Mais uma coincidência

Bolívar e Guiñazu, os capitães do Inter quase bi (AP)

Se o Internacional precisava de mais uma coincidência para comemorar o bicampeonato da América, a noite de ontem ofereceu a maior delas: ganhar por 2 a 1, fora de casa, na primeira partida da final da Libertadores. Somente uma tragédia de proporções ainda desconhecidas no Rio Grande do Sul tira o título do Colorado.

O Chivas foi uma completa decepção. Não lembrou em nada o time ousado de outras vezes, que atacava os adversários sem piedade em Guadalajara. Foi frágil defensivamente (levou dois gols de cabeça iguais, com adversários livres dentro da área), atacou pouco, errou muito quase sempre. O placar de 1 a 0 que fechou o primeiro tempo foi completamente enganosos. Só o Inter jogara até então.

Celso Roth não soube solucionar o problema da inesperada lesão de Alecsandro, ainda no primeiro tempo. Com Everton ali, ocorreu o mais lógico: o Inter sucumbiu ofensivamente. O Chivas chegou a quase equilibrar o jogo no segundo tempo. O erro foi reconhecido pelo próprio Roth, e não apenas na coletiva, mas no próprio jogo, quando tirou-o de campo em favor de Rafael Sobis. O predestinado Sobis, que entrou e participou dos dois gols.

O Inter jogou com maturidade de quem será campeão da América. Deixou para ganhar a primeira fora de casa justo na final. Nunca se abateu, nunca se descontrolou, sempre teve o jogo à sua feição, mesmo em desvantagem. Algumas atuações individuais se destacaram: Kleber, D’Alessandro, Giuliano e Bolívar foram os principais. Para não dizer que tudo são flores, Renan falhou de novo.

Só uma tragédia tira o bi. Uma novela mexicana, mas mais mexicana do que nunca.

A estreia de Renato
Renato chega a Porto Alegre ao meio-dia, e já à noite comandará o time. Trata-se de um dia histórico: sua volta ao clube do coração, agora como técnico, 19 anos depois de ter jogado pela última vez com a camisa tricolor. Não será seu o time de hoje; foi montado em conjunto com o auxiliar Andrey Lopes, mas sem nunca tê-lo treinado. Será um 4-5-1 como Mano Menezes implantou no próprio Grêmio em 2006: laterais mais contidos, dois volantes, três meias encostando em Jonas, o único atacante.

A classificação é imperiosa, de preferência com vitória. A chegada de Renato coincidindo com um bom resultado será o combustível para impulsionar o Grêmio a uma recuperação nas próximas partidas. O Goiás é menos time, está em leve desvantagem e joga na casa gremista. Renato já avisou que o Olímpico será de novo o estádio temível que foi nos últimos anos. É preciso botar esse pensamento em prática desde hoje.

O primeiro adeus do plantel
A dispensa de Rodrigo vem no sentido de dar o recado a outros jogadores indisciplinados, por mais que Guerra não admita. Era sabido que o plantel também poderia sofrer mudanças, e não apenas comissão técnica e direção de futebol. Renato foi informado da dispensa, certamente.

Houve problemas internos, que talvez nunca saibamos, e é impossível, assim, contestar ou aprovar os motivos do ato. O fato é que o Grêmio perde um bom zagueiro, que vinha mal, mas que já rendeu e podia render bons frutos. Sem Mário Fernandes, é imperiosa a contratação de pelo menos um zagueiro em nível de titularidade, além de promover guris da base, como Saimon e Neuton, que pode ser aproveitado em sua posição de origem.

Comentários

Lique disse…
bah, nenhum clima para celebrar renato, ele chegando numa data tão cachorra para gremistas. entre finais de libertadores, tendo o inter praticamente garantido o título. hehe. QUE FASE. ganha de uma vez essa libertadores, inter, não te aguento mais.
luís felipe disse…
Olimpia, 1989.

Cruz Azul, 2001.

Estudiantes, 2008.

Nada está ganho.
Vicente Fonseca disse…
Esqueci de comentar que o Guiñazu jogou demais também. Melhor partida do Inter na Libertadores.
Victor disse…
Guiñazu preenche o meio-campo.

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Renato é O cara. Como gaúchos parecem menos cheios de nove horas que cariocas, poderá usar toda sua marra em prol do time.
Vicente Fonseca disse…
Assim espero, Victor.

Interessante que o Grêmio, por um lado, frisa que está trazendo o TREINADOR Renato, e pede para a torcida não confundir as coisas. Por outro, faz uma campanha no rádio falando da volta do "camisa 7", inclusive endossada pelo site do clube.

É IMPOSSÍVEL não relacionar as coisas. Mas não creio que um eventual mau desempenho dele vá prejudicar sua imagem. Ele é simplesmente endeusado por aqui (pelos gremistas, óbvio), como nenhum outro jogador no Estado inteiro.