Passar e pensar
Antes de festejar a classificação à segunda fase (ou dezesseis-avos de final) da Copa do Brasil, o Internacional precisa refletir bastante sobre o que aconteceu hoje à noite no Beira-Rio. A classificação no final acabou vindo, mas os problemas apresentados na atuação foram tamanhos que, mesmo diante de um time de literalmente quinta categoria (nem na Série D o União estará), a vaga chegou a estar ameaçada.Defensivamente, a equipe colorada acabou sendo pouco exigida. Portanto, ainda é impossível saber se o esquema com Magrão de primeiro volante funcionará (ainda creio que não). Mas Tite agiu com correção ao manter o paulista recuado e Guiñazu mais livre para sair para o jogo. O argentino foi o melhor em campo, fazendo aquilo que mais sabe: desarmar e conduzir a bola até o ataque com qualidade e rapidez.
Houve sérios problemas ofensivos, porém. Com D'Alessandro bem marcado, a bola raramente chegava a Taison e Nilmar. Andrezinho era obrigado a recuar e buscar jogo, o que o tornou quase que um dublê daquilo que Magrão faz normalmente, atuando na mesma linha de Guiñazu. Longe dos homens de ataque, acabou tendo atuação abaixo do que vem fazendo, ainda que tenha sido um dos homens mais lúcidos do Internacional no primeiro tempo. Nas raras vezes em que a bola chegava à dupla de ataque, o trio de zagueiros se antecipava e levava vantagem. Assim o primeiro tempo transcorreu, num 0 a 0 irritante que escancarou as dificuldades de articulação do Internacional, problema que de certa forma vem assolando o time pelo mau início de ano do Cabezón.
Há que se louvar a postura do União também. Celso Roth, aliás, poderia ter aprendido com José Humberto. O Grêmio de domingo conseguiu ser mais covarde que o sexto colocado do mato-grossense. Após segurar a pressão inicial (que na verdade nem chegou a ser de fato exercida), o União saiu para o jogo e, por pelo menos um terço do primeiro tempo, a bola era mais vista no campo de defesa do Inter que no de ataque. Maneira bem melhor de se defender do que deixar o pobre do centroavante longe de todos.
Para o intervalo, Tite colocou Giuliano no lugar de Andrezinho, e de fato a alteração mudou a característica do time. Um dos principais defeitos do jogador que saiu era o arremate de longe, algo que faltava ao Inter. Giuliano, na sua primeira jogada, já bateu da entrada da área, com perigo. A postura do time mudou também. Após um primeiro tempo marcado pela passividade, o colorado entrou mordendo o adversário desde seu campo de defesa. O gol só saiu aos 20 minutos, com Índio, duas horas e meia depois de começar o duelo de 180 contra o fraco time capitaneado por Odvan. Depois do primeiro, o segundo veio com naturalidade, aos 28, com Alecsandro. Ambos os tentos vindos de bolas na trave. Odvan ainda foi expulso e, no finzinho, o Internacional quase achou tempo para levar um gol no jogo aéreo, em casa, diante de um adversário fraquíssimo e com um homem a menos, numa das pressões à base de escanteios mais constrangedoras dos últimos tempos.
Depois deste jogo, ficou escancarado que um time organizado, por mais fraco que seja, pode fazer algum estrago. O União mostrou uma equipe muito mais bem treinada que o grande Internacional, que mais uma vez em 2009 venceu por força de suas individualidades. Novamente, o time de Tite mostra que ainda precisa evoluir muito coletivamente se quiser realmente brigar pelo título da Copa do Brasil. A retirada de Nilmar para a entrada de um zagueiro simboliza bem as dificuldades que o time não poderia ter passado em uma fase tão prematura do torneio. Equipes que funcionam quase que puramente na base da qualidade técnica de seus atletas, como tem sido o caso do Inter neste ano, têm prazo de validade curto.
