O Gre-Nal que não acaba
Poucas vezes a máxima cunhada por Ibsen Pinheiro está ocorrendo com tanta força: vencer o Gre-Nal arruma a casa, mas perder a esculhamba completamente. O que se viu hoje foi novamente uma equipe que comete erros defensivos tolos, que fica à beira de um ataque de nervos a cada gol sofrido ou jogada que não dá certo. Em uma semana, tudo aparentemente ruiu no Olímpico.
Aparentemente, claro. O Grêmio azeitado de começo de ano, que jogava fácil e criava situações de gol de forma compulsiva, está adormecido. Deu lugar a um time nitidamente sem controle emocional. Nos primeiros 25 minutos do calorento jogo em Santa Cruz do Sul, parecia que veríamos o tricolor de janeiro e fevereiro: marcando a saída de bola adversária com força, chegando bem pelos lados do campo, mesmo com time misto. O gol de Reinaldo em levantamento de Tcheco foi consequência do que ocorria em campo. Pouco depois, o capitão deixou Douglas Costa na cara de Cássio, mas ele perdeu.
Talvez por causa do calor, ou do gol, ou de ambos, o Grêmio naturalmente diminuiu o ritmo. O perigo era sofrer um gol, como sofreu, em cabeçada de Rafael Paty, em cochilada de Thiego que pegou Victor adiantado. Ele já havia ensaiado o seu de cabeça antes mesmo do gol de Reinaldo. Em vez de voltar ao jogo e se impor novamente, o tricolor perdeu o controle dos nervos e da partida. Réver errava lances bisonhos, a zaga inteira falhava, Diogo seguia sendo Diogo, Maxi López não conseguia dominar a bola. O segundo gol foi ainda mais imperdoável: um dos zagueiros olhou Rafael Paty girar, enquanto o outro não notou a subida de Polaco livre. Para piorar a inhaca, Jadílson se lesionou aos 45 e nem deve viajar a Tunja.
O segundo tempo foi ainda mais humilhante. Rafael Marques, que já entrou nervoso, meteu a mão na cara de um adversário em lance praticamente ganho. Falta cobrada, a zaga novamente falha na bola aérea, Victor se abaixa em vez de subir e o 3 a 1 se concretiza, já beirando a goleada. A torcida do Galo ensaiou gritos de olé quando Herrera, também nervoso (porém eficiente), descontou, em grande jogada (mais uma) de Tcheco. O empate até poderia ter vindo ao final, mas ficou nisso.
Esta derrota, muito mais do que praticamente eliminar as chances de uma pretensa final de turno no Olímpico ou de deixar o Grêmio em situação difícil, é a pior maneira possível que o tricolor poderia arranjar para viajar à Colômbia. Completamente pressionado, o time de Celso Roth, é verdade, ainda não perdeu nenhuma competição, mas está começando a ficar perto de perdê-las. Outro grande perigo é o de que, mais uma vez, a equipe perde no 3-5-2, e o 3-6-1 pode voltar a ser visto como opção, o que será um erro crasso. Pelo andar da carruagem, e pelo que se diz por aí, o jogo contra o Boyacá Chicó poderá ser o último do treinador tricolor, caso um bom resultado não venha. É impossível que uma equipe que jogava tão bom futebol há 10 dias, que foi vice-campeã brasileira há três meses, e que se reforçou em alto nível para o ano seguinte, tenha desaprendido a jogar futebol de uma hora para outra.
Campeonato Gaúcho 2009 - Taça Fábio Koff - Grupo B - 1ª rodada
8/março/2009
SANTA CRUZ 3 x GRÊMIO 2
Local: Plátanos, Santa Cruz do Sul (RS)
Árbitro: Fabrício Neves Corrêa
Público e renda: não divulgados
Gols: Reinaldo 20, Rafael Paty 29 e Polaco 40 do 1º; Eraldo 13 e Herrera 27 do 2º
Cartão amarelo: Polaco, Rafael Paty, Makelele, Rafael Marques e Herrera
SANTA CRUZ: Cássio (6), Simônio (5,5), Vinícius (5,5) e Juliano (6); Polaco (6,5), William (5,5), Sananduva (6), Cléber Oliveira (5,5) (Willian Silveira, 37 do 2º - sem nota) e Emanuel (6); Rafael Paty (7,5) (Luizão, 37 do 2º - sem nota) e Eraldo (6,5) (David, 26 do 2º - 5). Técnico: Agenor Piccinin (6)
GRÊMIO: Victor (4), Héverton (4,5), Réver (4,5) (Rafael Marques, intervalo - 4) e Thiego (4,5); Makelele (5,5), Diogo (4,5), Tcheco (6,5), Douglas Costa (5,5) e Jadílson (5,5) (Saimon, 45 do 1º - 5); Reinaldo (6) e Maxi López (4,5) (Herrera, 10 do 2º - 6). Técnico: Celso Roth (4,5)
Aparentemente, claro. O Grêmio azeitado de começo de ano, que jogava fácil e criava situações de gol de forma compulsiva, está adormecido. Deu lugar a um time nitidamente sem controle emocional. Nos primeiros 25 minutos do calorento jogo em Santa Cruz do Sul, parecia que veríamos o tricolor de janeiro e fevereiro: marcando a saída de bola adversária com força, chegando bem pelos lados do campo, mesmo com time misto. O gol de Reinaldo em levantamento de Tcheco foi consequência do que ocorria em campo. Pouco depois, o capitão deixou Douglas Costa na cara de Cássio, mas ele perdeu.
