Mais uma última chance

Desta vez, Celso Roth não terá como reclamar da torcida. Não só pelo fato de ele estar há milhares de quilômetros de onde o Grêmio joga, mas principalmente pelas manifestações de apoio ao grupo dadas quando do embarque do time à Colômbia, na segunda-feira. O pedido de desculpas gremista, que vai antes a Tunja para minimizar o que disse César Pacheco, reforçará ainda mais a amabilidade colombiana na recepção ao time, que já foi tranquila em Bogotá. Clima fora de campo, ao menos, amenizou.

O jogo de hoje é de grande dificuldade e imprevisibilidade. Todo jogo de futebol tem seu resultado que passa por variantes múltiplas, e por isso ele é tão imprevisível e maravilhoso. Mas o de hoje ganha algumas extras, quase todas dizendo respeito ao momento emocional do Grêmio.

O momento é de reabilitação, há muita concentração na Libertadores. Duda Kroeff garantiu que o grupo de jogadores sabe separar a Libertadores e do Gauchão, e que as coisas não se misturarão. Será?

O fato é que, muito mais que para o tricolor, o jogo é decisivo para Celso Roth. Caso venha uma derrota, o Grêmio ainda não estará eliminado; ficará, sim, em situação desconfortável, mas perfeitamente reversível. Já Roth depende de uma vitória, talvez nem o empate sirva, para permanecer no cargo. A declaração do sempre sincero Souza surpreende justamente por isso, pela sinceridade, que é excessiva: se os três pontos não vierem, o treinador deve deixar o comando. Haverá 14 dias para o jogo do Aurora, em Cochabamba. O Grêmio sente que será neste intervalo a hora certa de trocar de treinador, se for o caso.

O fato é que todos estão dando esta última chance para Roth e colaborando para que ele se saia bem. Tanto grupo de jogadores como direção já deixaram clara a sua preferência pelo esquema com dois atacantes e, mesmo que o treinador não confirme oficialmente à imprensa, é dito que já desistiu do 3-6-1, a combinação numérica que mais atormenta a cabeça dos gremistas desde a conjunção de numerais formada por 2-0-0-4.

O adversário, de azarão, ganhou ares de favorito à vitória por alguns, o que pode até ser positivo para o Grêmio. Fez 3 a 0 no fragilíssimo Aurora, mas exibiu problemas defensivos consideráveis, que serão certamente muito melhor explorados se dois homens estiverem lá para atacar, em vez de um só. O ataque mostra força e técnica, como qualquer linha de frente colombiana. Conta com Nuñez, homem de porte, forte na bola aérea, que tem sido um problema crônico desde a saída de Pereira do Olímpico. Tapia arremata bem de longe, fez um golaço de falta (é bom evitar infrações perto da área, e por isso a não escalação de Diogo será fundamental) e outro com bola rolando. Impedir seus chutaços é um dever. Móvil, Mahecha e Girón formam um trio entrosado e que também pode ter trazer problemas. Jadílson não joga, mas adiantar Ruy será importante para obrigá-los a marcar, diminuindo-lhes a possibilidade de tramar ofensivamente. Cobertura de Adílson será importante, a ajuda de Tcheco (chamado de lento pelo treinador Gamero, algo que deve ser usado no vestiário azul) a ele e a Souza, atrás e na frente respectivamente, será fundamental.

O ideal, claro, seria uma vitória que deixaria o time na liderança ao lado da Universidad de Chile, que tem 4 pontos. Mas um empate não é desprezível. O tricolor ficaria com 2, contra 4 de chilenos e colombianos. Terá a vantagem de ainda pegará duas vezes o Aurora. Vencendo na Bolívia, ficaria com 5 e, no mínimo, seria segundo colocado por pontos, tendo duas das três restantes no Olímpico. Nem perdendo o caldo engrossaria de vez, mas as obrigações aumentariam, e as pressões também.

