O melhor entre os quatro
Foi a vitória e a classificação de quem tem mais qualidade individual. O Boca Juniors mostrou aquilo que fizera no Beira-Rio: alguma qualidade coletiva, mas poucas individualidades consistentes. Tentou exercer uma pressão no começo, teve a chance de fazê-la novamente quando marcou seu gol, mas o fato é que o Internacional sempre impôs sua estratégia. E mereceu a grande vitória de 2 a 1 que o deixa nas semifinais da Copa Sul-Americana.Tite apostou na solidez de quatro zagueiros para segurar as chegadas pelas pontas do time argentino. Este foi o intento de escalar Bolívar e Marcão nas laterais: segurar Mouche e Gracián e impedi-los de cruzar para o alto Figueroa. O jogo teria de fluir pelo meio, afunilando, o que é sempre mais difícil. Ainda mais quando falta a qualidade de Riquelme. Isso sem contar que o centroavante, nas duas chances que teve de cabeça, mostrou total inabilidade em concluir no jogo aéreo. Os primeiros minutos foram de alguma pressão, nada de anormal, por parte dos argentinos. Porém, antes da metade da etapa inicial o Inter já se estabilizara. Conseguiu algumas escapadas com Nilmar, mas ainda ameaçava muito pouco o gol xeneize. Jogou pouco, mas com segurança: o suficiente para manter o time da casa longe de marcar seu gol.
O gol de largada no segundo tempo foi importantíssimo, e deixava os argentinos na obrigação fazer 4 a 1. O empate veio minutos depois, num pênalti que eu ainda não entendi direito cometido por Edinho. Riquelme, que recém entrara, bateu no cantíssimo, e Lauro - muito boa atuação - quase pega. Vieram ali os minutos mais difíceis do Inter na partida, mais pelo lado psicológico que por qualquer outra coisa: o Boca se lançou à frente, a torcida enlouquecia na Bombonera, Riquelme e Dátolo já estavam em campo. O colorado ficou acuado, alguns mostraram nervosismo. Mas faltava poder de fogo ao Boca Juniors. Logo a pressão cessou, e passaram a vir os contra-ataques. Num deles, grande tabela de Alex e D'Alessandro, que parou dentro do gol, com a conclusão do camisa 10. Os dois jogavam pouco até então, mas justificaram suas presenças em campo nesta bela trama. E cresceram a partir dali, especialmente Alex, que comandou o olé vermelho em pleno Caminito.
O segundo gol matou de vez os argentinos, que sentiu o golpe e se desligou da partida. Pressionava esterilmente, e todo o perigo que havia eram os contra-ataques colorados. Riquelme esteve sumido, Dátolo foi bem controlado. Houve várias chances para o terceiro do Inter, que acabou não vindo. Porém, a classificação está assegurada às semifinais. E com duas vitórias sobre o Boca. Ok, eram os reservas. Mas ainda assim era o Boca Juniors. O atual campeão da América fez bem menos contra este time.
Copa Sul-Americana 2008 - Quartas-de-final - Jogo de volta
6/novembro/2008
BOCA JUNIORS 1 x INTERNACIONAL 2
Local: Bombonera, Buenos Aires (ARG)
Árbitro: Oscar Ruiz (COL)
Público: 40.000
Gols: Magrão 2, Riquelme (pênalti) 12 e Alex 26 do 2º
Cartão amarelo: Muñoz, Figueroa, Dátolo e Álvaro
Expulsão: Forlín 40 do 2º
BOCA JUNIORS: García (5), Barroso (5), Muñoz (5,5), Forlín (4,5) e Calvo (5,5); Gaitán (5) (Dátolo, 8 do 2º - 5), González (5), Cardozo (4,5) (Viatri, intervalo - 5) e Gracián (4,5) (Riquelme, 8 do 2º - 5); Mouche (5) e Figueroa (4). Técnico: Carlos Ischia (4,5)
INTERNACIONAL: Lauro (7), Bolívar (4,5), Índio (5,5), Álvaro (5,5) e Marcão (5,5); Edinho (5), Guiñazu (6), Magrão (7), D'Alessandro (6,5) (Gustavo Nery, 37 do 2º - sem nota) e Alex (7,5); Nilmar (6). Técnico: Tite (7)
Foto: Reuters
Comentários
O River jogará uma partida bem diferente contra o Inter. Muito mais porrada e velocidade na frente.
E ali pelos 35 do segundo tempo o Inter podia ter massacrado e feito uma goleada. Imagina...
Não estou sendo irônico.
Defendo a titularidade do Bustos por três motivos: teve poucas chances; os que têm jogado receberam mais oportunidades, apesar de piores; tem a qualidade da bola parada.