Ambos na história, mas de modos diferentes
A Alemanha de 2010 entrará para a história das Copas como um daqueles brilhantes times que não venceu. Viu-se desfalcada de um de seus principais nomes nesta maravilhosa campanha que fazia, Müller, e não conseguiu exercer sua saída rápida e fatal de contra-golpe. Löw apostou em Trochowski, quando o correto seria tentar Kroos, que entrara bem contra a Argentina e tem características muito semelhantes às do titular.
Mas seria extremamente injusto culpar o treinador, que tantos méritos tem, pela derrota alemã. O fato é que a Espanha fez a única coisa que poderia dar a ela uma inédita vaga na final: jogar demais, desempenhar sua melhor partida no Mundial 2010. E assim foi. Contra o melhor time da Copa (e continua sendo, apesar da eliminação), além de tocar a bola no campo ofensivo com a qualidade de sempre, simplesmente impediu os alemães de tentarem o ataque. Claro que a ausência de Müller facilitou as coisas, mas vamos aos méritos: bastava Özil ou Schweinsteiger dominarem a bola que havia pelo menos três espanhóis em cima, famintos, para roubar a bola. Dizer que a Espanha só ganhou na qualidade individual de seus jogadores, nos dribles do meio-campo “mágico” é uma falácia, no máximo meia-verdade. Houve, além da inegável qualidade técnica de seus jogadores, muita entrega e marcação no campo de ataque.
No primeiro tempo houve ainda um certo equilíbrio, a Espanha chutava pouco. Na volta do intervalo, ficou expressa uma clara orientação para que a equipe chutasse mais a gol. Se os espanhóis tivessem a objetividade dos alemães, teriam vencido com muito mais tranquilidade. E além de arriscar mais, a equipe de Del Bosque impediu ainda mais a Alemanha de tentar sair para o jogo. Os primeiros 20 minutos foram um massacre. Kroos entrou e melhorou o time mas, justamente quando a partida se encaminhava para o equilíbrio, veio o gol de Puyol, que fez grande partida ao lado de Piqué, outro que ganhou todas. Os principais, porém, foram Xavi e Iniesta, geniais com a bola no pé quase sempre.
A seguir, o que se viu foi uma Alemanha sem a organização habitual sofrendo seguidos contra-golpes espanhóis que, não fosse o preciosismo, teriam definido o jogo sem tanto drama. É preciso ressaltar que o zagueiro Friedrich também teve papel decisivo, fazendo uma partida histórica e impedindo, várias vezes, que as escapadas espanholas acabassem nas redes de Neuer – outro que foi muito bem. Faltaram as grandes individualidades, porém. Klose esteve bem marcado, Özil sucumbiu à severa marcação, Schweinsteiger era acossado sempre que tentava armar o jogo, Podolski fez má partida. Pela Copa que fez, os alemães mereciam o título. Mas, pelo jogo de hoje, a vaga fica em boas mãos com a Espanha.
Teremos uma final inédita, de dois times que sempre são cotados, mas que raramente chegam. A Holanda, participante de outras duas finais, tem no cartel a eliminação do Brasil. A Espanha, que é motivo de chacota sempre que alguém nela aposta, tirou a Alemanha. Duas equipes que não brilharam tanto durante o Mundial, foram fazendo seu papel quietinhas, e que chegam para dar à história do futebol um oitavo campeão do mundo. Um dos dois que nunca ganha agora ganhará. Domingo, mais uma capítulo da história será escrito, em Johanesburgo.
Foto: Puyol sobe mais que a zaga, bate Neuer e põe a Espanha na sua primeira final de Copa do Mundo. Haverá campeão novo domingo que vem (AFP).

Comentários
A Alemanha, pela segunda vez consecutiva, é a melhor seleção da Copa e não chega nem à final.
A Espanha jogou muito bem e mereceu o triunfo. Conseguiu desligar a máquina germânica.
E assim nasce a nova toca da Alemanha.
Acho interessante notar que a Holanda segue 100% na competição. Se vencer no tempo normal, igualará o Brasil de 2002 como melhor campanha da história. Um predicado e tanto, convenhamos.
E a Alemanha não vai pelo título, mas sai fortalecida. Uma equipe tida ainda como em formação fez excelente campanha e, pela segunda Copa consecutiva, chega mordendo nas semifinais. Se o ótimo trabalho de Joachim Löw for mantido, 2014 é logo ali para a Divisão Panzer...
Pena que Uruguai e Alemanha tendem a estar desmotivados. Em outras circunstâncias, seria um jogo antológico. Talvez ainda seja, mesmo assim.
Eu, todavia e muito infelizmente, não conseguirei torcer entusiasticamente por nenhuma das duas seleções.
A Espanha dominou completamente o jogo, mas é fato que ganharam em bola na área, em sufoco, e não na qualidade deles (embora aí, e na marcação, tenham não perdido).
Sneijder vs Iniesta, quem sabe?
Revendo minhas apostas, notei que joguei os dados sempre contra Holanda e Espanha (exceto no jogo do Brasil).
Agora uma coisa me cativa. Eu não conheço ninguém que esteja mesmo torcendo pela Fúria, e a base dela são dois dos mais populares times do planeta. Qual a razão do desafeto?
Ontem, acho que a estrategia da Alemanha foi equivocada. Não poderia esperar tanto. Deveriam ter forçado mais em cima da zaga espanhola
Acho que ninguém torce muito pela Espanha por ser sempre o time cotado que cai fora de forma triste a antecipada. Isso enerva um pouco os amantes do futebol =]