O inevitável chute da intermediária

Chega a hora de arriscar quem é quem no Brasileirão. A competição que se inicia daqui a pouco é a mais equilibrada e longa do país. Times mudam seus elencos, alteram sua força com o andar da carruagem. E ainda há um mês de parada devido à Copa do Mundo – período onde todos param, analisam o que está certo e errado, mudam seus elencos, melhoram a preparação física ...

Mesmo assim, o Carta na Manga não se furtará de opinar. Quem são os favoritos, quem corre por fora, quem fará figuração, quem lutará para não cair? Impossível responder agora, mas me atreverei. As avaliações têm como base o momento atual de cada time, os elencos atuais, seu potencial de crescimento e as competições paralelas que podem atrapalhar. Mas o imponderável, que muitas vezes joga pesado (quem diria que o desorganizado Flamengo, que fez tudo certo para perder em 2009, sairia com a taça?), não entra, justamente por ser imponderável. E imprevisível.

FAVORITOS
Cruzeiro: o longo trabalho de Adilson Batista obtém resultados e desempenhos cada vez mais satisfatórios. O elenco é cada vez mais experiente. Apesar da perda do Campeonato Mineiro e do começo irregular na Libertadores, o Cruzeiro firma-se como um dos melhores times brasileiros do momento, tendo na dupla Kleber e Thiago Ribeiro um trunfo inestimável. Isso sem falar em Gilberto, Jonathan, Marquinhos Paraná...

Grêmio: o trabalho de Silas começa a dar resultados. Com um elenco que alia a experiência de multicampeões a guris de desempenho destacado, antiga fórmula de sucesso no Olímpico, o Grêmio confirma as boas expectativas do começo do ano e mostra força também fora de casa, principal problema de 2009. Reforçar o ataque, que não tem reservas à altura dos titulares, é um dos poucos ajustes necessários. Está um passo atrás de Cruzeiro e Santos, mas parece ser questão de tempo para evoluir ainda mais.

Santos: com mais de 100 gols na temporada que ainda não chega à sua metade, o Santos é o alvo de todos. Time a ser batido, entra no Brasileirão com o status de grande favorito. Resta saber se Dorival Júnior conseguirá achar um equilíbrio defensivo para o time, de modo a não comprometer sua inigualável capacidade de atacar. A provável saída de Robinho em agosto é outro fator a ser considerado, além, claro das propostas que inevitavelmente surgirão por Ganso, André, Neymar...

CORRENDO POR FORA
Atlético-MG: Luxemburgo ganhou o estadual e está formando um bom time, com Corrêa, Ricardinho, Júnior e Diego Tardelli comandando a rapaziada. O Galo tem mais elenco que em 2009, quando fez boa figura, e a eliminação na Copa do Brasil mantém todo o foco no Brasileirão. Resta chutar para longe a pecha de time do “quase” para conquistar o título, mas Libertadores é bem possível.

Corinthians: tudo depende do ambiente pós-eliminação na Libertadores. O Corinthians promete força na busca pelo título, mas Mano Menezes ficará? Ronaldo entrará numa forma aceitável? Os medalhões contratados jogarão a qualquer custo ou por mérito? A torcida saberá entender um novo fracasso no torneio continental? Há experiência e qualidade de sobra para lutar, resta saber se haverá clima para uma reação.

Flamengo: não dá para descartar o campeão brasileiro de uma briga ao menos pela vaga na Libertadores, mas apenas dois cenários parecem possíveis: ou o Fla ganha a América e “brinca” no Brasileiro; ou a perde, entra em crise e faz uma limpa no elenco. Nenhum dos dois deve dar título, portanto.

Internacional: ainda não jogou neste ano um futebol capaz de colocar-lhe entre os favoritos. Mas tem camisa, elenco e recursos para se reforçar na janela durante a Copa. No entanto, há um cenário semelhante ao do Flamengo, descontada a desorganização rubro-negra: se ganhar a Libertadores, não pisará fundo no Brasileirão; se a perder, deve fazer uma faxina que inclui jogadores, treinador e até mesmo dirigentes. E recomeço de trabalho leva tempo e exige paciência para a obtenção de grandes resultados.

São Paulo: tem ainda um grupo de jogadores repleto de opções, e por isso é temerário deixá-lo de fora do grupo de favoritos. Porém, Ricardo Gomes está desgastado e dificilmente aguentará uma possível eliminação na Libertadores impune. Há tempos o São Paulo não joga bem, mas é sempre um gigante que pode acordar. Basta que lhe deem uma chance, apenas uma, de chegar à liderança.

