Um potro crioulo pronto para o rodeio
![]() |
| Frederiquense disputará a Segundona em 2011 |
Frederick Posselt Martins*
A história de hoje remeter-nos-á até Frederico Westphalen, município distante a 400km da nossa capital e próximo da divisa (fronteira para alguns) com a terra dos barriga-verdes. Não poderei dar mais detalhes da cidade, muito devido a nunca ter tido a oportunidade de visitá-la: o máximo que cheguei por aquelas bandas foi em Liberato Salzano, praticamente um "minuscípio", que ainda fica a 100km da nossa protagonista.
Entrementes, necessita-se contar o causo sobre a história da cidade antes de adentrarmos na parte ludopédica. A região do município começou a ser povoada um pouco antes da Revolução de 1923, onde, junto, desenvolveu-se o comércio, via carroças, entre os vilarejos daqueles pagos. Um dado dia, um desses carroceiros transportava um belo barril recheado de MÉ, que balouçou e caiu na estrada, quebrando a tampa. Para que pudessem aproveitar o recipiente, o carroceiro o colocou com a boca para baixo em uma fonte com água limpa e encaixou uma taquara na lateral do barril, criando, assim, um bebedouro.
O local onde esse barril foi instalado era perfeito para uma sesta ou um descanso depois de uma viagem longa entre os comerciantes, de modo que era comum muitos deles pararem por ali ou, até mesmo, erguerem residência. Foi dessa forma que a região se desenvolveu e ficou conhecida como "Barril", em homenagem à história do carroceiro. Mas não demorou muito para que uma assembleia de moradores, com a ajuda do prefeitor de Palmeira das Missões, mudasse o nome do local para Vila Frederico Westphalen, em homenagem ao engenheiro que colonizou a região.
Não demorou muito para que a cidade tivesse um clube esportivo batizado de Itapagé, em homenagem a um bairro, de mesmo nome, da cidade. Adotou o vermelho como sua cor oficial. Este clube ganharia um rival em 1957, o Esporte Clube Ipiranga, que usava as cores verde e amarela para se identificar. Ambos nunca tiveram um time de futebol profissional, apenas amador, jogando os campeonatos amadores na cidade e no Estado. Em contrapartida, ambos se destacaram no futsal estadual no final do milênio passado, realizando clássicos que mobilizavam a cidade.
Em 2010, os dois clubes se aproximaram através de um projeto que visava unir os dois departamentos de futebol, formando uma equipe profissional única, com outro nome, para disputar competições profissionais do certame estadual. Em julho, o projeto se torna realidade, e nasce o União Frederiquense de Futebol.
Se o nome da equipe já representa a união entre dois clubes tradicionais do município em prol deste, o escudo, então, leva praticamente todos os elementos necessários para representar Frederico Westphalen. Não só adota as cores dos dois clubes esportivos da cidade – o verde do Ipiranga e o vermelho do Itapagé, sendo o branco a cor da neutralidade – como também mostra o símbolo histórico que, por anos, foi o nome da cidade: um... BARRIL! (aqui, imaginem a voz do guarda do Niágara em “Pica Pau desce as Cataratas”)
Para que a cidade entrasse de vez nesse rodeio de cavalos crioulos que é o Campeonato Gaúcho, em setembro o clube foi registrado junto à FGF, e recebeu resposta positiva de Francisco Noveletto para uma possível participação na Segundona Gaúcha de 2011. O presidente da Federação, inclusive, teria elogiado a estrutura do local, salientando que os vestiários do estádio do Itapagé, onde serão mandados os jogos do União, seriam melhores que os do Passo D’Areia. O estádio tem capacidade para 4 mil pessoas.
Desde já, damos parabéns aos fundadores pela iniciativa, e desejamos felicidades futebolísticas a esse rebento de Frederico Westphalen, torcendo para que, muito em breve, esta equipe do interior adentre na elite do futebol farroupilha, que cada vez mais é tomado pelos clubes da Região Metropolitana.
Boa sorte ao União Frederiquense, e que a jornada dos anos vindouros seja deveras vitoriosa!
Rapidinhas
- A Copa FGF (este ano conhecida como Ênio Costamilan) já adentra em sua fase semifinal. Os jogos de ida acontecerão no mesmo dia do Xô du Pô, e como é de praxe, sugerimos que os assistam em vez de ir nesse tal de “espetáculo do século” em Porto Alegre. O Inter B vai a Pelotas enfrentar o auricerúleo na Boca do Lobo, enquanto a filial do Olaria-RJ em Gravataí enfrenta o Sapucaiense no saudoso estádio Cristo Rei, onde as cabines de imprensa mais parecem aqueles salões pequenos de clube, com churrasqueiras, um do lado do outro.
- Os clubes gaúchos seguem se reforçando para a competição mais importante destes pagos. O Caxias anunciará um pacote de reforços até o final da semana. Já Romano, aquele lateral ex-Veranópolis que jogou deveras contra o Grêmio no início do ano, quase selando uma derrota ao tricolor da Azenha na terceira rodada do Gauchão 2010, pode estar de malas prontas rumo à Boca do Lobo.
* Escreve semanalmente às quartas sobre futebol do interior gaúcho aqui no Carta.
