Quem precisa de jogo épico?
Celso Roth já havia falado que o Grêmio precisaria fazer um jogo heróico no Campeonato Brasileiro se quisesse ser campeão. Discordei disso na hora, e sigo discordando. Porque, por mais que esta grande vitória obtida num Palestra Itália diante do Palmeiras vá ganhar esta alcunha desde já, o tricolor não precisou jogar com este heroísmo todo que Roth reclamava: foi "apenas" o Grêmio do turno que esteve hoje em campo, o que não é pouco. Foi, sim, a vitória mais importante obtida pelo time gaúcho na competição. Mais que as duas contra o São Paulo, mais que a goleada contra o Figueirense. Este foi o domingo em que o Grêmio voltou a atuar com inteligência longe do Olímpico, sem jogar demasiadamente retraído, como em todo este conturbado returno. Se meu amigo e colega de Carta na Mesa Gustavo Faraon defendia, até com uma pitada da ironia que lhe é costumeira, que este era o duelo em que o tricolor tinha mais chances de vitória - pois Roth não poderia inventar improvisações, por falta de elenco - os desfalques talvez tenham sido mesmo "abençoados". Celso escalou cada um na sua, um time organizado, com apenas duas improvisações obrigatórias (Souza na ala e Amaral na zaga) pelas perdas de Léo, Réver, Pereira, Felipe Mattioni, Paulo Sérgio, Perea e Makelele.
Mas ainda mais que um esquema sem frescuras, foi a postura gremista que se deve louvar hoje. Dizia-se, com correção, que era preciso segurar o Palmeiras no início para impacientar o time da casa e a torcida. Isto foi cumprido à risca: nos primeiros 15 minutos praticamente não houve jogo, tudo era muito truncado. O time de Vanderlei Luxemburgo sempre teve mais a iniciativa, mas depois dos 20 minutos, o contra-ataque puxado por Reinaldo, Souza e Tcheco começava a aparecer com força. As melhores chances do primeiro tempo foram do Grêmio. Poderia ter saído com a vantagem antes do intervalo.
Na segunda etapa, ficou mais ainda escancarado que Diego Souza e Kléber fizeram muita falta ao Palmeiras. A criação alviverde ficou a cargo de Léo Lima, que esteve longe de Alex Mineiro, e Denílson, que foi bem marcado e isolado numa das pontas. O Grêmio conseguia levar a partida no mínimo em equilíbrio, e por isso mesmo jogava melhor: impunha seu estilo, ganhava divididas, era mais perigoso, controlava o jogo. Quando Roth colocou André Luís no lugar de Reinaldo, 9 entre 10 gremistas devem ter desacreditado da partida. Mas o rapaz entrou bem no lugar do mais-uma-vez-lesionado artilheiro gremista. Nada demais, mas puxava contra-ataques rápidos e era liso. Para o estilo de jogo que o time se propôs, caiu bem. Isso porque o Palmeiras tinha, na etapa final, imprimido um ritmo um pouco mais forte, ao contrário do primeiro, quando foi dominado na maior parte do tempo.
O gol de Tcheco foi fortuito, de chiripa, mas merecedíssimo. Não só para o time, que jogava melhor que o Palmeiras, mas para o próprio capitão. Para quem ainda o chama de amarelão em decisões, mais uma prova em contrário. Recebeu a bola de Hélder, andou alguns passos sem ser acossado e levantou despretensiosamente para a área. Ela passou por todo mundo, inclusive por Marcos. O goleiro palmeirense protagonizou ainda vários lances cômicos: certamente se sentindo culpado pelo gol tomado, subia para tentar cabecear na área gremista em todas as faltas laterais, inexplicavelmente, desde 28 do segundo tempo. Ridículo.
Perfomances individuais a se destacar: Jean e Héverton fizeram muito boa partida, espanando tudo. Souza foi o jogador qualificado que sempre se esperou que fosse; os dois volantes também foram muito bem; Tcheco, mesmo sem ser brilhante, fez o gol e deu uma aula de experiência, segurando o jogo e cavando faltas quando convinha; Hélder também merece nota, foi firme atrás e até insinuante em determinados momentos. No Palmeiras, o volante Pierre fez muito boa partida. Basicamente o único que se salvou numa tarde que frustrou demais os 25 mil palmeirenses presentes no Palestra Itália.
