A primeira visita mal educada
Por todas as circunstâncias que cercaram a partida, qualquer gremista assinaria na hora um acordo que propusesse um empate no jogo desta quinta. A sensação que fica do duelo contra o Palmeiras foi amplamente positiva, mas há espaço para lamentações. Pelo que jogou na maior parte do tempo, o tricolor poderia ter saído do Palestra Itália com uma vitória.Não saiu por causa dos 30 minutos iniciais. Neles, o Palmeiras justificou o empate como resultado final. Os comandados de Autuori foram acuados pelo time de Muricy, que dominava amplamente as ações. Pelo volume de jogo apresentado, o gol até demorou a sair: 28 minutos, com Cleiton Xavier - então principal jogador em campo. A pressão exercida passou não só por ele: Pierre e Edmílson chegavam constantemente, bem como Wendel pelo lado direito. Não foram poucos os contra-ataques rápidos e objetivos do alviverde, que por detalhes não resultaram em uma goleada que poderia ser irreversível já àquela altura. Posicionado dentro do campo gremista, o Palmeiras pegava todos os rebotes e impedia que a bola chegasse em Tcheco e Souza, o que isolava Douglas Costa e Maxi López dos demais companheiros.
Mas uma batida rápida de falta de Túlio, que achou Souza, que serviu para o empate de Maxi, mudou tudo. Eram 31 minutos, reação cedo, 180 segundos após sofrer o tento palmeirense. Os últimos 15 minutos do primeiro tempo foram todos do Grêmio. Os dois meias entraram de fato no jogo. Jadílson, que entrara no lugar do lesionado Fábio Santos, foi um inegável ganho pela esquerda. Foi dele a jogada que Maxi López bateu forte, no contrapé, e Marcos praticou um dos milagres do ano. Seria a virada, e o futebol apresentado pelo tricolor nos minutos finais não a tornaria um despropósito.
Muricy tentou corrigir o mau momento do fim da etapa inicial, mas falhou em sua tentativa. O Grêmio seguiu dono do jogo no segundo tempo. Com Rafael Marques entrando no lugar de Thiego, Túlio passou a exercer a lateral direita com eficiência no apoio e na marcação, deixando para Rafa uma função dividida de primeiro volante e líbero, dependendo da situação. Com Cleiton Xavier mais recuado e centralizado, Adílson cresceu demais no jogo. Anulou completamente o meia palmeirense em seu novo posicionamento. O Grêmio ganhava quase todos os rebotes, criava chances pelos lados, encaixotou o Palmeiras em boa parte do jogo e por pouco não fez seu segundo gol. O Palmeiras reagiu, a rigor, após a saída forçada de Réver, grogue, que obrigou o Grêmio a ficar com 10 em campo por estourar as substituições. Teve algumas chances esporádicas, como numa lateral batida por Marcão que Cleiton Xavier obrigou Victor a grande defesa. No fim, armou-se a resistência atrás, e o tricolor saiu com um ponto precioso do Palestra Itália.
Hoje o principal jogador foi Adílson. Grande atuação na marcação e saída para o ataque, raramente comete faltas e desarma com qualidade e imposição física notáveis. Vai se firmando como um dos melhores volantes do Campeonato Brasileiro. Tcheco e Souza fizeram muito boa partida após o time empatar o jogo: paravam e aceleravam o jogo quando necessário, faziam assistências, comandaram o time em todos os ataques. Maxi López é outro que se destacou: além do gol de oportunismo, foi um monstro no duelo físico contra a zaga paulista, protegendo a bola quase sempre que a recebia de costas para o gol. Jadílson finalmente mostrou futebol de titular, sendo envolvente e aplicado quando necessário. Douglas Costa não fez nada de extraordinário, mas jogou simples e deu sua contribuição.
O Palmeiras decepciona sua torcida pelo resultado. Mostrou grande futebol nos primeiros 30 minutos, envolveu completamente o Grêmio com bela atuação de seus dois grandes articuladores, mas não conseguiu sair do nó tático aplicado pelo time gaúcho após sofrer o empate. Nada que preocupe demais sua torcida, mas é óbvio que empate em casa, para quem lidera, são quase sempre dois pontos perdidos, e não 1 ganho. Para o Grêmio sim, foi ponto ganho. Poucos arrancarão resultado do Verdão em São Paulo.
Grande jogo, entre dois bons times. As altas notas dadas a boa parte dos jogadores simboliza a qualidade desta partida, uma das melhores do ano.