A história de hoje remeter-nos-á até Frederico Westphalen, município distante a 400km da nossa capital e próximo da divisa (fronteira para alguns) com a terra dos barriga-verdes. Não poderei dar mais detalhes da cidade, muito devido a nunca ter tido a oportunidade de visitá-la: o máximo que cheguei por aquelas bandas foi em Liberato Salzano, praticamente um "minuscípio", que ainda fica a 100km da nossa protagonista.
Entrementes, necessita-se contar o causo sobre a história da cidade antes de adentrarmos na parte ludopédica. A região do município começou a ser povoada um pouco antes da Revolução de 1923, onde, junto, desenvolveu-se o comércio, via carroças, entre os vilarejos daqueles pagos. Um dado dia, um desses carroceiros transportava um belo barril recheado de MÉ, que balouçou e caiu na estrada, quebrando a tampa. Para que pudessem aproveitar o recipiente, o carroceiro o colocou com a boca para baixo em uma fonte com água limpa e encaixou uma taquara na lateral do barril, criando, assim, um bebedouro.
O local onde esse barril foi instalado era perfeito para uma sesta ou um descanso depois de uma viagem longa entre os comerciantes, de modo que era comum muitos deles pararem por ali ou, até mesmo, erguerem residência. Foi dessa forma que a região se desenvolveu e ficou conhecida como "Barril", em homenagem à história do carroceiro. Mas não demorou muito para que uma assembleia de moradores, com a ajuda do prefeitor de Palmeira das Missões, mudasse o nome do local para Vila Frederico Westphalen, em homenagem ao engenheiro que colonizou a região.
Não demorou muito para que a cidade tivesse um clube esportivo batizado de Itapagé, em homenagem a um bairro, de mesmo nome, da cidade. Adotou o vermelho como sua cor oficial. Este clube ganharia um rival em 1957, o Esporte Clube Ipiranga, que usava as cores verde e amarela para se identificar. Ambos nunca tiveram um time de futebol profissional, apenas amador, jogando os campeonatos amadores na cidade e no Estado. Em contrapartida, ambos se destacaram no futsal estadual no final do milênio passado, realizando clássicos que mobilizavam a cidade.
Em 2010, os dois clubes se aproximaram através de um projeto que visava unir os dois departamentos de futebol, formando uma equipe profissional única, com outro nome, para disputar competições profissionais do certame estadual. Em julho, o projeto se torna realidade, e nasce o União Frederiquense de Futebol.
Se o nome da equipe já representa a união entre dois clubes tradicionais do município em prol deste, o escudo, então, leva praticamente todos os elementos necessários para representar Frederico Westphalen. Não só adota as cores dos dois clubes esportivos da cidade – o verde do Ipiranga e o vermelho do Itapagé, sendo o branco a cor da neutralidade – como também mostra o símbolo histórico que, por anos, foi o nome da cidade: um... BARRIL! (aqui, imaginem a voz do guarda do Niágara em “Pica Pau desce as Cataratas”)
Para que a cidade entrasse de vez nesse rodeio de cavalos crioulos que é o Campeonato Gaúcho, em setembro o clube foi registrado junto à FGF, e recebeu resposta positiva de Francisco Noveletto para uma possível participação na Segundona Gaúcha de 2011. O presidente da Federação, inclusive, teria elogiado a estrutura do local, salientando que os vestiários do estádio do Itapagé, onde serão mandados os jogos do União, seriam melhores que os do Passo D’Areia. O estádio tem capacidade para 4 mil pessoas.
Desde já, damos parabéns aos fundadores pela iniciativa, e desejamos felicidades futebolísticas a esse rebento de Frederico Westphalen, torcendo para que, muito em breve, esta equipe do interior adentre na elite do futebol farroupilha, que cada vez mais é tomado pelos clubes da Região Metropolitana.
Boa sorte ao União Frederiquense, e que a jornada dos anos vindouros seja deveras vitoriosa!
Rapidinhas
- A Copa FGF (este ano conhecida como Ênio Costamilan) já adentra em sua fase semifinal. Os jogos de ida acontecerão no mesmo dia do Xô du Pô, e como é de praxe, sugerimos que os assistam em vez de ir nesse tal de “espetáculo do século” em Porto Alegre. O Inter B vai a Pelotas enfrentar o auricerúleo na Boca do Lobo, enquanto a filial do Olaria-RJ em Gravataí enfrenta o Sapucaiense no saudoso estádio Cristo Rei, onde as cabines de imprensa mais parecem aqueles salões pequenos de clube, com churrasqueiras, um do lado do outro.
- Os clubes gaúchos seguem se reforçando para a competição mais importante destes pagos. O Caxias anunciará um pacote de reforços até o final da semana. Já Romano, aquele lateral ex-Veranópolis que jogou deveras contra o Grêmio no início do ano, quase selando uma derrota ao tricolor da Azenha na terceira rodada do Gauchão 2010, pode estar de malas prontas rumo à Boca do Lobo.
* Escreve semanalmente às quartas sobre futebol do interior gaúcho aqui no Carta.

Comentários
Mas a história é sensacional. Torcerei muito. Um time cujo brasão tem um barril cativa fãs de Pica-Pau e Chaves ao mesmo tempo. Como aprecio ambos, já tem meu ALENTO.