A VER...
Avaí: dizem ser mais fraco que no ano passado, mas isto não significa um decreto de rebaixamento. Ganhou o estadual com sobras, eliminou o Coritiba da Copa do Brasil e deu muito trabalho ao bom time do Grêmio. Pode repetir a boa campanha – se não um sexto lugar como em 2009, um posto na primeira metade da tabela, o que já daria a vaga na Sul-Americana.

Botafogo: o título carioca e a experiência de Joel Santana e alguns jogadores dão margem para um crescimento. Mesmo assim, reforços são necessários para que a estrela solitária seja protagonista e não mera figurante na tabela. Pelo menos, não deve fazer tão feio como em 2009, quando o rebaixamento bateu à porta em quase todo o certame.

Fluminense: depois do empolgante final de temporada, o Flu só decepcionou. Único time grande a não chegar sequer a disputar uma final de turno no Rio, caiu com constrangedora facilidade diante do Grêmio na Copa do Brasil. Só Fred e Conca não bastam. Sem reforços, Muricy não fará milagres.

Palmeiras: dos grandes paulistas, é o mais fraco. Sem Diego Souza, tentará com Lincoln e Cleiton Xavier retomar o caminho dos bons resultados. Fez Paulistão e Copa do Brasil muito abaixo da expectativa. A crise interna só piora tudo. Hoje, tem mais chances de cair que de brigar por G-4.

Vasco: começou a temporada de forma promissora, mas demonstra resultados insuficientes e um elenco ainda frágil – embora bem superior ao de 2008, quando foi rebaixado. Precisa de um técnico de verdade, que monte um time a partir de Carlos Alberto, Elton e Ramon, principais nomes do plantel até o momento.

Vitória: tetracampeão baiano, o Vitória mostra bom desempenho também na Copa do Brasil, onde é semifinalista. Sob a batuta do interminável Ramon, tem condições de sobra para brigar por uma vaga na Sul-Americana.

FIGURANTES, FRACOS E ZEBRAS
Atlético-GO: pode ser a grande zebra do campeonato. Vem em franca ascensão no cenário nacional, é campeão estadual e semifinalista da Copa do Brasil. Não apostaria em seu rebaixamento.

Atlético-PR: não consegue renovar um elenco fraco. Manoel, Rodolpho, Márcio Azevedo, Chico, Valencia, Alan Bahia, Paulo Baier, Alex Mineiro... É o time de 2008? 2009? Não, 2010! Pelos resultados pouco animadores obtidos, deveria mudar mais e para melhor. Chegar na Sul-Americana, sem reforços, já será lucro.

Ceará: pode fazer do Castelão um trunfo. Mas perder o estadual para o rival Fortaleza, que está na Série C, e cair para o Corinthians-PR na Copa do Brasil são indicativos nada animadores.

Goiás: o elenco não é o mesmo dos últimos anos. As más campanhas nas competições de 2010 são um parâmetro preocupante. Talvez Leão possa fazer o time jogar mais.

Guarani: para evitar o fiasco deste começo de ano (quase rebaixado à Terceirona paulista e humilhado pelo Santos na Copa do Brasil), contratou jogadores com experiência de elite, como Rodrigo Heffner, Fabão, Renan, Cléber Goiano, Roger e Walter Minhoca. Ainda é pouco, mas talvez o suficiente para evitar o rótulo de saco de pancadas, que se projetava.

Prudente: fez ótimo Paulistão, mas perdeu jogadores importantes, como Marcos Assunção, Everton e David. Pode fazer figuração, ser zebra ou cair. Uma das grandes incógnitas.

Foto: Adriano chuta os prognósticos e dá o título ao Flamengo em 2009 (Maurício Val/Vipcomm).

Comentários

Marcelo disse…
Discordo.

Como o Ceará meteu um calor no PSV, é nitidamente um candidato ao título.
Vicente Fonseca disse…
hehe

Eu diria que o Ceará é favorito à Champions League 2010/11.
Lourenço disse…
Muito boa a análise. Esse tipo de análise criteriosa é Carta na Manga roots. Acho que eu não mudaria nada.
Vicente Fonseca disse…
hsdhssdh

Valeu, Lourenço!