Ameaçado já no início de março

Foi a maior zebra da Libertadores, e não era para menos. O badalado Palmeiras, de 9 vitórias e 1 empate em 10 jogos no Paulistão, de Vanderlei Luxemburgo, do superartilheiro Keirrison, nem pensava em outro resultado que não fosse a vitória. Após a derrota para a campeã LDU na estreia, vencer o Colo Colo, patinho feio do grupo, que havia perdido para o Sport em Santiago na partida inaugural, era obrigação. Mas somente os primeiros 15 minutos de jogo deram a impressão de que os 3 pontos eram possíveis.

O Palmeiras revelou hoje gritantemente aquilo que era (e continua sendo ainda mais) minha maior desconfiança quanto ao seu time: a inexperiência e a leveza extrema de seus jogadores. Nos primeiros minutos, a equipe de Luxa parecia que usava isto a seu favor. Willians constantemente escapava em velocidade por entre os defensores chilenos, levando pânico ao baixo goleiro Muñoz. A partir disso, houve a famosa pressão inicial que o time mandante costumeiramente faz em Libertadores. Mas nada muito além disso e de bolas aéreas. Keirrison, isolado num 3-6-1 com três meias que mal chegavam para o tabelamento, só olhava a partida.

Vendo que o bicho não era tão feio quanto se dizia, o Colo Colo começou aos poucos a adiantar a marcação. Dos 20 minutos do primeiro tempo em diante, ela era feita junto à zaga palmeirense que, fraca tecnicamente (nem Edmílson escapou hoje), espanava para a frente, no que os chilenos conseguiam recuperar a bola. As primeiras estocadas vieram com o ponteiro Carranza pela esquerda. Depois, Torres, aquele mesmo dos tempos de Cucuta, mostrava aquele futebol que lembra muito o de Djalminha: com toques curtos de classe, acionava o perigosíssimo Barrios a todo o instante. O Palmeiras não passava do meio-campo. Parecia que o jogo era em Santiago. Diego Souza e Cleiton Xavier se escondiam do jogo, enquanto os alas Fabinho Capixaba e Marcão tinham seus avanços bem controlados.

Na primeira bola que recebeu, em cruzamento para a área, Barrios obrigou Bruno a grande defesa, após subir mais que os zagueiros. Depois, o merecimento: Barrios carregou a bola entre Danilo e Maurício Ramos e abriu o placar. Um lance que diz bem o que foi o jogo: o Colo Colo determinando o ritmo, o Palmeiras assistindo, atônito. Gol aos 43 minutos, um duro golpe na volta do intervalo.

A inexperiência apareceu mais no segundo tempo, quando o nervosismo tomou conta do ambiente de todo o estádio. Nem a carraspana de Luxa no intervalo, nem o pulso forte de Edmílson e nem a vitalidade de Pierre animaram o grupo. Talvez a expectativa criada por todos de que este era o "jogo do ano" tenha pesado. O fato é que ninguém no Palestra Itália parecia saber lidar com o fato de o time estar em desvantagem, simplesmente porque isto era incogitável. Luxemburgo viu bem na entrevista: o Palmeiras não soube lidar com o favoritismo em uma competição como a Libertadores. A expulsão infantil de Melendez logo aos 4 minutos poderia ser um indicativo auspicioso. Barticiotto retirou Carranza e fechou seu time atrás em busca de um contra-golpe. No primeiro deles, Barrios ganhou de Danilo, deixou Edmílson deitado na base da força física e cruzou para Torres decretar o 2 a 0 num chute seco e firme.

O gol de Keirrison veio após cinco minutos de razoável futebol, quando Diego Souza resolveu finalmente entrar no jogo e Lenny entrou para enfim dar um parceiro para o centroavante. Pressão se sucedeu, o Palestra pulsava, e o empate parecia inevitável. A torcida até já pedia a virada. Aí, aos 34, Torres fez jogada genial e deixou González, que entrara aos 32, na cara de Bruno. Ele venceu Edmílson em velocidade e deu números finais ao placar.

