Festa completa

Será um fim-de-semana que nunca mais sairá da memória dos colorados: no sábado, grande festa para o Centenário do clube. No domingo, uma vitória de virada no Gre-Nal, a terceira no ano, eliminando o rival da disputa pelo título, encaminhando o bicampeonato estadual antecipado. Para Índio, então, nem se fala: em seu jogo 200 com a camisa vermelha, marcou seu quinto gol em Gre-Nais e igualou Figueroa como zagueiro com mais gols na história do clube.

Dentro de campo, raramente se viu um clássico tão equlibrado. Foi um Gre-Nal com a cara dos 100 anos do maior clássico gaúcho: de anulação de espaços, de muitas divididas ríspidas, de um que outro entrevero, de expulsões, de decisão no detalhe. E aí se deu a diferença: como em Erechim, a efetividade do Internacional venceu o Grêmio. A maior qualidade individual colorada mais uma vez falou mais alto, numa insuportável quarta derrota seguida em duelos com o rival para os gremistas.

Inferiorizado pelas circunstâncias pré-jogo, o Grêmio tornou clara sua proposta de jogo desde o princípio. O tricolor, inclusive, a impôs sobre a do Inter na maior parte do tempo. A marcação cerrada ia desde a saída de bola com Álvaro e Índio até Taison e Nilmar, que raramente pegavam na bola. Tcheco anulava Magrão, Adílson controlava Andrezinho. O que faltava era uma sintonia entre os meias e os dois atacantes quando o time tinha a bola. Por vezes, havia uma lacuna que isolava Jonas e Herrera. Num contra-golpe, porém, veio o pênalti sobre Tcheco, que ele próprio bateu com categoria.

O resultado até certo ponto surpreendente obrigou o Inter a vir para cima. Estabeleceu-se um interessante movimento coletivo de ambas as partes. O colorado exerceu certa pressão entre os 25 e os 30 minutos, povoando o campo tricolor. Foi num lance isolado, porém, que surgiu o pênalti do afoito Thiego em cima de Nilmar. Victor quase segurou a cobrança de Andrezinho, que empatou o jogo. Depois disso, mais uma vez o Grêmio ocupou o campo do Inter e o impediu de tentar sair do primeiro tempo com vantagem.

O segundo tempo foi mais equilibrado ainda que o primeiro, em termos de imposição da proposta de jogo. Se no primeiro o tricolor saía como uma espécie de vencedor do duelo tático, no segundo houve momentos de pressão colorada intercalados com controle de jogo tricolor. O chute de Nilmar nas mãos de Victor após entrar cara-a-cara com o goleiro em novo erro de Thiego foi a primeira situação de gol criada pelo time vermelho em todo o jogo, já que o próprio pênalti foi num lance isolado e sem perigo iminente. Eram nove minutos do segundo tempo, e o Grêmio não jogara no segundo tempo até então. Acordou a partir daí.

Controlou o jogo, criou duas chances que bateram no poste, outra que Guiñazu salvou em cima da linha. O Inter é quem contra-atacava, mesmo em casa. D'Alessandro entrou no jogo deixando os defensores gremistas com os nervos à flor da pele. Quando Taison e Rafael Marques foram expulsos em lance que se iniciou com o argentino, o que parecia óbvio tornou-se, na verdade, o oposto: quem perdeu mais com a dupla expulsão foi o Grêmio. Mesmo que seja goleador do Gauchão e viva grande fase técnica, Taison fez um Gre-Nal fraco e dispersivo. Rafael Marques, ao contrário, vinha tendo muito boa atuação como zagueiro da sobra, tanto por baixo como por cima. Minha tese na hora foi essa, e confirmou-se minutos depois, quando Índio entrou sozinho na frente de Victor com a defesa em linha e decidiu o Gre-Nal em favor do Inter.

Que o Inter é o melhor time do Gauchão não há como discordar. A superioridade sobre o rival em 2009 também é incontestável. Mesmo que a diferença entre ambos não seja grande, que dois dos Gre-Nais foram extremamente parelhos, é a terceira vitória em três clássicos. O Grêmio pode, sim, queixar-se da sorte: afinal, a cabeçada de Jonas na trave foi perfeita, a cobrança de Souza no travessão foi maravilhosa, quando o gol esteve aberto a bola caiu no pé ruim (direito) do jogador errado para definir (Fábio Santos). Tivessem entrado, uma dessas que fosse, a história seria outra. Mas queixar-se da sorte isoladamente é uma coisa; repetir isso a cada atuação é outra. Mais uma vez, a atuação coletiva do time foi boa, mas faltou qualidade nas conclusões. Contra um time tão qualificado como o do Internacional (repito, o que joga melhor futebol do Brasil neste começo de ano), não há perdão - e este é o temor a cada vitória apertada na Libertadores contra adversários fracos, os que até agora perdoaram a imperícia gremista na hora de concluir as jogadas ofensivas.

