A corda arrebentou

E o Gre-Nal encerra a III Era Roth no Grêmio. A quarta derrota seguida no clássico e a sétima partida consecutiva sem derrotar o Internacional tornaram definitivamente insustentável a situação do treinador tricolor.

Demitir técnico é uma medida que só se justifica em casos extremos. Talvez tenha sido mesmo o de Roth. Ninguém é capaz de dizer que ele fez um mau trabalho nesta passagem de 1 ano e 1 mês pela Azenha. O vice-campeonato brasileiro foi seu principal trunfo. Mas a falta de títulos e as derrotas constantes para o colorado pesaram no que diz respeito à revolta da torcida. Esta revolta tornou-se insuportável há exatos 30 dias, naquele empate contra o Ypiranga. Ali, eu defendi sua queda por este motivo. Mas a recuperação na Libertadores, com duas vitórias fora de casa, deram-lhe sobrevida.

Mas os problemas pesaram. A relação conturbada com a diretoria já havia vindo à tona durante o Brasileiro, e aumentou este ano. Neste Gre-Nal, houve divergência entre a direção e Roth quanto à escalação do time. Por ter o grupo na mão, um mérito, criaram-se diferenças também entre jogadores e direção, explicitada nas reclamações de Souza aos microfones.

Por estes motivos, pesando os prós e contras do ato, considero acertada a decisão de demitir o técnico do Grêmio. Celso Roth está longe de ser um mau treinador, mas há tempos parece não haver mais clima para ele continuar. O que certamente facilitou a tomada da decisão foi a tabela folgada do time neste mês de abril, causada pela eliminação no Gauchão. Mas, obviamente, a simples demissão não resolve o problema. É preciso solucioná-lo contratando um treinador que agregue a todos, que conheça os caminhos da Libertadores, que saiba como funciona o Grêmio. Por isso, entendo que Renato Portaluppi seria a melhor alternativa. É preciso reunir todos em torno do objetivo maior do clube, e poucas figuras são mais capazes de conseguir isso que ele.

Mas que aqueles que atiraram pedras no Olímpico hoje, em atos de vandalismo, não pensem que esta lamentável ação tenha sido a responsável por esta troca de comando.

Em tempo:
- Agradeço ao colega Luís Felipe dos Santos por ter me alertado e informado sobre a queda de Roth antes de todo mundo. Não fosse por ele, só saberia da queda amanhã de manhã, e vocês não poderiam repercutir a notícia aqui quase que instantaneamente.

Foto: Fernando Gomes/Zero Hora

Comentários

Lique disse…
e' uma pena, mas acho que era necessario. e esse negocio de jogar pedra no olimpico e' o fim da picada. nao tem como justificar.
Lique disse…
inclusive acho que essa de mandar o time titular contra o inter foi pra testar o celso. os times da libertadores tao muito fracos pra ser parametro. daqui a pouco, na segunda fase, pega um time bom e se fode na hora, a seco. nao dava pra ficar se enganando.
luís felipe disse…
de nada...

parabéns por ter sido o primeiro colega a escrever de forma opinativa sobre o assunto!
Também acho que era necessário. Até começou bem o ano, com uma boa ideia e discurso, mas com o tempo começou a demonstrar que estava se perdendo. Foi a história do 3-6-1, do esquema indefinido pra Libertadores (faltava uma semana pro jogo contra o Universidad e ele não sabia que esquema botar), da mudança repentina de esquema no Gre-Nal do Carvalhão, pressão da torcida, da imprensa, desentendimento com dirigentes... Em três meses, ele conseguiu botar quase todo mundo contra ele.

Acreditava que o Roth tinha mudado. Mudou em alguns aspectos (principalmente o bigode). Mas intrinsecamente, parece que ele continua o mesmo dos outros anos. É uma pena...