O Palmeiras fica no zero ponto, contra 3 de seus adversários, e amanhã Sport e LDU se enfrentam. Hoje a equipe mostrou que ainda carece de experiência, por ter caído na catimba chilena e ficado nervosa em excesso com a obrigatoriedade de vencer. A contratação recente de Marcão indica que essa necessidade é inclusive diagnosticada dentro do clube, o que já é um ótimo sinal. E mostrou também que times muito leves são dificilmente bem sucedidos em Libertadores, pois tendem a cair demais nas divididas, onde sabidamente os árbitros não-brasileiros não marcam qualquer faltinha. Equipes leves só podem se dar bem se souberem jogar em velocidade. Nem isso o Palmeiras teve hoje: a bola levava séculos para sair da defesa e chegar nos homens de frente.

Não dá para descartar o Verdão por sua enorme qualidade e potencial técnico, mas será preciso uma verdadeira reviravolta para que a classificação venha. Já são duas derrotas, e a próxima parada é "apenas" o Sport, na Ilha do Retiro. Time que quer ganhar a Libertadores não pode levar dois gols em casa contra um adversário que tem um homem a menos. Um começo de Libertadores certamente bem diferente daquilo que os palmeirenses e todos acreditavam.

Em tempo:
- Não entendo porque os narradores insistem em confundir Keirrison com o centroavante búlgaro Kanov.

Copa Libertadores da América 2009 - Primeira Fase - Grupo 1 - 2ª rodada
3/março/2009
PALMEIRAS 1 x COLO COLO 3
Local: Palestra Itália, São Paulo (SP)
Árbitro: Sérgio Pezzota (ARG)
Público: 23.285
Renda: R$ 885.405,00
Gols: Barrios 43 do 1º; Torres 8, Keirrison 25 e González 34 do 2º
Cartão amarelo: Mena, Riffo e Caroca
Expulsão: Melendez 4 do 2º
PALMEIRAS: Bruno (5,5), Maurício Ramos (3,5) (Jumar, intervalo - 4,5), Edmílson (3) e Danilo (4); Fabinho Capixaba (4,5) (Lenny, 18 do 2º - 5), Pierre (5,5), Diego Souza (4,5), Cleiton Xavier (4), Willians (5) e Marcão (4,5) (Jefferson, intervalo - 5,5); Keirrison (5). Técnico: Vanderlei Luxemburgo (3,5)
COLO COLO: Muñoz (5,5), Riffo (6), Mena (5,5) e Salcedo (5,5); Figueroa (6), Melendez (4,5), Sanhueza (6), Torres (7,5) (Opazo, 40 do 2º - sem nota) e Millar (6); Carranza (6,5) (Caroca, 7 do 2º - 5,5) e Barrios (8) (González, 32 do 2º - 6,5). Técnico: Marcelo Barticiotto (8)

Foto: Marcelo Pereira/Terra

Comentários

Anônimo disse…
se o luxemburgo comentasse aqui, a palavra de verificação dele seria CHUPPA!!!!
Marcelo disse…
3-6-1 fazendo mais uma vítima.
Felipe disse…
Tche, o que tu espera de um time em que Cleiton Xavier é craque?
Ponso disse…
Mas não é de se olhar este Torres com um pouco mais de carinho? Pelo menos no Cucuta jogou demais. E parece que ontem fez a diferença.
Anônimo disse…
Colo Colo = Lucas Barrios + 10
O gol dele é uma obra-prima
Vicente Fonseca disse…
O Cleiton Xavier é um bom jogador. Muitos gaúchos nunca vão admitir isso porque fracassou no Inter, ainda muito guri. É o mesmo ranço que os paulistas têm com o Tcheco, que foi mal no Santos e pode estar há três anos bem no Grêmio que eles não admitem sua qualidade.

Acho que a prova de fogo do Torres é esta Libertadores pelo Colo Colo. Em 2007 destruiu no Cucuta, mas podia ser uma coisa de momento, num time menor. Este ano, se for bem, será mais consistentemente avaliado. Pelo menos por ontem, vem sendo aprovado.