Mais Libertadores
Ontem foi noite de poucos gols. Pelo grupo do São Paulo, o clássico colombiano entre América Cali e Independiente Medellín ficou no 1 a 1, resultado bom para os brasileiros e os uruguaios do Defensor. Na chanve do Cruzeiro, Deportivo Quito fez 1 a 0 no Estudiantes, no que os equatorianos ultrapassaram os argentinos. Pelo Grupo 8, o Universitario-PER fechou o turno na segunda posição, mas apenas empatou sem gols com o lanterna San Luis.

Hoje é dia de o Boca Juniors visitar o Táchira, dos duelo que fecham o turno e abrem o returno do Grupo 6: o de lanternas (Everton x Lanús) e o de líderes Chivas x Caracas.

Comentários

Anônimo disse…
Acredito que a derrota para o Chicó complicaria o primeiro lugar no grupo, já que o time colombiano dispararia com 6 pontos.

Porque não sonhar com a vitória tricolor, hein?

O Estudiantes está muito podre mesmo. Só leva osso. Tá dando pintas de que não se classifica.
Vicente Fonseca disse…
Complicaria a liderança, sim. Mas não a classificação, ainda.

Acho perfeitamente possível a vitória do Grêmio hoje. Jogo totalmente imprevisível.
Anônimo disse…
Não sei por quê, não tô muito confiante no Grêmio e não agüento mais o Roth (embora não vislumbre uma alternativa ideal, o que emperra sua demissão), mas estou apostando em 1 a 0 Grêmio, com uma atuação consistente e certinha do Grêmio
Não apostarei nada pro jogo de hoje. Nem palpite, nem ânimo dos jogadores, nem esquema, nem escalação, nem se Roth fica ou não. Justamente porque hoje tá tudo nebuloso e imprevisível. Só vai dar pra se ter alguma ideia nos primeiros toques de bola do jogo.

De qualquer forma, boa sorte pra nós.

E o Estudiantes tá uma droga mesmo. Quando o treinador tira o melhor jogador do time por questões de desentendimento, aí tem mais é que cair fora da Liber cedo.
luís felipe disse…
se o Chicó ganhar, preparem-se para um grupo com pontuação altíssima. Isso indica vaga sendo decidida nos detalhes, e provavelmente um jogo da morte em Santiago na última rodada.

meu palpite: Grêmio 3x1 Boyacá Chicó, com mais facilidades do que se imagina.
Vicente Fonseca disse…
Pois é, eu acredito, pela lógica, num grupo com o Grêmio fazendo uns 13 pontos, com Universidad e Chicó com 10 cada um. Algo deste tipo. Aurora figurante.

Um bom resultado hoje pode realmente significar um jogo mais tranquilo na última rodada. Seria muito importante chegar a Santiago já classificado.
Vicente Fonseca disse…
Devo dizer que o maravilhoso post do André Kruse, dissecando os momentos de crise antes do título em 1983, foi o responsável direto por esta minha mudança repentina de humor e confiança na liderança.
Anônimo disse…
O jogo de hoje vai ser muito difícil pela soma de fatores (adversário, altitude, TREINADOR, dirigente falando besteira...).
Anônimo disse…
El Jefe Astrada imitou o Roth retrancando o time. Perdeu o jogo no final e 1 X 0 ficou barato.
Anônimo disse…
Não sei se entendi o que o Luís Felipe disse, mas O Grêmio não joga em Santiago na última rodada, e sim contra o Chicó, no Olímpico.
Vicente Fonseca disse…
Bah, pior. Sempre esqueço que a tabela este ano não é espelhada.

A ordem de jogos é:

11/03 - Boyacá Chicó (fora)
25/03 - Aurora (fora)
07/04 - Aurora (casa)
15/04 - Universidad de Chile (fora)
29/04 - Boyacá Chicó (casa)
Anônimo disse…
bah, não sabia que a tabela não era espelhada.
Anônimo disse…
Não é espelhada, é como a da Champions.

Valeu pelos elogios Vicente.

Um detalhe sobre o jogo do Dim X America:
Diego Umana, treinador da equipe de Cali orientou a equipe vestindo uma camisa do Milan.

Nem na copa paquete pode uma coisa dessas

http://www.elpais.com.co/paisonline/deportes2003/notas/Marzo112009/depor14.html