Talvez por causa do calor, ou do gol, ou de ambos, o Grêmio naturalmente diminuiu o ritmo. O perigo era sofrer um gol, como sofreu, em cabeçada de Rafael Paty, em cochilada de Thiego que pegou Victor adiantado. Ele já havia ensaiado o seu de cabeça antes mesmo do gol de Reinaldo. Em vez de voltar ao jogo e se impor novamente, o tricolor perdeu o controle dos nervos e da partida. Réver errava lances bisonhos, a zaga inteira falhava, Diogo seguia sendo Diogo, Maxi López não conseguia dominar a bola. O segundo gol foi ainda mais imperdoável: um dos zagueiros olhou Rafael Paty girar, enquanto o outro não notou a subida de Polaco livre. Para piorar a inhaca, Jadílson se lesionou aos 45 e nem deve viajar a Tunja.
O segundo tempo foi ainda mais humilhante. Rafael Marques, que já entrou nervoso, meteu a mão na cara de um adversário em lance praticamente ganho. Falta cobrada, a zaga novamente falha na bola aérea, Victor se abaixa em vez de subir e o 3 a 1 se concretiza, já beirando a goleada. A torcida do Galo ensaiou gritos de olé quando Herrera, também nervoso (porém eficiente), descontou, em grande jogada (mais uma) de Tcheco. O empate até poderia ter vindo ao final, mas ficou nisso.
Esta derrota, muito mais do que praticamente eliminar as chances de uma pretensa final de turno no Olímpico ou de deixar o Grêmio em situação difícil, é a pior maneira possível que o tricolor poderia arranjar para viajar à Colômbia. Completamente pressionado, o time de Celso Roth, é verdade, ainda não perdeu nenhuma competição, mas está começando a ficar perto de perdê-las. Outro grande perigo é o de que, mais uma vez, a equipe perde no 3-5-2, e o 3-6-1 pode voltar a ser visto como opção, o que será um erro crasso. Pelo andar da carruagem, e pelo que se diz por aí, o jogo contra o Boyacá Chicó poderá ser o último do treinador tricolor, caso um bom resultado não venha. É impossível que uma equipe que jogava tão bom futebol há 10 dias, que foi vice-campeã brasileira há três meses, e que se reforçou em alto nível para o ano seguinte, tenha desaprendido a jogar futebol de uma hora para outra.
Campeonato Gaúcho 2009 - Taça Fábio Koff - Grupo B - 1ª rodada
8/março/2009
SANTA CRUZ 3 x GRÊMIO 2
Local: Plátanos, Santa Cruz do Sul (RS)
Árbitro: Fabrício Neves Corrêa
Público e renda: não divulgados
Gols: Reinaldo 20, Rafael Paty 29 e Polaco 40 do 1º; Eraldo 13 e Herrera 27 do 2º
Cartão amarelo: Polaco, Rafael Paty, Makelele, Rafael Marques e Herrera
SANTA CRUZ: Cássio (6), Simônio (5,5), Vinícius (5,5) e Juliano (6); Polaco (6,5), William (5,5), Sananduva (6), Cléber Oliveira (5,5) (Willian Silveira, 37 do 2º - sem nota) e Emanuel (6); Rafael Paty (7,5) (Luizão, 37 do 2º - sem nota) e Eraldo (6,5) (David, 26 do 2º - 5). Técnico: Agenor Piccinin (6)
GRÊMIO: Victor (4), Héverton (4,5), Réver (4,5) (Rafael Marques, intervalo - 4) e Thiego (4,5); Makelele (5,5), Diogo (4,5), Tcheco (6,5), Douglas Costa (5,5) e Jadílson (5,5) (Saimon, 45 do 1º - 5); Reinaldo (6) e Maxi López (4,5) (Herrera, 10 do 2º - 6). Técnico: Celso Roth (4,5)
Comentários
Muito bem analisado Vicente!
duhdsuhsdauhdsasuhdauh
Não dá pra botar um volante podre na mão do Roth que ele se apaixona.