Momento verificação de palavras (MVP): No gol do Keirrison a bola descreveu uma PREABL em direção às redes.
Anônimo disse…
K9 pra mim é aquele filme com o Jim Belushi.

Gonzalez entrou com "chamagol" escrito na camisa. Comecei a debochar. 30 segundos depois ele fez o gol.
Vine disse…
Impossível não comentar a sarcástica alegria de ver o Luxemburgo se ralando logo no início do ano...
K9 - Um policial bom pra cachorro.

Bom filme.

Luxemburgo ainda está tentando ganhar uma Libertadores "jogando bonito"?
Anônimo disse…
Jogaço. Lucas Barrios jogou demais.
Anônimo disse…
De mais a mais, o PLANTOM de Luxemburgo a cada derrota é sempre divertido.

[essa verificação de palavras ficaria melhor com o Leão, mas enfim, não podia perder a chance] =P
Unknown disse…
"Wagner: revele um dos segredos mais protegidos da humanidade... Afinal, por que você saiu do Grêmio no ano passado. Você ganhou quatro jogos e empatou dois. A campanha era ótima...

Quer saber? Vou falar... Eu fui mandado embora porque não aceitei as ordens do ex-assessor de futebol do Grêmio, Paulo Pelaipe. Ele mandava em tudo e resolveu tentar escalar o meu time. Talvez pensando porque eu era novo na profissão quis dar palpites, ordens. Falei que não aceitaria interferência. Eu era o treinador e ponto final. Fui mandado embora por isso. As pessoas pensam que o futebol é moderno, mas ainda tem essas coisas: dirigentes querendo escalar times. Era melhor ele ter virado técnico. Não aceitei e não aceito interferência. O clube que me contrata confia em mim ou eu saio. Nunca falei antes porque achei a situação péssima. Mas é essa a verdade"

aqui em http://blogdocosmerimoli.blog.uol.com.br/arch2009-03-01_2009-03-07.html
Vicente Fonseca disse…
Volta Pelaipe, e dá um jeito no C. Juarez!
Anônimo disse…
Isso que eu ia dizer. Mancini escalava Peter, André Luís, Reinaldo e Jonas juntos e achava que o dirigente ia deixar esse time faceiro perdurar.

Aliás, o melhor para Mancini para sua reputação foi ter sido demitido do Grêmio. Enquanto estava aqui, todo mundo desconfiava. Depois que foi embora, todo mundo passou a defender ele.

Eu achei uma boa a indicação dele, tinha boas perspectivas e lamentei que tivesse saído tão cedo. Mas não vi nada na curtíssima passagem dele pelo Grêmio que aumentasse o conceito.
Anônimo disse…
Cara, talvez o Lourenço discorde. Mas acho impressionante como o Diego Souza jamais conseguiu no Palmeiras a regularidade e a confiança que tinha no Grêmio.
Vicente Fonseca disse…
Eu não costumo opinar muito sobre o trabalho do Mancini no Grêmio porque foi muito curto para tirar conclusões. Também acho que o grupo que ele tinha nas mãos era muito mais fraco do que o que o Roth pegou posteriormente. Mas a tendência (TENDÊNCIA, nada definitivo) era de uma faceirice preocupante sim. Mesmo que eu normalmente seja contra demitir um técnico com o trabalho já em andamento, desta vez se justificativa. A direção errou muito mais em trazê-lo sem conhecer seu estilo que em demiti-lo.

Prestes, eu concordo contigo. O Diego Souza foi muito bem no Grêmio, MAS... Também foi irregular. Jogou muito de abril a julho, momento mais importante do ano, porque estava numa fase não só técnica, mas fisicamente extraordinária. No Palmeiras, oscila muito mesmo, mas tem também alguns lampejos de pura qualidade. Talvez fisicamente não esteja voando, talvez. Mas acho que a parceria que ele tinha no meio-campo do Grêmio em 2007 era melhor que a que ele teve e está tendo no Palmeiras.
Falei no último Carta na Mesa do ano passado que Diego Souza de forma alguma vale 4 milhões de euros. Gostava do cara na Liber 2007, mas seria uma puta cagada contratá-lo por esse valor. Seria uma contratação semelhante à do BETO em 97.
Vicente Fonseca disse…
O Diego Souza do Grêmio vale isto sim. Joga bem mais do que o Beto.

