A dupla irresistível

Tramandaí

Para uma tarde em que muitas dificuldades eram previstas, o Grêmio nem teve tanto trabalho assim. Contra um Novo Hamburgo que aspira ser o melhor time do Estado fora a Dupla Gre-Nal, fora de casa, jogando sem seu centroavante, o tricolor contou com grande atuação de seus dois meias e sapecou uma goleada tranqüila de 5 a 1, que poderia até ter sido maior, não fosse o preciosismo e a afobação em concluir alguns lances de ataque.

Antes de mais nada, já deixei claro aqui que o 3-6-1 é um sistema que não me agrada. Duvido que Celso Roth o utilize com Herrera e Alex Mineiro podendo formar o ataque, mas se há uma hora em que testar é possível é agora, no Gauchão. É inegável, entretanto, que o esquema tenha hoje funcionado, também pela fragilidade do adversário, mas ficou visível que a atuação foi consistente. Jonas foi o atacante, mas não ficou isolado: recebia a todo momento o auxílio de Tcheco, Souza, Ruy, Willian Magrão e Fábio Santos para tabelamentos. No segundo tempo, com Jadílson, a produtividade ofensiva aumentou.

Apesar do começo complicado, o Grêmio logo tomou conta do jogo e pressionou até fazer 2 a 0. Primeiro, Tcheco bateu escanteio com perfeição para Rafael Marques fazer de cabeça. Aos 15, a primeira aparição conjunta dos meias: Souza roubou bola e lançou magistralmente Tcheco, que encobriu o goleiro e fez o Gol do Fantástico. O primeiro tempo seguiu com um Noia desestruturado e um tricolor seguro, se poupando, e levando perigo em contra-golpes.

O segundo tempo seguia assim até um pênalti assinalado sobre Jadílson, que pela segunda vez entrou bem no jogo. Pelo que vem fazendo, até fisicamente, deve em breve tomar a posição. Souza bateu com categoria. Um minuto depois, o Novo Hamburgoo descontou com João Paulo em furada de um mais uma vez afobado Léo. O time da casa se animou e quis sair para cima para buscar o empate a qualquer custo, no maior pega-ratão que o Gauchão vê desde 1919. Resultado óbvio: mais dois gols gremistas, primeiro com Tcheco em cruzamento maravilhoso de Souza, e depois com o próprio Souza, esperto, driblando o goleiro.

Eu sempre o critico quando ele joga de forma irritante, mas hoje Souza acabou com o jogo. Sábado passado já tinha ido bem. Difícil e incorreto sacar do time alguém que joga desta forma. Um 4-4-2, sem Léo e com Adílson ou Diogo na primeira função, talvez fosse o sistema a ser testado quarta, diante do Veranópolis. Acho difícil, porém, que Roth mude a base de três zagueiros. Uma mudança de sistema tão radical a dias de um Gre-Nal não é algo que se veja todo dia no futebol gaúcho.

Campeonato Gaúcho 2009 - Taça Fernando Carvalho - 4ª rodada
1º/fevereiro/2009
NOVO HAMBURGO 1 x GRÊMIO 5
Local: Estádio do Vale, Novo Hamburgo (RS)
Árbitro: Leandro Vuaden
Público: não divulgado
Renda: não divulgada
Gols: Rafael Marques 12 e Tcheco 16 do 1º; Souza (pênalti) 13, João Paulo 14, Tcheco 19 e Souza 40 do 2º
Cartão amarelo: Chicão, Éder, Cleiton, Léo, Fábio Santos e Diogo
NOVO HAMBURGO: Flávio (4,5), Sandro Blum (4), Luís Henrique (4) e Chicão (3,5); Éder (4,5) (Cleiton, 25 do 2º - 4), William Feijó (5,5), Geninho (5) (Jandson, intervalo - 4), Maicon Sapucaia (5,5) e João Paulo (5,5); Mateus (4) e Giancarlo (4,5) (Murilo, intervalo - 5). Técnico: Gilmar Iser (3,5)
GRÊMIO: Victor (6), Léo (4,5), Réver (6,5) e Rafael Marques (6,5); Ruy (6), Diogo (6), Willian Magrão (5) (Adílson, 17 do 2º - 5,5), Tcheco (8), Souza (9) e Fábio Santos (5,5) (Jadílson, intervalo - 6,5); Jonas (6,5). Técnico: Celso Roth (7,5)

Comentários

Anônimo disse…
Novo esquema tático: Tcheco joga bola; Souza deita e rola.
Lique disse…
olhando aqui, me pareceu william magrão na furada, não o léo. ó a perseguição! heh.
Gustavo Zanuz disse…
CHOREI com o primeiro gol do Tcheco.
Jadilson bem melhor do que Fábio Santos.
Magrão não jogou bem - e não foi só por causa daquela conclusão afobada.
Também tive a impressão de que foi ele que furou no gol do Noia. Mas o Léo teve uma atuação bem inferior ao que ele pode fazer. Temo que ele só tenha decaído, depois de 2007.
Jonas foi uma figura decorativa. As poucas jogadas que ele tentou foram péssimas. Será bancário, com toda a certeza.
No mais, o tricolor amassou. E joga por música. Estou ao mesmo tempo empolgado e receoso, já que o Gauchão costuma enganar.

O jogo do Inter foi diferente, dois gols saíram na segunda metade do segundo tempo, quando o Sapucaiense estava vendido. Mesmo assim, as jogadas pela esquerda fluíam naturalmente. E D'Alessandro esteve em jornada inspiradíssima.
luís felipe disse…
a dupla bateu em bêbado: no final de semana eu destaco a falta de postura do Muricy.

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Sao_Paulo/0,,MUL981504-9875,00-NA+BRONCA+COM+FIM+DE+INVENCIBILIDADE+MURICY+RAMALHO+ESBANJA+GROSSERIA.html
Anônimo disse…
Tanto o NH quanto o Sapucaiense tentaram fazer um jogo franco, de igual pra igual. Mas não eram iguais. Tomaram um laço.
Anônimo disse…
Descontada a fragilidade do Novo Hamburgo, eu achei o 3-6-1 interessante.

Antes do jogo achei que não ia dar certo e que seria descartado.

Agora penso que merece mais testes
Anônimo disse…
http://soccerlens.com/the-curious-case-of-masal-bugduv/20613/

Muitos já ouviram falar da história do jogador fictício que estava na lista de 50 maiores promessas daquela revista. Esse link traz uma boa contextualização desse curioso caso.
Anônimo disse…
Fico tentando descobrir o termo apropriado a essa competição. "Campeonato" é ironia.
Vicente Fonseca disse…
Só discordo do Gustavo quanto ao Jonas. Acho que ele deu boas opções a quem vinha de trás e ainda acertou uma bela virada na trave.

Pode até ter sido mesmo o Magrão que errou no gol, já que o Paulo Brito é mestre em confundir jogadores na narração. Seja quem for, também, não fará grande diferença. Ambos estiveram um nível abaixo dos outros.

Lembrando que o Esportivo também quis jogar bola contra a Dupla, e levou de 5 a 0.

Abraço a todos.
Vicente Fonseca disse…
Bela matéria no Impedimento, Luís. Vejo Muricy desta mesma forma.
Foi o Léo que falhou, sim.