Com J maiúsculo

A liderança do returno é o que menos vale, a não ser simbolicamente. O Olímpico receberá hoje um dos maiores jogos no ano, ao lado daquele 4 a 3 sobre o Santos, na Copa do Brasil, e do Gre-Nal que decidiu o Gauchão. Isso porque há muita coisa em jogo: Libertadores para o time de Renato, título para o de Cuca – dois que, aliás, não jogaram juntos no Tricolor dos anos 80.

É o maior jogo do domingo, um dos maiores do campeonato. Jogaço com J maiúsculo. Muitas vezes o Campeonato Brasileiro nos proporciona grandes partidas, do primeiro contra o segundo colocado. Mas raras vezes consegue reunir os dois que vivem melhor momento dentre os 20 participantes da competição, como ocorrerá hoje na Azenha. Só por isso já valeria a pena, mesmo que o time gaúcho já estivesse fora de qualquer briga. Mas o melhor de tudo: está dentro.

Nenhum teste poderia ser mais difícil neste momento para o Grêmio, time que mais cresce na tabela desde o final do turno. Boa parte do país torcerá pelo Tricolor, ou melhor, secará a Raposa: ganhando o Grêmio freia a ascensão cruzeirense e embola de novo a briga pelo título, que hoje tem um Fluminense que tropeça e já talvez nem considere mais um Corinthians em crise. Caso dê Cruzeiro, é difícil supor que os mineiros percam o fôlego até o final, pois passarão por um dos testes mais difíceis neste momento.

Montillo deve jogar, o que engrandece o jogo, mas complica Renato. Vilson será mantido na meia-cancha. Se Adilson está mesmo sem força, é melhor que não atue mesmo – isto porque a improvisação do zagueiro ali tem dado certo. É dia de ver se Lúcio está recuperado da má atuação em São Januário, se André Lima jogará mesmo em boas condições. Dia de ver Jonas, Montillo, e os dois melhores goleiros do país. Dia de ver muita coisa – e projetar o campeonato a seguir.

ONTEM
Curitiba: o Atlético/PR (6º, 46) venceu o Goiás (19º, 28) com gol extremamente duvidoso de González. Difícil dizer se a bola entrou ou não, pois nenhuma câmera deixa claro. Melhor ficar mesmo com o que marcou o assistente. Furacão sobe e encosta no Corinthians: dois pontos de distância. Os esmeraldinos torcem por um empate entre Galo e Avaí para não se afundarem ainda mais. 15 mil na Arena.

HOJE
Fluminense (2º, 52) x Botafogo (7º, 44): o Botafogo, com sete empates seguidos, será secado por atleticanos, gremistas, palmeirenses, são-paulinos e vascaínos. O Flu terá a volta de Emerson, e precisa vencer e secar o Cruzeiro para retomar a ponta do campeonato e embalar novamente.

São Paulo (10º, 41) x Santos (4º, 48): outro clássico muito interessante, entre dois times que vêm crescendo. Será o quinto confronto entre ambos na temporada. Até aqui, só deu Santos.

Guarani (14º, 34) x Corinthians (3º, 49): ainda sem técnico, mas com Ronaldo, o Corinthians precisa da vitória por uma questão de sobrevivência: voltar à briga pelo título e afastar quem está chegando de trás. O Bugre, então, nem se fala: com o confronto entre Atlético/MG x Avaí, é provável que um dos dois suba e encoste. Vencer é tarefa inadiável.

Palmeiras (9º, 43) x Ceará (12º, 38): precisando subir para chegar próximo ao G-3, o Palmeiras virá cansado da Bolívia, mas pega um Ceará tranquilo, quase livre da queda, buscando apenas se manter na zona da Sul-Americana.

Atlético/GO (17º, 29) x Vasco (11º, 41): os vascaínos voltaram a sonhar com Libertadores após o jogo com o Corinthians. O Dragão virá sedento pelos três pontos, pois, com eles, deixará a zona de rebaixamento hoje. Jogando no erro e na afobação goiana, a equipe de PC Gusmão pode se dar bem.

Vitória (15º, 31) x Prudente (20º, 21): não há desculpa para o Vitória caso não vença. O Prudente tem seu destino selado no campeonato. Jogo para os baianos respirarem na luta contra a Série B.

Série B
A grande prejudicada da rodada foi a Ponte Preta (6º, 45). Perdeu para o Ipatinga e viu todos os seus rivais ganharem: Bahia (4º, 52), América/MG (2º, 52), Figueirense (3º, 52). O tricolor baiano fez 3 a 0 no Náutico (13º, 37), enquanto mineiros e catarinenses ganharam fora de casa. Mas o mais significativo foi o Sport (5º, 46), que fez 3 a 2 no líder Coritiba (1º, 56), com dois de Marcelinho Paraíba. Público decepcionante na Ilha do Retiro: 16 mil.

