Finais com Gre-Nal - Parte II

Agora a segunda e última parte de nossa retrospectiva de Gre-Nais que decidiram o Campeonato Gaúcho. São as onze finais que ocorreram desde 1985.

1985: mesmo com as conquistas da América e do Mundo, o Grêmio via o rival empilhar quatro estaduais seguidos, situação no mínimo incômoda. Era hora de reagir. Novamente, um tropeço colorado diante do São Borja (1 a 1), desta vez no Beira-Rio, dava ao tricolor a chance do título. Precisava vencer o rival no Olímpico na última rodada. E ganhou por 2 a 1, gols de Bonamigo e Caio Júnior, com Tita descontando.

1986: desta vez, bastava ao Grêmio um empate em casa. Num domingo de muita chuva, Osvaldo marcou o gol da vitória e do título, 1 a 0, após grande jogada de Renato.

1987: o famoso ano em que Jorge Veras aterrorizava os colorados. O Grêmio venceu cinco clássicos contra um do rival em dez partidas, sendo que Veras fez quatro gols. Um deles valeu o título: o tricolor fez 3 a 2 no Olímpico na rodada final, quando um empate bastava. Lima fez os outros dois (em 18 minutos, o placar era de 3 a 0), mas o Inter reagiu e descontou com Luiz Carlos Winck e Paulinho. Porém, foi insuficiente.

1989: na época, a moda era o desempate em decisões por pênaltis. Fora assim no Brasileirão de 1988 e em todo o Gauchão de 1989. O que deu um ingrediente a mais para o Gre-Nal decisivo da última rodada. Após empate de 0 a 0 no Olímpico, o Grêmio ficou com o pentacampeonato ao bater o Inter por 4 a 3. Cuca anotou o tento decisivo, mas o herói foi Mazaropi, que pegou as cobranças de Edu e Dacroce. O Inter, que perdera a Libertadores de forma trágica para o Olímpia nos pênaltis, aumentava seu trauma em cobranças na marca da cal.

1990: no quadrangular final, o Grêmio só podia perder o hexa para o Caxias na última rodada, quando estava marcado o Gre-Nal. Já sem chances e tecnicamente muito inferior, o Inter não foi páreo: 4 a 1, com gols de Assis, Cuca e dois de Paulo Egídio. Foi a última vez que o Grêmio venceu o rival por três gols de diferença.

1991: ano de muita polêmica. O Inter venceu por 1 a 0 no Olímpico, gol de Alex, que foi pego no antidoping, mas não invalidou a vitória. No Beira-Rio, 2 a 0 Grêmio, gols de Assis e Lira, forçando o terceiro jogo. Mesmo tendo feito mais gols, o tricolor precisava de nova vitória na casa inimiga. O empate de 0 a 0 interrompeu a série de títulos do tricolor, mesmo que o colorado tenha, no fim das contas, feito menos gols nos confrontos decisivos.

1992: recém campeão da Copa do Brasil, o Inter chegava embalado. Venceu por 3 a 1 no Olímpico, interrompendo uma série de nove clássicos sem vencer. No Beira-Rio, véspera de Natal e muita chuva para um 0 a 0 suficiente para a conquista do bi.

1995: focado na Libertadores, o Grêmio escalou um time misto quase que o certame todo. No Beira-Rio, contra os titulares colorados, empate em 1 a 1. No Olímpico, com um time vitaminado por Paulo Nunes, Carlos Miguel e outros nomes ilustres, um 2 a 1 (Nildo e Carlos Miguel marcaram, Zé Alcino descontou) deu o título ao tricolor, numa atuação antológica do goleiro Sílvio na final.

1997: a desforra colorada e o encerramento de um ciclo vitorioso da história gremista. Campeão da Copa do Brasil, mas eliminado da Libertadores, o Grêmio entrava como favorito. No Olímpico, empate de 1 a 1. No Beira-Rio, quem vencesse ficaria com o título. Deu Inter 1 a 0, gol de Fabiano, que se tornaria carrasco gremista em clássicos.


1999: o famoso duelo Ronaldinho x Dunga. Era um play-off de três partidas. No Beira-Rio deu Inter 1 a 0, gol do zagueiro Gonçalves. No segundo jogo, o Grêmio fez 2 a 0, gols de Ronaldinho e Agnaldo, acabando com uma sequência invicta do colorado de oito clássicos (desde 1996). Na finalíssima, com Ronaldinho em atuação histórica, nova vitória gremista, desta vez por 1 a 0.

2006: o Internacional candidato ao título da Libertadores (e futuro campeão dela) vinha como favorito diante de um Grêmio que se reestruturava após voltar da Série B. No Olímpico, empate de 0 a 0, com leve domínio gremista. Na volta, novo empate, por 1 a 1, deu o título ao tricolor no saldo qualificado em pleno Beira-Rio, premiando a maior organização do time treinado por Mano Menezes.


Como vimos, em apenas três dos 22 casos o campeão foi o que jogou de visitante, o que relativiza a ideia de que o fator local não é importante em clássicos.

Fotos: o Inter que quebrou o favoritismo gremista em 1997 (Camiseta Colorada); o Grêmio que quebrou o favoritismo colorado em 2006 (Grêmio 1903).

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