Grupo G: três inimigos bem distintos
Quando o sorteio dos grupos da Copa do Mundo definiu quem seriam os adversários do Brasil na primeira fase, muitos aqui no país se assustaram e logo trataram de rotular a chave como o Grupo da Morte da vez. Certamente, o exagero deriva do fato de que a seleção tem dado sorte nas últimas Copas, pegando normalmente adversários muito inferiores. Na prática, porém, a situação é um pouco diferente – mesmo que Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal constituam o conjunto de adversários mais difícil para os canarinhos desde Rússia, Camarões e Suécia em 1994.
Favorito ao título, o Brasil deve se classificar às oitavas, ainda que não com facilidade. É possível (mas não provável) que a seleção de Dunga não obtenha o primeiro lugar do grupo, o que indica um confronto prematuro com a forte Espanha logo nas oitavas. Isso, porém, só ocorrerá em caso de vacilo. Portanto, é bom que os olhos estejam bem abertos, especialmente com marfinenses e portugueses, que devem disputar a tapa o outro lugar entre os 16 melhores do mundo.
Brasil
Dunga é coerente, chegando a passar do ponto nesse aspecto. Os 23 selecionados para representarem o pentacampeão Brasil na África do Sul são aqueles que mais estiveram com ele nestes quatro anos de caminhada rumo à renovação de um plantel envelhecido, que fracassou em 2006.
Neste período todo, à exceção do segundo semestre de 2009, a seleção brasileira e seu treinador foram sempre alvo de críticas no país inteiro: elas começaram com escolhas de jogadores abaixo do nível exigido para envergar a camisa amarela após a Copa da Alemanha, passaram pela acidentada, mas vitoriosa Copa América do ano seguinte e pelos tropeços e atuações pouco convincentes nas Eliminatórias, em 2008. Após um excelente 2009 e o título da Copa das Confederações, o clima melhorou e o Brasil, aparentemente, chegaria tranquilo ao ano da Copa. Mas aí veio a pressão para convocar as jovens estrelas do Santos, e tudo voltou a ser como era antes: contestações a Dunga e a seus métodos de trabalho e de escolha de atletas.
O Brasil chega à Copa de 2010 como não conseguiu em 2006: com um time montado e estruturado em cima de uma espinha dorsal que está acostumada a jogar junta: Júlio César, Maicon, Lúcio, Juan, Gilberto Silva, Elano, Kaká, Robinho e Luís Fabiano são os principais nomes da III Era Dunga. Todos titularíssimos. O problema é a falta de opções no banco capazes de mudar o rumo de uma partida. Caso Kaká se lesione, não há ninguém com suas características para substituí-lo – por isso clamou-se muito pela convocação de Ronaldinho no início deste ano.
Mesmo assim, o Brasil é um dos principais candidatos ao título, justamente pela solidez defensiva, equilíbrio do time e, mesmo que discordem, algumas peças individuais. Elencos muito mais brilhantes que este já representaram os canarinhos em Copas anteriores, mas são poucos os times tão bem montados quanto o de agora. Foi a escolha de Dunga: a de privilegiar o coletivo em detrimento do individual, nem que seja necessário preterir jogadores em momento tecnicamente superior em nome disso. Seu trabalho é a antípoda do que foi feito em 2006. Vendo por este viés, já larga bem.
Coreia do Norte
Com apenas uma participação em Copas do Mundo, a Coreia do Norte é seguramente a seleção mais desconhecida de todas as 32 que desembarcarão na África do Sul. Por azar, caiu no grupo mais difícil para uma seleção fraca nesta Copa, com três adversários que entrarão contra ela como amplos favoritos.
Após campanha razoável nas Eliminatórias, os norte-coreanos já realizaram 15 amistosos desde o empate sem gols com a Arábia Saudita, jogo que lhes concedeu o passaporte rumo à África. Mesmo enfrentando poucas seleções de expressão, venceram apenas quatro delas (Guam, Taiwan, Quirguistão e Myanmar, equipes que passaram longe de se classificar nas Eliminatórias). Desde março deste ano, enfrentou outros quatro times que jogarão a Copa: México (derrota por 2 a 1), África do Sul (0 a 0), Paraguai (derrota por 1 a 0) e Grécia (2 a 2). Nenhum fiasco, mas nenhuma vitória.
