O único resultado possível

Foi um jogo com a cara daquele empate de 2002, também na primeira fase e por 0 a 0. Uruguai e França fizeram partida truncada, mostraram equipes pouco criativas e mereceram, afinal, o resultado que obtiveram, num duelo onde as defesas se sobrepuseram sobre os ataques.

Os dois times foram escalados de forma problemática para os homens de frente. No caso uruguaio, Arevalo Ríos e Diego Pérez foram muito mais volantes que propriamente meias. Forlán era obrigado a retornar até o círculo central para buscar jogo e armar os ataques, isolando Suarez, que foi facilmente dominado por Abidal e Gallas. Atrás, porém, a equipe de Oscar Tabarez funcionou bem. Apesar de Lugano começar vacilante, Victorino, e principalmente Godín (melhor homem em campo), foram muito seguros. No combate individual aos atacantes foram perfeitos, embora o esquema francês também tenha colaborado para facilitar a tarefa.

Raymond Domenech, a exemplo de 2006, escala um time cheio de opções incompreensíveis no começo da Copa para tentar ajeitá-lo depois. O sofrimento inicial é, porém, teimosamente repetido. Anelka, que já não é um primor técnico, foi pouco assessorado. Nas poucas vezes em que tentou participar do jogo, atrapalhou o andamento das jogadas de ataque. Ribery ficou isolado na ponta esquerda e contribuiu pouco com o time. As chegadas vinham através de Diaby, no começo, e Gourcuff, na segunda metade da etapa inicial.

A França, que começara melhor o jogo, via o Uruguai equilibrar as ações na primeira etapa e começar bem melhor a segunda. Mas Forlán perdeu a grande chance de frente para Lloris, e dali em diante a Celeste parou de jogar. Os treinadores, percebendo a necessidade de melhorar a produção ofensiva, fizeram o óbvio, que poderiam ter sido as escalações iniciais. Lodeiro era o enganche que faltava para colocar Forlán e Suarez no jogo. Mas, além de não conseguir realizar sua função como devia, foi expulso. Tabarez deu azar.

As trocas de Domenech, por outro lado, melhoraram muito a França – e deverão balizar os próximos jogos da equipe. Henry e Malouda deram outro ritmo ao setor ofensivo. O meia do Chelsea fez as trocas constantes de posição com Ribery que caracterizavam o time de 2006. Não precisava ter saído Gourcuff, porém. Domenech não mexeu bem; escalou mal. E as trocas, embora tenham melhorado o rendimento, poderiam ter sido feitas antes e de forma um pouco mais ousada, especialmente quando seu time se viu em superioridade numérica.

No fim, o 0 a 0 retrata bem uma partida pobre em soluções ofensivas e criativas. A França, se seu técnico não for tão teimoso, pode ter encontrado uma ideia de time para obter melhores atuações e resultados. Para o Uruguai, um ponto valioso, ainda mais depois da pressão sofrida após a expulsão desastrada de Lodeiro. A Celeste pagou o preço de ter uma baixa produção no ataque e, quando esteve melhor no jogo, não o matou. O Grupo da Morte começa, como se esperava, muito equilibrado.

Foto: Lugano e Diaby disputam bola no truncado empate entre uruguaios e franceses (Reuters).

Comentários

Lourenço disse…
2002, mas dessa vez ninguém saiu com a impressão de que ficou difícil classificar.
Chico disse…
No final das contas foi um bueno resultado pra Celeste.
Samir disse…
Q time ruim esse do Uruguai. Não existe ligação, é na base do balão e da individualidade do Forlan!

Grande time do Grupo A, pela primeira rodada foi a África do Sul. Veremos se na próxima rodada, passado o nervosismo, uruguai e frança jogam um pouco mais.
Vicente Fonseca disse…
O Uruguai tem boa defesa e atacantes bons, mas não tem meio. O González fo o único meia e esteve sumido o jogo todo. Tudo funciona na base do chutão ou de um lance de inspiração do Forlán. Aí vai ficar difícil.

A África do Sul fez uma correria interessante e tem evoluído, mas ainda acho o pior da chave, tecnicamente falando. Mas obviamente pode seguir adiante, como qualquer outro. Reitero: é o grupo mais parelho desde Itália, Irlanda, Noruega e México e o quádruplo empate de 1994.
Igor Natusch disse…
Ficou a impressão de que o Grupo é parelho, mas nenhum desses times tem a menor condição de ir longe nessa Copa. A África do Sul foi bem até, enfrentou os mexicanos com um jogo de toques rápidos e boas movimentações sem a bola, talvez até consiga mesmo a vaga na segunda fase. O México me decepcionou: muita frescurinha e pouco futebol. Uruguai é um time que tem potencial, mas o deserto que é o meio de campo celeste torna tudo mais difícil. E a França tem bom plantel, poderia ter ganho hoje, mas pena nas mãos de um treinador que consegue ser mais indeciso e inventor que o próprio Maradona. Assim não tem como dar certo...
André Kruse disse…
O 0x0 de 2002 foi o meu jogo preferido daquela copa. Não gostei do jogo de hoje.

Realmente o Uruguai não tem meio campo. Falta o enganche, e os alas e os volantes nao tem nenhuma vocaçao ofensiva. O Forlan volta pra buscar jogo e acaba ficando longe demais do gol.
Quando o Forlán pegava a bola no meio campo e tentava armar o ataque, só tinha DOIS JOGADORES URUGUAIOS (além dele) que cruzavam a linha do meio campo. Para enfrentarem SEIS FRANCESES. Convenhamos, fica muito difícil modificar o placar jogando dessa forma.

E concordo, colocar Anelka de titular em detrimento de Henry é heresia pura. Mas a França tem elenco e me surpreendeu positivamente hoje. Se antes apostava em México e Uruguai como classificados desse grupo, hoje digo que a coisa ficou imprevisível nesse grupo.
Lourenço disse…
"Ficou a impressão de que o Grupo é parelho, mas nenhum desses times tem a menor condição de ir longe nessa Copa."

Concordo! Mas tenho um pouco de medo. Esse é o Grupo A, não dá para comparar e saber se ficarão abaixo dos demais.
Prestes disse…
Forlan teve a bola do jogo e não matou. Pena.

E como todos viram. O Uruguai não tem meias mesmo...

VOLTA FRANCESCOLI!
Vicente Fonseca disse…
CLAMEI pelo Francescoli ontem, Prestes. dshsdhds