Quem precisa de um divã?
Que a psicologia pode influir numa batalha como o futebol, ninguém duvida. Às vezes, porém, ela tende a ser supervalorizada. Ou, simplesmente, tira-se conclusões a respeito de como anda a cabeça de um time após o resultado: se levar um gol e perder aos 45 do segundo tempo, haverá sempre aquele que dirá que "falta confiança", por exemplo.
Não sou psicólogo, tive apenas uma disciplina (mal dada) relativa à área em minha graduação, há 5 anos. Os clubes também utilizam a ajuda de psiquiatras em momentos mais críticos - apesar de este ser um caso mais raro, mas desta área nunca passei nem perto de um livro. Não quero aqui falar de psicólogos ou psiquiatras e suas diferentes atribuições profissionais aplicadas ao futebol. Meu objetivo é apenas relativizar esse poderio que os tais "motivadores" (e muitos deles nem psicólogos ou psiquiatras são, apenas enganadores mesmo) possuem. Como diria o comentarista Cláudio Cabral, o motivador só aparece quando o time ganha. Ou, como diria Guerrinha, não adianta motivar time ruim: ele vai perder motivado.
O fator mental tem importância, volto a sublinhar. Mas vou recorrer a outra citação, desta vez do meu avô: se tu vais enfrentar um time que perdeu a última partida, teus jogadores dirão que será difícil porque eles virão mordidos; se vais enfrentar um time que ganhou a última, dirão que será difícil porque eles virão motivados. Estas duas frases dão uma boa idéia de como é subjetiva esta questão. Exemplos de supervalorização da psicologia no futebol? Temos um gritante, que veio à tona agora, e será descrito no parágrafo a seguir.
Fiquei sabendo hoje de manhã de uma notícia que me deixou absolutamente estarrecido: o Grêmio teria contratado os serviços de Roberto Shinyashiki para superar a crise técnica e vencer o Figueirense. Nada contra a iniciativa, que partiu do vice-de-futebol André Krieger. Porém, muito antes de gastar dinheiro com algo tão supérfluo, seria bem mais adequado que Krieger discutisse o esquema tático gremista, as opções que Roth anda utilizando para escalar o time titular, que há tempos são bem equivocadas. Encostar no treinador e não permitir que ele escale o time sem um lateral ou ala-esquerdo por dois jogos consecutivos numa reta final de Brasileiro. Entender que é o fator psicológico que anda prejudicando a campanha do time nestas rodadas fatais da competição é um absurdo tão grande quanto decretar que a queda de rendimento do Grêmio se deu por causa de uma suposta decadência física do time ou, muito pior, porque Roth tem nas mãos um "elenco limitado", quando o que ocorre é justamente o contrário: é por ter um elenco muito bom, repleto de boas opções em quase todas as posições, que a campanha degringolou, paradoxalmente.
Quinta-feira será a vez do Internacional superar uma barreira psicológica que o assolou em 2004 e 2005: passar pelo Boca Juniors na Bombonera. Desta vez, porém, duvido que a classificação escape: o time é mais experiente, inclusive mais que o próprio Boca, e tem uma vantagem larga a seu favor. É só não aumentar o drama de jogar em La Boca, não supervalorizar (nem muito menos subestimar) a capacidade dos argentinos de reverterem o resultado. Jogar futebol com equilíbrio, em suma, que é muito mais importante que qualquer palestra motivacional.
Não sou psicólogo, tive apenas uma disciplina (mal dada) relativa à área em minha graduação, há 5 anos. Os clubes também utilizam a ajuda de psiquiatras em momentos mais críticos - apesar de este ser um caso mais raro, mas desta área nunca passei nem perto de um livro. Não quero aqui falar de psicólogos ou psiquiatras e suas diferentes atribuições profissionais aplicadas ao futebol. Meu objetivo é apenas relativizar esse poderio que os tais "motivadores" (e muitos deles nem psicólogos ou psiquiatras são, apenas enganadores mesmo) possuem. Como diria o comentarista Cláudio Cabral, o motivador só aparece quando o time ganha. Ou, como diria Guerrinha, não adianta motivar time ruim: ele vai perder motivado.
O fator mental tem importância, volto a sublinhar. Mas vou recorrer a outra citação, desta vez do meu avô: se tu vais enfrentar um time que perdeu a última partida, teus jogadores dirão que será difícil porque eles virão mordidos; se vais enfrentar um time que ganhou a última, dirão que será difícil porque eles virão motivados. Estas duas frases dão uma boa idéia de como é subjetiva esta questão. Exemplos de supervalorização da psicologia no futebol? Temos um gritante, que veio à tona agora, e será descrito no parágrafo a seguir.
Fiquei sabendo hoje de manhã de uma notícia que me deixou absolutamente estarrecido: o Grêmio teria contratado os serviços de Roberto Shinyashiki para superar a crise técnica e vencer o Figueirense. Nada contra a iniciativa, que partiu do vice-de-futebol André Krieger. Porém, muito antes de gastar dinheiro com algo tão supérfluo, seria bem mais adequado que Krieger discutisse o esquema tático gremista, as opções que Roth anda utilizando para escalar o time titular, que há tempos são bem equivocadas. Encostar no treinador e não permitir que ele escale o time sem um lateral ou ala-esquerdo por dois jogos consecutivos numa reta final de Brasileiro. Entender que é o fator psicológico que anda prejudicando a campanha do time nestas rodadas fatais da competição é um absurdo tão grande quanto decretar que a queda de rendimento do Grêmio se deu por causa de uma suposta decadência física do time ou, muito pior, porque Roth tem nas mãos um "elenco limitado", quando o que ocorre é justamente o contrário: é por ter um elenco muito bom, repleto de boas opções em quase todas as posições, que a campanha degringolou, paradoxalmente.
