Não antes do clássico

Muito embora as declarações de Tite sempre sejam as mesmas, naquele conhecido e emploado vocabulário que eternamente o marca, o tom de voz e a expressão facial revelam, pela primeira vez, um desgaste. Uma preocupação evidente, uma pressão que aumenta sobre seus ombros a cada vez que se fala no nome de Vanderlei Luxembugo e, especialmente, Muricy Ramalho.

Entretanto, acho improvável que uma eventual demissão ocorra - ao menos até semana que vem. Não apenas pela defesa veemente que a direção tem feito dele. Mas porque, todos sabemos, o Gre-Nal se aproxima. Não é costume demitir técnico a poucos dias de um clássico. Isto é o que segura Tite no Beira-Rio. Mais que a própria campanha no ano, que a liderança do Brasileiro ou que a convicção da diretoria em seu trabalho. O Gre-Nal impede uma mudança agora. Dependendo do resultado, aí sim. Vencendo o Grêmio, Tite segue firme; empatando, deve permanecer, mas os jogos anteriores, contra Fluminense e Atlético-PR, definirão o nível da pressão sobre ele; perdendo, dificilmente fica, pois seria uma situação à beira do insustentável.

Piffero, Carvalho e Luigi agiriam acertadamente mantendo Tite até o fim do ano. O Internacional precisa de uma correção de rumos, e não vejo ninguém mais preparado que o próprio técnico atual para efetuá-la. É claro que se há problemas internos de vestiário que não saibamos, se ele não motiva mais os atletas, se estiver realmente desgastado a ponto de estar encerrando o ciclo, é outro papo. Mas, olhando de fora, quem já fez este time jogar muito é quem está mais próximo de recolocá-lo nos trilhos outra vez.

Comentários

Lourenço disse…
Concordo com a idéia do post. Se não é uma questão interna, Tite deve ficar. O problema é que seu histórico não ajuda muito. Em regra, quando dá certo, dá muito certo. Quando começa uma crise assim, vai em queda livre. Mas ano passado ele passou por momentos muito díficeis, bem mais do que este, incluindo problemas no vestiário, e conseguiu se recuperar.
Prestes disse…
Eu não trocaria de treinador no meio da temporada, a não ser que o clima nos bastidores fique impraticável.

O Tite é bom treinador. O retrancão dele tava dando resultados. O Inter metia 1 a 0 nos times fortes, às vezes empartava, e goleava os mais fracos.

Foram cornetear a coisa desandou. O problema do Tite é justamente ser suscetível às críticas. Não tinha nenhum sentido trocar o zagueiro titular o ano inteiro no último jogo da final, por exemplo.

Outro problema, muito bem apontado pelo Eduardo Cecconi: a falta de variação tática. O Inter havia virado refém de um estilo de jogo, agora nem este está adiantando, mesmo assim somos lideres do Brasileiro. Adenor ainda é meu pastor.
luís felipe disse…
hoje é sexta-feira...será que a madrugada nos reserva alguma coisa, como nas últimas duas semanas?
Anônimo disse…
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