Uma linda festa, que poderia ter sido a maior

Decisão do terceiro lugar geralmente é um dos melhores jogos da Copa: partida leve, com normalmente dois grandes times, atuando sem tantas preocupações. Em 2010, Uruguai e Alemanha resolveram a melhor partida de bronze desde 1986, quando a França de Platini derrotou a Bélgica na prorrogação, por 4 a 2.

Joachim Löw, sem o possível recordista Klose, escalou Cacau no comando de ataque. Deu chances a vários reservas de iniciarem a partida: Butt foi o goleiro, e teve ótima atuação; Boateng saiu da esquerda para a direita, substituindo Lahm e dando chance a Aogo; Podolski deu lugar a Jansen, que deveria ter sido o titular da lateral-esquerda, pois é mais jogador que Boateng – que, diga-se, foi muito bem hoje, marcando firme e cruzando para o gol de Jansen, o do empate em 2 a 2.

Já Tabarez voltou a um esquema parecido com a da estreia e o das semifinais: dois volantes centralizados, Maxi Pereira e Cavani abertos na meia e Forlán mais adiantado, ao lado de Suarez.

A diferença da partida, entretanto, não esteve na tática, mas nos goleiros. Enquanto Butt salvou a Alemanha com defesas importantíssimas, Muslera falhou, com boa vontade, em dois gols alemães – para não dizer que no terceiro sofreu de braço curto. Foi um jogo extremamente aberto, franco, onde vimos muitos dos melhores jogadores da Copa: o maestro Schweinsteiger, capaz de ficar desconsolado com cada erro que comete, tal seu comprometimento; Müller, habilidoso e alto, autor de mais um gol por oportunismo; Özil, de rara técnica, sempre de cabeça erguida; Friedrich, melhor zagueiro do Mundial; Khedira, que marcou um merecido gol, desarma e aparece no ataque com a mesma naturalidade; Godín, um leão que não perde uma dividida; Arévalo e Pérez, que só não é a melhor dupla de volantes da Copa por causa do par alemão; Forlán, único atleta a ir bem em todas as partidas do Mundial, ultradecisivo, possivelmente o melhor jogador do torneio; Suarez, sempre pronto para arrematar; Fucile, melhor lateral-esquerdo, muito seguro na marcação.

Belíssimo jogo. A Alemanha ganha um prêmio de consolação que ainda assim é incompatível com o excelente futebol apresentado. Ao Uruguai, cabe dizer que é lindo ver a Celeste voltando às grandes disputas. Que não tenha sido esporádica a campanha de 2010.

Foto: Forlán marca um dos golaços da Copa, mas a Alemanha ganha o terceiro lugar (AFP).

Comentários

felipesfranke disse…
Pois é, cada vez mais penso em como a Alemanha achou um jeito de perder para a Espanha. Perder entende-se, mas daquele jeito?

Estava observando os jogos da Espanha (desculpas de se isso já foi feito em algum post anterior):

- 3 jogos vencidos por 1 x 0
- 2 vitórias marcando dois gols (2x1 contra CHI e 2x0 contra HON)
- 1 derrota por um a zero

A Alemanha, por sua vez (sem contar o 3o lugar) vinha com um altíssimo volume de jogo (13 gols em seis jogos, com duas derrotas por 1x0 e tres goledas, duas delas muito expressivas). Só jogou pouco (nada?) contra a Espanha. Pq, Jesus?

A Espanha, por sua vez, nunca goleou e nao massacrou DE VERDADE. Mas me parece mortal em uma coisa: nao deixa ninguém jogar. SOMENTE ELA JOGA. Toca a bola infinita e "classudamente" no meio de campo e anula quase que ao máximo chances de levar gol (só falhou contra Suíca e QUASE contra o Paraguai). A vitória passa por abafas às vezes meio desesperados, lances de sorte, e nao por grandíssimas jogadas coletivas ou individuais (o que me surpreende).

Aliás, me arrisco dizer que a Holanda só passou pelo Brasil por aquele lance do Júlio Cesar. E que a Espanha só passou pelo erro no penalti paraguaio. "Só".

Como queria que o jogo de hoje tivesse sido a final. Mas ok, chega de choradeira.

Forlán, jogador da Copa.
Vicente Fonseca disse…
Eu também queria esse jogo como final, Fipa.

Aliás, tua teoria é excelente: a Espanha não massacra, mas só ela joga, não deixa ninguém jogar. Por que teve tantas dificuldades justamente contra Paraguai e Suíça? Porque são dois times que só sabem jogar "não jogando".
Prestes disse…
Boa análise, Fipa e boa complementação do Vicente.

É isso aí, a Espanha não deixa ninguém jogar. Mas se o adversário for paciente, pode matá-la.
Prestes disse…
Que senhor jogador esse Forlán!