Copa do Brasil 2009 - Primeira Fase - Jogo de volta
4/março/2009
INTERNACIONAL 2 x UNIÃO-MT 0
Local: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Árbitro: Wagner Tardelli de Azevedo (SC)
Público e renda: não divulgados
Gols: Índio 20 e Alecsandro 28 do 2º
Cartão amarelo: Andrezinho, Guiñazu, Taison, Paulo Sérgio, Rodrigão, Odvan, Alex Mineiro e Maciel
Expulsão: Odvan 38 do 2º
INTERNACIONAL: Lauro (6,5), Bolívar (5) (Alecsandro, 19 do 2º - 6), Índio (6), Álvaro (5) e Kléber (4,5); Magrão (4,5), Guiñazu (7), Andrezinho (5,5) (Giuliano, intervalo - 5,5) e D'Alessandro (5,5); Taison (5,5) e Nilmar (5,5) (Danilo, 40 do 2º - sem nota). Técnico: Tite (5)
UNIÃO-MT: Paulo Sérgio (7), Alex Mineiro (6), Rodrigão (6) e Odvan (5,5); Richard (5), Rocha (6), Wender (5), Jonas (5,5) (Dilmar, 19 do 2º - 4,5) e Maciel (5,5); Diogo (5) e Clodoaldo (4,5) (Lucas, 32 do 2º - 5). Técnico: José Humberto (5,5)
Foto: Lucas Uebel/Vipcomm/Divulgação
Comentários
hdshsdhsd
Brincadeiras à parte, ficou claro um buraco ali no meio mesmo. Muitas vezes, Guiñazu e Andrezinho eram obrigados a conduzir demais a bola para que ela chegasse ao ataque. Porém, havia pouquíssimos jogadores que realmente atacavam. Os dois laterais, especialmente Kléber (que é mais qualificado para apoiar), foram extremamente discretos.
Se os laterais não apoiam, tem que ser orientados a apoiar. Mas a orientação parece ser justamente o contrário!
No caso do Kléber, me deu até impressão de má vontade mesmo.
Sigo recomendando a todos Sport x LDU, jogo bem interessante e movimentado. Bem melhor que assistir ao Ronaldo tomando Gatorade no banco de reservas.
Nossa reação aqui em casa foi exatamente a mesma.
Parece que o Mano Menezes já escalou o time num 4-3-3 hoje, para poder começar a colocar o Ronaldo sem abrir mão de dois atacantes que corram, já que ele vai ficar paradão. Primeiro passo para a derrocada do Corinthians.
Enquanto isso, há uns 10 minutos, Chengue Morales perde um gol incrível na Ilha do Retiro.
ATÉ O UNIÃO RONDONÓPOLIS SABE MARCAR O INTER DIREITINHO NO BEIRA-RIO, CHEGANDO A APOSTAR NA HORA CERTA DE AMEAÇÁ-LO!!!
FORA, ROTH!!! FORA!!! CONTRATEM O ZÉ HUMBERTO, ESSE SABE DE BOLA!!!
O Inter tomou esse sufoco do União Rondonópolis com o único objetivo de constranger o Grêmio.
Fim dos tempos...
Ironias catastrofistas à parte, o Inter conseguiu se classificar dando fiasco nos dois jogos, o que é quase admirável. Quase que o Alex Mineiro deles anota o seu no Beira-Rio - e com o União jogando com um a menos. Claro que o nervosismo de jogadores e torcida pesou, mas convenhamos que não dá para admitir uma coisa dessas de um time de ponta. É mais ou menos como naquela vez, lá longe nas areias do tempo, em que o Grêmio tomou um suadouro histórico do ABC e seu glorioso "Rob-gol" em pleno Olímpico - e precisou de uma intervenção divina, com um apagão que tomou conta de metade do Brasil, para esfriar o jogo e conseguir uma reação no final do jogo. É um alívio, claro, mas não deixa de ser uma vergonha. E o sinal amarelo acende no Beira-Rio...
Eu quase CARIYN da cadeira quando o Agnight empatou o jogo.
Esse entra pra categoria "jogos para serem esquecidos"
Torço por ele, mas é brincadeira a força que fazem para elogiá-lo.
Aliás, só agora entendo a opção do Roth pelo Diogo em detrimento do Jonas. Diogo foi o nome do carrasco do Inter em Mato Grosso. Certo que ele pensou que nosso volantão faria o gol da vitória.
mas ó: quase acertei o resultado.
eu imaginava algo assim. O Inter fazendo dois gols sofridos, chorados, apertadinhos. Só que também suspeitava que aquele gol inacreditável, sei lá, um cara chutando a bola do meio campo e a bola batendo na trave e na CABEÇA do Lauro, poderia acontecer.
Eu já estou achando o Magrão excessivamente lento nesta temporada. Só que jamais defenderei ferrenhamente a titularidade de um jogador que não vi jogar. Não houvesse opções, fosse o Magrão compremetedor aí sim, faria coro à entrada do Sandro. Pra mim hj ele está conseguindo provar que é melhor reserva que o Maicon. O mesmo penso sobre Arilton, Giuliano, Valter, entre outros. O Inter não tem necessidade de queimá-los.