Mais um incêndio
Não foi algo dentro da normalidade. Possivelmente a forte repercussão da imprensa sobre o caso, por envolver uma promessa do clube e xodó da torcida, tenha aumentado o episódio. Mas o fato é que Celso Roth foi chamado a dar explicações pela direção gremista, inclusive externamente, concedendo entrevista extraordinária aos jornalistas.
Pelo que se vê, André Krieger não gostou nada do tom que Roth utilizou para se referir ao desleixo de Douglas Costa no treinamento. Broncas de treinador são normais para com os jogadores. Eu mesmo pensei, até poucas horas atrás, que este era um episódio normal aumentado pela imprensa. Mas a informação de que Krieger teria cogitado demitir Roth (teria sido demovido da ideia por Luiz Onofre Meira), se não chega a ser totalmente verídica (o próprio Krieger nega veementemente), dá ao menos indícios de que não foi algo tão corriqueiro assim.
O que fica de preocupante é que mais uma vez o Grêmio expõe suas feridas aos holofotes. Esta é uma questão a ser administrada internamente, não poderia ter emergido da forma como ocorreu. Causa uma impressão de desunião, de atritos internos, uma tensão desnecessária passada inclusive aos torcedores. Não será apenas fechando os treinamentos que se resolverá este caso. A imprensa, desta vez, não tem culpa. Quem abre os treinos deve ter a exata noção do que deve ou não ser dito. Um episódio isolado pode tornar-se o estopim de mais um momento turbulento.
Fica difícil imaginar o tricolor alcançando seus objetivos em 2009 com um clima interno como o que está transparecendo aos nossos olhos.
Pelo que se vê, André Krieger não gostou nada do tom que Roth utilizou para se referir ao desleixo de Douglas Costa no treinamento. Broncas de treinador são normais para com os jogadores. Eu mesmo pensei, até poucas horas atrás, que este era um episódio normal aumentado pela imprensa. Mas a informação de que Krieger teria cogitado demitir Roth (teria sido demovido da ideia por Luiz Onofre Meira), se não chega a ser totalmente verídica (o próprio Krieger nega veementemente), dá ao menos indícios de que não foi algo tão corriqueiro assim.
O que fica de preocupante é que mais uma vez o Grêmio expõe suas feridas aos holofotes. Esta é uma questão a ser administrada internamente, não poderia ter emergido da forma como ocorreu. Causa uma impressão de desunião, de atritos internos, uma tensão desnecessária passada inclusive aos torcedores. Não será apenas fechando os treinamentos que se resolverá este caso. A imprensa, desta vez, não tem culpa. Quem abre os treinos deve ter a exata noção do que deve ou não ser dito. Um episódio isolado pode tornar-se o estopim de mais um momento turbulento.
Fica difícil imaginar o tricolor alcançando seus objetivos em 2009 com um clima interno como o que está transparecendo aos nossos olhos.
Comentários
Certas ou erradas, este tipo de cobrança é bem comum no futebol. Incomum é ter jornalistas por perto para ouvir.
Vou discordar de ti só em um aspecto. A imprensa tem um pouco de culpa sim, bem pouco é verdade. A primeira versão dava conta que o Roth teria dito "tu não JOGA merda nenhuma", o que é um pouco diferente. E também omitiram essa parte de "Tu estás fisicamente aqui, mas parece que não está interessado. A cabeça não está aqui"
Por isso, eu acho que a imprensa não tem culpa. Ou, se tem um mínimo de culpa, é infinitamente menor do que aquele que autorizou treinos abertos.
Acho que a imprensa se perde quando compara Roth a Leão, que ele detesta jovens promissores, etc. Isso sim é de um oportunismo e memória seletiva baixíssimos. Mas aí já é outra discussão.
Ademais, não acho que haja desunião ou clima ruim no vestiário, como estão dizendo por aí. Se fosse isso, os jogadores estariam de cara com o treinador nesse momento. Especialmente Jonas, aquele que foi sacado em dois gre-nais, foi retirado no início da partida contra o Juventude devido à expulsão de Victor, mas que abraçou Roth quando fez o gol contra o Ypiranga no Olímpico.
No mais, concordo inteiramente contigo, principalmente na questão de o Grêmio não estar sabendo se blindar quanto às suas feridas. Tá virando uma constante isso já.
Foi exatamente a explicação do Krieger.
Não acho, no achismo mesmo, que o clima entre direção e técnico esteja péssimo. Mas me parece, também no achismo, que não é dos mais harmoniosos.
E é justamente por ter tantos achismos que relutei em escrever sobre o tema. É extremamente difícil opinar em cima de coisas tão nebulosas. O debate é importantíssimo, portanto, e um dos propósitos deste texto (e deste blog) ter sido publicado.
Aquele caso certamente foi pior, por que o Douglas tá mesmo precisando de umas chicotadas psicológicas. O Chiquinho tava jogando pra caralho, precisava de alguém que não deixasse lhe subir a cabeça, mas algo bem diferente.