Quinta-feira será a vez do Internacional superar uma barreira psicológica que o assolou em 2004 e 2005: passar pelo Boca Juniors na Bombonera. Desta vez, porém, duvido que a classificação escape: o time é mais experiente, inclusive mais que o próprio Boca, e tem uma vantagem larga a seu favor. É só não aumentar o drama de jogar em La Boca, não supervalorizar (nem muito menos subestimar) a capacidade dos argentinos de reverterem o resultado. Jogar futebol com equilíbrio, em suma, que é muito mais importante que qualquer palestra motivacional.
Comentários
Evidenciou o que nós bem sabemos se tratar da "ausência completa de jornalismo esportivo". Basicamente, o dirigente gremista estava enfurecido porque a ZH publicou a matéria "num momento em que deveria estar incentivando o time". Tudo foi ainda mais constrangedor porque os jornalistas ficaram dizendo que eles não estão a serviço do Grêmio, mas "dos fatos". Ah é? Só esqueceram de explicar por que só agora, depois que o Grêmio sai da ponta e se mostra uma crise, notícias como a "quase briga em vias de fato" entre o Meira e o Roth são veiculadas. Pergunto: por que não antes?
É a velha história que eu e tu já ouvimos (E GRAVAMOS) da boca de figurões importantes desse meio aí: "a função do jornalismo no esporte é promover o espetáculo".
Não sei se fico com mais pena dum cidadão completamente lunático como o Meira ou dos repórteres que hora se vêem obrigados a fazer jornalismo, hora promoção e vendas.
Por mim, não se fazia nada como palestras nem sequer o técnico ficaria falando aquela ladainha. Sou mais do estilo europeu: tu é meu funcionário, vai correr e pronto.
No entanto, o brasileiro é muito passional nesse aspecto, os jogadores choram em palestra, e sentem falta de um conversê ao pé-do-ouvido. Creio que o treinador e o dirigente que adotassem postura mais "fria" perderiam as rédeas do grupo.
E também é verdade que o Grêmio até corre os 90 minutos, mas a intensidade de marcação era outra na melhor fase do time. Dentro ou fora de casa, marcação pressão, agressividade no ataque. Isso não se vê mais.
e tem mais, jogador brasileiro, além de BURRO, é muito CRENTE, TEMENTE A DEUS e USUÁRIO de toda e qualquer religião. qq reunião em vestiário já é um FICA COM DEUS, JESUS VAI NOS AJUDAR e coisetal. terreno FÉRTIL pra esse tipo de AUTO-AJUDA...
"Se vocês gritarem mais alto que o outro time, Deus vai ajudar vocês??"
Prestes: é aquela velha história de que jogador brasileiro gosta de ser tratado que nem criança mimada, tem que paparicar. Sobre a preparação física, é fato que as lesões vieram, mas o que eu quis ressaltar foi justamente a questão do "correr mais e correr menos". Outros clubes se igualaram ao Grêmio em termos de preparação física no returno, mas não vejo o tricolor esgotado no final dos jogos e os adversários correndo. Talvez isso ocorra porque aquela marcação-pressão na saída de bola adversária não ocorra mais, mas aí vejo mais como um erro tático, ao menos em princípio. Em suma, o tricolor estaria correndo ERRADO, e não MENOS. Mas enfim não sou entendido em preparação física, e argumentos sólidos em contrário podem me convencer.
Gustavo: o Meira tava na diretoria quando estourou o negócio das ovelhinhas, mas acho que quem falou a asneira foi o Vallandro mesmo.
Saulo: mesmo tu não estando aqui, considero que viste melhor a causa maior dos problemas do Grêmio que 90% dos cronistas gaúchos.
Nos tempos de Miranda, o Inter gastou fortunas contratando especialistas em neurolinguística para motivar o time. Nunca deu certo. Tais especialistas, geralmente, não conseguiam se fazer entender pelos atletas. É para isso que existe a especialidade "psicologia do esporte".
Um exemplo claro: Inter X Cruzeiro, 2001, Belo Horizonte. O Inter tinha remotíssimas chances de classificação e para isso teria de vencer o Cruzeiro. Depois do almoço, os jogadores são chamados para ver um vídeo motivacional. O videocassete emperra. Uma hora tentando consertar. Depois, mais uma hora e meia de vídeo. Alguns jogadores se emocionaram, funcionou muito bem com eles.
Só que duas horas e meia sentados em cadeiras antes da partida mata a concentração de qualquer jogador. O Inter tomou um gol antes dos cinco minutos. Entrou em campo dormitando.
Nada contra motivadores no futebol, mas é importante que eles saibam que não estão lidando com executivos nem vendendo livros.
Mas, várias questões são levantadas, todas elas giram em torno da questão dos "comentaristas de resultado"
A palestra do Shinyashiki já devia ser fato conhecido antes do jogo, por que só divulgaram depois