Não vi o jogo, preferi o clássico paulista. Mas vi a entrevista do Roth depois do jogo e me pareceu que ele já está demitido. Foi de um descompromisso extremo com o Grêmio. Disse umas barbaridades do tipo "que bom para o Santa Cruz esta vitória". Sempre com um sorrisinho no canto da boca.
Não ouvi toda a entrevista do Roth, até para poupar um pouco meu maltratado estômago.
Post sobre o clássico paulista (leia-se: gol do Ronaldo) amanhã pela manhã.
Começo a temer a vinda de Renato...
Tenho que me convencer que a culpa é minha, que sou torcedor, passional e quero que o Grêmio ganhe sempre.
É sério isso? Ele vai ficar aqui até dezembro, porque tá emprestado pelo Figueirense.
A propósito, onde tá o Adílson? Folgou geral hoje?
Adílson foi poupado, até onde sei.
Mas já discutimos uma possível vinda dele pro Grêmio, e ela é bem temerária, tu sabe disso melhor que eu.
Enfim, só sei que iniciou o período de apreensão pra todos nós. Ah, Celso Roth...
P.S.: agora vou ter que terminar meu folhetim antes dele cair, senão vai fuder meu final.
Quanto à questão de manchar-se como ídolo do Grêmio, lhes digo que não mancha. O próprio Júnior, que não deu nada certo no Fla, lamenta ter sido chamado de burro, mas com certeza sua imagem de ídolo não foi abalada. A torcida sabe separar as coisas. O mesmo ocorre com o Falcão no Inter.
Claro que sei dos riscos Fred, e muitos deles passam pelo fato de que a "vaia constrói a índole de um técnico" FARAON, G. Porto Alegre: Carta na Mesa, 2008. Mas se o Roth mostra sinais de desgaste ou até mesmo descaso, como disse o Prestes, é algo muito preocupante. Pelo que o Krieger falou (futebol é resultado), perdendo em Tunja o homem cai. Só espero que nenhum gremista seque o time por causa disso, pois seria COROAR (sim, VdP) uma burrice sem tamanho.
Além disso, acho que o fato de ele ter sido um craque histórico do clube só ajudará em vez de atrapalhar.
Quando achar, posto aqui.
um goleiro com a altura e a elasticidade dele não poderia nunca tomar um gol com um LOB de cabeça. A menos que fosse o Danrlei, que jogava sempre na marca do pênalti.
no terceiro gol, é a segunda vez que ele se abaixa num cruzamento, a última vez eu vi ele fazer isso no grenal. Não faz o menor sentido. Aliás, ele fica demais debaixo das traves, sendo que tem corpo para fazer boas saídas de gol. Isso aí é problema de treinamento. Bota o Ilo Roxo (dispensado do Inter, por alguma explicação que deve estar escrita nas estrelas) no Grêmio para ver se não resolve.
De fato, é a segunda vez que ele se abaixa num cruzamento daqueles, no caso do 3 a 1. Isso sim é mais sério. A fase do Grêmio anda tão macabra que até ele falha duas vezes no mesmo jogo, algo que não tonha ocorrido nos 59 jogos anteriores dele por aqui. Acho que só nestes primeiros dois meses de ano a defesa gremista tomou mais gols por bola aérea que em todo 2008.
Rafael Marques fez sim falta no jogador do Santa Cruz, mas a bola já estava fora, portanto só caberia um amarelo ali. Sem falar que segundos antes o Thiego levou um soco e o juiz nada marcou.
É sempre muito ruim jogar em Santa Cruz nesta época do ano. Curioso é que o Grêmio foi duas vezes a cidade neste campeonato, enquanto o Inter receberá Avenida e Santa Cruz. Não vou falar que falhou a direção do Grêmio, já está ficando cansativo. Vou falar que falhou o consul colorado em Santa Cruz que ficou sem receber o seu time este ano.
Concordo que seja o "Gre-nal que não acabou". Se o Grêmio tivesse jogado o Grenal decentemente e vencido o turno, poderia jogar este segundo só com reservas, se quisesse.
Se o Grêmio tivesse ganhado o Gre-Nal, teria botado só a gurizada ontem. E talvez até teria vencido o jogo mesmo assim.
GUILHOTINA JÁ!!!!!!!