Agora, o Grêmio tem pela frente o Aurora. Um adversário fraco, pronto para que o tricolor vença e recupere a confiança perdida em mais um clássico fracassado. Por outro lado, a obrigação que já era imensa tornou-se ainda maior. E a pressão a todos, especialmente Celso Roth (passou longe dele a culpa por hoje) e a diretoria, começa a ganhar ares de crise. Como o próprio presidente Duda Kroeff apontou, não há mais desculpas. Não há como usar como excusa o cansaço. Alertei sexta para os riscos de se ir ao clássico com todos os titulares.

No Inter, só sorrisos. Mesmo que não tenha havido hoje nenhuma grande atuação individual, os comandados de Tite mostram mais uma vez muita força. E dão à torcida um doce presente de 100 anos.

Em tempo:
- Arbitragem controversa de Gaciba. Minha impressão inicial é que ele errou nas três marcações de pênalti: o pênalti sobre Léo não foi dado; os toques em Tcheco e Nilmar nos pênaltis marcados são ainda a mim invisíveis ou, no mínimo, muito discutíveis.

Campeonato Gaúcho 2009 - Taça Fábio Koff - Quartas-de-final
5/abril/2009
INTERNACIONAL 2 x GRÊMIO 1
Local: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Leonardo Gaciba
Público: 44.590
Renda: R$ 535.444,00
Gols: Tcheco (pênalti) 19 e Andrezinho (pênalti) 33 do 1º; Índio 32 do 2º
Cartão amarelo: Kléber, Álvaro, Thiego, Souza, Réver e Jonas
Expulsão: Taison 27 e Rafael Marques 27 do 2º
INTERNACIONAL: Lauro (5,5), Bolívar (4,5), Índio (7), Álvaro (5) e Kléber (4,5); Sandro (6,5), Magrão (5) (Marcelo Cordeiro, 46 do 2º - sem nota), Guiñazu (6) e Andrezinho (5,5) (D'Alessandro, 18 do 2º - 6); Taison (4,5) e Nilmar (5) (Alecsandro, 40 do 2º - sem nota). Técnico: Tite (5,5)
GRÊMIO: Victor (6), Léo (6), Rafael Marques (6) e Thiego (3,5); Souza (5), Réver (6), Adílson (5,5) (Makelele, 21 do 2º - 5), Tcheco (6) e Fábio Santos (4,5); Jonas (5) (Maxi López, 36 do 2º - sem nota) e Herrera (5) (Reinaldo, 21 do 2º - 5). Técnico: Celso Roth (5,5)


Foto: Lucas Uebel/Vipcomm/Divulgação

Comentários

Lique disse…
thiego foi ridiculo nos dois lances. a diferenca entre o nilmar e o herrera e' de MILHAS. quando a bola chegava no ataque do inter, o perigo era constante, bem ao contrario do gremio, que nunca tinha velocidade.

o inter mereceu vencer, mesmo com todas chances de ter perdido. esse time do gremio nao vai longe, assim.

eu sou a favor da troca de treinador e da contratacao urgente de um ala direita e um primeiro volante. ta' foda.

e essa historia do souza ficar chorando enquanto aquecia para o jogo nao pegou nada bem, mesmo ele tendo feito uma partida boa, foi o jogador mais perigoso do time. porem, esta' me irritando cada vez mais.
Vicente Fonseca disse…
Dei a mesma do Nilmar pro Herrera porque ele marcou muito a saída de bola e se dedicou demais, além de não receber uma bola decente o jogo todo. O Nilmar é sempre um perigo, mas na única chance que teve foi péssimo.
Felipe disse…
E que festa! Sexta a missa, sábado o jantar e domingo o BAILE!
Gustavo disse…
Inexplicavel a escalação de Thiego para a lateral-direita. Não por menos, foi o pior em campo.

Tite foi inteligente ao colocar D'Alessandro na metade do segundo tempo, para dizimar o lado psicológico do time gremista. Funcionou perfeitamente.

Gaciba errou nos três pênaltis. O único que realmente existiu foi aquele sobre Léo, inacreditavelmente não marcado.

O Grêmio perdeu os 4 últimos grenais. "Curiosamente", os 4 longe do Olímpico.