Agora, em ambos os casos, Roth deveria saber CONVERSAR, e em PARTICULAR com o jogador. Acho que ele não sabe fazer isso. Ou então QUIS usar a imprensa mesmo, para ver se o Douglas acorda.
E temos que concordar que a crítica do Roth é bem pertinente. O guri parece que não ENTRA de fato nas partidas. Eu já to achando que ele tá mais pra Diego e Diogo, ou Bruno Soneca, que pra Nilmar, Taison ou Carlos Eduardo.
Porque estes últimos que eu citei tiveram problemas no início da carreira que eram absolutamente normais: carregar demais a bola, erro de posicionamento, essas coisas de guri. Agora, o Douglas não consegue jogar, não consegue se concentrar, não tem aquele negócio de ser destemido que caracteriza os jovens. Sei lá, claro que é um pouco de mandinga minha, uhsdaudhshsu, mas já to achando mesmo. Que vocês acham?
Mas ele ainda é dispersivo, displicente às vezes. Alterna grandes jogadas com momentos apagados e de desconcentração. Precisa sim acordar, mas notem que não é mascarado e faz de tudo para não polemizar. Não parece ter o gênio difícil do Chiquinho, por exemplo.
Pensei a MESMA coisa. "esse cara não tá mais pra Bruno Soneca do que pra Ronaldinho ou Carlos Eduardo". e o CE foi cobrado também pelo Mano Menezes. E a imprensa criticou da mesma maneira o técnico.
No jogo contra o Cúcuta, no Olímpico, como o Vicente falou naquela resenha, ele só ciscou e não produziu nada. Com o tempo, viu-se sua evolução
Trocando em miúdos: um diamante bruto!
=D
VdP: SURBOWNA. Pensei de todas as maneiras usar essa palavra no comentário, mas não encontrei.
1. Como todo universo, o futebolístico tem suas regras próprias. Até uma vaca sabe que neste universo é abertamente aceito o uso de palavrões, xingamentos dos mais baixos e humilhações mil para pôr ordem na casa, estimular, punir, etc. Isso não significa que quem reconhece tal fato deva CONCORDAR com ele, mas isso é jogado na nossa cara todos os dias (quando Felipão xinga a mãe de todo mundo no vestiário e manda descer o cacete, quando Luxemburgo tem chilique na beira do campo contra seus próprios atletas e o microfone da TV capta tudo, quando um time decide que o pior em campo vai treinar de baby-doll, etc.) e fingir não sabê-lo e simular espanto é o menos digno a se fazer.
2. A reação da imprensa é cínica quando diz que "não se trata assim um profissional". Se houvesse cobertura midiática de reunião de pauta ou do dia-a-dia de uma redação, ah, daí sim veríamos o que é civilidade. A imprensa em geral opera num nível da mesma envergadura rasteira que os profissionais da bola.
3. A reação da imprensa é abertamente aproveitadora e visa à exploração máxima do fato. Wianey Carlet, nesse contexto, sobre a possibilidade do Grêmio vir a fechar os portões, disse que fechar treinos é o mesmo que voltar à ditadura. Que volte para os bancos escolares ou se demita imediatamente por inominável demência moral.
4. Sobre o mérito do fato. Se Roth não falasse isso a Douglas Costa, iria EU ser obrigado a ir à Azenha e dizer essas verdades praquele guri. Peladeiro do inferno alçado à condição de craque eterno do futebol mundial depois de meio jogo.
5. Douglas foi transformado em gênio insuperável e portador absoluto do dom de resolver tudo em campo e nos cofres do clube de maneira totalmente mágica. Fruto da ânsia de promover um espetáculo à base de NOVIDADES INCESSANTES, a crônica usa a desculpa de "ajudar" os interesses do clube que "mais tarde vai precisar vender o jogador pra pagar as contas" para forçar as situações mais absurdas.
6. Espero que ele venha a jogar muita bola um dia. Hoje, até, de preferência.
Vai a merda Wianey e todos urubus sensacionalista!
Desculpem se eu me exaltei. Mas estão fazendo um carnaval em cima dessa história e quem jogou bola pelo menos uma vez na vida, sabe que palavrão faz parte. E to irritado com os gols do Caxias.
A imprensa teve sim seu papel de culpa na história, mas o ponto a que quero chegar é que não foram os jornalistas que criaram este episódio. Ele ocorreu, caso contrário a direção não ficaria irritada como ficou. Foi aumentado, sim. Essa necessidade da fabricação de ídolos instantâneos, que o Faraon bem colocou, eu já venho alertando desde muito tempo.
Repito: por essas e outras que entendo perfeitamente os treinos fechados.
O Grêmio jogando com o Caxias ou escutar o Wianey repetindo a mesma ladainha de sempre.
Agora terá Gre-nal e poderemos finalmente relaxar.
PS: Belmonte disse agora algo do tipo, "parafraseando Roth, o Grêmio não jogou merda nenhuma", sadsauhdaushuhasuhasd
Alguém assistiu à pelada?