O título que oficializa um timaço

O Santos mostrou os méritos de um grande campeão. E um time deste nível merecia, de fato, um grande título como o conquistado hoje à noite. Mesmo com uma equipe recheada de jovens, muitas vezes inconsequentes, que talvez nada tivessem a ver com o mata-mata, chegou lá eliminando grandes adversários. Goleou os pequenos, superou os grandes. Soube jogar fechado diante da pressão do Vitória e, mesmo perdendo o jogo, suportou o Barradão lotado a ponto de conquistar seu primeiro título na Copa do Brasil.

Foi um grande jogo. O Vitória mostrou, de novo, ser muito bom time. Não fosse a atuação desastrosa na Vila Belmiro, onde deveria levar uma goleada, o rubro-negro baiano poderia ter saído com a taça. Fez a pressão que se esperava no começo, mas o gol não saiu. Com Elkeson e Egídio combinando bem pelo lado esquerdo, deu muito trabalho à retaguarda paulista. O Santos não está acostumado a ter que jogar fechado, mas foi obrigado a atuar assim nos primeiros 25 minutos. Só começou a se soltar depois, com Ganso e Robinho chamando mais o jogo.

Edu Dracena fez o gol do título no finzinho do primeiro tempo, assim como classificou o time no apagar das luzes no Mineirão, contra o Atlético-MG. O Vitória mostrou brios no segundo tempo, virando o jogo com muita raça e imposição tática. Se Ramon, do alto de seus 38 anos, mal conseguia correr, Bida e Neto Coruja desdobravam-se. Se Nino Paraíba saiu machucado no comecinho na lateral-direita, Elkeson e Júnior criavam por ele. O Vitória valorizou o título santista. Wallace, autor do gol de empate, já fez um bom Brasileirão em 2009, e vai repetindo a dose este ano. Não estranhem se parar em um clube do Sul ou Sudeste na próxima temporada, pois é bom investimento. Júnior, destaque no começo do ano, fez na sequência um gol de quem sabe concluir, mas não foi suficiente.

O Santos perdeu todos os quatro últimos jogos que fez fora de casa na Copa do Brasil, mas o desempenho espetacular na Vila lhe garante a taça. Dada a extrema juventude do time, Edu Dracena e Marquinhos foram nomes muito importantes na conquista. Este último acertou o meio-campo do time quando os baianos dominavam a partida. Arouca, um gigante no meio, carregou o piano com imensa qualidade, dando sustentação ao maravilhoso ataque do time. E Robinho, que voltou da Inglaterra para conquistar os dois títulos que o Santos disputou, mostrou maturidade (dentro de campo) em diversos momentos da campanha, chamando para si a responsabilidade em jogos complicadíssimos, como nos 3 a 1 sobre o Grêmio, nas semifinais. Merece todos os elogios.

O Vitória tem tudo para fazer um bom Campeonato Brasileiro, desde que não caia na depressão que assolou o Sport ano passado, após a eliminação para o Palmeiras na Libertadores. Já o Santos é um outro caso. Possivelmente desfocado, sem Robinho e André, é difícil pensar como será sua campanha daqui em diante. Com Keirrison, poderá ter futuro. O certo é pensar na Libertadores 2011, que já deve ser realidade na Vila a partir de amanhã. Ou quando (e se) a gurizada quiser voltar a trabalhar.

Só torço, sinceramente, para que não se justifique as barbaridades cometidas por alguns jogadores santistas fora de campo a partir deste belo título. Não fossem elas, pelo time que tem, talvez o Santos conquistasse a taça com maior imposição. O desempenho vertiginosamente decrescente de Neymar nos últimos meses é um exemplo que denota clara falta de foco, ou excesso de badalação.

Copa do Brasil 2010 - Final - Jogo de volta
4/agosto/2010
VITÓRIA 2 x SANTOS 1
Local: Barradão, Salvador (BA)
Árbitro: Carlos Simon (RS)
Público: 38.111
Renda: R$ 1.522.000,00
Gols: Edu Dracena 44 do 1º; Wallace 12 e Júnior 32 do 2º
Cartão amarelo: Bida, Anderson Martins, Wallace, Elkeson, Edu Dracena, Pará, Robinho e Rafael
VITÓRIA: Viáfara (8), Nino Paraíba (5,5) (Gabriel, 19 do 1º - 5,5), Wallace (7), Anderson Martins (6) e Egídio (5,5); Neto Coruja (5,5), Bida (6) (Adaílton, 38 do 2º - sem nota), Ramon (5,5) (Renato, 22 do 2º - 6) e Elkeson (6); Júnior (6,5) e Schwenck (4,5). Técnico: Ricardo Silva (7)
SANTOS: Rafael (6,5), Pará (5), Edu Dracena (6), Durval (5) e Alex Sandro (5); Arouca (7), Wesley (5,5) e Ganso (6,5); Robinho (6) (Rodriguinho, 42 do 2º - sem nota), André (4,5) (Marquinhos, 17 do 2º - 6,5) e Neymar (4,5) (Marcel, 33 do 2º - 5). Técnico: Dorival Júnior (6)

Foto: Edu Dracena comemora com Neymar e Robinho o gol do título santista em Salvador (Léo Pinheiro).

Comentários

luís felipe disse…
só uma coisa: eu não achei o Santos fechado. Aliás, achei que deram espaços demais, e o Vitória é um time muito fraco para aproveitá-los.
Vicente Fonseca disse…
Talvez ACUADO seja o melhor termo. O Santos não sabe se defender mesmo.
vine disse…
Mas o Vitória mostrou o típico futebol que tem: aberto, jogando leve e objetivamente. Não é à toa que sequer passou perto do rebaixamento desde que voltou a Série A. Gostoso ver esse time jogando.
Vicente Fonseca disse…
Pois é, eu ia discordar do Luís, mas esqueci (hdhsdh). Acho o Vitória um bom time. Falta melhor acabamento na conclusão, claro. Schwenck não é um centroavante confiável para quem quer ganhar a Copa do Brasil. E, além disso, alguém para auxiliar o Ramon na criação. Elkeson jogou recuado ontem, mas é melhor como segundo atacante.
Lourenço disse…
O Santos foi lá e ganhou. Não ter ranço e saber que o Santos foi lá e fez o que todos queriam, o resultado, somado às atuações excelentes do primeiro semestre e o fato de que sobrou na final. O resto é ideologia furada.

Santos só ganha título com Robinho ou com Pelé, impressionante. É o melhor jogador da década nos gramados brasileiros.