Um primeiro olhar sobre a primeira vítima

Procurei me informar mais a respeito da queda do diretor de futebol do Corinthians, Antônio Carlos Zago. Na verdade, aqui em Porto Alegre, um tanto distante da realidade paulistana, não sei como avaliar o trabalho dele nos 15 meses em que ficou no Parque São Jorge. Talvez o Giuliander Carpes possa me ajudar neste sentido, já que acompanhou bem mais de perto a trajetória dele no Timão.

Por cima, andei lendo que trata-se de um trabalho competente. E Mauro Beting já adianta brevemente que sua demissão após a farra com prostitutas em uma boate de Presidente Prudente, da qual Ronaldo participou e Antônio Carlos estaria junto, é o "sofá na sala". Pelos resultados de campo, parece realmente incontestável o bom trabalho de Zago. Portanto, minha primeira impressão é que Ronaldo já fez sua primeira vítima no Corinthians, e ainda fará muito mais, mesmo que o fato de o diretor estar na farra não seja exatamente culpa dele.

Apenas atento para os dois pesos e duas medidas: evidentemente, o Corinthians não demitiria Ronaldo, depois de tudo o que fez para trazê-lo e todo o dinheiro envolvido. Mas já ocorre aí o primeiro passo para que a contratação do Fenômeno, em vez de se tornar benéfica, torne-se um mal para o futebol de campo: a demissão de um dirigente que vinha dando certo. Fica claro que quem bater de frente com Ronaldo sairá do Parque São Jorge. Era algo não muito difícil de prever, mas que agora se concretiza com esta demissão de um profissional do alto escalão do clube. Mais cabeças ainda rolarão por causa disso: Antônio Carlos foi apenas o começo. Uma pena, pois finalmente o Timão estava conseguindo se reerguer sem precisar de parcerias fraudulentas, apenas fazendo um trabalho sério e criterioso. Se não rever alguns conceitos, em breve voltará a ser tão desorganizado quanto o Flamengo.

Comentários

Anônimo disse…
Não vi dessa forma. Se ele foi mesmo pra noite com o Ronaldo, então a frase abaixo não se aplica:

"Fica claro que quem bater de frente com Ronaldo sairá do Parque São Jorge."

Pelo contrário, dá a entender que a conduta esperada de um dirigente é de zelar pelo Ronaldo, cobrando conduta dele, não de ir pra farra junto.
Anônimo disse…
Na parte dos dois pesos e duas medidadas, sim, concordo.

Mas, de fato, Ronaldo tem um peso maior que A. Carlos (sem trocadilhos, uhuhaduhdsa).
Vicente Fonseca disse…
Bom, o próprio título do texto diz "um primeiro olhar". Eu realmente aguardo as contribuições de vocês para chegar a uma conclusão mais sólida a respeito do assunto.

Esta tua conclusão é bastante procedente, Prestes, e me fez enxergar justamente isso: um dirigente ali teria que zelar pelo Ronaldo em vez de ir pra farra com ele. Não sei se era o caso de o Antônio Carlos ser esta "babá", mas enfim, é uma conclusão interessante.

Por outro lado, na questão dos dois pesos e duas medidas, fica claro que Ronaldo tem prioridade sobre TUDO no Corinthians após este caso. E isso sim é bastante preocupante. Não que Antônio Carlos tenha batido de frente com ele; mas quem bater de frente (e isto é um alô para o Mano Menezes), cairá. Até pela questão do peso do Ronaldo mesmo (hdhsdh).
Anônimo disse…
Eu acho que o fato de o Corinthians demitir Antônio Carlos é um sinal de que o clube não quer virar uma bagunça como o Flamengo. Não sei, acho lamentável diretor e jogador irem para festa, mas é bom sinal que alguma atitude foi tomada. Ronaldo realmente tem prerrogativas, mas é mensagem é válida: quem entrar na onda com ele vai embora.
Anônimo disse…
...mas A mensagem...
Anônimo disse…
Eu entendo o ponto do Vicente: se tanto A.Carlos como Ronaldo foram pra mesma farra, porque só o diretor se estrepou?

Isso também é uma forma de encobrir, sem dizer que passa uma péssima imagem para o grupo de jogadores. Ou passa a mão nos dois ou ferra com os dois. A lógica é essa.
Vicente Fonseca disse…
Sim, esse foi meu ponto, Gustavo.
Anônimo disse…
Me parece claro que a direção corintiana tomou a decisão que era possível para si mesma tomar no momento. Acho a visão do Prestes perfeita: um dirigente pode até não cuidar dos jogadores como se fosse babá, mas certamente não pode endossar - e pior, participar - de atitudes totalmente inadequadas que estes possam tomar. A demissão, para mim, se justifica por aí, e justamente para mostrar que o Corinthians é um clube que se pretende sério e não a casa da mãe joana.

O problema, daí, é o que fazer com o Ronaldo. Demitir assim de primeira não dá, porque se gastou fortunas com ele e o prejuízo financeiro e até motivacional seria muito grande. Mas também não dá para jogar o dirigente aos leões e deixar o jogador (por mais marcante que seja) escondidinho no canto. Para mim, peca o Corinthians por não fazer uma repreensão pública (e pesada) ao Ronaldo, se possível até aplicando multa - ou seja, falar grosso com ele mesmo. Porque o clube é sempre maior que o jogador, e isso tem que ser uma questão básica para quem lida com administração de futebol. E sim, passar a mão na cabeça do Nazário pode criar uma situação insustentável num futuro muito próximo - se é que já não criou, na verdade.