Apesar de estar se esforçando para virar tão peladeiro quanto ele. Ontem, parecia que se juntaria ao Rico e ao Ratinho naqueles gloriosas peladas que eles travavam no Marinha do Brasil em 2004, quando eram terceiros reservas do Grêmio.
Anônimo disse…
Ele tem uns dias de gorda velha, sim, mas ninguém engana tanto tempo em jogos tão importantes como ele fez.
Sem falar que esse negócio dele beijar o distintivo de toda camisa que veste irrita pacas.

No Grêmio, todo mundo dizia que ele estava identificado com a torcida e o k7a4. Começou a brilhar no Palmeiras e dava os mesmos faniquitos quando corria pra torcida. E já havia feito isso no Flamengo e no Fluminense.

E a bem da verdade, definitivamente ele não funciona como coadjuvante de um time. Ele voou no Grêmio quando ficou na meia-direita e quando era um dos craques do time. Bastou botá-lo na esquerda no segundo semestre, dando preferência na sua função para o Tcheco, e ele começou a caminhar em campo.

No Palmeiras, a mesma coisa. O que que ele rendeu do lado do Valdívia? O que está rendendo ao lado do Cleiton Xavier?

Aí vem ele me dizer na Placar que gosta de ser coadjuvante. Vai contracenar com o Sean Connery, então.
Vicente Fonseca disse…
O Diego Souza tem de estar perto do gol. Conclui bem, é perigoso, abre espaços, é forte. Não digo ser um atacante, mas ser o homem mais próximo à dupla de frente, de preferência pelo lado direito, nunca pelo esquerdo, como o Mano quis inventar em 2007. Ontem, ficava na mesma linha do Cleiton Xavier e atrás do Willians, que sabidamente é melhor vindo de trás. Se Luxemburgo inverter os dois de função, há mais chances de dar certo.
Anônimo disse…
Sei lá, não cheguei a cuidar isso ontem, mas se for questão de inverter Cleiton e Diego, é o mesmo do que aconteceu em 2007. O time só deslanchou quando Mano achou a posição de Diego, à frente de Tcheco, que até então era o 4º homem.
Vicente Fonseca disse…
Inverter Diego e Willians é minha sugestão. Ontem, o Willians parecia até jogar como atacante por momentos. Se ele der essa liberdade maior pro Diego ser o cara que se junta ao Keirrison e outro avante qualquer, penso que ele tem maiores condições de jogar bola.
Anônimo disse…
Acho que essa questão do PROTAGONISMO talvez seja um problema mesmo.

Hoje, vejo uma timidez enorme do Diego para chutar no gol, ou para partir pra cima da zaga. Pelo menos com relação ao Grêmio 07.
Vicente Fonseca disse…
Ou falta de confiança mesmo. É um cara de lua: dependendo do dia, massacra ou vira uma tia véia (me recuso a não pôr acento). Ano passado teve um período que ele tava confiante e simplesmente acabou com Atlético-PR e Cruzeiro fora de casa, só metendo golaço.
Prestes disse…
Bah, VÉIA sem acento é impraticável.
Vicente Fonseca disse…
Quando vi JOIA também achei o cúmulo.
Anônimo disse…
Luxemburgo, freguês nato de Libertadores.

Time cagalhão + luxemburro + torcida morta = fiasco.

Edmilson, Xavier, Marcão, Pierre e Lenny não jogam nada.

Só não foi mais porque Marcos não era o goleiro.

Barrios e Torres infernizaram a noite toda.
Anônimo disse…
Verificação de palavras: RETAL.

Deixo o resto à imaginação dos senhores.