No dia da mentira, uma suprema verdade
Não foi somente pela altitude de La Paz que se explica o resultado histórico desta tarde. Tampouco por um pretenso esquema maluco de Maradona, que até teve a precaução de utilizar um 4-4-2 bem ortodoxo. Não foi por erros de arbitragem, por hostilidades aos visitantes, clima de guerra, nada disso. Nem por hoje ser 1º de abril. Foi um resultado que ocorreu basicamente pelo que Bolívia e Argentina produziram em campo. Por mais inacreditável que isso possa parecer.Os bolivianos agiram como se fossem argentinos; os argentinos, frágeis como se representassem a Bolívia. Desde o início, Marcelo Moreno e Botero - dupla de ataque artilheira das Eliminatórias, auxiliados por Da Rosa, Torrico e Ronald García levaram o time da casa a uma postura absolutamente agressiva, e não apenas na base da correria. Evidentemente, a Bolívia soube utilizar a altitude, mas não só no melhor preparo físico; também em questões técnicas, como chutes de longa distância e marcação cerrada na saída de bola.
Quando Marcelo Moreno abriu o placar na primeira grande falha da defesa platina, aos 11 minutos, a Bolívia já merecia o gol. Os argentinos empataram aos 23 num chute fraco, de longe, de Lucho González, frangaço do goleiro Arias. Ali, imaginava-se que os bolivianos desabariam e a vitória dos comandados de Maradona viria naturalmente. Mas não. Logo os donos da casa retomaram o ritmo e, numa falha conjunta de Carrizo e Zanetti, veio o pênalti convertido por Botero. Ficava claro que a partida seria mais difícil para os argentinos do que se previa.
Antes do intervalo, a equipe de Maradona buscou o gol, mas num contra-ataque magistral, Botero deu maravilhosamente para um livríssimo Da Rosa fez o terceiro. Já se tratava de uma grande surpresa, e igualava a maior vitória da Bolívia na história contra a Argentina.
No segundo tempo, a casa caiu de vez. Veio o quarto, em duplo impedimento na jogada, de Moreno para Botero. A expulsão de Di Maria sugeria um desastre histórico. Veio o quinto, lance bisonho dentro da área, mais um de Botero. E o sexto, no fim, de Torrico, que merecia, pela grande atuação. Detalhe para o calcanhar de Botero no passe.
A Argentina foi uma completa nulidade. Imaginava-se que Messi teria naturais dificuldades em La Paz, por ser um atleta que joga em velocidade, o que fica limitado para quem não é acostumado com os 3,6 mil metros. Mas não só ele sentiu: todos na defesa foram ridículos. Carrizo sofreu com tantos chutes de fora da área, algo que a Argentina desde o início permitiu que a Bolívia realizasse. Pecado mortal. Mascherano não tinha como marcar a todos que se infiltravam, Gago chegou a pisar na bola. Tevez foi anulado pela zaga andina, Maxi e Lucho nada fizeram. Um fiasco completo.
O Olé fala em humilhação histórica. Não há, realmente, pouca coisa mais a ser dita sobre a atuação da seleção de Maradona hoje à tarde. Por ser Dieguito, e em começo de trabalho, a pressão certamente será mais branda. Mas certamente aquela magia criada em torno do time após a goleada sobre a Venezuela já se dissipou. Quanto à Bolívia, atuação estupenda de Marcelo Moreno e, especialmente, Botero: fez três, deu passes maravilhosos para outros dois gols. Provavelmente a melhor partida de sua carreira.
Eliminatórias da Copa do Mundo 2010 - América do Sul - 12ª rodada
1º/abril/2009
BOLÍVIA 6 x ARGENTINA 1
Local: Hernando Siles, La Paz (BOL)
Árbitro: Martín Vázquez (URU)
Público: não divulgado
Gols: Marcelo Moreno 11, Lucho González 24, Botero (pênalti) 33 e Da Rosa 44 do 1º; Botero 8 e 20 e Torrico 41 do 2º
Cartão amarelo: Leonel Reyes, Da Rosa, Torrico, Gatti Ribeiro e Papa
Expulsão: Di Maria 18 do 2º
BOLÍVIA: Arias (6), Gatti Ribeiro (5,5), Rivero (6), Peña (6,5) e Abdón Reyes (5,5) (Ignacio García, 12 do 2º - 6); Leonel Reyes (6,5), Torrico (7), Ronald García (6,5) (Flores, 33 do 2º - sem nota) e Da Rosa (7) (Saucedo, 24 do 2º - 5,5); Marcelo Moreno (8) e Botero (9,5). Técnico: Hugo Suárez (9)
ARGENTINA: Carrizo (5), Zanetti (3,5), Demichelis (3), Heinze (3,5) e Papa (2,5); Mascherano (4,5), Gago (4), Maxi Rodríguez (4) (Di Maria, 12 do 2º - 1) e Lucho González (4,5) (Angeleri, 23 do 2º - 5); Messi (4,5) e Tevez (4) (Montenegro, 30 do 2º - 5,5). Técnico: Diego Maradona (3)
Foto: EFE
Comentários
Riquelme deve estar as gargalhadas !!!