O objetivo da Coreia do Norte é justamente manter este desempenho obtido nos amistosos: tentar não perder e, se não for possível, perder de pouco. Eles sabem que são o fiel da balança: quem não ganhar deles ficará em apuros na briga pela vaga; quem ganhar de pouco, pode se complicar no saldo. Uma surpresa como a de 1966, quando bateram a Itália e se classificaram às quartas-de-final, é sonho praticamente impossível. Ao menos, poderão reviver o histórico duelo contra Portugal, vencido pelos lusitanos por 5 a 3 naquela Copa do Mundo.
Costa do Marfim
Uma das mais badaladas seleções do continente da Copa, a Costa do Marfim chega com pose de equipe grande. Não apenas está segura de que passará de fase como garante que vencerá o Brasil, na segunda rodada do Grupo G. Tamanha confiança pode ser entendida pela presença de nomes conhecidos do futebol europeu, como os zagueiros Demel (Hamburgo) e Kolo Touré (Manchester City), o lateral Eboué (Arsenal), o os volantes Yaya Touré (Barcelona) e Zokora (Sevilla) e os atacantes Kalou (Chelsea) e Keita (Lyon), além da maior estrela do time, Drogba (Chelsea), um dos melhores centroavantes do mundo na atualidade (se não o melhor).
De fato, com tamanha experiência e qualidade em seu elenco, a Costa do Marfim pode ir longe na Copa. Passando num grupo com Brasil e Portugal, terá tudo para crescer ainda mais e, quem sabe, ser a primeira seleção africana a chegar às semifinais. Entretanto, terá de melhorar seu desempenho recente. Após se classificar com folga nas Eliminatórias africanas (seu grupo, contudo, era muito fácil) e empatar com a Alemanha (2 a 2) a seguir, a equipe só decepcionou: fez campanha discreta na Copa Africana de Nações, levou 2 a 0 da fraca Coreia do Sul e empatou, sábado, em 2 a 2 com o Paraguai, após estar vencendo por 2 a 0.
O jogo decisivo para os marfinenses, entretanto, não será contra o Brasil: é a estreia, contra Portugal. Quem vencer este duelo, larga em grande vantagem para seguir adiante na Copa. Quem se der mal, precisará derrotar os pentacampeões do mundo. Mesmo com tanta confiança, é tarefa, no mínimo, muito espinhosa. Melhor evitar a fadiga.
Portugal
Portugal não é mais a equipe que chegou às semifinais de 2006, não é o time de Luiz Felipe Scolari, não vive mais o auge da geração de Deco, Maniche, Ricardo e Figo. Daquela equipe, restam Miguel (30 anos), Paulo Ferreira (31), Ricardo Carvalho (32), Deco (32) e Simão (30).
Mas alguns nomes que eram muito jovens naquela época seguem no time, melhores e mais maduros que a quatro anos atrás. Casos de Tiago, Hugo Almeida, Nani e, claro, Cristiano Ronaldo, melhor do mundo em 2008 e esperança maior dos patrícios na África do Sul. São eles, ao lado do ex-brasileiro Liedson, que compensarão a decadência física dos veteranos. Uma mescla que pode dar resultado.
Felipão saiu após a Euro de 2008. Nas Eliminatórias, Portugal sofreu muito para chegar à repescagem, onde eliminou a Bósnia, igualmente com dificuldades. Por mais que o time atual não seja tão bom e confiável como nos tempos de Família Scolari, é uma seleção que já impõe certo respeito aos adversários no cenário internacional e que não teme enfrentar equipes de maior tradição. Caso do Brasil, por exemplo. Este promete ser o jogo mais encardido para a seleção de Dunga na primeira fase justamente por isso.




Comentários
Esse parágrafo diz muito sobre o Grupo.
Hoje o Mario Marcos disse na ZH que ele está na seleção do Camp. Português, ele joga no LEIXÕES.
Outro q tá nesse seleção é o Mossoró, do Braga.
Vou discordar. Aquele que joga na mesma posição do ROBINHO não pode ter as mesmas características do KAKÁ. Não há ninguém com as mesmas características do Isecson. Sem ele, vamos ter que mudar um pouco a forma de jogar.
Para substituir o Kaká, na atual seleção, há seis opções: J. Batista, D. Alves, Kléberson, Ramires, Gilberto e Robinho.
O que se discute é a qualidade desses reservas...