Cabeça longe

Poupar ou não poupar? Jogar a morrer ou priorizar? Todo santo ano esta dúvida persiste em debate não só aqui no Rio Grande do Sul, mas em vários locais do Brasil onde os clubes disputam duas competições ao mesmo tempo. Sou da ideia de que só devem ser preservados aqueles jogadores muito cansados ou sem as melhores condições de jogo para o duelo mais decisivo. Neste caso, quem fez certo hoje foi o Grêmio, e não o Inter.

Isto teoricamente. No entanto, o domingo terminou com o tricolor, que pôs meio time titular em campo diante do Corinthians, derrotado; e o colorado, que só incluiu Walter no seu time que foi ao Cerrado, voltou com uma excelente virada sobre o Goiás, por 3 a 2. Todo mundo descansado para a decisão com o Estudiantes e três pontos na tabela. Perfeito, no fim das contas. Mas nem por isso avalio como a melhor estratégia. Usar um único titular – que, aliás, foi quem decidiu o jogo – e ganhar só foi possível pela ruindade do Goiás, hoje um candidato ao rebaixamento. No caso do Grêmio, meio time não foi o suficiente para derrotar o Corinthians; no do Inter, menos de 10% de time bastou para ganhar dos esmeraldinos. Os adversários importam, portanto, e muito. Esta história de que no Brasileirão todos são iguais e o nível é muito parecido é extremamente relativa.

O Grêmio, aliás, não perdeu apenas porque poupou Edilson, Rodrigo, Adilson, Jonas e Borges, mas porque só pensou no Santos a tarde inteira. Claramente desconcentrado, o time de Silas mal teve chances de gol durante a partida. O Corinthians não precisou jogar tanto para conseguir uma vitória onde não a alcançava desde 1999. Não entendi porque deixar Rodrigo de fora, já que não jogará na Vila, e escalar Mário Fernandes, que tem sérios problemas nos ombros e deveria, após o duelo de quarta, parar até o fim da Copa do Mundo para se recuperar. Nem a entrada de Jonas melhorou o time. Só com Maylson, que busca recuperar espaço entre os onze, saía algo de útil, como o gol. Bergson, novamente, foi uma completa nulidade.

Nada que preocupe, no caso gremista, mas muito a comemorar, no colorado. Cada vitória é importante, não apenas porque o Brasileirão é de pontos corridos, mas porque dá confiança e robustez ao momento da equipe de Fossati. De qualquer modo, ao menos antes da parada para o Mundial, deve ter sido a última vez em que a Dupla poupou jogadores. Caindo, o Brasileiro é a prioridade; passando adiante, o mata-mata é só depois da Copa. E aí esta dúvida eterna sobre quem escalar ficará esquecida, pelo menos por algumas semanas.

Em tempo:
- O Santos botou em campo o que tem de melhor e teve de contar com a ajuda da arbitragem para arrancar um empate do Ceará. Na Vila Belmiro.

- Victor passa por sua pior fase no Grêmio. A segurança na saída de gol é cada vez menor.

- Três das cinco derrotas gremistas em 2010 foram no Olímpico.

- Rodada dos visitantes. Ninguém ganhou em casa no domingo.


- Ronnie James Dio nos deixa fisicamente, mas espiritualmente estará sempre presente na vida daqueles que o admiram, como grande ícone do metal mundial que é, e sempre será. É um final de domingo bem mais triste que o habitual.

Foto: Douglas, um dos cinco titulares do Grêmio, teve atuação apagada (Fábio Berriel/Gazeta Press).

Comentários

André Kruse disse…
Bah,fiquei sabendo do Dio por aqui. Domingo triste mesmo.
luís felipe disse…
reclamem dos reservas do Inter!
Prestes disse…
Situações totalmente distintas.

O jogo era contra o Cruzeiro, mais difícil e valia seis pontos, e o Inter jogaria três partidas seguidas no Beira-Rio.

Agora, o Goiás era fraco, dava pra ganhar com os reservas, e o Inter jogava em Goiânia, depois na Argentina.

Ainda assim, sem o único titular (Walter) o Inter teria perdido.
Vicente Fonseca disse…
Acho que o tom do Luís foi meramente provocativo, Prestes...