Edmundo põe fim à agonia
São Januário era uma panela de pressão pronta para explodir: de alegria, se a vitória viesse; de dor e raiva se o resultado fosse negativo. A agonia absoluta dos vascaínos começou a deixar de existir aos 27 do segundo tempo, com o gol de pênalti marcado por Edmundo, mas só terminou aos 50, quando Elmo Alves Resende Cunha apitou o fim do jogo.Para anular os rápidos contra-ataques santistas puxados por Molina e Cuevas, Renato Portaluppi apostou num 3-5-2 que deu certo, em princípio. A marcação era feita no campo de defesa do Santos, que não encontrava alternativas. Aos poucos, porém, o time de Márcio Fernandes conseguia desvencilhar-se da pressão dos mandantes. Rodrigo Souto já jogava mais... solto, sem trocadilhos. Bida recuava e ajudava a iniciar os ataques, juntamente com os laterais Wendell e Kléber, que começavam aos poucos a aparecer. Também aos poucos escancarava-se a mior qualidade dos paulistas, que ainda tinham em Kléber Pereira uma jogada sempre perigosa.
O primeiro tempo transcorreu em um equilíbrio entre a melhor equipe do Santos e a maior gana do Vasco. O time de São Januário tinha iniciativa, mas faltava qualidade. Quando a bola enfim chegava a Madson, chegava nem sempre redonda. Leandro Amaral e Alex Teixeira sofriam com a escassez de oportunidades. Os torcedores clamavam por Edmundo, e com razão.
Portaluppi utilizou Edmundo como última cartada. Tentou antes repetir o time do primeiro tempo, refazendo aquela marcação cerrada do início do jogo. Novamente, houve a pressão inicial, que logo foi suplantada pelo Santos. Quando o ídolo entrou no lugar de Odvan aos 12 minutos, transformando o 3-5-2 num 4-3-3, o Vasco passou a ser mais consistente. Com Edmundo, o time ganhou força ofensiva, tabelas, jogadas. Foram os melhores 15 minutos do time carioca na partida. Claro, agora é mais fácil falar: na hora, cada segundo era mais angustiante. A pressa era tanta em marcar um gol que Leandro Amaral, ao tentar bater escanteio, chutou a bandeirinha junto.
A salvação veio aos 25, com Jonílson sendo derrubado no limítrofe entre a área e a linha. Pênalti cobrado por Edmundo, dois minutos depois, com categoria, contra toda a catimba santista, especialmente de Fábio Costa. Ele, que já errou em diversos momentos importantes da história vascaína, não o perdeu hoje, jogo com importância suprema também. Os 23 minutos finais foram de total pressão do Santos, que por pouco não empatou. Parou na eficiência do goleiro Rafael e em erros de conclusão.
É a vitória que tira o Vasco por uma noite da zona de rebaixamento, mas que recoloca o Santos perto do furacão. O recente crescimento cruz-maltino é fundamental para evitar uma queda à Série B. Os santistas, apesar da derrota, não devem deixar a peteca cair. Perderam, mas mostraram que têm time suficiente para evitar o pior.
Campeonato Brasileiro 2008 - 34ª rodada
8/novembro/2008
VASCO 1 x SANTOS 0
Local: São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha (GO)
Público: 25.070
Renda: R$ 277.790,00
Gol: Edmundo (pênalti) 27 do 2º
Cartão amarelo: Alex Teixeira, Fábio Costa, Domingos, Rodrigo Souto e Kléber Pereira
VASCO: Rafael (6,5), Eduardo Luiz (5,5), Jorge Luiz (5) e Odvan (5,5) (Edmundo, 12 do 2º - 7); Wagner Diniz (5,5), Jonílson (6), Matheus (5,5), Madson (5,5) e Rodrigo Antônio (4,5); Alex Teixeira (5) (André, 42 do 2º - sem nota) e Leandro Amaral (5). Técnico: Renato Portaluppi (6)
SANTOS: Fábio Costa (6,5), Wendell (5,5), Domingos (5,5), Fabiano Eller (6) e Kléber (5,5); Rodrigo Souto (5,5), Adriano (5,5), Bida (5) (Wesley, 38 do 2º - sem nota) e Molina (5,5) (Pará, 35 do 2º - sem nota); Cuevas (5,5) (Lima, 21 do 2º - 5,5) e Kléber Pereira (6). Técnico: Márcio Fernandes (5,5)
Foto: Márcia Feitosa/Vipcomm
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