Campeonato Brasileiro 2009 - 17ª rodada
6/agosto/2009
PALMEIRAS 1 x GRÊMIO 1
Local: Palestra Itália, São Paulo (SP)
Árbitro: Nielson Nogueira Dias (PE)
Público: 25.440
Renda: R$ 862.666,24
Gols: Cleiton Xavier 28 e Maxi López 31 do 1º
Cartão amarelo: Marcão, Edmílson e Rafael Marques
PALMEIRAS: Marcos (7,5), Wendel (5,5), Maurício Ramos (6), Danilo (5,5) e Marcão (6) (Marqunhos, 36 do 2º - sem nota); Edmílson (5,5), Pierre (6), Diego Souza (6,5) e Cleiton Xavier (6,5); Ortigoza (5,5) (Willians, intervalo - 5,5) e Obina (5) (Jefferson, 23 do 2º - 5,5). Técnico: Muricy Ramalho (5)
GRÊMIO: Victor (7), Thiego (5) (Rafael Marques, intervalo - 5,5), Léo (6), Réver (6,5) e Fábio Santos (5) (Jadílson, 21 do 2º - 6,5); Túlio (6,5), Adílson (7,5), Tcheco (6,5) e Souza (6,5); Douglas Costa (5,5) (Jonas, 33 do 2º - sem nota) e Maxi López (7). Técnico: Paulo Autuori (6,5)
Foto: Tcheco passa por Marcão: Grêmio para o líder no Palestra Itália (Terra).
Comentários
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gol de cabeça do Cleiton Xavier deveria ser morte súbita, nas minhas regras de futebol.
do Darío Conca deveria ser o equivalente a vitória por W.O.
Aquele gol de cabeça ia sair, tava na cara. Foi o quinto levantamento na área do Grêmio e o QUINTO que o Palmeiras ganhou.
Achei que o Jadilson melhorou o ataque, mas piorou a defesa.
O pulo-do-gato que falta para o Adilson é ter uma chegada mais forte no ataque. Pro Grêmio tb seria essencial. Um dos volantes tem q dar essa opção que sempre surpreende a defesa adversária. O Adilson tem potencial para aprimorar isso.
Muricy sabotou o próprio time, tirando o Ortigoza, isolando o Obina na frente e afastando o Diego Souza do Cleiton Xavier. O fato dos três terem sumido na segunda etapa, e da dupla Tcheco e Souza ter jogado com plena liberdade, explica-se bastante por aí, na minha visão. E Autuori acertou muito ao puxar Túlio para a direita, colocando Rafael Marques e liberando o meia para o apoio.
E Jadílson fez hoje a sua melhor partida pelo Grêmio, comparável talvez apenas ao jogo de abertura da Libertadores, quando ele deixou os chilenos tontinhos o jogo todo. Merece os elogios.
Jogamos melhor também, estamos numa crescente. Espero que ganhemos alguma fora de casa no ano.
E concordo contigo, Natusch.
Marcelo, conta aí em detalhes como foi lá, tchê. Não consigo entender um estádio onde a torcida adversária tem de olhar enviesada para o campo, pois a frente dá para as piscinas. Aqui, de longe (nunca fui ao Palestra), é o grande defeito ainda do estádio, que parece ter dado uma bela melhorada nos últimos anos, não?
Tenho essa mesma dúvida. No finalzinho dava pra ouvir claramente a torcida tricolor
Fiquei um pouco decepcionado com Autuori, que isolou Maxi em um 4-5-1 que não dava pressão alguma na saída de bola do Palmeiras. Douglas não chegou a ir mal, mas a função "tática" que ele exerceu é a mesma de Taison no grenal. Ou seja, um jogador que era para decidir ficou praticamente anulado.
Ironicamente, o time melhorou no 3-5-2 disfarçado.
Maxi joga muito. Nem vou dizer o que aquele gol de centroavante, no Palestra cheio, me lembrou. Só digo uma coisa: Klinsmann é tricolor.
Vicente, é estranho. Fica todo muito a 45º pra conseguir ver o campo mas, apesar disso, a vista é boa. Como se tivesse no canto da arquibancada do Olímpico. Bom é quando o jogo é de tarde, ver as gostosas nas piscinas antes de começar o jogo.
Apesar disso tudo, é o melhor estádio para ir como visitante em São Paulo. Só lá e no Canindé tem entrada visitante por outra rua, há várias avenidas em volta para escoar o fluxo também. Todos os outros são umas merdas.
Muito respeitosa a torcida do Palmeiras, nunca nos é hostil. E olha que vejo jogos lá como visitante desde 2006...
E valeu pelo relato!
Força, Réver!
Pra mim a marcação do GRÊMIO tá ficando muito frouxa. Está faltando pegada.