Quando semana passada o Grêmio empatou burlescamente com o vice-lanterna Figueirense, só se dava alguma chance de título para o time da Azenha se viesse uma vitória contra o Palmeiras, fora de casa. Pois ela veio, e com ela não apenas os 3 pontos e o retorno à perseguição ao São Paulo: ela alija, na prática, os palmeirenses do título; encaminha quase definitivamente a vaga gremista à Copa Libertadores; e, mais que isso, será o gás que andava faltando a esta campanha irregular que marca o tricolor desde o fim de agosto. Há 4 jogos ainda, todos vencíveis. Se o Grêmio for nelas o time de hoje, aguerrido e sem invenções, convém não descartá-lo deste baralho de candidatos.
Em tempo:
- Ainda não entendi os intermináveis 5 minutos de desconto dados pela arbitragem. No mais, expulsão merecida de Jean. E não foi pênalti em André Luís, na dividida com Pierre.
Campeonato Brasileiro 2008 - 34ª rodada
9/novembro/2008
PALMEIRAS 0 x GRÊMIO 1
Local: Palestra Itália, São Paulo (SP)
Árbitro: Heber Roberto Lopes (PR)
Público: 26.025
Renda: R$ 761.095,00
Gol: Tcheco 27 do 2º
Cartão amarelo: Martinez, Maicosuel, Rafael Carioca, Tcheco, Hélder e Marcel
Expulsão: Jean 45 do 2º
PALMEIRAS: Marcos (5), Élder Granja (5), Gustavo (5,5), Martinez (5,5) e Leandro (5,5); Pierre (6,5) (Lenny, 32 do 2º - 5), Jumar (5) (Maicosuel, 21 do 2º - 4,5), Léo Lima (5,5) e Evandro (5); Denílson (5) (Jorge Preá, 17 do 2º - 4,5) e Alex Mineiro (5). Técnico: Vanderlei Luxemburgo (4,5)
GRÊMIO: Victor (6,5), Héverton (6,5), Jean (7) e Amaral (5,5); Souza (6,5), Rafael Carioca (6), Willian Magrão (6,5), Tcheco (7) e Hélder (6,5) (Adílson, 37 do 2º - sem nota); Reinaldo (6) (André Luís, 15 do 2º - 6) e Marcel (4,5) (Orteman, 40 do 2º - sem nota). Técnico: Celso Roth (7)
Foto: Adriano Vizoni/Futura Press
Comentários
De resto, só comento pessoalmente.
sigam assim, seus jogadores filhosdaputa...
Explica ai Vicente...lembro dele rindo do CUrintia ano passado...e agora??
O que vi foi uma partida de muita luta e pouquíssima criação. Antes do gol, o Grêmio tivera apenas uma chance clara, com Marcel, que aliás merecia nota 3. Depois do gol, quando até o Marcos tava no ataque, aí o Grêmio criou mais duas, três chances. Gol que, apesar de fruto da observação (Marcos tomou um gol igualzinho contra o Flu), também não foi fruto de criação. Tcheco lutou bastante, mas foi apagado na criação, pra mim Souza não esteve nem perto da tua descrição. A zaga, sim, esteve muito bem. Héverton jogou muito bem. Vitor também esteve impecável.
Eu gostei do Souza, Prestes. Não esteve brilhante, mas penso que deu qualidade pela direita. Puxou contra-ataques perigosos, deu bons arremates a gol, foi bem na marcação. Quanto ao Tcheco, de fato faltou mais articulação ao Grêmio, e isso passa por ele. Mas o 7 e os elogios vêm pela importância em ditar o ritmo do jogo (segurou a bola quando vinha pressão do Palmeiras), inclusive cavando faltas em momentos cruciais com grande experiência, algo semelhante a quando Iarley prendia a bola contra o Barcelona. E, claro, pelo gol.
Realmente, concordo com o Faraon, Palmeiras facilitou a escolha do Roth na ala-direita.
Prestes, antes do gol, além da chance perdida pelo Marcel, o Grêmio ameaçou nos chute de Reinaldo e Souza, nos dois o Marcos fez boas defesas
Sigo não acreditando em título, porém deu prazer de ver o Grêmio calar o Parque Antartica. Acho q na libertadores já estamos.
Agora é secar, mesmo que sem fé, o SP !!!
Para quem ainda o chama de amarelão em decisões, mais uma prova em contrário
Pensei muito nisso depois do jogo
ps: que coincidencia, a palavra da verificação de palavras é "copow"
É legal de ver a torcida do Palmeiras no fundo pulando, e cada um parando enquanto a bola cruza a área, sobrando apenas um infeliz pulando no canto direito do vídeo, parando apenas quando a bola entra.
Eu não acredito em Roth, mas acredito em Luxemburgo.
Agora é com vocês.