 do 2º - sem nota) e Marangoni (6,5); Perlaza (5,5) e Medina (4). Técnico: Hernán Torres (5,5)
Foto: Olé.

Comentários
E para torcer, fico com a LDU. Acho q fator casa dos equatorianos, hoje, mais forte, pela questão da altitude.