Série C
O Ituiutaba subiu. Ficou no 0 a 0 com a Chapecoense e passou pelo saldo qualificado. 

Comentários

samir disse…
Sobre o público na ilha do retiro: lembro q é prática comum ao Sport subir e mto os preços dos ingressos em jogos importantes, logo pode ser a explicação pra esse baixo público

Sobre os jogos de hj: o time que mais me assusta, como adversário do grêmio na luta pela libertadores, fora os que estão a sua frente, é o palmeiras, então a minha secação vai pra esse jogo de hj.
Vicente Fonseca disse…
Concordo, o Palmeiras é que mais leva perigo. Mas acho que o São Paulo também não pode ser desprezado. Técnico novo, bom elenco... Pode dar trabalho.
Zezinho disse…
Sábado, fui à Vila Capanema assistir um duelo de desesperados na Série B: Paraná 2x0 Brasiliense.

Aliás, faz todo o sentido o Brasiliense estar rumando à Série C: o camisa 10 era o RUY CABEÇÃO - além de ter como companheiros de equipe Acosta e Eduardo (goleiro que pediu demissão do Grêmio).

Com a chegada de Roberto Cavalo, o Paraná voltou a mostra a boa dinâmica de seu 3-5-2 do começo do campeonato, sob à égide de Marcelo Oliveira. Cavalo encontrou em Henrique, um garoto da base paranista, para substituir Gílson na ala-esquerda. E foi ele quem marcou o primeiro gol do jogo. Bom ficar de olho nele.

Nesse segundo turno, o Paraná tem apostado nos garotos para se salvar da Série C: Paulo Henrique e Henrique (alas) e Kelvin (atacante). Além deles, tem o ala-direito Murilo e o atacante Rodrigo Pimpão, também da base, mas com mais tempo de profissional.
Vicente Fonseca disse…
Sensacional programa, Zezinho. Passei por cima da Vila Capanema ano passado, quando fui a Curitiba. Fica perto de uma linha férrea e de uma auto-estrada, certo?

Boas observações. Mas vem cá: é AQUELE Marcelo Oliveira de 2005 a que tu te referes?

Andrade ainda não venceu pelo Brasiliense, diga-se.
Zezinho disse…
O Marcelo Oliveira citado era o técnico, ex-Atlético Mineiro :) Mas tenho curiosidade para saber onde anda AQUELE, dono de um míssil contra o Ceará, no Castelão.

No começo do campeonato, o Paraná jogava no mesmo esquema, mas muito mais no erro do adversário. Com a chegada do Anderson Aquino (meia-atacante que veio por empréstimo do Atlético/PR) - e que se lesionou gravemente semana passada - e, posteriormente, do Roberto Cavalo, o tricolor passou a propor mais o jogo.

Antes da Copa, o Paraná explorava muito o jogo pela esquerda, onde o Gílson atuava praticamente como meia, e o contra-ataque puxado pelo ótimo volante João Paulo e o atacante Marcelo Toscano. Contudo, os três foram negociados: Gílson foi para o Grêmio, João Paulo para o Japão, e Toscano para Portugal.

Isso ajudou a desmontar um time muito limitado, mas ajeitado. Para se ter ideia, um dos zagueiros é o Alessandro Lopes - AQUELE!
Agora, o time parece se reajustar na esperança de ter um final de ano tranquilo.

Quanto à Vila Capanema, atrás das sociais passa o Viaduto Colorado e o Rio Belém - segundo mais poluído do País. Atrás da Curva Norte, onde fica a Fúria Independente, passa a linha férrea que leva os trens de carga e passeio ao Litoral - afinal, um dos antecedentes do Tricolor era o Ferroviário
Vicente Fonseca disse…
Aaaah, bueno. Marcelo Oliveira, AQUELE, era muito melhor que o Alessandro Lopes - zagueiro mais fraco, no sentido físico mesmo, que vi atuar em toda minha vida.

Do que tu viu do Gílson, aprova ele? Tem me parecido bom jogador quando atuou pela lateral...
Zezinho disse…
Certa vez, li no Orkut que o Alessandro Lopes parecia uma CODORNA BÊBADA. Melhor definição.

Quanto ao Gílson, vou vender meu jabá: http://wp.clicrbs.com.br/mariomarcos/2010/08/17/leitor-destaca-o-futebol-do-lateral-gilson/ =]
Vicente Fonseca disse…
ERA TU? Li essa carta pro Mário Marcos quando contrataram o Gílson! hsahassa

Tá confirmando bem direitinho o que tu falava, o rapaz. Que siga assim.