Falta saber agora quem vem pra comandar o Grêmio no matamata da Liber. E pra onde Roth vai rumar em busca do seu "um troféu".
Vicente Fonseca disse…
Pode ser, Lique. Não duvido mesmo. E é uma pena, mesmo, demitir ele. Sou normalmente contra mandar embora treinador, mas não desta vez. Pelas várias vezes em que ele balançou, me parece uma decisão mais madura que de cabeça quente.

Novamente te agradeço, Luís, pela informação em primeiríssima mão. Mérito meu, também, que tenho colegas competentes e fontes INFLUENTES. hjsdhjsdhjsd
Dedé Krieger disse…
Lourenço, estou com pressa e não consegui te ligar, então vou informar por aqui. Almoço de negócios às 12h amanhã no Olímpico. Conversarei com teu professor pra ele te liberar mais cedo. Precisamos da tua influência nessa hora difícil.

Almoçaremos ouvindo O Carta na Mesa.

Abraços tricolores!
zeh nascimento disse…
a demissão é uma correção de rumo em 2009 (deveriam tê-lo demitido em dezembro), mas em um momento, julgo eu, inadequado. claro, não faria nenhum aparente sentido mandar o mr. roth passear depois do 1 a 0 de amanhã, mas, de repente, uma ação dessas poderia dar uma sacudida na 'nave louca' (abraço, bial) do tricolor. sendo mandado embora depois de dar coletiva, de deixar entendido q comandaria o time na terça e, mais ainda, depois de um jogo de GAUCHÃO QUE NÃO IMPORTA O NOSSO FOCO É LIBERTADORES, fica escancarado a patetice da diretoria, principalmente: não sabe o que quer, parece que veio só pra arrotar libertadores no centenário colorado. o inter vai ser campeão invicto do gauchão e o PRÍNCIPE vai ter que arranjar uma bela desculpa pra quando o grêmio for eliminado (espero que não) da libertadores.

caiu a máscara, caiu a casa.
MR. ROTH IS BACK!
André Kruse disse…
entendo que Renato Portaluppi seria a melhor alternativa

Concordo
Prestes disse…
Entendo que o Grêmio vivia um dilema bem complicado. Demitir um treinador que sabe armar um bom time, sem saber se o mercado pode oferecer algo semelhante, e em meio à principal competição do ano. E não podendo apostar, já que a Libertadores é incompatível com apostas.

Porém, quando teu treinador, que é o comandante máximo dos teus jogadores, vira tamanha chacota da torcida adversária, quando o clima pesa entre técnico, torcida, direção e grupo de jogadores é insustentável sua permanência. Aí a pergunta "quem entra?" passa a ser irrelevante, por que o que mais importa é quem sai.
Unknown disse…
eu to disponível.

e por MUITO MENOS de 220 mil.
André Kruse disse…
Prestes, Abel era motivo de chacota pelo lado dos gremistas.
Prestes disse…
Nem se compara, André. O Roth foi o treinador mais desmoralizado que eu já vi em 20 anos de futebol, com folgas.
natusch disse…
A situação de Mr. Roth vinha insustentável já há algum tempo. Considero inclusive que a derrota no GREnal (que não pude acompanhar, mas que aparentemente foi bem equilibrado) foi uma, digamos, circunstância favorável para a medida. É uma demissão convicta, sim - mas não de agora: vem sendo digerida já faz tempo, e chega a ser irônico o quase alívio que percebo (de longe, admito) nas reações e comentários da diretoria tricolor.

Não sou muito fã do Renato treinador, e acho que colocá-lo no comando pode ser bem arriscado, todos conhecem essa minha opinião. Dito isso, acho inevitável que ele acabe sendo o novo treinador gremista: está disponível, manifestou interesse, e seria um nome perfeito para reaproximar a torcida do clube e apaziguar esse momento conturbado. Tomara que funcione, sinceramente.
Vidarte Repórter disse…
Furo de reportagem: Renato Portaluppi é o novo técnico do Grêmio. Faltam apenas detalhes para o anúncio oficial.

E tenho dito!