Se a Argentina fosse Brasil
Para uma terça-feira sem jogos relevantes, cabe aquele exercício que já propusemos uma vez: como estaria o Campeonato Brasileiro se a fórmula fosse a mesma do Argentino? Isso significa dois campeonatos, um por turno, e rebaixamento por média de pontos. A título de curiosidade, claro...
Apertura 2010
Seria decidido nesta quarta-feira, com os jogos atrasados que serão realizados. O Fluminense, com 38 pontos, perderá o título para o Corinthians, que tem 37, caso o Timão vença em São Januário. Quem ganhar este turno, vai à Libertadores 2011. Se houver empate, jogo extra entre ambos valendo a taça.
O Inter é 4º, com 31, e pode ganhar uma posição se vencer o Santos. O Grêmio decepcionou e acabou em 16º lugar, mas não corre risco algum de rebaixamento por causa dos promédios de 2008 e 2009, que sustentam a má campanha de 2010.
Clausura 2010
O torneio passa da metade. E a “decisão” será domingo, no Olímpico: os líderes Grêmio e Cruzeiro, empatados com 23 pontos, decidem quem abre vantagem. O Palmeiras, com 19, está à espreita. Inter, São Paulo e Atlético/PR estão com 16. O Goiás, lanterna do Apertura, é oitavo, com 15. O Corinthians, que pode ser campeão do Apertura, é só 13º, com 12.
Libertadores
Vão os campeões dos turnos, mais as duas melhores campanhas. Neste caso, o Fluminense estaria levando uma vaga, mas pode perdê-la para o Corinthians. Grêmio e Cruzeiro, empatados, disputariam a outra (saldo de gols não decide disputa de título, só jogo extra). Corinthians, Botafogo, Atlético/PR, Palmeiras e São Paulo também estão na briga pelo geral de pontos.
Rebaixamento
A média dos três últimos anos levaria Prudente (1,045 ponto por jogo) e Atlético/GO (1,000) à Série B. Vasco (1,182) e Guarani (1,172) disputariam as outras duas vagas na elite com Bahia e Figueirense, respectivamente, quarto e terceiro colocados na Série B atual, em confrontos diretos de ida e volta, a Promoción.
Correm risco também Ceará, Avaí, Atlético/MG e Vitória. O Goiás, por 2008 e 2009, estaria escapando, mas corre risco. O Atlético/PR, apesar do bom desempenho este ano, corre risco pelos maus campeonatos recentes. O Grêmio tem a quarta melhor média geral (1,619), e o Inter a quinta (1,596).
Comentários
Talvez os mais novos - apesar de que aqui quem fala é um piá de 20 anos - não saibam, mas o Brasileirão de 1999 teve um regulamento parecido ao Campeonato Argentino; ao menos, no que tange ao rebaixamento.
Na primeira fase, disputada em turno único pelos 22 times participantes, os 4 piores clubes na média de pontos entre os campeonatos de 1998 e 1999 seriam rebaixados - exceção feita a Botafogo de Ribeirão Preto e Gama, cujo promédio só se referia a 1999, visto que estavam na Série B no ano anterior.
Se o regulamento de 1998 fosse mantido, Juventude, Botafogo (SP), Portuguesa e Sport seriam os rebaixados - posicionados entre 19º e 22º, respectivamente. Contudo, segundo os promédios, foram rebaixados Botafogo (SP) (1,00), Juventude (1,09), Paraná (1,09) e Gama (1,24), sendo que o Paraná foi 17º, e o Gama, 15º.
Inter, que se safou da Segundona graça ao gol de Dunga contra o Palmeiras, na última rodada, teve promédio de 1,27 e terminou em 16º - tivesse empatado e teria sido rebaixado.
Entretanto, o Gama entrou na Justiça Comum, melou o campeonato e criou-se a Copa JH em 2000.
Se não me engano, o Campeonato Mexicano tem um regulamento parecido quanto ao rebaixamento. E reconheço que demorei a entender o que se passava naquele Brasileirão, quando eu tinha 9 anos e via duas tabelas no jornal.
Verdade, Zezinho. Aquele campeonato foi uma bagunça nesse sentido. Foi o ano em que o Prof. Tristão ficou famoso, pois bolou um jeito de tornar simples a contagem de pontos. Antes, ninguém se entendia e era difícil descobrir como era o cálculo. Muito também por causa do regulamento omisso neste aspecto.
Isso fora o Fator Sandro Hiroshi...